Arquivo da Categoria ‘Incentivos’

Conceitos – Parte 1

terça-feira, 19 de abril de 2011

Um dos equívocos mais comuns que presencio no dia-a-dia é a utilização de títulos equivocados para nomear e categorizar os eventos que são solicitados por empresas. Muitos podem achar que é apenas uma questão semântica, mas na realidade a nomenclatura também denuncia o nível de especialização, preparo e expectativas embutidas em cada viagem.

Quero aproveitar o SEM FRONTEIRAS para escrever uma série de artigos mais aprofundados sobre o tema. Este post inicial pretende tratar das diferenças entre os tipos de viagem, ajudando-nos a entender melhor os aspectos logísticos e operacionais. A teoria varia de acordo com a fonte e pode ser que a nomenclatura também possua outras vertentes, espero dar os conceitos da forma mais simples possível, preservando sua essência. Vamos lá:

EVENTO: todo ajuntamento de pessoas organizado por indivíduos, empresas, governo, etc. é um evento. Um jantar, uma palestra, um seminário, um treinamento, uma sessão de teatro e uma infinidade de atividades são eventos. Cada vez é mais comum tentar surpreender convidados e participantes de eventos inserindo componentes motivacionais nos mesmos, tais como premiações, encontros com esportistas, assistência a partidas de futebol, desfiles de moda, shows ou oficinas gastronômicas.

VIAGEM DE INCENTIVO: trata-se da viagem dada como prêmio por um objetivo alcançado ou como uma motivadora inicial para a busca de novos objetivos. A viagem de incentivo tem como razão principal “pagar” por um benefício obtido, dando ao ganhador uma sensação de “plena recompensa” por seu esforço e motivando-o a atingir novos resultados. Os incentivos estão invariavelvmente atrelados a campanhas de vendas, metas, crescimento, lucratividade ou outros fatores de medição objetivos, mas também podem resultar de processos de reconhecimento por excelência profissional, liderança, inovação, gerenciamento, etc. Uma viagem de incentivo não carrega, em sua essência, componentes vinculados a trabalho durante sua execução, a não ser em modelos “híbridos”.

CONVENÇÃO: é a viagem organizada pela empresa com a finalidade de extrair benefícios futuros. Numa convenção o caráter “institucional” é sempre presente, seja através de reuniões, seminários, atividades de “team building”, ampla exposição da marca e apresentações estratégicas. É comum as empresas selecionarem participantes de convenções com base em seu desempenho e cumprimento de metas anteriores, mas o modelo “híbrido” possui intensidade e recall motivacionais mais curtos que uma viagem de incentivo.

CONGRESSOS: são eventos organizados por instituições, empresas ou indivíduos através do sistema de adesão, convite ou inscrição (em geral pago ou patrocinado) com o claro propósito de debater temas específicos, independente de sua natureza. Há uma infindável lista de congressos e os mais comuns são os congressos médicos, profissionais (de uma profissão específica), religiosos e governamentais. Vários congressos inserem componentes motivacionais (jantares, passeios, shows, palestras) como forma de atrair um maior número de participantes.

No meu próximo post vou discorrer sobre a “linha do tempo” de cada evento, as nuances operacionais que os diferem e voltar ao tema dos eventos híbridos, que são muito populares no Brasil.

O Dedo Verde

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Neuspruit – ( África do Sul) Com 7 anos de idade li “Meu Pé de Laranja Lima” (José Mauro Vasconcelos), meu 1º livro “sério” (sério demais) e nunca mais parei. Logo na sequência olhei no armário do escritório do meu pai e fiquei fascinado com o título de outro livro, escrito por Maurice Druon, intitulado “O Menino do Dedo Verde”. É a história alegórica deste menino que tem o poder de fazer nascerem plantas, arvores, flores e ervas sempre que coloca seu dedo na terra ou em uma fenda de pedra, de asfalto ou cimento. Uma história ecologista escrita muitos anos atrás que não envelheceu.

