E lá vou eu adiando os posts sobre NYC mais uma vez…caí da cama agora cedo e comecei a pular de site em site, quando me deparei com a notícia sobre a queda de um bimotor no Nepal. Parei tudo e fui pro link http://ultimosegundo.ig.com.br/desastresaereos/pelo-menos-18-pessoas-morrem-em-queda-de-aviao-no-nepal/n1597231088546.html checar a notícia.
Enquanto lia sobre a tragédia, voltei no tempo: em 2007 fui ao Nepal fazer uma inspeção rápida, de 3 dias. Minha idéia inicial era ir a Pokhara, última cidade com aeroporto, e dali fazer um trekking de altitude até a base do Everest, que levaria uns 5 dias. Estava bem treinado na época e achava que seria relativamente tranquilo completar a aventura. O problema que eu não contava era a falta de tempo (minha) e o mau tempo (do Nepal), que inviabilizariam os planos.
Depois de pensar e me lamuriar decidi que pelo menos iria ao Everest fazer umas fotos, num daqueles aviõezinhos de cor creme. Na 1ª tentativa acordei 4 da matina para ir ao aeroporto de Kathmandu, onde depois de 2 horas de espera disseram que as condições climáticas não permitiriam vôos panorâmicos naquele dia. Voltei pro hotel chateado e no dia seguinte lá estava eu de novo, para mais uma vez ouvir “não” do clima. Pronto, agora só faltava o dia de ir embora e meu vôo de Kathmandu para Delhi saia 12:00hs. Acordei pela 3ªa manhã seuida às 4 da matina (não muito animado, acreditem) e fui de mala-e-cuia pro aeroporto, já levando minha bagagem para ficar e embarcar prá India.
Quando deu 06:30 fomos autorizados a embarcar e começou a frenética movimentação no apertado saguão, com todo mundo se amontoando para subir nos bimotores. Acho que foram uns 8 aviões de uma vez prá pista, uns 5 da Buddha e alguns concorrentes. Decolamos às 07:00 e depois de 20 minutos estávamos emparelhados com o Everest, mas a uma distancia de uns 30 kms. O avião ia devagar passando pela direita da montanha, depois voltava deixando a montanha à sua direita para que os passageiros do outro lado também pudessem curtir.
Depois de 40 minutos já estávamos descendo em Kathmandu. Quando cheguei ao saguão o gerente da creative no Nepal me esperava, todo sorridente. “Então Sidney, como foi o vôo?” “Muito legal, pena que não pude ir a Pokhara”. “Não fique triste, te garanto que você fez uma aventura tão grande quanto ir caminhando até lá”. Olhei prá ele e resolvi não retrucar, mas discordava completamente que ir de aviãozinho era tão emocionante quanto caminhar pelo Himalaia.
Lendo a triste notícia de hoje e pesquisando os últimos anos, sou obrigado a concordar em partes com o nepalês: foram 4 acidentes nos últimos 5 anos, com vítimas fatais. As vezes entramos em certas roubadas sem ter a menor idéia do perigo, e minha aventura com a pequena Buddha foi uma destas ocasiões.


