Arquivo da Categoria ‘Experiência’

Tropical

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Manga, jaca, cajú, tangerina, fruta-do-conde, melancia, tamarindo e mamão. Paineira, ipê, samambaia e castanheira. Capim-gordura, carrapicho e grama. A temperatura não baixa dos 30ºC à noite, a umidade beira os 90%, o sol quente cozinha os miolos e provoca um suor constante.

Não estou na Amazônia nem no Mato Grosso ou Tocantins. Aqui em Kumarakon o aeroporto mais perto é em Cochin, no extremo sul da Índia, um pouco antes daquele bico do continente que aponta para Bangladesh. Tenho um misto de surpresa e desapontamento. Em meus devaneios de aventureiro esperava algo mais radical, mais rústico e impactante. Fui brindado com boas estradas, infra-estrutura parecida com a brasileira e todas aquelas comodidades e aparatos que estão nivelando o mundo como um enorme trator de esteira: celulares em abundância, tv a cabo em qualquer birosca, motos em profusão e produtos chineses plastificados em cada canto.

As atrações do estado de Kerala são suas florestas tropicais, o enorme lago de Kumarakon e a antiga cidade colonial de Kochi, um distrito dentro da grande metrópole. Temos a mesma sensação de estar em Salvador sem seus morros, uma espécie de Recife sem a imponente orla. Os hotéis tentam imitar, em sua maioria, as tendências americanas e européias, de forma que perdem boa parte de seu charme e apelo. Sou um purista. gosto de hotéis “heritage” nos lugares onde visito e a modernidade em lugares como este atrapalha, enfim, espero que este pedaço da Índia não se perca em imitações de outros modelos e lugares.

O motivo deste post, entretanto, é a tropicalidade deste lugar. É como se um pedaço do nosso Centro-Oeste tivesse sido arrancado do Brasil e replantado no coração da Ásia. É uma sensação familiar que já vivi no Vietnã, Peru e Equador. Para os gringos todo pássaro é novidade, toda fruta é um deleite. Entendo agora o motivo do fascínio de ingleses, holandeses e franceses por estas paragens, são os mesmos atributos que fizeram do Brasil e da América Latina seu destino preferido durante a colonização. Hoje a noite vou a Delhi e será espantosa a diferença cultural, geográfica e e climática. Sairei da floresta para a aridez, deixarei os indianos de pele quase negra e cabelos curtos para encontrar outros de barbas longas, turbantes coloridos e feições mais rudes. Esta é, enfim, a beleza da Índia e de países como o Brasil: a diversidade estonteante, impactante e surpreendente que nos faz sempre querer voltar e conhecer um pouco mais.

Morrerá Jamais!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fazer turismo é exercitar nosso lado voyeurista. O prazer de olhar e de sentir a vibração de lugares, povos, quadros, sons, comidas, águas, montanhas e ruas é um prazer que pode ser exercido sozinho, mas está sempre vinculado a ter o que ver e sentir em intensidades e graus distintos.

Só assumimos o lado mais individualista do turismo há poucos anos, quando descobrimos que não é tão mirabolante ser um Hemingway ou um Darwin, que a grande maioria dos simples mortais pode e deve dar-se o prazer de sentir as emoções e adrenalina antes reservadas aos grandes aventureiros, aos romantizados bravos e indômitos desbravadores.

Hoje o prato apimentado, a bebida de cor estranha, a dança malemolente e sensual, os edifícios agudamente altos, os parques imaculadamente verdes e os povos de sorrisos com mais ou menos dentes são a grande aventura humana, amortecendo com sua morfina poderosa as dores do cotidiano apressado, metódico, repetitivo, agoniante e cinza das grandes cidades e das máquinas que tentam moer nossos castigados ossos.

Os novos turistas não são apenas jovens. São também os velhos de corpo que se sentem libertos para voar, os gordos que encontram largos portais, os magros que se seguram ao forte vento do Cabo, os pretos que se misturam à brancura da neve, os brancos que dançam em volta da fogueira africana. O mundo mudou!

