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Marketing

domingo, 7 de agosto de 2011

Muita gente vai ler este post já na 2ª feira, quando estaremos reunidos no 1º Encontro Panrotas – Marketing no Turismo. Fui convidado para apresentar idéias sobre “Marketing de Destinos”, mediar discussões (o povo que me chama prá mediador é muito louco, é igual chamar o Mike Tyson prá juiz em luta de boxe), interagir com vários convidados brilhantes e com todo o grupo participante, por volta de 100 pessoas envolvidas com o turismo. Estou muito motivado e contente, espero não decepcionar e quero sair com idéias legais deste encontro.

Falando em sair com idéias, nada como mostrar com quais estou entrando, assim posso fazer um balanço final e avaliar o que mudou, o que aprendi de novo e quais idéias iniciais ficaram ainda mais cristalizadas. Portanto, aí vai a lista de coisas que acredito no marketing hoje, antes do encontro:

1) Marketing não é ação acidental ou espasmódica. Tem que ter começo, meio, recomeço, meio, recomeço, meio….jamais tem fim.

2) Não ter “fim” não quer dizer não ter “propósito”. Antes de entrar no jogo eu tenho que estar seguro sobre quantos gols quero marcar, como vou marcar e em que tempo isso vai acontecer. Lógico que todo plano possui contratempos, mas o propósito não pode jamais deixar de existir.

3) Se for prá fazer barulho por nada, melhor eonomizar a corneta. Em tempos de super-exposição, mídias interativas e conectividade total, nós somos julgados tanto pelo que fazemos como por aquilo que não fazemos. Há momentos que não fazer nada é a melhor ação.

4) Dinheiro não aceita desaforo. Para cada Real que gasto eu penso se aquela grana está indo para a atividade certa e trará o resultado esperado. Orçamentos não precisam ser grandes, precisam ser muito bem investidos, só isso.

5) Todo e qualquer canal de comunicação, promoção e construção de marca é válido, desde que seja honesto, limpinho e tenha tudo a ver com o produto e serviço que estou vendendo.

6) Marketing é igual canja de galinha. Tem o poderoso dom de curar ressacas e fazer as coisas acontecerem de maneira simples. Sou contra a reinvenção da roda, pois os princípios não mudam, eles simplesmente vão se mascarando de coisas sofisticadas e diferentes. A melhor forma de montar uma estratégia (para mim) é: “será que eu compraria esse produto se ele fosse vendido da maneira x”?

7) Não dá prá manter um marketing moderno sem contar com as idéias, loucuras e pirações dos jovens. Se você não tem um jovem contratado, arrume vários jovens palpiteiros, de preferência brilhantes.

8 ) Trabalhar o contra-ciclo. Essa é velha, mas quase ninguém faz com medo de estar jogando grana pela janela. Não está! Sou um defensor ferrenho de estratégias contra-cíclicas.

9) Saber quando faz besteira. Prefiro que um amigo ou conhecido me diga que uma campanha ou um folder ou meu hotsite ficou uma droga do que receber elogios para uma atividade. O elogio tem que vir com mais vendas, mas às vezes estamos tapados para o mau trabalho que executamos.

10) Criar um mercado para seu produto, evitar entrar em áreas inundadas por concorrentes. É um conceito auto-explicativo.

Vou parar por aqui, apesar que minha lista é extensa e variada. Sei que não fui criativo, mas pelo menos quem ler este blog poderá se pautar nestas afirmações para nortear eventuais discussões durante nosso encontro. E lá vamos nós!

Subliminar

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O marketing se sustentou por décadas sobre 4 “p”s, que não são pernas ou pilares, e sim a contração de Produto, Preço, Promoção e Ponto-de-venda. Nos últimos anos houve uma enorme inovação em metade dos “p”s, mas Produto e Preço ficaram de certa forma à margem do frenesi tecnológico da web, apesar de terem apresentado algumas mudanças interessantes, tanto no seu “empacotamento” como no sistema de crédito.

A grande mudança subliminar nos produtos está acontecendo enquanto escrevo, bem à frente dos nossos olhos, e pouca gente para para analisar suas causas e efeitos. Estou falando da poderosa máquina de DM (destination marketing) ou “Marketing de Destinos”, que possui uma sofisticada e intrincada correlação com as demais áreas do turismo, operando milagres quase inexplicáveis ou destruindo valor em larga escala.

Sem teorizar muito, lanço as perguntas: qual a grande atração turística de Los Angeles? O que foi feito de novo em Paris nos últimos 30 anos? O sol que banha a costa grega é mais quente que outros lugares? Eu poderia fazer mais uma centena de perguntas parecidas e a resposta seria invariavelmente “não sei” ou “nada de especial”, e então a gente ia ficar matutando: mas por que esses lugares exercem tanta atração sobre o público no mundo todo?

