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Pequena Buddha

domingo, 25 de setembro de 2011

E lá vou eu adiando os posts sobre NYC mais uma vez…caí da cama agora cedo e comecei a pular de site em site, quando me deparei com a notícia sobre a queda de um bimotor no Nepal. Parei tudo e fui pro link http://ultimosegundo.ig.com.br/desastresaereos/pelo-menos-18-pessoas-morrem-em-queda-de-aviao-no-nepal/n1597231088546.html checar a notícia.

Enquanto lia sobre a tragédia, voltei no tempo: em 2007 fui ao Nepal fazer uma inspeção rápida, de 3 dias. Minha idéia inicial era ir a Pokhara, última cidade com aeroporto, e dali fazer um trekking de altitude até a base do Everest, que levaria uns 5 dias. Estava bem treinado na época e achava que seria relativamente tranquilo completar a aventura. O problema que eu não contava era a falta de tempo (minha) e o mau tempo (do Nepal), que inviabilizariam os planos.

Depois de pensar e me lamuriar decidi que pelo menos iria ao Everest fazer umas fotos, num daqueles aviõezinhos de cor creme. Na 1ª tentativa acordei 4 da matina para ir ao aeroporto de Kathmandu, onde depois de 2 horas de espera disseram que as condições climáticas não permitiriam vôos panorâmicos naquele dia. Voltei pro hotel chateado e no dia seguinte lá estava eu de novo, para mais uma vez ouvir “não” do clima. Pronto, agora só faltava o dia de ir embora e meu vôo de Kathmandu para Delhi saia 12:00hs. Acordei pela 3ªa manhã seuida às 4 da matina (não muito animado, acreditem) e fui de mala-e-cuia pro aeroporto, já levando minha bagagem para ficar e embarcar prá India.

Quando deu 06:30 fomos autorizados a embarcar e começou a frenética movimentação no apertado saguão, com todo mundo se amontoando para subir nos bimotores. Acho que foram uns 8 aviões de uma vez prá pista, uns 5 da Buddha e alguns concorrentes. Decolamos às 07:00 e depois de 20 minutos estávamos emparelhados com o Everest, mas a uma distancia de uns 30 kms. O avião ia devagar passando pela direita da montanha, depois voltava deixando a montanha à sua direita para que os passageiros do outro lado também pudessem curtir.

Depois de 40 minutos já estávamos descendo em Kathmandu. Quando cheguei ao saguão o gerente da creative no Nepal me esperava, todo sorridente. “Então Sidney, como foi o vôo?” “Muito legal, pena que não pude ir a Pokhara”. “Não fique triste, te garanto que você fez uma aventura tão grande quanto ir caminhando até lá”. Olhei prá ele e resolvi não retrucar, mas discordava completamente que ir de aviãozinho era tão emocionante quanto caminhar pelo Himalaia.

Lendo a triste notícia de hoje e pesquisando os últimos anos, sou obrigado a concordar em partes com o nepalês: foram 4 acidentes nos últimos 5 anos, com vítimas fatais. As vezes entramos em certas roubadas sem ter a menor idéia do perigo, e minha aventura com a pequena Buddha foi uma destas ocasiões.

O Buddha Voador

Dentro do avião com o Everest ao fundo

O ponto mais alto do planeta bem na minha frente

Infância

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Lembro claramente que 2 jogos faziam a felicidade da molecada em nossa infância lá no interior. “Resta 1″ e “Jodo dos Palitos” são clássicos que não perdem o encanto e de alguma forma ajudaram-nos a dar os primeiros passos na formação intelectual através dos jogos.

Estes 2 jogos exigem muita habilidade. No Resta 1 a maior habilidade é rapidez mental, enquanto nos palitos é a firmeza da mão e acerto na escolha de alternativas que ditam o sucesso. Lendo os sites de notícias agora cedo fiquei com vontade de ser criança, só prá poder ignorar as tantas mazelas e descalabros que arrastam o Ministério do Turismo para o mesmo bueiro onde já cairam os Transportes, Casa Civil, Agricultura…

Nesse “Jogo de Palitos” percebo a sinuca da Presidente, mãos suadas e trêmulas que sabem o tamanho da encrenca não é de hoje, mas que também não pode tirar os palitos vermelhos do ninho sem correr o risco de fazer desmoronar o restante. Não existem quadros éticos e experientes que possam ser chamados a resolver o problema, são todos palitos flexíveis demais, de cores opacas, vindos da mesma caixa e com uma vontade-própria que fica distante do dever público de servir os cidadãos.