Com a mudança no mundo, nas pessoas, na velocidade em cobrir distâncias, na facilidade em pesquisar a próxima aventura, ficou a pergunta que hoje precisa ser respondida: e você, agente de viagem? Você mudou assim como seus passageiros? Você parou de usar as fórmulas e conceitos de 15, 10 ou 5 anos atrás? Que reciclagem você deu em seu guarda-roupas de histórias e experiências para seduzir seus amigos e clientes?

O agente de viagens de hoje e de amanhã tem que personificar a viagem em sí! Ele não pode mais ser o intermediário. O passageiro tem que olhar para seus olhos e ver a viagem dentro deles, uma viagem luminosa como o brilho de suas iris. Ele tem que vestir-se de hotel, calçar-se de avião, perfumar-se de passeios, enfim, o agente de viagem de sucesso será tão entusiasmado, curioso, comilão e aventureiro como cada um de seus passageiros e amigos, como cada pessoa que lhe confiou o sucesso de seus sonhos e expedições no passado, e que lhe confiará outras tantas aventuras no futuro. Esse agente de viagem jamais morrerá ou será substituído, ele se tornará o grande ídolo de muita gente em nosso tempo, ele será cultuado, seguido e comprado como jamais imaginou. E você, está preparado para ser tudo isso?

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P.S.: estou tentando carregar o audio com este blog, que passa a ser “contado” e “lido” por mim de hoje em diante aqui: http://www.4shared.com/audio/3ai0zig7/Jamais_Morrer.html . Espero que fique bem na minha voz, tomara que funcione! Abraços!

Do tio para você

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Já tive 20 anos um dia. Já fui um jovem profissional chegado do interior e disposto a trabalhar 20 horas por dia para alcançar meu lugar ao sol. No calor da juventude tentei impor idéias, tracei estratégias mirabolantes e malhei muito ferro a frio, dispendendo enorme quantidade de energia. Muitas coisas que fiz foram fruto da insistência, teimosia e luta incansáveis, outra parte teve ajuda da sorte, de contar com amigos e colegas bons e, fundamentalmente, da paciência de profissionais mais velhos e experientes com meus arroubos juvenis.

Luis Carlos Hodas, Vicente Truzzi, Klaus Peters, Amaudir Muniz, Américo Lopes, Carl Carlson, Paulo Bertero, Kenneth Hunter, Dave Falter…na lista de chefes sempre fui um felizardo de contar com alguns dos mais talentosos e valentes profissionais, cada um com uma pegada diferente, cada um com pontos fortes e fracos que me ajudaram a conhecer melhor o mundo do trabalho nas pequenas e grandes empresas. Voltando aos meus 20 anos quero deixar uns poucos avisos (não me acho digno de “aconselhar”) a quem entrou há poucos anos ou está entrando agora em qualquer profissão:

1) Empresas contratam jovens por sua determinação, energia, idéias novas, capacidade de trabalho e de sonhar. Empresas demitem jovens por falar demais, quererem tudo prá ontem, desrespeitar pessoas e perderem-se em seus sonhos e devaneios.

2) Um jovem profissional tem que aprender a esperar. Esperar não significa se resignar, significa entender o tempo adequado para as coisas acontecerem. O jovem que entende o tempo dos outros terá muito mais sucesso que o jovem que tentar impôr seu próprio tempo.

3) Não acredite que você é melhor que os outros, mesmo que você seja. A empáfia, arrogância, orgulho e auto-confiança exageradas costumam cegar e iludir os jovens profissionais. Entenda que por trás dos olhos daquele tiozinho com poucos cabelos e barrigudinho existe um cérebro, e que dentro daquele cérebro já entrou muito mais coisas do que você possa imaginar. Exibir seu conhecimento de maneira gratuita é gastar energia e tempo preciosos com a coisa errada. Quem se acha o máximo sofre muito mais quando descobre que não é infalível (e ninguém é!) e eu teria cometido inúmeros erros a menos se tivesse aprendido essa lição mais cedo na vida, podem crer.

