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Vai decolar?

terça-feira, 3 de abril de 2012

Sobre o anúncio da WTM Latin America, filhote da WTM Londres que pretende habitar São Paulo a partir do ano que vem: dificil decolar.

A não ser que haja um amplo acordo para trazer o ECB (Encontro Comercial Braztoa) para dentro da WTM; outro acordo para colar a WTM na São Paulo Travel Week e um acordo final para inserir os interesses da CTI-NE, ABAV Nacional e demais associações. A não ser também que seja instituído um programa agressivo de hosted buyers e agendas de reuniões “cara-a-cara.

A atual agenda de eventos domésticos e internacionais com pesada participação brasileira leva a uma conjuntura onde o profissional de turismo está realmente virando “turista”, pois pode passar mais tempo pulando de evento em evento e de feira em feira do que trabalhando e vendendo seus produtos. Nesta onda de múltiplos eventos a gente percebe cada vez mais o crescimento de eventos proprietários (SP Travel Week, Nastur, Encontro Ancoradouro, Workshop CVC, etc.) onde potenciais expositores conseguem atenção exclusiva de seus convidados e a maximização do retorno de seus investimentos. Enquanto isso as grandes feiras vão perdendo espaço e se transformando em “showcases” onde muita gente passeia para ver e ser visto mas poucos negócios são efetivamente concretizados.

Além do óbvio desconforto que a Reed causa na ABAV (fará uma feira que promete competir com a grande Feira das Américas), ela está mexendo num vespeiro com mais abelhas que pode contar, pois pretende fazer uma salada de frutas conciliando interesses de diversos setores sem levar em consideração as implicações econômicas de querer dividir um bolo que já é disputado a facadas por comensais locais. Sem dúvidas a Reed tem peso internacional, expositores que a seguem onde vá e caixa para financiar sua expansão; o que não sabemos é se terá a costura adequada de alianças no Brasil e na América Latina para fazer vingar esta aposta

Finalmente, fica a reflexão: depois de haver tentado fazer decolar a LACIME sem sucesso na década passada, ter lançado com limitado (pouco, prá sermos diretos) sucesso a AIBTM (irmã caçula da grande EIBTM) nos Estados Unidos e não ter promovido as propagadas melhorias que o mercado esperava na Feira das Américas, será que a Reed agora acerta o passo?

 

Poeira

sexta-feira, 16 de março de 2012

As melhores análises são feitas de cabeça fria. No calor das emoções tendemos a aumentar tudo, sejam defeitos, qualidades ou pequenas coisas que passariam despercebidas em momentos de calmaria. O bom e o ruim de ter um blog, ainda mais com a visibilidade do Panrotas, é que tudo o que escrevemos no calor das emoções é rapidamente lido e propagado, exigindo cuidado redobrado para não cometermos o pecado do exagero.

Como hoje já é 6ª feira vejo o horizonte e constato que a poeira já baixou. O terremoto do 10º Fórum Panrotas já é visto pelo retrovisor e o que restam são idéias, conceitos, informações e retóricas que podemos digerir com calma e frieza. Partindo destas premissas ouso cravar que foi um dos melhores (senão o melhor) eventos voltados para o segmento turístico que já participei.

Ok, eu disse aí em cima que não podemos exagerar, mas realmente não me vejo cruzando a linha do excesso. O 10º Fórum Panrotas nos apresentou idéias em bandeijas de prata; serviu um lauto banquete que satisfez os mais exigentes comilões e gourmets; possibilitou pela 1ª vez que as pessoas que pensam e decidem o turismo Brasileiro (seja receptivo, exportativo, online, etc.) pudessem receber uma dose cavalar de visão estratégica em curto espaço de tempo.

