Arquivo da Categoria ‘Viagem’

São Petersburgo

sábado, 5 de maio de 2012

Saímos hoje de São Petersburgo rumo a Moscou. Deixamos atrás de nós uma belíssima cidade com ares venezianos e parisienses, palácios de famílias abastadas na memória e um vento contínuo e cortante nos rostos gelados. Trazemos conosco boas memórias, fotos e risadas.

Contrastes

sábado, 28 de abril de 2012

Aqui estão as fotos de minha incursão pela Índia na semana passada. Uma terra de contrastes dramáticos, hotéis espetaculares e gente sempre hospitaleira.

 

Doha & Dubai

terça-feira, 6 de março de 2012

Miss Saigon

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A noção de distância é algo que demoramos a assimilar, diferentemente das afinidades prematuras com familiares, comidas, cheiros, sons e sabores. É como se nossa habilidade espacial seja propositadamente retardada pela natureza, com o intuito de fazer com que nos preocupemos com tudo o que está perto de nós antes de esticarmos as asas sobre o mundo. Talvez daí venha nossa vontade de viajar, nossa forma estabanada de imitar os outros animais da natureza que se movem durante estações e cumprem seus ciclos migratórios com precisa regularidade. Quando eu era moleque (ainda bem pequeno no interior) pegava minha bicicleta e saia explorando a vizinhança, cruzava bairros desconhecidos e me aventurava a descobrir novas ruas e praças. Minha mãe ficava surpresa e até um pouco preocupada quando eu chegava em casa e contava que havia ido até um determinado lugar, como se eu estivesse me aventurando além do normal. Hoje percebo como eram curtas estas viagens, quão efêmeras as “excursões”, mas como foram importantes para despertar meu gosto pela vastidão do mundo. Sempre lá, com minha bike e muita vontade de pedalar…

Passei os últimos 20 dias em férias, primeiro numa longa incursão pelo Vietnã e depois pelos Emirados Árabes e Qatar. No sudeste asiático pude retornar às origens e me encantar com os milhões de bicicletas e pequenas motocicletas, principalmente com as ecologicamente corretas bikes elétricas que passavam zunindo por nós em cada cidade, como se fossem possantes máquinas de esqueletos frágeis como borboletas. Sua beleza poética, perfil esguio, rodar silencioso e design retrô me faziam parar e ficar adimirando seu trânsito, as pessoas e seus movimentos. No último dia em Ho Chi Minh (Saigon) fomos conhecer os túneis criados pelos vietcongues para se esconder durante os terríveis anos de combate entre norte e sul, principalmente durante  o período mais pesado da ocupação americana no começo da década de 1970. Quando voltávamos para o centro da cidade perguntei casualmente para nosso guia quanto custava uma biicleta elétrica e ele respondeu que não devia ser mais de U$150. Tomei o preço como um exagero de barato e disse: “se custar só isso mesmo então eu vou comprar uma!”

Pronto, estava lançado o maluco desafio! A partir daquele momento e pelas próximas 5 horas fizemos uma combinação de “tours” por bairros na periferia de Saigon, lojas de motos e bazares. Eram 3 da tarde quando entramos numa lojinha e encontramos o que queríamos: uma bela bike Yamaha usada e reciclada, fabricada nos anos 1990, pneus finos e uma pesada bateria acoplada ao quadro. A vendedora não falava nada além de vietnamita e demoramos na negociação, pois a bike custava U$200 e não tinha caixa, manual ou nota fiscal, além de pesar meros 38kgs (!), o que se tornava um enorme desafio para o transporte por mais de 16 mil quilômetros até São Paulo. Não desistimos da empreitada, com certeza como resultado do apoio incondicional da Priscila, que inclusive fez questão de pagar pelo brinquedo e me ofereceu como presente, um dos melhores que já ganhei!