4) Não destrua pontes. Seus companheiros de trabalho podem não ser seus amigos, mas jamais devem ser seus inimigos. As pessoas querem trabalhar com quem gostam e querem dar resultado para quem admiram e respeitam. Quando se é jovem o único critério que pensamos valer é a linha de resultados. Não é! De que adianta ganhar uma batalha e perder todos os seus melhores soldados? Desde cedo é bom aprender que as escolas de amidnistração não nos preparam para trabalhar junto dos mais lentos, dos menos motivados e dos menos preparados, mas, serão estes caras quem mais vamos encontrar durante toda nossa carreira, e serão esses caras que nos levarão ao topo ou encherão nossa canoa de pedras.

5) Saiba quando surfar uma onda ou remar contra a maré. A maior parte dos erros e frustrações estão ligados a processos de mudanças. Fusões, aquisições, mudanças de chefia ou realinhamentos estratégicos são como um tsunami: você não vai pará-lo no peito. Surfe a onda! Erros crassos, má fé, desinteresse, displicência e acidentes de percurso devem sempre ser confrontados; reme contra a maré ou ela o levará pra longe da praia! Como identificar como e quando fazer o quê, só cabe a nós mesmos, muitas vezes por intuição ou então por aconselhamento daqueles mesmos velhotes carecas e barrigudinhos lá de cima.

Escrevi esse post porque fui revirar umas caixas de fotos antigas e encontrei bilhetes, agendas e rabiscos de reuniões e projetos. Coisas com 20-23 anos de idade, a mesma idade de muitos dos meus leitores por aqui. Ali também vi e revivi imagens de pessoas que eu poderia ter tratado melhor, convivido melhor e tolerado melhor, mas não agi com sabedoria e tranquilidade, principalmente por inexperiência, insegurança e falta de bom senso. Como não posso mudar erros do passado, tento hoje redimi-los expondo-os sem pudor para quem está chegando. Para finalizar, um derradeiro aviso: o que somos hoje é o resultado de uma vida, não adianta tentar imitar cegamente nossos ídolos, a história deles e a nossa jamais serão as mesmas. Espero que aproveitem!

Sem lenço…

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma aventura da série “Jovem, duro e cara-de-pau”, uma fase que durou uns bons anos e da qual só tenho excelentes recordações:

Em 1988 eu já trabalhava com turismo em Ribeirão Preto, onde tentava vender algumas viagens legais quando não estava com a mão vermelha manchada de carbono de tanto emitir tkts “na unha”. Fiquei craque nas velhas rotas 600, 550 e por aí vai, entendia tudo de compulsório e lia OAG de trás prá frente. Bom, nas minhas 1ªs férias resolvi voltar aos EUA, onde tinha morado fazendo intercâmbio em 1986. O único senão é que eu era muito duro e não tinha a menor chance de conseguir pagar um tkt.

Nessa época meu já falecido tio Omilton alugava um de seus escritórios em São Paulo para a DHL e como parte de um “acordo de cavalheiros” ele podia indicar pessoas para viajarem como “couriers” levando os infindáveis malotes de encomendas expressas, sem direito a despachar bagagem. Liguei pro meu tio, ele me deu uma força prá encaixar as datas e no dia combinado lá fui eu para o Rio de Janeiro (sim, era do Rio que saia o vôo para NYC), com uma mochila nas costas e o passaporte. Detalhe interessante: sem a passagem e sem dólares.

Nunca vou esquecer que assim que cheguei peguei um ônibus até a Av. Rio Branco e fui até o escritório da Avipam, que era a agência da DHL. Lá eles me deram instruções sobre o sistema de courier e me deram a passagem para eu ir até o banco comprar dólares, mas depois de comprar eu tinha que voltar lá e devolve-la até a hora do embarque. Lá fui eu ao Banco do Brasil e ali descobri que sem CPF não podia fazer câmbio…ou seja, estava num mato sem cachorro. Tiveram piedade de mim e consegui atravessar a rua e tirar o CPF (era CIC) na hora numa agência da Caixa. Aí voltei correndo, fiz ar de importante e disse “me troca U$200 Dólares”! Hoje eu sei que aquele olhar do caixa foi de total incredulidade, mas na época achei que ele pensou que eu fosse um grande expedicionário de 18 anos de idade.