A resposta é fácil, apesar do tema ser bastante complexo. Todos os destinos que se tornaram prósperos expoentes do turismo mundial conseguiram inserir no imaginário das pessoas coisas intangíveis e únicas, que podem ser copiadas mas jamais equiparadas. Estes destinos moldam todo seu marketing sobre estas bases, independente de modismos, através de uma complexa rede de conexões que envolve poder público, indústria do entretenimento, gastronomia, companhias aéreas, hotéis, universidades e uma miríade de entidades.

Paris é a “cidade-luz”. Sim, mas este apelido sobrevive desde o século XIX e até hoje é largamente utilizado, mesmo que as pessoas não saibam porque. Paris é a cidade dos amantes, da arquitetura grandiosa de Napoleão III, da comida, do vinho e dos cafés. Paris (e a França de um modo geral) é “vendida” inteligentemente como o lugar de bon-vivands e pessoas de classe. Pronto. O marketing do destino Paris é trabalhado de forma intensiva e ostensiva sobre estes simples conceitos e a cidade vende-se de forma impressionante, em todas as estações. E assim é para Roma e sua “dolce vita”, Madrid e sua constante “movida”, a New York que “nunca dorme” e a Dubai “capital do futuro”.

Os destinos tentam encontrar um posicionamento e a partir daí trabalham ferozmente nas táticas de divulgação, sendo que as mais efetivas não são vistas como tais. Filmes rodados em New York recebem incentivos e benesses da prefeitura local, assim como todo material cultural que cite a cidade recebe benefícios na sua divulgação e proliferação pois, de forma indireta, estão promovendoo destino. Os estúdios da ABC e NBC com vistas para a Times Square ou Madison Square Garden promovem o destino, assim como a FAO&Schwarz é um ícone local. Além dos aspectos básicos de infra-estrutura, segurança e uma rede de serviços minimamente confiável, cada destino precisa encontrar seu ponto estratégico, seu ovo de Colombo na hora de vender-se para o mundo.

No caso do Brasil, Foz do Iguaçu é o maior exemplo de venda atrelada a uma única atração tangível, assim como o Rio de Janeiro consegue vender-se por atributos intangíveis que povoam o imaginário das pessoas do mundo todo.  Neste mundo ultra-materialista, conectado e povoado por interações sociais “à distância” a discussão de Marketing de Destinos já atinge um amadurecimento e sofisticação enormes, portanto, vale a pena acompanharmos com bastante atenção a estratégia de cada um, principalmente na hora de nos lançarmos a comercializar produtos que dependem de muitos outros atributos além do preço. Voltaremos ao assunto na segunda-feira que vem, dia 8 de Agosto.

Lição Catalã

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Quanto mais eu vejo as coisas acontecerem mais eu solidifico minha opinião que o simples é imbatível. Me explico: ontem fui a um evento do Turismo da Cataluña no hotel Tivoli Mofarrej e gostei muito do formato. divido as impessões com vocês:

1) Sem frescuras, ao chegar nos foi oferecido um coquetel simples, com cavas (espumantes espanhóis), azeitonas, castanhas e alguns canapés. Tudo da Espanha.

2) Antes do jantar foi feita uma apresentação das principais atrações, hotéis e atividades locais, coisa de 15 minutos e sem grande impacto, mas não comprometeu.

3) Passamos ao salão de jantar e todos os convidados foram acomodados em grandes mesas, nomeu caso uma mesa de 16 lugares com 4 pessoas do grupo de anfitriões.

4) Ao começarem o serviço de entradas e bebidas para o jantar 2 dos nossos anfitriões na mesa pediram licença e começaram a contar as deliciosas histórias de cada prato servido, com bom humor, informação e cordialidade.

5) Após terminado o jantar foi feito o sorteio de uma bola de futebol do Barcelona. Sim, amigos! Não sortearam passagens, viagens e diárias de hotel, mas sim uma singela bola do Barça, lindíssima, que foi ganha pela Sandra Velloso da MCI (minha ex-pupila).

6) Todos os convidados também sairam com uma sacola com informações sobre a Catalunha e um típico cachecol do Barcelona, que parece ser o grande “carro-chefe” da promoção turística local.

Tudo muito básico e corriqueiro, não é mesmo? então porque o post tem o título de “Lição”? O título é justamente uma alusão a simplicidade em fazer as coisas, a espontaneidade na execução e a atenção com detalhes que não são medidos pelo preço (como as explicações no jantar), mas pelo carinho e cuidado com o bem-estar dos convidados.

Que venham cada vez mais eventos, e que eles sejam sempre focados em construir uma bela imagem do destino e/ou serviço que querem “vender”, mas de uma forma lúdica e menos engessada. O que era para ser uma noite como várias outras foi um ótimo evento, na minha modesta opinião. Bom fim-de-semana a todos!