Não vou me ater aos detalhes de cada sessão nem à qualidade dos expositores. Preferências não se discutem, o que importa é um “todo” coeso e bem amarrado. A formatação em arena circular permitiu uma proximidade com o palco e as pessoas nunca antes registrada, a ostensividade das imagens de patrocinadores foi trocada por uma aparição mais sutil e subliminar através dos painéis mais distantes e “soltos” no grande espaço. A luz azulada entre sessões e o foco centralizado no palco redondo transmitiu modernidade, bem como as constantes tomadas aéreas feitas pela câmera na grua nos trouxeram o mundo dos palcos de tv para o centro da Fecomércio. Pela ótica de “meeting design” foi um evento transgressor, rompedor de paradigmas e ousado como seu programa temático. Nota 10!

A disposição das sesões foi inteligentemente desenhada, alimentando-nos com um zig-zag de estrangeiros, brasileiros, políticos e empresários. Não houve 2 sessões que se arrastassem em sequência, um tema árido era logo substituído por outro mais suave e assim foi-se sucedendo o script. Nota 0 (ZERO) para as pessoas que não querem assistir às sessões mas teimam em ficar do lado de fora do salão conversando alto e atrapalhando quem está do lado de dentro. Ano que vem sugiro que a organização proiba que o espaço externo fique cheio de gente, quem não estiver dentro do plenário tem que ser convidado gentilmente a ficar no andar térreo conversando e tomando cafezinho (coisas muito válidas e importantes também, sem dúvidas).

Sugestões? Sim, sempre existem sugestões, mas o nível foi tão alto que fica difícil ser chato, até para um cara chato como eu. Fui sem expectativas muito grandes e saí convencido que o Fórum Panrotas precisa dar luz a “filhotes”. Filhos que sejam acolhidos na Feira das Américas, nas incipientes Braztoas e nos outros eventos que pretendem dar voz e corpo ao nosso setor. Os profissionais que tiveram o privilégio de estar no 10º Fórum Panrotas foram expostos ao que existe de melhor, torço para que todos os outros que não puderam participar tenham chances similares num futuro bem próximo.

Um agradecimento especial ao Don Guillermo por ter iniciado este caminho sem volta 10 anos atrás. Sua contribuição está deixando o nosso mercado mais inteligente e articulado, mais profissional e maduro. Um grande abraço!

Caramba!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O adjetivo não era bem esse, mas certas expressões são impublicáveis. Eu não sou um cara de cultivar heróis ou gurus, gosto muito de seguir alguns exemplos, mas penso que por trás de qualquer idolatria e fanatismo sempre existe o perigo do radicalismo. Isso posto, sou obrigado a dizer que hoje tive a enorme felicidade de conhecer um grupo de pessoas muito especiais, as quais alço à condição de inspiradores pessoais, pessoas do caramba!

Durante o painel “Eventos numa sociedade em transformação” n0 LAMEC 2011 tive a honra e privilégio de mediar o bate-papo com o Zé Mauro Gnaspini (Virada Cultural), Mario Teza (Campus Party), Ingrid Francini (SWU), Paulo Lima (Prêmio TRIP Transformadores) e René Silva (Blog “A Voz da Comunidade”).

Essa turma da pesada não precisava de mediador, pois foram não só ultra-articulados como também mantiveram o assunto nos trilhos e souberam apresentar respostas de tamanho preciso. Foi um verdadeiro bate-papo na sala, com quase 400 pessoas assistindo do sofá. Na opinião de uma boa parte dos presentes não houve uma “estrela” neste painel, mas um grupo que se completou harmonicamente.

Questões menos “terrenas” e mais filosóficas permearam toda a discussão, com excelentes tiradas do Paulo Lima, com uma lucidez e simplicidade incríveis; o Mario e o Zé Mauro mostrando como existe gente competente e criativa estruturando grandes eventos em São Paulo; a Ingrid mandando seu recado sobre sustentabilidade e o garoto René Silva dando uma aula de criação e execução de eventos. Prá mim foi realmente um show e me disseram que durou 1 hora e meia, mas eu pensei que tinha sido apenas uns quinze minutos, pois não vi o tempo passar.