Voltei correndo na Avipam, deixei a passagem e corri pro Galeão. Fiquei lá mosqueando das 5 da tarde até o embarque e depois passei 12 dias entre NYC, Scranton (Pennsylvania) e Filadélfia, acampando em casas de amigos, chegando prá visitar nas boas horas do almoço e do jantar, enfim, meus duzentinhos deram prá curtir e lembro que ainda sobrou algum troco que queimei no duty free na volta.

Não vou dizer que foi a melhor, mas sem dúvida foi uma das viagens que mais curti em toda minha vida! Sem lenço, com 1 documento e o bolso quase furado consegui extrair felicidade e diversão das coisas mais banais e corriqueiras. Acho que foi naquela época que começou minha jornada SEM FRONTEIRAS, e vejo que ela ainda está bem longe de terminar.

Chegou? E Agora?

terça-feira, 22 de março de 2011

Segurem-se na cadeira amigos! Tudo o que aprendemos até agora sobre destinos, cidades turísticas e logística (como chegar lá, onde ficar) será revisto nos próximos anos.

De acordo com pesquisas recentes feitas pela PhocusWright, MPI e Virtuoso o caminho do turismo nos próximos anos passará, inexoravelmente, pela estrada “what to do when you get there?” (O que fazer quando você chegar lá?). Isso quer dizer que as interações com pessoas locais, experiências gastronômicas, atividades físicas e desportivas, eventos culturais e sociais darão a tônica das viagens neste futuro próximo.

E não é apenas para o viajante de lazer, pois o turista corporativo não quer mais chegar a uma cidade e se enfiar num hotel (por mais confortável que seja) sem interagir e “espionar” como funciona aquela cidade ou país diferente do seu.

Para nós que somos os fios condutores desta energia entre lugares e visitantes haverá trabalho extra e muito aprendizado no caminho. Precisaremos cada vez mais utilizar as mídias sociais para pesquisar e sugerir atividades, teremos que buscar a colaboração de gente distante que não conhecemos pessoalmente, seremos obrigados (para mim nunca é obrigação :-) ) a viajar cada vez mais e com mais tempo para “entender” e “saborear” destinos.

Vou escrever bem mais sobre o tema por aqui, creio que este é um debate relevante que pode trazer enormes benefícios a todos nós. Até o próxmo post!

Top 2010 Pessoal

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

As 10 coisas mais legais de 2010 prá mim.

1) “Dar o salto” e sentir o frio na barriga de encarar minha nova vida sem emprego
2) Conhecer Jerusalém e andar por suas vielas
3) Descer a muralha da China de “sledge”
4) Ensinar meu filho a assobiar, estalar os dedos e pedalar bicicleta
5) Brincar de casinha com minha filha e ela me dizer prá eu me “comportar só um pouquinho, tá?”
6) Escrever o blog SEM FRONTEIRAS
7) Muitas viagens com gente bacana: Edgar, Marcus, Tomas, Renata, Gilmar, Thiago, Siderley, Alfredo, Luiz, Halyne, Tati, Cézar, Gabriela, Alloma, Costa, Adrianne, Rubinho, Hugo, Jesus, Toninho, Prado, Igor, Gérson, Silvia, Rupert, Yolanda, Karen, Feyhan e várias outras figuras
8 ) Trocar idéias com o Walter sobre trabalho e o futuro
9) Dividir momentos com a Pi
10) Entender que menos é mais

Top 10 África

sábado, 11 de dezembro de 2010

Mais uma lista de referências com marcação muito pessoal. A ordem é detalhe desnecessário:

1 – Tomar o “Hi Tea” inglês das 5 no salão do Mount Nelson (Cape Town)
2 – Fazer a trilha a pé ao topo de Table Mountain com duração de 3 horas
3 – Ocupar o assento do “trilheiro” no Land Rover do safári e procurar uns leões por conta própria
4 – Descer o Rio Zambezi em canoas infláveis até bem perto de Victoria Falls
5 – Já que chegou até lá, fazer o passeio sobre Victoria Falls de helicóptero e aproveitar para seguir umas manadas de zebras e gnus desde o alto
6 – Jantar com amigos no Blonde Bistrô de Cape Town (como o nome diz, as pratas da casa não são morenas)
7 – Curtir o pôr-do-sol na Baia de Cape Town tomando uma cerveja estupidamente gelada
9 – Curtir a alvorada sentado no capô do Land Rover, vendo os hipopótamos tomarem o 1º banho do dia no Sabi River
10 – Trocar idéia com os nativos sobre a vida (tanto a deles quanto a nossa)