No ¨Resta 1″ é a mesma situação preocupante. Para onde se olha vê-se que o verniz de qualificação, currículo e fachada de seriedade são apenas artifícios para enganar a vista por um tempinho mais longo, enquanto se articulam descalabros e subtrações ao erário. Aí a Presidente vai ter que tirar mais uma pecinha, logo-logo será “Resta Zero”. Nomes e currículos como Mario Moisés e Frederico Silva da Costa estão agora numa vitrine suja e desconfortável, sujeitos ao julgamento de seus atos e ao pré-julgamento da sociedade, nivelados (por enquanto) ao que existe de mais nefasto na política nacional.

Acho que essa turma toda gostava mesmo era de Banco Imobiliário quando crianças, uma pena que não souberam discernir quando a brincadeira devia parar para deixar o civismo e retidão tomar conta. Voltando ao tema, tá na hora de deixarmos a postura cínica de lado, precisamos ter mais brio na face e não aceitar os descalabros com tapinhas nas costas de poderosos e fotos bonitinhas nas capas de periódicos. Ser criança também significa ser puro e verdadeiro, certo?

Sacoleiros

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Vai ter gente achando que estou de birra com a Fabiola Benfeito, mas não é o caso. Como eu já havia adiantado semana passada, fiquei de escrever sobre a qualidade (falta dela, na realidade) dos turistas brasileiros em Orlando. Hoje vou pagar a dívida, com juros e correção monetária.

Fiquei abismado com o comportamento dos brasileiros em Orlando na semana passada. Parecia estar diante de uma invasão bárbara, com direito a urros, canções de guerra e pilhagem explícita. Imaginem hordas de turistas de todas as idades andando aos gritos dentro de qualquer loja ou “mall”, apontando para os amigos as infinitas pechinchas, tirando onda com pobres americanos que pouco ou nada entendiam e bradando via Nextel os preços de cada camiseta ou tênis que agarravam nas prateleiras.

Vestidos em suas fardas, os guerreiros mostravam tênis reluzentes recém-comprados, enquanto as amazonas meninas-moças circulavam com shorts curtos e apertadíssimos em qualquer recinto, como se o traje fosse o uniforme oficial da Minnie, dia-e-noite. O idioma oficial era um português muito mal-gritado, cheio de “di boa”, “caraca” e “lôco”, mesmo na hora de perguntar o preço de um ítem ao atendente mais próximo ou no restaurante do parque.

Sem querer impôr elitismos ou etiquetas rígidas, faltou (e falta) aos nossos turistas um melhor preparo para viajar de forma civilizada no exterior. As pessoas (novamente, de todas as idades) precisam entender os princípios de respeito, cortesia e atitude necessários para que sejam bem recebidas e tratadas, pois o que presenciei foi, no mínimo, um feio espetáculo.

Escrevi um post há alguns meses que tocava no tema de não confundirmos nossa saída do 3º mundo econômico com a entrada no 1º mundo da educação e conhecimento; e acho realmente que precisamos refletir sobre essa ânsia desmedida de comprar desenfreadamente, de gastar cada centavo como se fosse o último e abraçar cada pechincha como se fosse a única (thanks Chico). Continuando nessa toada daqui uns  tempos não seremos mais vistos como um bom mercado de turistas para a Flórida ou Estados Unidos em geral, mas como meros sacoleiros famintos, sem qualquer vocação para algo além da gritaria e escracho.

Promotor

sábado, 30 de julho de 2011

Meritocracia é um dos conceitos mais usados nas empresas modernas do mundo, independente de seu tamanho, localização e natureza do negócio. Ao receber um aumento, promoção, menção honrosa ou uma simples felicitação por seu desempenho, o funcionário cresce em orgulho e vontade de oferecer cada vez mais, também impulsionando seus colegas e até mesmo concorrentes. Belo trabalho do Panrotas em buscar conhecer e reconhecer os melhores promotores do país, através de eleição daqueles que recebem os promotores diariamente em suas casas.