Compra feita, tivemos que ir a uma loja que faz caixas de embalagem sob medida e encomendamos uma caixa para ser entregue às 18 horas no Hotel Rex, mesmo horário marcado para a chegada de nossa bike, que passaria por adaptações na bateria para poder ser despachada pelo avião. No horário combinado a cena era insólita: sob a chuva fina de Saigon estava eu, o entregador da loja e o rapaz da embalagem desmontando a magrela sob a marquise, dividindo o espaço da calçada com finos turistas que passeavam em frente às lojas da Chanel e Cartier instaladas no átrio do hotel. Colocamos tudo na caixa, embalamos da melhor maneira possível e 8 da noite seguimos para o aeroporto.

Para encurtar uma história bem longa (que inclui duas entradas adicionais no Qatar, um vôo quase perdido e custos adicionais de transporte) hoje cedo montei a bike aqui em São Paulo. É uma beleza! Roda macia e estilosa, já foi batizada de “Miss Saigon” e será minha companheira em reuniões nas regiões dos Jardins, Brooklin e Itaim quando o tempo estiver bom, me liberando de carro, trânsito e estacionamentos lotados. O que me deixa mais feliz é o gostinho de infância, o prazer de transgredir os limites territoriais e poder novamente me aventurar por ruas diferentes usando um meio de transporte sensato, ecologicamente correto e “cool”. Não se surpreendam se me encontrarem com a Miss Saigon por aí um dia desses, e se tiverem vontade de dar uma voltinha é só falarem, não sou ciumento! Estou de volta, pessoal!

Sonhos

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eles fazem parte do nosso dia-a-dia. Eles aparecem todas as noites. Eles despertam as mais distintas emoções. Nem por isso os controlamos, muitas vezes esquecemos sua mensagem e outras tantas eles fazem quase nenhum (se algum) sentido. Mas ouse dizer a uma pessoa que ela nunca mais poderá sonhar! Seria o castigo inconcebível, a punição mais cruel, um espinho cravado no peito que jamais cessaria em doer.

Para mim as viagens e os sonhos possuem o mesmo bálsamo tranquilizador e aconchegante. Viajar é expressar controladamente sonhos que teimariam em fugir, mas um tipo de controle diferente, com seus componentes previsíveis e boas doses de surpresa e eventualidades. A praia dos sonhos nas Maldivas pode estar sendo castigada por tempestades, o museu do Louvre pode ser repentinamente fechado para reformas, o “Olho de Londres” pode ficar temporariamente enfermo e coberto por um tampão.

Aí entram os grandes sonhadores: pessoas capazes de reinventar o sonho continuamente, mesmo que várias peças e pegadinhas se encontrem no caminho. Aqueles que aproveitam a chuva na praia para submergir num livro delicioso; outros que simplesmente aproveitam para caminhar com as gotas pesadas batendo no rosto enquanto os pés afundam na areia molhada. Tem os que trocarão o Louvre pelo D’Orsay e tem aqueles que aproveitarão para só caminhar e tomar sol em volta da pirâmide de vidro. O importante é puxar outro fio do novelo e continuar a desfiar a meada.

E você, agente de viagem? Tem aproveitado seu tempo para sonhar? Seus passageiros veem você como aquele maluco sonhador que às vezes irá surpreendê-los com um destino incomum e inusitado? Tente fazer isso, busque seus sonhos, trabalhe por prazer e com emoção, o dinheiro jamais deve ser o motivo principal pelo qual trabalhamos, pois dele restarão pouquíssimas histórias para contar. Aproveitando que Novembro está começando e tá cheio de gente correndo atrás de férias e destinos, tire umas horinhas para desenhar sonhos, depois pegue sua agenda e conte-os para os outros. Quando você menos esperar vai ver um monte de sonhadores ligando de volta prá você, querendo viajar na sua viagem!

Jetlag

quarta-feira, 25 de maio de 2011

São 2 da matina e daqui 2 horas sai nosso traslado para o aeroporto. Estou em Frankfurt depois de passar 4 dias na Grécia e logo mais almoçarei em Istanbul, essa é minha vida (sem reclamações, lógico). O problema que vem me afligindo é uma combinação pernóstica de mudanças de fusos com muitas atividades e hotéis que dediciram se tornar “nightclubs”.