A Mesa do Cabo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vou ao ponto: a geografia de Capetown deixa qualquer pessoa maluca nos 2 primeiros dias por aqui. Depois de 15 anos sem pisar na cidade havia me esquecido como é complicado me localizar e só hoje comecei a pegar o jeito novamente.

A cidade está linda. O projeto de reurbanização de Green Point, as novas avenidas e rodovias e a reformulação completa da área do Waterfront deixaram a cidade com um ar americano no estilo San Diego, mas com a alma africana e muitas construções históricas misturadas à natureza exuberante.

O congresso anual do SITE foi um grande sucesso. Assisti à apresentação do ex-presidente Frederik de Klerk ontem pela manhã e a presença deste homem é incrível, bem como a história fascinante sobre como ele assumiu a bomba acesa do Apartheid e a desarmou com enorme habilidade. Muitas informações relevantes, muita gente engajada em fazer as coisas acontecerem no segmento de incentivos, fiquei realmente impressionado.

Aproveitei também para fazer inspeções nos principais hotéis, restaurantes e “venues” da região com meus amigos da Dragonfly. Além de ter me hospedado no belíssimo e classudo Mount Nelson, achei o novo Taj Cape Town muito elegante e o One&Only Capetown o melhor no Waterfront. O Table Bay é ok, mas não se compara aos outros três hotéis. No vale de Stellenbosch almoçamos e passamos a tarde na mais linda vinícola da região, uma preciosidade chamada Delaire. Estou anexando algumas fotos deste pequeno hotel com diárias à partir de U$1.500, um produtaço prá gente muito rica ou muito ligada em vinhos e gastronomia (que de qualquer forma, tem que ser rica mesmo).

Para completar, friso o óbvio: apesar de Cape Point ser a grande atração natural para os visitantes, o que domina a paisagem e vigia com imponência a baia é a lindíssima Table Mountain (Montanha da Mesa), com suas facetas ambíguas e incomparáveis: de um lado uma caixa parecida com um baú ou bigorna, do outro a famosa silhueta dos 12 Apóstolos. Impactante, selvagem e amistosa, Capetown, com seu mar bravio, sua gente doce e sua mesa farta é parada obrigatória na África do Sul.

Senhores da Areia

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Jordânia é um pequeno país do Oriente Médio que tinha muito prá dar errado. Escassos recursos naturais, encravado numa região com muitos atritos políticos e militares, fronteiras com uma miríade de países de interesses antagônicos. Apesar de tudo isso, a Jordânia se tornou uma espécie de “santuário” do mundo Árabe, um oásis de relativa tranquilidade e bom senso onde sempre reinou muito sangue quente.

Numa de minhas visitas aproveitei para conhecer em detalhes o país, sempre acompanhado de um bom guia local, articulado, motivado e experiente. Terminamos a viagem no deserto de Wadi Rum, pedaço arenoso e montanhoso que faz fronteira com a Arábia Saudita. Ali tive a oportunidade de conviver com os “reis do deserto”, os beduínos jordanianos. Ao saber do apelido curioso iniciei minhas pesquisas, primeiro através do meu guia Emad e depois com minha amiga Ghada Najar.

Quando o Rei Hussein assumiu o trono do Reino da Jordânia havia uma enorme dificuldade em estabelecer e respeitar fronteiras. Os povos do deserto não reconheciam nem entendiam os limites geográficos, para eles o areião não tem cercas e passaporte é documento de ficção. Como compromisso junto aos ingleses (principais patrocinadores da fundação do Estado), o Rei Hussein tinha que conseguir unificar o país sob uma mesma constituição, evitando que as numerosas tribos nômades minassem suas aspirações de soberania. Em uma atitude corajosa, ousada e inteligentíssima, o Rei chamou os principais representantes dos clãs nômades e ofereceu a eles o comando supremo do exército jordaniano, em troca de sua lealdade e respeito às regras daquela nova nação.