Estou no aeroporto de Neuspruit esperando nosso voo para Johanesburgo e esta semana vi o poder da chuva sobre a savana africana. Há 3 semanas não havia muito sinal de vida por aqui, de fato os guias me disseram que os animais estavam inquietos, concentrados em pequenos espaços onde ainda havia alguma poça ou pequeno riacho correndo mirrado. Veio a chuva forte, as nuvens pesadas e com elas um vento úmido e mais frio; também veio o “Menino do Dedo Verde”, talvez montado em alguma girafa sorrateira ou no lombo de uma zebra. Kruger, Mala-Mala, Sabi-Sabi, está tudo viçoso, verde como se jamais tivesse secado e amarelado.

Ficamos 2 noites no Tinga Lodge Narina (irmão do Tinga Legends), muito autêntico com 6 cabanas grandes, com piscina privativa e vista para o Rio Sabie. Os safaris fotográficos começam pontualmente às 05:30 e 16:00 e duas vezes por dia tivemos o privilégio de conversar com os biólogos, ver os animais e conhecer suas histórias. Também inspecionei os resorts de Lion Sands (Ivory e River), que agora fazem parte do mesmo grupo dos Tinga e com isso podem oferecer acomodações para incentivos com até 100 convidados com muito conforto, privacidade e exclusividade.

Os animais estavam felizes e preguiçosos, com a barriga cheia e curtindo um calor morno, tão agradável que até os leões posaram displicentemente para as intermináveis fotos. Vou deixar a savana prá trás e com ela a certeza que o ditado não falha: ‘Depois da tempestade vem a bonança!”. Amanhã tem mais!

Panacéia

terça-feira, 9 de novembro de 2010

De acordo com a enciclopédia livre Wikipédia “Na mitologia grega Panaceia (ou Panacea em latim) era a deusa da cura. O termo Panacéia também é muito utilizado com o significado de remédio para todos os males.”

No Brasil usamos termos chulos como “estouro de boiada” e “maria vai com as outras” com propósito parecido, principalmente quando todo mundo resolve seguir o remédio milagroso que acreditam estar salvando apenas uns poucos felizardos que o conhecem. Antes que alguém ache que endoidei, comecei assim meio torto prá dizer com todas as letras: tem gente demais achando que viagens de incentivo é a última coca-cola do deserto e essa história vai acabar tendo um final agridoce.

Somente no último ano eu fiz uma conta rápida e identifiquei 12 novas agências que se dizem “especializadas em eventos e incentivos”, sendo que a própria adição de “eventos” na frente de “incentivos” já é uma baita complicação. Incentivos e eventos são coisas distintas; existe um abismo conceitual, operacional e de resultados entre as duas coisas e penso que muita gente ainda não atinou para isso.

Gostaria de aproveitar a ocasião do SMEC-LA (próxima 3ª feira), Bruce McMillan (próxima 4ª feira, para convidados), EIBTM (29/11 a 02/12) e Congresso Mundial do SITE (4/12 a 6/12) para pedir que todos os “especialistas em incentivos” reflitam sobre como está sendo forjado o segmento no Brasil, se estamos absorvendo de forma correta as melhores idéias e conceitos e, por fim, se estamos vendendo e entregando o produto certo com os resultados que os clientes tem em mente.

Uma das maravilhas do segmento de serviços é que as barreiras de entrada são muito pequenas e simples, com pouco esforço e capital quase todo mundo consegue entrar no jogo e tomar o remédio milagroso. O problema é que nem todo mundo lê a bula e segue as prescrições, e os efeitos colaterais podem derrubar o paciente em vez de curá-lo. Um pouco alarmista, eu sei, mas lá no interior a gente sempre duvida quando sai todo mundo correndo atrás de um balão de São João.