Moral da história: onde há gente que faz as coisas com o coração e com um sentido de “finalidade”, o resultado cresce e se expande de forma exponencial. Quero deixar aqui um enorme obrigado a todos que participaram do LAMEC 2011, aos patrocinadores e a todo mundo que trabalhou para fazer o evento acontecer. É a frase batida mas tão verdadeira que repetimos como um mantra: “Quando  nós nos reunimos, mudamos o mundo!”

LAMEC 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Nesta segunda-feira, dia 12, a MPI (Meeting Professionals International) está propondo que a gente pare e mergulhe numa outra dimensão. Vai ser logo ali, no Hotel Unique, desde 08:30 até o fim da tarde, mas será mesmo uma outra dimensão.

O LAMEC (Latin America Meetings & Events Conference) não fala de turismo. O LAMEC não mostra cases de incentivos. O LAMEC não apresenta o dia-a-dia. Ao mesmo tempo o LAMEC é tudo isso e muito mais. Segunda-feira que o LAMEC promete chacoalhar todo mundo que estiver disposto a entender melhor nossa sociedade, a ver a mudança de paradigmas sociais, a  refletir sobre a importância da sustentabilidade e como homens e empresas podem fazer isso através de EVENTOS.

Eventos que podem ser em estádios, eventos que premiam inovadores, eventos que criam e fortalecem marcas, eventos que sobem morros em comunidades carentes, eventos que reúnem pessoas em diversos países ao mesmo tempo. O século XXI é o século dos eventos!

Com uma programação arrojada e de alto nível serão discutidos temas relevantes, serão expostas idéias inovadoras, serão conhecidas pessoas que fazem muito com muito pouco. O LAMEC pretende ser uma referência, um marco, o evento que fará a cabeça das pessoas que pensam e vivem eventos. Antes de dizer que sua empresa não tem budget, que seu orçamento não dá prá nada, que fazer um evento diferente é quase impossível, venha até o LAMEC 2011 e surpreenda-se!

Segunda-feira, dia 12 de dezembro. Neste dia todos nós teremos a chance de ver e sentir quantas possibilidades e alternativas existem para que façamos mais, melhor e com menos. Para se inscrever no LAMEC 2011 é só entrar aqui: http://www.mpibr.org/

Perdi. Perdi?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sexta-feira é o dia da xepa na ABAV. Depois de todos os agitos do 2º dia (geralmente o melhor dos 3) vem aquele sentimento de “está chegando a hora” e “vou mais cedo prá não perder minha ponte”.

Pelo nível de expectativa gerada com a mudança no formato das sessões educacionais, com a inserção de atividades paralelas no mesmo local da feira e com o grande zum-zum-zum dos movimentos das grandes operadoras, me sinto defasado em relação aos acontecimentos no Riocentro.

Como não estive de corpo presente gostaria de pedir aos leitores mais generosos e atentos que me indiquem o que perdi de bom nestes dias de feira, seminários, festas e encontros. Já é possível apontar qual o ponto alto da ABAV 2011? A energia “pré-evento” se traduziu numa visitação forte? Os expositores saem satisfeitos? Os agentes de viagem que investiram seu tempo e recursos sentem que o retorno é positivo? Tá chegando a hora do balanço…

Mr. Bloom

sábado, 15 de outubro de 2011

Esta história tem tudo para impressionar os mais céticos e exigentes. Nosso protagonista não tem pinta de super-herói, mas conseguiu operar uma revolução no segmento das feiras internacionais voltadas a eventos e incentivos. Com seus 1,62m Ray Bloom é o Davi que esta semana acertou uma forte pedrada na fronte de Golias. Este pequeno homem é um verdadeiro gigante de força-de-vontade, carisma e determinação, um exemplo a ser seguido. Ano passado nos encontramos na África do Sul e dei uma famosa carona prá ele em Cape Town depois de um jantar do SITE, em que me perdi pelas estradinhas secundárias e demorei 2 horas prá chegar ao nosso hotel, enquanto ele contava as histórias mais mirabolantes e Rajeev e eu ouvíamos fascinados. Toda vez que Ray me encontra ele pergunta se eu “vim de táxi”.

