Manga, jaca, cajú, tangerina, fruta-do-conde, melancia, tamarindo e mamão. Paineira, ipê, samambaia e castanheira. Capim-gordura, carrapicho e grama. A temperatura não baixa dos 30ºC à noite, a umidade beira os 90%, o sol quente cozinha os miolos e provoca um suor constante.
Não estou na Amazônia nem no Mato Grosso ou Tocantins. Aqui em Kumarakon o aeroporto mais perto é em Cochin, no extremo sul da Índia, um pouco antes daquele bico do continente que aponta para Bangladesh. Tenho um misto de surpresa e desapontamento. Em meus devaneios de aventureiro esperava algo mais radical, mais rústico e impactante. Fui brindado com boas estradas, infra-estrutura parecida com a brasileira e todas aquelas comodidades e aparatos que estão nivelando o mundo como um enorme trator de esteira: celulares em abundância, tv a cabo em qualquer birosca, motos em profusão e produtos chineses plastificados em cada canto.
As atrações do estado de Kerala são suas florestas tropicais, o enorme lago de Kumarakon e a antiga cidade colonial de Kochi, um distrito dentro da grande metrópole. Temos a mesma sensação de estar em Salvador sem seus morros, uma espécie de Recife sem a imponente orla. Os hotéis tentam imitar, em sua maioria, as tendências americanas e européias, de forma que perdem boa parte de seu charme e apelo. Sou um purista. gosto de hotéis “heritage” nos lugares onde visito e a modernidade em lugares como este atrapalha, enfim, espero que este pedaço da Índia não se perca em imitações de outros modelos e lugares.
O motivo deste post, entretanto, é a tropicalidade deste lugar. É como se um pedaço do nosso Centro-Oeste tivesse sido arrancado do Brasil e replantado no coração da Ásia. É uma sensação familiar que já vivi no Vietnã, Peru e Equador. Para os gringos todo pássaro é novidade, toda fruta é um deleite. Entendo agora o motivo do fascínio de ingleses, holandeses e franceses por estas paragens, são os mesmos atributos que fizeram do Brasil e da América Latina seu destino preferido durante a colonização. Hoje a noite vou a Delhi e será espantosa a diferença cultural, geográfica e e climática. Sairei da floresta para a aridez, deixarei os indianos de pele quase negra e cabelos curtos para encontrar outros de barbas longas, turbantes coloridos e feições mais rudes. Esta é, enfim, a beleza da Índia e de países como o Brasil: a diversidade estonteante, impactante e surpreendente que nos faz sempre querer voltar e conhecer um pouco mais.