Parabéns COVIA!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estive ontem no lançamento do “Manual de Boas Práticas na Contratação de Viagens de Incentivo” no bonito e charmoso terraço do Club A (Sheraton WTC). Apesar do longo nome o manual é curto, muito informativo e de fácil leitura e entendimento por profissionais da área de viagens, “travel managers”, executivos de compras e marketing. O Comitê de Viagens de Incentivo (COVIA) da Associação de Marketing Promocional (AMPRO) entrou numa questão central que tem sido objeto de grandes debates, pois nos últimos tempos as viagens de incentivo foram alçadas a estrelas e quase todo mundo quer morder um quinhão deste mercado apetitoso.

Como escolher a agência certa para executar o momento máximo de uma campanha? Quais os riscos e benefícios escondidos nesta tarefa? Quais critérios utilizar para medir a especialização e profissionalismo do agente neste segmento? Meu amigo e conselheiro Issy Scher (israelense cidadão do mundo e um dos profissionais mais antigos e respeitados no segmento de incentivos mundial) definiu de maneira soberba o segmento há alguns anos: “As viagens de incentivo são como os leões: estão no topo da cadeia alimentar do segmento de viagens e não se chega lá em cima por sorte. Para chegar ao topo as empresas tem que comer muita grama, correr atrás de muitas presas e contar com a dádiva de ter em seu DNA o espírito guerreiro e de liderança que não está presente em todos os animais. Operar incentivos não é coisa de animais gigantes, é tarefa para os mais inteligentes, disciplinados, cuidadosos e experientes.”

A leitura do manual – confeccionado por leões do segmento – é obrigatória a todos que pretendem entender, se aperfeiçoar e executar melhor seus planos nesta área. Através do link no site da AMPRO é possível conhecer melhor o COVIA e solicitar informações e uma cópia do manual. Parabéns COVIA por esta excelente contribuição!

website AMPRO: http://www.ampro.com.br/comites/conteudo/index.asp?id=52

Fut Power

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O nome acima etá começando a tomar corpo em vários lugares do planeta e vai direto ao ponto: o futebol é hoje um dos grandes negócios do mundo do entretenimento, rivalizando com Hollywood, grandes festivais e as “fashion weeks”. Como o futebol chegou lá? Daria para escrever um livro (talvez mais) teorizando o caminho e apontando as razões, mas é fato que a paixão de latinos e ibéricos extrapolou fronteiras e se tornou o grande esporte de todo o mundo, num espaço de tempo relativamente curto. Para o segmento de viagens (lazer e incentivos) o futebol representa um enorme quinhão de receita e as margens são muito apetitosas (o risco também é bem grande), pois quando o tema é “paixão” o passageiro perde a noção dos gastos, do que pode e do que não deve fazer. Exemplo interessante: ano passado o Emirado de Abu Dhabi realizou pela 1ª vez as finais do Mundial de Interclubes, que reúnem os campeões da Ásia, África, Europa e Américas num quadrangular em Dezembro, culminando com uma partida final entre os 2 melhores. O vencedor das Américas foi o Estudiantes de La Plata, que conseguiu amealhar em torno de 1,600 torcedores fanáticos que enfrentaram 17 horas de vôo para vibrar com sua equipe por uma semana. Não levaram o título, mas fizeram uma grande festa. Este ano teremos a 2ª edição em Abu Dhabi de 10 a 19 de Dezembro, mas quem comprou, comprou, quem não comprou terá que esperar mais um ano (além de torcer para sua equipe chegar lá). Estão previstos mais de 15.000 visitantes internacionais em Dubai e Abu Dhabi, num periodo que a hotelaria local amarga baixa ocupação por ser próximo do Natal (expatriados e empresas estão em outras paragens), e um movimento financeiro direto para o turismo da ordem de U$45milhões, excluídos os efeitos secundários e de longa duração (promoção do destino, exposição das cidades na mídia, etc). O Inter de Porto Alegre é um dos finalistas e estimativas apontam para até 5.000 torcedores gaúchos invadindo o deserto em Dezembro, sendo que tudo o que era possível reservar e vender de aéreo (EK, QR, SA, TK além das conexões via Europa) já está comprometido e faltam lugares para levar mais interessados. Vários incentivos foram montados por empresas que patrocinam o futebol, além de campanhas de vendas em que a premiação é o sonho de ver seu time jogando o Mundial. Paro por aqui, mas deixo um ponto para reflexão: a única coisa que está impedindo a ida de mais turistas brasileiros é a limitação de oferta aérea, pois a hotelaria e infra-estrutura turística locais são de 1ª linha; como será nossa Copa do Mundo 2014? Se fizermos uma transposição da situação de hoje, quais são nossas chances de eliminar gargalos? Sei que muita gente já escreveu sobre isso, mas vou ser chato: do jeito que estamos deixaremos muitos milhares de turistas apenas na vontade de vir ao Brasil, será um enorme desperdício com uma oportunidade de ouro. Melhor acordar, prá não acontecer como disse Zagallo: “Aí sim, fomos surpreendidos novamente!”