Desde a década de 1990 os Estados Unidos vinham capengando com a IT&ME (depois renomeada “Motivation Show”), uma feira que nasceu com o propósito de fortalecer e divulgar o segmento de incentivos (principalmente viagens) e que foi se transformando num monstro feioso dedicado a brindes, displays e bugigangas, perdendo sua inspiração e afastando visitantes e expositores. Como maior mercado de incentivos do planeta, os Estados Unidos eram tratados como jogador de 2ª linha, como se o Brasil não tivesse um campeonato nacional de futebol, contentando-se a assistir jogos e ver craques de outros países.

Tudo ia de mal a pior até que Ray Bloom resolveu ir prá cima e assumir o risco de criar uma nova feira nos “states”. Ray é cria da Reed Exhibitions, maior empresa organizadora de feiras do mundo. Há dez anos decidiu montar sua própria empresa de feiras e eventos, a Regent Exhibitions, para concorrer com sua antiga casa. Tornou-se dono e organizador da IMEX Frankfurt (maior feira mundial de incentivos que acontece todo mês de Maio e que vai em 2012 para sua 10ª edição) e aplicou à risca em Las Vegas um roteiro muito inteligente e super-testado que já dá ótimos resultados do outro lado do atlântico: parceria com uma cidade; expositores-âncora fortes; programa de hosted buyers e, numa ação muito bem-vinda, entregou a parte educacional à MPI (Meeting Professionals International), que ficou responsável por todos os seminários e palestras. Finalmente, Ray Bloom costurou um acordo com a SITE (maior associação de empresas voltadas a eventos e incentivos) para que seu congresso anual começasse no último dia de sua feira, também em Vegas.

Com tudo isso aí em cima o Ray conseguiu levar para Las Vegas na 2ª semana de Outubro quase todas as lideranças mundiais do segmento de eventos, sejam elas pessoas, empresas, “convention bureaus”, estudiosos e compradores, e colocou de pé a IMEX America, uma “feira-bebê” que nasceu esta semana e foi um sucesso espetacular. Com 2000 expositores, 1700 profissionais inscritos e 2000 hosted buyers de 40 países, a IMEX America teve 30000 reuniões pré-agendadas e trouxe um novo recorde de negócios para o segmento. A energia de expositores, compradores e organizadores era uma clara demonstração do sucesso da empreitada, e Ray Bloom passeava apressadamente entre todos os stands e salas de conferências distribuindo sorrisos e abraços, com a tranquilidade e humildade de sempre.

Para 2012 a IMEX America já entra no calendário oficial da turma que pretende estar 100% ligada em eventos e incentivos, com a grande vantagem de poder encontrar num só lugar negócios, educação, lideranças e entretenimento. Deixo aqui um abraço a toda a turma da IMEX, gente que sabe fazer um evento como poucas pessoas: Annie Speyer, Nikki Williams, Lucy Dancer e muitos outros, além, é claro, do gigante Ray Bloom.

Já Elvis…

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Este post já era prá ser o 1º da série sobre NYC, mas tive que adiar prá falar sobre o evento Think do Google que aconteceu hoje cedo em São Paulo. Foi minha primeira vez no evento e virei fã, pois ali podemos ver as novidades que irão forjar nossas escolhas como fornecedores e consumidores no maior site de buscas do mundo.

Sendo curto e direto ao ponto: se vc tem uma OTA, se você depende de preço para vender enormes volumes, se sua receita ainda vem majoritariamente do fornecedor e não do consumidor, I have news for you….vc já era!

Pois é, sei que pode parecer alarmista, obsceno ou mais um daqueles posts que o Sidney teima escrever só prá levantar polêmica e jogar areia na frente do ventilador, mas, não é não! A realidade é que o Google está na fase de implantação de ferramentas de busca, comparação, compra e relacionamento na área do turismo que irão mudar as regras do jogo, mais uma vez.