Nos Estados Unidos existem “awards” (prêmios) para quase tudo, uma prática que visa não apenas premiar um “melhor”, mas reconhecer de maneira mais ampla os diferentes talentos de uma empresa ou organização. No Brasil a prática ainda é vista com uma certa desconfiança, como se o agraciado tivesse feito campanha para se tornar o eleito, ou como se o recebimento de um prêmio fosse uma forma velada de exibicionismo. Tudo balela. Sem amor, àgua e adubo uma flor murcha e depois vai lentamente definhando, as pessoas idem.

Eu já fui promotor. Com 20 anos de idade eu viajava pelo interior de São Paulo visitando agências em todas as principais cidades, numa época que não davam carro para trabalharmos e que o fax era a maior modernidade tecnológica de uma agência. Já contei algumas dessas histórias aqui antes, mas nunca contei que o maior ogulho que podia sentir era ser recebido de braços abertos nas agências que visitava, o carinho dos atendentes, gerentes e donos.

Antigas agências como Rodojet, JP, Reserve, São João, Wings, CPQ, Casa Branco, Mundo Color, Embarque, Fernando, Salute, Ouritur e tantas outras ficaram prá sempre guardadas como a grande escola que ajudou a formar-me profissionalmente. Umas talvez já não existam mais, outras evoluiram e se tornaram novas empresas, mas o importante é que num determinado tempo elas eram a razão de ser do meu trabalho e a elas eu devia meus esforços para que brilhassem na frente de seus passageiros.

Todo promotor é um psicólogo, um analista que senta à frente do atendente para ouvir suas agruras e seus causos. O promotor é o primeiro contato, é o elo mais importante na cadeia de relacionamento, é a pessoa que pode determinar o sucesso ou fracasso de um fornecedor dentro de uma agência. Existem promotores falastrões, folclóricos, chatos, esquisitos, amigões e elétricos, só não existe promotor AUSENTE. É, talvez, o trabalho mais difícil dentro de uma empresa no turismo; às vezes também é o mais prazeroso e fácil de executar, tudo depende de como o time do fornecedor está estruturado para ajudar o promotor a ter sucesso.

Deixo aqui meu abraço a todos os promotores (que hoje recebem o nome pomposo de “executivos de contas”) e digo que vocês são os corações de suas empresas, a imagem que elas querem projetar no mercado, seus olhos e ouvidos em alguns momentos, suas bocas e braços em vários outros. Jamais abram mão do orgulho de serem o que são, ser um bom promotor é como ser PHD em relações humanas e comerciais.

Jetlag

quarta-feira, 25 de maio de 2011

São 2 da matina e daqui 2 horas sai nosso traslado para o aeroporto. Estou em Frankfurt depois de passar 4 dias na Grécia e logo mais almoçarei em Istanbul, essa é minha vida (sem reclamações, lógico). O problema que vem me afligindo é uma combinação pernóstica de mudanças de fusos com muitas atividades e hotéis que dediciram se tornar “nightclubs”.

Nesse exato momento a tela do laptop vibra enquanto no andar logo abaixo do meu a boate do Roomers pega fogo. Na 6ª passada foi o oposto, o barulho vinha do andar de cima lá no Hilton de Atenas. Em outros tempos eu não esquentaria a moringa mas estou ficando velho e com a idade também chega a difiuldade para dormir por longos períodos.

Sem querer me alongar, alguém tem um santo remédio para curar o jetlag? Os tratamentos alopáticos com Stillnox, Rivotril ou Lexotan não me fazem bem, portanto fora as alternativas anteriores estou em busca de uma dica salvadora. Por falar em “salvadora”, tive um longo e animado jantar com o Paulo Salvador ontem, por quase 4 horas. Conversamos muita coisa legal que deve sair em um post nos próximos dias.

Vou meditar e tentar dormir…bom dia a todos!