Desfazendo o MITO!

sábado, 9 de outubro de 2010

Uma curta e boa prá refletir no sabadão nublado e friento: sabe aquela história que viagem é uma das poucas coisas que a gente paga prá experimentar? Aquele bordão batido que aprendemos e depois repassamos aos mais novos sobre não poder experimentar e devolver se não gostarmos? Pois é, caros leitores…o MITO da prova é desfeito no segmento de viagens de incentivo! Para quem não está familiarizado, em MICE (incentivos) as boas agências sempre incluem uma viagem de inspeção junto com um (ou mais) representante da empresa compradora para inspecionar o que foi acordado e fechado em contrato. Estas inspeções são geralmente feitas 2 ou 3 meses antes da viagem do grupo com o intuito de dar tempo para afinar os últimos detalhes e mudar ou melhorar algum aspecto que não foi previsto no processo de seleção e planejamento dos serviços. O mais bacana de tudo isso? Em 8 de cada 10 inspeções o cliente acaba aumentando os serviços ou melhorando a qualidade do roteiro, ou seja, as inspeções são poderosas ferramentas de “upsell” e valorizam muito o trabalho de um bom agente e seu DMC (operador receptivo) no local escolhido. Já existem alguns operadores em destinos exóticos que estão, inclusive, oferecendo a “risk inspection”, que é o direito do cliente inspecionar o roteiro e não pagar nada por isso caso não goste do que veja e experimente. Curtiram?

Torturados

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O semblante cansado, fechado e concentrado não deixa dúvidas: estou vendo uma mulher torturada. Do lado de fora o sol quase a pino já não se presta a emoldurar boas fotos, o mar tranquilo e brilhante fere os olhos com seu reflexo, a pouca brisa oferece uma sensação de calor na medida exata que abraça a pele e tranquiliza. Mas ela está na sala de tortura sendo massacrada por seus carrascos, recebendo impávida gráficos, números, visões estratégicas, palestras motivacionais e revisões de orçamento. Seu consolo é que em pouco tempo será sua vez de assumir a chibata e punir aqueles que a punem. O sol castiga a pele lá fora…

O Kempinski de Bodrum é um hotel espetacular, pendurado numa encosta imponente, todo branco e altivo. Piscinas, mar, barcos, restaurantes, lounges com espreguiçadeiras, spa, praia, veleiros e salas de tortura. Depois de 20 anos sendo torturado por poderosas organizações multinacionais eu consegui me libertar! Hoje ainda dói ver os torturados nas salas de convenções dos belíssimos hotéis à beira-mar ou nas cidades espetaculares serem punidos por sua eficiência com viagens de avião por 4, 5 ou 8 horas, trasladados em vans gélidas sob o sol escaldante do mediterrâneo e recebendo a sublime humilhação de estar dentro da sala de tortura às 08:30 da manhã, enquanto a população de vagabundos começa a despertar para um lento café-da-manhã. Entendo a mente dos algozes: hotéis querem (e precisam) trazer a legião de escravos nos períodos de baixa temporada, esforçam-se para oferecer salas de tortura com todo o conforto e comodidade, serviço impecável, cama grande e cheirosa e restaurantes suculentos. Organizações acreditam que não exista nada mais motivador e emocionante que trazer seus homens e mulheres de confiança para as longitudes do Egeu, sua Esparta particular onde estes mesmos seres serão brindados com uma vista espetacular distante dos campos de batalha onde sangram nas grandes cidades. Alguém precisa tirar o moedor de gente da tomada e trazer um pouco de humanidade e sensatez a estas mentes perigosas!