Imaginem que ao colocar no search a combinação “GRU/MIA” você seja levado ao GoogleTravel que vai te dar os preços de todos os assentos aéreos disponíveis, para a dta que vc quiser, em menos de meio segundo. Só que você resolveu mudar a data, e aí vai mais meio segundo e vem tudo na tela novamente. Vc compra e ele te oferece hotéis, por preço, localização, por reviews de seus amigos, por “hot zone” da cidade. É uma vertigem de escolhas, possibilidades, interações e experiências, que no final deixam a seguinte pergunta: que fornecedor ligado no futuro vai precisar de OTA’s prá se vender? Basta estar super-conectado, atualizado e afiadíssimo neste poderoso mundo Google e o fonecedor poderá ditar os rumos de sua distribuição, com cada vez mais independência e qualidade de análise. Os hotéis americanos já se beneficiam disso hoje, mas a onda vai chegar e o estrago em tudo o que está montado por aí será grande.

Outro trend poderoso: quem não tiver seu website específico para “mobile” também precisa corer, muito! Hoje 6% das buscas do Google no Brasil já são por Ipads, celulares, etc. Este número é só (só!) 10 vezes maior que o mesmo número do ano passado. A previsão é que até 2014 quase 30% das buscas e transações estejam acontecendo com o usuário andando na rua, dentro do metrô ou indo de táxi para o cinema. Quem ainda achar que seu site vai ser acessado por celulares e pads (que requerem formatos e funcionalidades diferentes) é melhor colocar a barba de molho…o jogo vai mudar novamente! Enfim, saí com tantas idéias malucas e com várias possibilidades para poder pensar e planejar, gostaria que todos tivessem a oportunidade de vivenciar o Google Think Travel 2011. Prá quem achou tudo aqui em cima confuso, desconexo e desordenado, fica a síntese prá matar o tema: o mundo do turismo como conhecemos até hoje, já elvis!

Resposta BRAZTOA

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Este espaço é absolutamente democrático e em 13 meses foram 777 comentários e apenas 2 bloqueados (por linguagem totalmente imprópria). Posto abaixo a transcrição da resposta enviada pela BRAZTOA ao meu post de 9/9 (sexta feira) intitulado “36ª Braztoa”:

Caro Sidney Alonso,

Como vai? Gostaria de fazer algumas observações sobre o post publicado no blog Sem Fronteira, de sua autoria, no Portal PANROTAS. Gostaria também que você publicasse a resposta por favor.

Como todos sabem iniciei recentemente o mandato para presidente da BRAZTOA, pelos próximos dois anos, o que tem me proporcionado muito aprendizado.

Falar em nome de um grupo, identificar necessidades comuns, antecipar o que vem pela frente, priorizar, agir pelo coletivo, buscar convergência entre diferentes…tudo isso tem sido um desafio estimulante.

A Braztoa é uma entidade com 87 associados, sendo 78 operadores. Somos poucos, mas representativos e nos sentamos regularmente para conversar. O diálogo é aberto e não há nada de draconiano na entidade. Mas regras existem sim, o que é muito bom para o setor, para que todos saibam o que esperar da entidade, que tem história e vem se mostrando flexível e dinâmica ao longo das várias gestões. Cada presidente e diretores têm se empenhado em aprimorar o que foi desenvolvido pelas gestões anteriores.

Estranho quando diz ter ouvido de alguns associados que a obrigatoriedade em participar dos eventos (só 1 por ano é obrigatório) é algo negativo. Qualquer sugestão ou mudança de regras pode ser sugerida nas reuniões e assembléias, sem a necessidade de estarem buscando terceiros para comentários estranhos e um tanto maldosos.

Para facilitar, responderei em itens, como você colocou em seu blog. Confesso que não entendi qual o objetivo exato das críticas, mas tentarei responder ao que acho ser seu questionamento e se estiver equivocado continuamos o diálogo.