Nesse exato momento a tela do laptop vibra enquanto no andar logo abaixo do meu a boate do Roomers pega fogo. Na 6ª passada foi o oposto, o barulho vinha do andar de cima lá no Hilton de Atenas. Em outros tempos eu não esquentaria a moringa mas estou ficando velho e com a idade também chega a difiuldade para dormir por longos períodos.

Sem querer me alongar, alguém tem um santo remédio para curar o jetlag? Os tratamentos alopáticos com Stillnox, Rivotril ou Lexotan não me fazem bem, portanto fora as alternativas anteriores estou em busca de uma dica salvadora. Por falar em “salvadora”, tive um longo e animado jantar com o Paulo Salvador ontem, por quase 4 horas. Conversamos muita coisa legal que deve sair em um post nos próximos dias.

Vou meditar e tentar dormir…bom dia a todos!

Uma Família!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Há quanto tempo você não vê uma familia assim: o filho faz um carinho na cabeça do pai ao passar perto dele; a mãe beija as filhas e a namorada do filho e as abraça apertado e carinhosamente; as filhas veem os pais dançarem na frente de todo mundo e batem palmas e pulam prá dentro da dança; a bebida e a comida e o cigarro e as risadas são divididos e apreciados sem culpa, pressa ou formalidades; a mãe cozinha para um batalhão e trata os convidados em sua casa como se fossem velhos e íntimos conhecidos, com um sorriso genuíno e amoroso.

Esta família é a família Tslides! Gregos atenienses “de raiz”, simples, cuidadosos e atenciosos, mas, acima de tudo, gente que adora os seus irmãos, pais, filhos e amigos, contagiando de maneira ímpar todos à sua volta. Não será fácil explicar aqui o jantar de ontem à noite no terraço da simples e linda cobertura, cheia de plantas e mimos, com vista para a cidade cintilante a seu redor. Entradas típicas, bebidas de todos os tipos, travessas coloridas cheias de comida cheirosa, fumegante e deliciosa, música alta e muitas risadas!

Também é inexplicável a energia e cuidado que nos foram dispensados por estes amigos que tenho o privilégio de conviver e, além da convivênia, fazer negócios e dividir momentos bons e difíceis. Se existe um negócio ideal, ele está sustentado sobre fortes pilares de honra, atenção e comprometimento com o bem-estar dos outros além do nosso próprio bem-estar. Ao Georges, Fruhly, Rhula e Stelios só posso deixar um enorme MUITO OBRIGADO do fundo do coração e estas fotos que mostram um pouquinho do que as palavras não conseguem expressar.

Atenas

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fotos do nosso dia em Atenas. Nada mal para uma 6ª feira…

Dia de Fúria

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mais um causo de viagem, daqueles que eu havia prometido guardar a 7 chaves mas que resolvi perder a vergonha e vou contar. E dessa vez acabou mal, mas podia ter sido pior:

Em 2003 decidi tirar férias do trabalho e ir viajar com meus pais pela Europa. Como eles tinham bastante tempo livre foram 10 dias antes para a Itália e dali seguiram para Madrid. Cheguei a Barcelona já com a viagem pela metade e me juntei a eles para mais 12 dias de passeios. Depois de comer muitas tapas e vaguear pela linda capital catalã tomamos um trem e seguimos a Perpignan, de onde alugamos um carro até Carcassone.

Tudo ia às mil maravilhas, comida boa, tempo firme e paisagens lindas. Subimos todo o centro da França até Blois e ali fizemos nossa base para conhecer o Vale do Loire em 4 dias. Dirigimos por muitas estradinhas antigas, cercadas por muros baixos de pedra cobertos de hera e lindas flores; tomamos muito vinho e pulamos de um castelo para outro sem pressa.

Para terminar a viagem seguimos de Blois a Versailles e no mesmo dia até Paris. Ao chegar em Paris devolvi o carro na locadora e ficamos a pé, que para mim é a melhor forma de experimentar a cidade. Estávamos hospedados num pequeno hotel perto do Boulevard St Germain e podiamos tanto seguir a pé a Montparnasse como à Ille de La Cité, Ille de St Louis e todas as atrações de Rive Gauche. No penúltimo dia na cidade tínhamos combinado de sair para jantar bem em um bistrô e comemorar a jornada, mas com o calor de verão e o sol a pino às 9 da noite decidimos pegar um taxi. Depois de muito esperar no meio da rua parou um táxi Citroen na nossa frente, com um motorista africano (talvez nigeriano) que não falava uma palavra de inglês. Indiquei que íamos à Opera, do outro lado do Sena e passei o endereço.