Como ex-torturado e hoje alforriado rogo que haja uma separação definitica entre reuniões, incentivos e convenções, que todos se juntem em uma corrente de amor por aqueles que dão seu suor às empresas desalmadas. Lanço aqui um manifesto pela liberdade dos soldados corporativos: que as reuniões de trabalho sejam feitas nos lugares mais comuns e sem vida que puderem ser encontrados. Que as salas de tortura não tenham janelas refletindo corpos dourando ao sol. Que as empresas tenham piedade de seus executivos e tragam todos para Bodrum, Rio de Janeiro, Salvador, Miami, Barcelona ou Paris como prêmio e não castigo. Que os hoteleiros não compactuem com a desumanidade oferecendo salas de trabalho, mas sim lindos caramanchões à beira mar para que os grupos de soldados comunguem do ócio e preguiça. Que os dias sejam gastos com estratégias de bronzeamento e alongamento! O sol castiga a pele lá fora…

1 nota maestro Zezinho!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ainda não me aventurei a escrever sobre música por aqui. Talvez seja receio de me expor num assunto que não engano com desenvoltura ou a dificuldade em traduzir para palavras as letras que são “lidas” pelos ouvidos, mas hoje resolvi me aventurar depois de uma longa discussão durante o jantar. Fomos ao restaurante Topaz (http://www.topazistanbul.com/index_eng.asp), considerado um dos melhores da Turquia e com uma vista estonteante do Bósforo, onde pedimos o menú-degustação e 2 garrafas de vinho para embalar. Tudo muito bom, gente bacana, iluminação agradável, o lugar tem comida boa e recomendavel, mas a trilha sonora é “óbvia”, sem graça e limpinha demais, um verdadeiro xuxú de UTI.

Pois é, caros leitores, oTopaz foi arrastado ladeira abaixo (uma linda e verdejante ladeira, diga-se) à vala comum dos lugares que perdem personalidade nos detalhes. Diana Krall cantando Fly Me to The Moon, Ella Fitzgerald em Summertime ou Rod Stewart (Senhor, poupe-nos!) com What a Wonderful World. Todas músicas lindas, consagradas e iconicas, porém, imagino que elas estejam sendo tocadas em mais 2000 restaurantes mundão afora além do Topaz nesta mesma noite, ou seja, são veículo certo para a mesmice e pasteurização que assola boa parte dos lugares legais do planeta. Me alonguei no tema para entrar na categoria de lugares que se tornam famosos justamente por arriscar e por oferecer o novo, o inusitado e o óbvio (sim, até o óbvio) de forma absolutamente personalizada e sem medo de errar. Les Caves du Roi (http://www.byblos.com/byblos_sttropez.php?sodirect=cavesduroy) em Saint Tropez, The Supper Club (http://www.supperclub.com) de Amsterdan, Bar Costes (http://www.hotelcostes.com/index.php?page=hotels) em Paris, ou mesmo o Bar D’Hotel (http://www.marinaallsuites.com.br/allsuites/portugues/bar-hotel.asp) no Marininha mostram prá muita gente graúda o que é ter personalidade, e personalidade não se compra numa trilha sonora correta ou numa decoração “papai-mamãe” feita pelo arquiteto famoso. Personalidade é algo construído com a mistura da cultura, da experiência, da visão e da paixão do criador; é algo que requer muito mais que uma fórmula de Bolo Sol, tem que amassar a massa com vontade e colocar a alma para dar o tom. Da próxima que vez que forem a um restaurante, hotel ou centro de convenções tentem “ler” o som que entrar por seus ouvidos, imaginem se aquilo faz parte do “roteiro” e da “cenografia” propostas, pois este mesmo som é o que vai embalar seu hóspede feliz, seu passageiro emocionado e aquele casal apaixonado.  Antes de acabar estes rabiscos, alguém sabe que fim levou Pablo?