1)    Os Encontros Comerciais Braztoa pretendem ser espaços para se fazer negócios. Não são um ambiente para exposição exclusiva dos associados, ao contrário. Temos espaço para outras empresas do setor e destinos turísticos. Se o profissional que você cita fazia parte de algum estande, ele estava apto a abordá-lo. Temos um regulamento (que estabelece regras para participação), assinado por todos os expositores e se tomarmos ciência de que alguém o está infringindo, podemos adotar os procedimentos cabíveis a cada caso.

Claro que cada caso deve ser analisado isoladamente, mas sabemos que alguns integrantes do trade comparecem ao evento para aproveitar oportunidade e conversar com fornecedores e agentes de viagens, mesmo não tendo estande. Como disse, práticas abusivas têm sido inibidas.

2)   Hoje a BRAZTOA tem 87 associados: 78 operadores, 6 representantes e 3 colaboradores. Para ingressar na BRAZTOA, cada categoria tem que comprovar sua atuação e atender requisitos técnicos, éticos e financeiros. A análise é feita pelo Conselho de Admissão e Ética e se a empresa atende aos requisitos, a filiação é levada para votação, pela Assembléia, que tem poder de veto.

O que caracteriza o trabalho da “Agência de Turismo” está estabelecido na Lei Geral, no Art. 27:

“Compreende-se por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente.

§ 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista.

§ 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados.”

As operadoras são de fato intermediárias na prestação de serviços turísticos e isso é legítimo. O trabalho que desenvolvem não deve ser avaliado pela forma como se relacionam com seus fornecedores, como compõem seus preços ou como fazem sua divulgação, mas pela idoneidade e qualidade dos serviços que prestam – se contribuem de fato com a sua atuação para uma oferta de produtos diversificados, competitivos e que atendam aos anseios do consumidor.

Se nossas associadas têm junto aos seus fornecedores uma relação saudável a ponto de receberem apoio/materiais para distribuição no Brasil, isso deve ser um sinal de que há confiança e capacidade de comercialização.

A operadora responde solidariamente, como intermediária que é, por problemas nos serviços oferecidos ao passageiro. Isso está estabelecido no Código de Defesa do Consumidor e no monitoramento que temos feito junto ao PROCON. Nossos associados são responsáveis, proporcionalmente ao volume de vendas, por um número bastante pequeno de reclamações. Isso foi um tema de um debate que realizamos em julho, no 6º Salão do Turismo.

3)      A BRAZTOA tem um estatuto que rege suas atividades e que ao mesmo tempo deve espelhar a vontade da maioria dos seus associados. A forma de participação nos Encontros Comerciais já teve modificações ao longo dos anos e está aberta a novas mudanças. O estatuto assegura total direito aos associados de colocar em pauta quaisquer assuntos que queiram ver discutidos.

4)    Aqui temos um tema repleto de desdobramentos, no qual não cabem respostas superficiais, sob pena de se cometermos graves equívocos. Não existe uma resposta pronta, pois as variáveis são inúmeras e soluções básicas não atendem à totalidade das situações.

Qual a esfera legal de atuação de uma entidade? Qual o papel de uma associação? Como ela deve atuar para atender os diferentes públicos com os quais se relaciona (próprios associados, ao trade e ao consumidor final)?

Seria arriscado demais dizer que mesmo empresas de “muita reputação e tradição” vivenciarão crises financeiras durante sua existência? Que mesmo contra a própria vontade, poderão ser consideradas inadimplentes? Como separar e julgar? Com que parâmetros se não lhe cabe auditar suas atividades?

Nesse caso, elucubrações não ajudam muito. Precisamos estar atentos às especificidades de cada caso, quando eles se apresentam e usar nossas expertises para agir com bom senso e responsabilidade. Independente disso, atuar para que suas associadas tenham informação, conhecimento, qualidade e competitividade, o que sempre buscamos.