O motorista olhou o papelzinho, ligou o taxímetro e lá se foi. Quando achei que ele ia cruzar a ponte em direção à Rue de Rivoli ele entrou à esquerda e foi seguindo o rio. Achei estranho mas fiquei quieto, mas logo em seguida ele deixou passar mais uma ponte e quando me dei conta já haviamos passado até a Torre Eiffel. Fiquei injuriado e perguntei se não tinhamos que voltar, mas o cara se fingiu de morto e deu mais umas voltas até pegar o caminho certo. Resolvi não estragar minha noite por causa daquilo, apesar do taxímetro já marcar uns ¢30 Euros numa corrida que não daria mais de ¢15.

Quando paramos na esquina da Opera o taxímetro marcava ¢33. Meu pai me deu uma nota de 20 e eu fui pegar o restante no bolso enquanto minha mãe e ele desciam. Quando entreguei o dinheiro ao taxista ele disse que estava errado e que o valor certo era ¢43! Eu olhei na cara do indivíduo (o cara era grande, muito grande!) e disse: “Você tá louco?” Isso ele entendeu e começou a disprar um monte de coisas em francês e disse que o extra era “taxa de verão”. “Taxa de verão? Você deve achar que eu sou trouxa, companheiro, isso não existe!”. A quizumba tava armada!

O bate-boca foi prá fora do táxi, meu pai dizendo pra eu pagar logo o cara (meu pai, sempre sensato e apaziguador) e minha mãe já pensando em ir prá cima do indivíduo (minha mãe, sempre deixando o sangue italiano ferver ao menor sinal de contratempo, não sei prá quem puxei), a esquina enchendo de gente e eu simplesmente ultrajado pela cara-de-pau do taxista.

O problema é que a gente se perde na raiva e esquece de olhar pro lado, e quando eu olhei vi a encrenca que tinha me enfiado: tinha uns 7 ou 8 taxistas parados em volta e aí caiu a ficha que era melhor recuar. Como eu não queria dar o braço a torcer peguei a grana e um monte de moedas e joguei prá dentro do carro do cara, dizendo: “vc quer dinheiro? Então toma dinheiro, tá aqui sua grana” e fui me afastando de fininho e indo pro outro lado da rua, enquanto o cara xingava e esbravejava.

Quando cheguei do outro lado eu tava tão nervoso que resolvi descarregar a raiva dando um chute num daqueles postinhos baixos de ferro que ficam no meio fio, mas poste de ferro é duro pacas e a dor foi insuportável! Quando a adrenalina baixou me dei conta do vexame e não sabia onde me enfiar, tinha sido realmente vergonhosa minha atitude como viajante, principalmente colocando em risco meus pais que estavam do meu lado. Entrei no restaurante acabrunhado e envergonhado, depois de tomar uns vinhos dei uma relaxada e no final da noite a gente já tava rindo da situação.

No dia seguinte quando levantei e coloquei o pé no chão vi que tinha feito uma enorme besteira: além de ter entrado em briga com taxista em pleno centro de Paris acabei quebrando o dedo médio do pé esquerdo, só prá largar de ser nervosinho. Posso dizer que a viagem de volta foi um suplício e a cada latejada no pé eu lembrava do poste e do taxista. E assim foi uma das minhas incontáveis passagens em Paris, cidade que amo como nenhuma outra, mas na qual, por via das dúvidas, eu sempre evito tomar um táxi.

Minas Histórica

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Passei o feriado em Tiradentes e São João Del Rei. Belíssima arquitetura, natureza imponente, comida tentadora e hospitalidade de primeira. Retribuo com esta seleção de fotos e sugiro que todos incluam as Cidades Históricas em seus próximos roteiros.