Sem grana

sábado, 23 de abril de 2011

Estou passando o feriado em Tiradentes, MG. Escreverei um post para falar mais sobre este pequeno e charmoso lugar, seu potencial turístico e outras coisas interessantes. Neste momento minha preocupação é outra: DINHEIRO!

Sim, caros leitores! Eu sei que dinheiro é a preocupação recorrente de quase todos nós, mas neste feriado minha preocupação tomou aspectos épicos. Em Tiradentes e São João Del Rei a aceitação de cartões-de-crédito é muito baixa. Pousadas, restaurantes e lojinhas em geral desprezam o dinheiro de plástico e ainda adoram um cheque, coisa que paulista já aboliu há algum tempo. Resultado: viajei com 2 folhas de cheque e uma grana para gastos corriqueiros e descobri que ia precisar de dinheiro vivo.

Aí começou minha epopéia. Em Tiradentes só existem dois postos bancários, um do Itaú e outro do Banco do Brasil. Nenhum dos dois possui um caixa conectado ao sistema “Banco 24Horas”, portanto, minha conta no HSBC é inacessível. Peguei o carro e fui a S.J. Del Rei atrás de uma agência do HSBC. Descobri que a única que havia na cidade fechou há alguns anos, ou seja, “No Brasil e no mundo (exceto em Minas), HSBC!” Finalmente, depois de muita luta, consegui achar uma agência do Banco Mercantil do Brasil com um caixa 24horas que me entregou o dinheiro que necessitava.

Voltando a Tiradentes fui na agência Uai Trip reservar um trekking pela serra. Conversando com o Dalton (dono da agência) descobri que há 2 meses ele contactou a TecBan (operadora dos caixas Banco24Horas) para pedir explicações porque Tiradentes, uma cidade com quase 400 pousadas e um fluxo turístico enorme em fins-de-semana e feriados não tinha um caixa sequer disponível para saques e serviços bancários emergenciais. A resposta da TecBan (tive acesso ao e-mail de resposta) foi: “Prezado Sr. Dalton, segundo nossas análises a cidade de Tiradentes não possui o volume de transações necessárias para viabilizar a instalação de um terminal Banco24Horas”.

E assim é, meus caros amigos! O Brasil reclama de ter apenas 5 milhões de visitantes estrangeiros e tratamos com descaso o turista interno. Relegamos uma das mais importantes cidades históricas do país à condição de “inviável” para receber um terminal bancário enquanto há filas e mais filas de pessoas na mesma situação que me encontrei anteontem. O Dalton repassou a resposta da TecBan com um apelo indignadao a todos os donos de pousadas da região e pediu ajuda da secetaria de turismo de Minas Gerais, sem o menor sucesso. Enquanto nada acontece os turistas ficam assim, no aperto.

Porque o Ministério do Turismo não exige que cidades turísticas e inseridas em roteiros históricos tenham o mínimo de infraestrutura para atendimento e apoio ao turista? Porque os bancos não são obrigados (assim como as operadoras de telefonia) a ter caixas de cunho “turístico” nos mesmos moldes dos orelhões comunitários? Estão esperando chegar a Copa 2022 no Catar? Ridículo!

Etiqueta

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Justificando minha fama de ser (um pouco) ranzinza resolvi enumerar algumas coisas que creio incomodar muitas pessoas. Tem gente que não entende que em nosso novo mundo de muitos afazeres e rápidas comunicações é fundamental manter uma etiqueta básica prás coisas funcionarem bem. Vou colocar minhas idéias em tópicos, fiquem à vontade para adicionar, criticar e sugerir alterações:

1 – E-MAIL: se alguém me manda um e-mail com uma “data-limite” para resposta eu respondo até a data ou aviso que preciso de mais tempo para responder. A resposta não pode ser encheção de linguiça, afinal, as pessoas recebem dezenas ou centenas de mensagens diariamente. Passei da data mesmo assim? Ligo ou escrevo perguntando se ainda dá tempo e pedindo desculpas.

2 – E-MAIL COLETIVO: se o e-mail foi mandado para um grupo grande de pessoas mas a resposta não diz respeito a todos, poupemos a caixa postal dos outros e respondamos apenas ao remetente. Aquelas “cadeias” intermináveis de respostas são muito chatas.