5) Temos orgulho de ter colocado em pauta a questão da Sustentabilidade no Turismo (antes que o assunto se transformasse numa ferramenta de marketing para muitos), no 27ºECB, em março de 2007. Em novembro de 2008, no 30ºECB, realizamos o evento de tecnologia – sem papel, no qual todos (expositores e visitantes) foram convidados a rever a forma de negociar, buscando para isso novas ferramentas. Deixamos de entregar as malas de viagem (repletas de material) e passamos a estimular a distribuição/consumo consciente dos materiais impressos – “pegue apenas o que vai usar” (pesquisas feitas indicaram que as empresas estão em estágios tecnológicos diversos e que o impresso ainda é uma ferramenta importante no nosso setor).

A BRAZTOA tem se esforçado para que suas convicções sobre sustentabilidade se transformem em ações. Isso se dá na relação com fornecedores (para seleção de produtos e reciclagem de materiais) e nas suas atividades próprias, intensificando os serviços de caravanas (que incentiva os visitantes a utilizar o transporte coletivo), compensando o carbono produzido pelo transporte dos agentes (parceria com a Travelport). No 36ºECB lançará a primeira fase do PROGRAMA BRAZTOA DE SUSTENTABILIDADE, que contempla requisitos de sustentabilidade para a gestão responsável das empresas associadas (com Travelife, patrocinado pela Travelport e pelo Planeta Sustentável), um projeto que foi plantado há mais de um ano pela diretoria Socioambiental da Braztoa e que agora dá um passo importante para nosso setor.

Isso tudo não é para dizer que estamos satisfeitos com o que somos, com o que temos e com o que fazemos. Há muito a ser construído. Não podemos desconsiderar os importantes passos que nos trouxeram até aqui, nem outros tantos que nos cabem dar. Isso é como uma corrida e o bastão está em nossas mãos, para que façamos o nosso melhor.

Espero ter respondido a seus questionamentos, se é que posso chamar assim, veiculados nesse prestigioso veículo que é o Portal PANROTAS.

A Braztoa está à disposição para quem quiser conhecê-la melhor. E eu, atualmente como seu presidente, terei o maior prazer em tirar qualquer outra dúvida sua.

Atenciosamente

Marco Ferraz

 

PS: Não comentarei a resposta acima para evitar contaminar o debate sobre os temas abordados. Minha posição está contida no outro post, cabe aos leitores ler, analisar e formar opinião. Abraços, Sidney Alonso

I have a dream

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Excelente discussão hoje durante o almoço sobre eventos. Lá pelo meio da conversa surgiu algo que até hoje não havia me passado muito bem pela cabeça, mas que passou a fazer todo sentido.

Além de responder sempre à pergunta “porque?” focada no motivo pelo qual uma empresa ou pessoas devem promover uma reunião (afinal, porque as pessoas se reunem?), muitos eventos podem ter um caráter de transformação da sociedade, de ser um “turning point” nos rumos históricos de um país, das relações sociais entre indivíduos, das conquistas de direitos, enfim, o poder catalisador dos eventos não é completamente compreendido, mas é ultra-poderoso.

Um exemplo que me parece claríssimo (e que na época provavelmente não foi visto assim) é o célebre discurso de Martin Luther King no “Washington Mall” em 1963. Aquele evento é apontado por muitos como o marco definidor das conquistas raciais nos Estados Unidos, com desdobramentos históricos sem precedentes. Detalhe: era um evento, era uma marcha seguida de discursos.

Os jogos olímpicos de 2008 em Beijing são apontados como a entrada da China no “1º mundo”. Mais que um evento esportivo foi a chance dos chineses afirmarem seu poder econômico, sua força de organização e de celebrarem sua ainda récem-adquirida pujança econômica.

Finalmente, existem os eventos que celebram conquistas e mudanças, fazendo da busca pelo reconhecimento um poderoso motor de transformação tecnológica, um motivador em busca da excelência. Exemplos? A entrega dos “Oscars” do cinema, o prêmio “Nobel” em suas diversas categorias e todos os eventos que promovem o recohecimento público de indivíduos e grupos nos mais diferentes campos do conhecimento.