O Banquete Real

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Eu sou plebeu. Ser plebeu significa não ter laços de sangue ou de titularidade com qualquer membro da realeza, independente do pais ou território que eu me encontre. Existem plebeus riquíssimos, plebeus intelectuais, plebeus bonitos, plebeus inteligentes; mas plebeu é plebeu em qualquer lugar. Semana passada este plebeu jantou no palácio da familia real do Rajastão, na companhia de 10 brasileiros, os quais suspeito também serem todos plebeus. A família real do Rajastão é, como em quase todos os lugares, uma peça decorativa que ajuda o Estado a se promover, ao mesmo tempo que também oferece um baú cheio de ricas histórias a seus visitantes. Ao chegarmos no palácio fomos recebidos pela guarda cerimonial toda paramentada e montada em elefantes e dromedários e fomos levados em cortejo até a porta de entrada privativa da residência do rei. Ali nos seviram champagne no terraço, com vista para o lindo jardim, até que fomos novamente convidados a subir uma rampa escura e longa que terminou no pátio interno da residência, onde estavam dispostos sofás, mesinhas e um pequeno grupo musical típico, tudo sob a bonita luz do luar. Lá estava o rei! Calças jeans, camisa escura, um altivo senhor de uns 75 anos, pele bronzeada e cabelos brancos. Ao seu lado o príncipe (seu genro), jovem e bem disposto, casualmente vestido e extremamente amável. Um a um fomos apresentados à Vossa Alteza, que estava bem cansado e com pouca mobilidade em função de uma enfermidade crônica. Após alguns minutos o Rei se retirou com seu secretário particular e ficamos na agradável companhia do príncipe, tomando coquetéis enquanto um grupo de dançarinas (ou dançarinos, ou os dois pois há dúvidas quanto a isso) nos entretia com peças típicas da cultura local. Após uns 40 minutos fomos convidados a passar para a sala de jantar, um lindo salão antigo com decoração clássica, móveis pesados, tecidos ricos e muitas fotos e histórias. Nas fotos há gente como Bill Clinton, Kofi Annan, Rainha Silvia, Rei Juan Carlos, etc etc; todo o jet set internacional, famílias reais de outras paragens, artistas e famosos, sempre ladeados ou ladeando o Rei e seus familiares. Uma vez sentados à mesa ficamos sabendo que ela foi feita de puro cristal Lalique na década de 1930 e está avaliada em U$1 milhão, o que me deixou preocupado com qualquer eventual acidente durante o jantar. Talheres de prata, lindas taças de cristal e boa conversa, o jantar indiano (com nenhuma pimenta para os padrões locais e simplesmente devastador para nossos estômagos sensiveis) transcorreu tranquilo e agradável, como se estivéssemos na residência de amigos. Ao seu final fomos convidados a conhecer outro terraço privativo do palácio, com uma bonita vista de todo o centro antigo de Jaipur, e dali seguimos diretamente para o pátio de entrada, onde nos despedimos e partimos.

A história acima seria absolutamente banal e corriqueira, não fosse por um simples detalhe: o Rei e sua familia fazem destes jantares uma forma de arrecadar fundos para manter seu status e cobrir os pesados custos do palácio e seus empregados. Por uma quantia não informada todo o cerimonial pode ser contratado para grupos de incentivo e viajantes especiais, desde que haja prévia aprovação dos visitantes por parte do escritório do Rei. Fiquei pasmo com o profissionalismo, coreografia, cerimonial e amabilidade; a sensação entre todos os presentes era que estávamos realmente sendo recebidos de forma espontânea, sem qualquer resquício de “comércio” na programação. Pronto, está dada a dica! Hoje em dia até mesmo um jantar Real pode ser organizado por um DMC bem conectado e influente. O Rei está sem fronteiras!

Recepção no Palácio Real

Mesa de Jantar Real