3 – PEGAR O TELEFONE: quando os e-mails e sms não parecem resolver e a coisa começa a se alongar, devemos ligar para o interlocutor e sanear as dúvidas em vez de ficarmos jogando ping-pong eletrônico. Nada substitui uma boa conversa, de preferência ao vivo (nada fácil hoje em dia).

4 – REUNIÕES: sair do escritório hoje em dia é um suplício. O trânsito está ruim, estacionamentos são escassos e o tempo é curto. Se a reunião vai atrasar por minha causa, tenho que ligar prá avisar onde estou e quanto tempo vou demorar prá chegar e sempre é bom perguntar: “continua de pé prá você?” Precisamos respeitar o tempo das pessoas. Cheguei 15 minutos atrasado? Tenho que encolher 15 minutos a conversa. O interlocutor não é obrigado a atrasar sua vida por minha causa, a não ser que ele diga que tá tudo tranquilo.

5 – APRESENTAÇÕES: não é legal levar um powerpoint e ficar lendo seu conteúdo, as pessoas sabem ler (geralmente). Se for abrir uma apresentação tento ter ali tópicos que gerem assunto e discussão, que sejam indutores da conversa e não o tema principal. Ler powerpoint é o fim da linha prá muitos bons negócios, podem crer.

6 – CELULAR: a trabalho deve ser usado para conversas curtas e que fiquem estritamente no tema. Não é legal ficar falando números, nomes e problemas quando há outras pesoas ao redor, nunca sabemos quem está ouvindo e com qual interesse. Se estou numa reunião, tento colocar em silencioso e agora já existem aplicativos que mandam uma mensagem legal de volta dizendo que não posso atender. Estou numa luta louca prá me curar do vício de ficar olhando as mensagens no Blackberry a cada 2 minutos, mas isso vai requerer um “detox” profissional, talvez internação.

7 – FACEBOOK: eu adiciono todo mundo que me convida como amigo, pois parto do pressuposto que se sou considerado “amigo” então posso retribuir sem problemas. Daí até o ponto em que os amigos inundam seu timeline com ofertas, MafiaWars, Bebe-e-Morre e um montão de outras coisas que não são do meu interesse vai uma longa distância. Tá bom, eu sei que a gente pode bloquear os aplicativos, mas é chato bloquear coisas que vem de amigos, o melhor é todo mundo ter bom-senso. Ah, também não é legal escrever coisas do tipo “estou no banheiro pensando na vida” no seu perfil, pega mal.

8 – CORRENTES: essa a gente sempre acha que não vai precisar dizer, mas volta-e-meia a turma insiste em mandar mensagens dizendo que eu só vou ser feliz se der 10 pulinhos e enviar a mensagem para 9 pessoas. No further comments.

9 – CONVITES/RSVP: quando sou chamado para um evento, festa, jantar, etc tenho sempre a opção de confirmar ou não. Quando confirmo estou dizendo pro anfitrião guardar meu lugar e ele vai se planejar contando com minha presença. Imprevistos acontecem. Se eu não puder ir, tenho que avisar com a maior antecedência possível. Um sms, um e-mail, um telefonema, qualquer coisa. Se for em cima da hora, é importante ligar pessoalmente para quem me convidou e sempre tomar cuidado prá não chegar às 22hs num jantar marcados prás 20hs, as pessoas podem estar realmente famintas.

10 – ANEXOS: quase já esquecia! Aquele meu arquivo com 9mb não vai passar na caixa de spam do destinatário, tenho certeza! Dessa forma, é sempre bom maneirar no tamanho ou dividir a mensagem. Publicar “links” também ajuda.

Dava prá escrever um tratado, mas vamos de leve. Com certeza vão aparecer outras boas práticas e idéias interessantes.