Os beduínos se reuniram e resolveram aceitar a oferta do Rei, que além do comando do exército lhes oferecia liberdade para continuarem sendo nômades e o controle de algumas áreas estratégicas do novo país. Uma dessas áreas é o deserto de Wadi Rum, onde qos manda-chuvas (neste caso não mandam chuva nenhuma!) são estes beduínos. Para fazer um passeio de 4×4 por suas areias, vales cercados de montanhas rochosas e vilarejos poeirentos e seculares é necessário agendar com eles e mais ninguém. São eles que controlam aquele espaço, que o exploram turistica e comercialmente e aplicam regras e leis milenares. Uma vida live, interessante e cheia de fantásticas histórias a desses caras. O que mais me impressionou foram suas casas de 2 andares construídas à margem das estradas, com antena “Sky”, Land Cruiser na garagem e, pasmem, várias tendas cheias de gente morando no quintal! Pois é, os beduínos não aceitam abrir mão de suas tradições, e apesar de terem moradas confortáveis eles se apinham do lado de fora, onde cozinham, convivem, dormem e procriam. As casas só servem quando o tempo fica muito frio e as tendas já não oferecem o conforto necessário para sua sobrevivência.

Quanto ao governo, jamais houve um motim na Jordânia sob o comando militar dos beduínos. Para eles a palavra empenhada é dívida eterna, que passa de geração em geração e que separa homens de honra dos “impuros”. É muito louco ver que a guarda de palácios e edifícios governamentais é feita por guardas vestidos em trajes tradicionais e armados de uma longa e curva espada beduína, uma ode à tradição desta gente. Quando for à Jordânia, tente conhecer um pouco mais desse povo fascinante, pois além de Petra, Mar Morto, Aqaba, Jerash e Aman existe uma cultura muito vasta e rica em cada pedra e recanto daquele país rico em homens de honra!

Parabéns COVIA!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estive ontem no lançamento do “Manual de Boas Práticas na Contratação de Viagens de Incentivo” no bonito e charmoso terraço do Club A (Sheraton WTC). Apesar do longo nome o manual é curto, muito informativo e de fácil leitura e entendimento por profissionais da área de viagens, “travel managers”, executivos de compras e marketing. O Comitê de Viagens de Incentivo (COVIA) da Associação de Marketing Promocional (AMPRO) entrou numa questão central que tem sido objeto de grandes debates, pois nos últimos tempos as viagens de incentivo foram alçadas a estrelas e quase todo mundo quer morder um quinhão deste mercado apetitoso.

Como escolher a agência certa para executar o momento máximo de uma campanha? Quais os riscos e benefícios escondidos nesta tarefa? Quais critérios utilizar para medir a especialização e profissionalismo do agente neste segmento? Meu amigo e conselheiro Issy Scher (israelense cidadão do mundo e um dos profissionais mais antigos e respeitados no segmento de incentivos mundial) definiu de maneira soberba o segmento há alguns anos: “As viagens de incentivo são como os leões: estão no topo da cadeia alimentar do segmento de viagens e não se chega lá em cima por sorte. Para chegar ao topo as empresas tem que comer muita grama, correr atrás de muitas presas e contar com a dádiva de ter em seu DNA o espírito guerreiro e de liderança que não está presente em todos os animais. Operar incentivos não é coisa de animais gigantes, é tarefa para os mais inteligentes, disciplinados, cuidadosos e experientes.”

A leitura do manual – confeccionado por leões do segmento – é obrigatória a todos que pretendem entender, se aperfeiçoar e executar melhor seus planos nesta área. Através do link no site da AMPRO é possível conhecer melhor o COVIA e solicitar informações e uma cópia do manual. Parabéns COVIA por esta excelente contribuição!

website AMPRO: http://www.ampro.com.br/comites/conteudo/index.asp?id=52