De qualquer forma, este post é para lembrar-nos que antes de investir num evento, antes de buscar uma reunião sob um pretexto vago, precisamos sonhar grande e buscar um objetivo intangível. Desta forma nosso evento pode cumprir o nobre propósito de tornar este mundo um lugar um pouco melhor.

36ª Braztoa

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Post sem caráter acusatório mas para servir de alerta e reflexão. Caro Marco Ferraz, admiro sua calma, sua suavidade no trato e sua atenção pessoal com todas as pessoas que o cercam, mas às vezes a atuação política faz com que engulamos lagoas cheias de sapos e não atuemos de forma eficiente na correção de desvios, até mesmo porque o dia só tem 24 horas não dá para tomar conta de tudo. Espero que você perdoe minha intrusão e contundência, mas acho importante o que escrevo abaixo.

Nos dias 22 e 23 de Setembro teremos a 36ª edição do Encontro Comercial Braztoa, mais uma vez no espaço de eventos do shopping Frei Caneca, mais uma vez contando com uma enormidade de stands, inscritos e folheteria. Até aí nenhuma novidade, mas bem que poderia haver, não é mesmo? Me explico:

1) No 35º Encontro Comercial fui como visitante e, logo após passar pela porta de entrada da feira, fui abordado por um senhor grego, falando um portunhol mal-ajambrado, que me estendeu um tosco maço de programas para a Grécia, todos “operados” por sua empresa, e me garantiu solenemente: “30% de comissão garantida e você escolhe se quer recebê-la aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo”. Pois é, meus caros…o tal grego se chama George Soultis, é CEO da Ganymedes Tours de Atenas e não encontrei sua empresa como associada Braztoa em nenhum lugar. Perguntinha: como ele entrou, se promoveu e atuou dessa maneira num evento exclusivo para associados?

2) Dentre os quase 100 (já passou de uma centena?) associados da Braztoa que se dizem “operadores”, acho que podemos contar nos dedos das duas mãos aqueles que realmente o são de fato. Pseudo-operadores que publicam folhetos “chupados” em “copy-paste” de grandes consolidadores de tours europeus (principalmente espanhóis), não deveriam ser chamados como tais. Deveriam sim ser chamados de intermediários, prepostos ou representantes de grandes corporações estrangeiras, sem qualquer responsabilidade sobre o produto que ofertam, sem qualquer ingerência sobre mudanças e adições de última hora, ou seja, são operadores “caça-niqueis” e mais nada, recebendo até os folhetos impressos gratuitamente dos seus fornecedores estrangeiros. A distância entre estes e aqueles que dão duro criando departamentos de produtos, contratando profissionais capacitados e operando de forma metódica e responsável é muito grande, não consigo ver como possam ocupar o mesmo espaço e chancela associativa.

3) Acho um pouco (prá não dizer totalmente) constrangedor os associados serem obrigados a participar do Encontro compulsoriamente, segundo me informei com alguns associados. Acredito que a liberdade de atuar em uma ou outra frente promocional é direito de cada empresa, mas abstenho-me de uma crítica mais contundente porque entendo que a participação compulsória faz parte do estatuto (estou equivocado?) da Braztoa, mesmo que o tal seja draconiano.

4) Finalmente: é arcaica, ecologicamente incorreta e absolutamente inútil a distribuição de material impresso nas quantidades que vemos nos estandes no começo da feira, bem como atulhando as latas de lixo (sem contar o estacionamento e até as ruas do entorno) no final da feira. Já passou da hora dos operadores sairem da sombra de suas empresas e atuarem como cidadãos, respeitando o meio-ambiente da mesma forma que quase todos criticam quando vêem meninas distribuindo folhetos de imóveis em sinais de trânsito. Um grande passo para a completa profissionalização seria a adoção de promoções mais limpas e corretas, inclusive mais baratas que as montanhas de papéis.

Peço desculpas novamente por levantar estas questões, mas acredito que trazer estes pontos para reflexão e debate só pode engrandecer o papel da Braztoa no futuro.