Medellin, 1996

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os mais novos talvez não saibam quem foi, mas o nome Pablo Escobar botava um medo grande na gente lá pelo fim da década de 80 e começo dos anos 90 (século passado, bem entendido). Pois esta semana eu vi uma matéria sobre o bandidão num desses canais gringos da Tv a cabo e eles falavam que quando Pablito era vivo até a guerrilha tinha medo dele. Aí lembrei de um causo que aconteceu comigo, que vai virar meu post mais longo até hoje e espero que vocês não fiquem entediados, afinal, é uma leitura divertida de fim-de-semana:

Em 1996 eu era diretor regional da AIG Seguros para a Ámerica Latina, responsável pelo produto AIG Assist em todos os países do México prá baixo. Nessa época eu ainda morava no Brasil (fui expatriado para Miami em 1998), mas viajava demais por toda a região prá implantar o negócio de seguro de viagem qvendido através das agências e operadoras de turismo. Além de Argentina e Chile, que já eram mercados maduros, também tinha que desbravar Colômbia, Equador, Perú, Venezuela, Panamá e por aí vai. A Colômbia era o país que se mostrava mais promissor para o negócio, pois a American Airlines voava direto de Cali, Medellin, Barranquilla e Bogotá para Miami diariamente, algo que era impressionante naqueles tempos. Além do bom potencial tínhamos um gerente em Bogotá que era super motivado e bem relacionado, meu amigo Mauricio Gracia, que antes havia trabalhado em operadoras e agências.

Um dia eu estava na Colômbia para um giro pelos escritórios e agências do país e seria minha 2ª visita a Medellin, uma vez que a 1ª vez que estive lá foi em 1991 quando ainda era gerente de incoming da Fênix Operadora. Minha lembrança de Medellin era de uma linda cidade plantada na encosta da cordilheira, tudo muito verde e com avenidas largas e excelentes hotéis. Estava todo animado com a viagem, mas fiquei chateado com o Mauricio quando ele disse que tínhamos que sair de Bogotá no vôo das 14:00hs, o que significava desperdiçar 1/2 dia de trabalho, pois o certo era terminarmos Bogotá umas 17:00 e depois pegar o vôo. Ficamos discutindo (eu quase não sou teimoso) e eu chateado com a perda de tempo, mas ele ficou irredutível e disse que não havia outra alternativa, mesmo eu sabendo que vôos entre Bogotá e Medellin eram iguais a ponte-aérea Rio-São Paulo.

Fomos pro aeroporto meio-dia, entramos no Boeing da Avianca e aí o vôo não saia. Eram 14:30 e a gente lá, embarcados mas sem nos mover. Quando deu 15:00 eu olhei pro Mauricio com cara de poucos amigos mas notei que ele estava branco igual uma folha de papel. Fiquei com dó e resolvi não encher a paciência do cara. Às 15:15 o comandante falou que teríamos que trocar de aeronave e que nossa partida seria às 16:30, mas o que me surpreendeu foi que ao descermos do avião para fazer a troca metade dos passageiros desistiram de voar. Pensei comigo: “povo supersticioso esse, hein?” E o Mauricio suando em bicas, branco e quieto.

Finalmente decolamos às 16:45 e em 35 minutos já estávamos pousando em Medellin, no aeroporto de Rio Negro, que fica no alto da cordilheira, fora da cidade. O Mauricio saiu correndo do avião e me deixou prá trás, eu gritando prá ele esperar mas ele parecia um corisco! Como só tínhamos bagagem de mão corri atrás dele e o encontrei conversando nervosamente com nosso motorista que esperava no saguão. Quando cheguei perto eles me disseram que era melhor esperarmos um pouco antes de descer a serra até Poblado, onde ficava o Marriott. Não entendi nada. Primeiro o cara saia correndo feito louco, agora que estávamos ali não podíamos ir embora…eu chateado, prá não dizer outra coisa. Depois de uns 10 minutos o motorista disse para entrarmos no carro e aí percebí que além de nós havia mais um montão de gente entrando ao mesmo tempo e dando partida. Achei interessante mas fiquei na minha e aí começamos a bonita viagem descendo a serra, já no lusco-fusco do começo da noite, num estilo de comboio com uns 30 carros. O Mauricio quieto e olhando nervoso pela janela, como se alguma coisa muito séria estivesse prá acontecer.

Quando chegamos à cidade e paramos na entrada do hotel o cara desanuviou. Ele abriu um sorriso largo por trás do seu bigodón de bandoleiro, colocou a mão no meu ombro e disse que antes do check in deveríamos tomar uma “lulada” com pisco. Já no bar ele me contou a história direitinho, depois de ter tomado umas canas: “Sidney, a gente NUNCA vem prá Medellin no fim da tarde, NUNCA! Os guerrilheiros aqui da região ficam de tocaia esperando e quando a noite cai eles fecham a estrada e passam de carro em carro “pedindo contribuições” e observando se temos algo de valor. Se encontram um gringo assim como você eles podem decidir levar o cara prá pedir resgate depois, e esse depois pode ser no mesmo dia ou na semana que vem. Entendeu?”

Aí quem ficou branco fui eu. Minha vontade era esganar o danado e dizer que ele era louco, mas eu sabia que se ele tivesse me contado a história antes eu teria sido mais um daqueles que resolveram não embarcar e agora já estávamos lá, sãos e salvos. Resolvi relaxar, pedi mais uma lulada e acendi um charuto cubano prá comemorar. Apesar de linda e hospitaleira, aquela foi a última vez que coloquei meus pés na capital da Antioquia!

O Lobo Mau

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ouvir um cara como Phillip Wolf falando sobre o futuro do turismo é extremamente prazeroso. Um banho de realismo, idéias e simplicidade, algo que nos falta em quase a totalidade das apresentações que vemos e ouvimos todos os dias.

O homem não fica preso aos Estados Unidos, não usa exemplos longe de nossa realidade, não inventa a roda. É tudo simples, visual, fácil. A mídia social é aquilo que vemos e usamos, não é um segredo escondido em algum lugar de um armário grande e abarrotado, está ali ao nosso alcance, pronta para ser pega.

Se no passado nos preocupávamos se teríamos dinheiro para investir em teconologia e sistemas, hoje temos que nos preocupar em entender o que já existe e como podemos usar esta tecnologia, pois ela é gratuita, colaborativa e de fácil acesso por qualquer individuo do noso planeta.

É muito bacana entender que nosso futuro depende muito mais de nós do que dos outros, se tivermos a capacidade de adaptar-nos ao novo mundo, aos jovens e ao desconhecido, então teremos capacidade de crescer, ganhar dinheiro e ser felizes. Quem não esteve aqui hoje perdeu uma apresentação muito poderosa, que valeu o tempo investido no Fórum Panrotas 2011. Parabéns Mr. Wolf!

O Baile

segunda-feira, 28 de março de 2011

O baile que levamos da Argentina em promoção turística e seus resultados é gritante. Se ainda temos uma briga parelha no futebol, somos obrigados a nos conformar a engolir este tango goela abaixo. O Fórum Panrotas hoje cedo trouxe à luz o abismo que nos separa.

A Argentina teve 2 milhões de visitantes estrangeiros em 2002, contra 5.6 milhões de visitantes que recebemos no Brasil naquele mesmo ano. Em 2010 a Argentina recebeu 5.1 milhões de estrangeiros e o Brasil deve fecahr suas estatísticas ao redor de 5.2 milhões, ou seja, foi a briga da lebre contra o caranguejo.

Antes que a turma das “desculpas” apareça com o velho e conhecido rosário de justificativas vou enfiar mais lenha na fogueira. A Argentina tem uma empresa aérea de bandeira que ficou combalida durante décadas, possui apenas 1 portão de entrada internacional de peso, sua infraestrutura hoteleira está aquém da brasileira e o número de destinos e vôos internacionais que servem los hermanos é muito (mas muito MESMO) inferior aos nossos. Ainda assim, crescem em número de turistas e conseguem ter um forte gerador de divisas para sua economia, onde a razão entre turistas internacionais x população é de 0.2, enquanto no Brasil essa mesma razão é de 0.028.

Os argentinos se vendem com preços atraentes, mas também são hospitaleiros, educados e orgulhosos de sua natureza, cordilheira, neve e pampas. Espero que em alguns anos possamos reverter a situação e tirá-los para dançar, mas isso vai exigir muito mais que apoiar nossos braços nas muletas da Copa à esquerda e das Olimpíadas à direita.