Saltos!

11 de abril de 2012

Sempre fui um péssimo saltador. Seja saltos verticais rumo à uma fruta suculenta pendurada em uma árvore, seja um mergulho profundo em uma piscina refrescante ou até aqueles saltos sobre o meio-fio, fugindo da forte enxurrada das chuvas de verão. Minha falta de qualidade nos saltos não é tanto pela falta de distância ou impulso, nem mesmo por inapetência ao risco; na realidade meu problema é a falta de noção sobre que quantidade de força e impulso dedicar à tarefa, além de uma peculiar falta de senso de profundidade, talvez resultante de meu astigmatismo acentuado.

Quando tinha 6 anos decidi dar um lindo salto (a famosa “ponta”) na piscina infantil do Clube de Regatas em Ribeirão Preto. O resultado foi meu dente superior da frente partido ao meio e um enorme galo na cabeça, fora o susto de quase ter morrido afogado numa poça d’água. Durante a vida fui colecionando estes saltos retumbantes, o último deles em 2010 depois de tomar várias canas na África do Sul. Já era tarde da noite e decidi que o melhor modo de terminar o “boma” na selva era pulando sobre o caldeirão encaixado sobre a enorme fogueira no centro do terreiro. Não preciso ser muito gráfico na explicação, pois o resultado já era esperado: após um vôo fenomenal meu pé de apoio bateu na borda do caldeirão, quase no momento de aterissar, prvocando uma capotagem de efeito plástico espetacular, além de arranhões, uma costela meio trincada e severas dores por todo o corpo.

Fiz toda esta volta (prá variar) com o propósito de retornar a um tema que me é caro e complexo: como crescer sem perder o equilíbrio e cair? Como chegar do outro lado do riacho sem enfiar o pé na lama e afundar até o joelho? Ao procurar uma resposta me deparo com as analogias de sempre, muitas próprias e outras externas, mas todas me levam ao mesmo caminho. Devagar, sempre e com método chegaremos a algum lugar. Não tão rápido como alguns, não tão vitoriosos quanto outros, mas temos boas chances de chegar inteiros.

A recente compra do Instagram pelo Facebook, as peripécias de Eike Batista e suas empresas bilionárias, os mega-negócios montados sobre expectativas altíssimas e resultados a mirar com luneta não são para mim. Chego à conclusão que neste rápido mundo dos negócios virtuais não farei fortuna, mas também vejo que não corro o risco de quebrar o pescoço em alguma manobra arriscada demais. E você, também se sente em descompasso com a velocidade do mundo à sua volta? Não desanime, creio que não estamos sozinhos!

Credo

6 de abril de 2012

Esta semana anunciamos algumas mudanças na estrutura da minha empresa (Avant Garde) e a saída do Walter, que esteve ao meu lado desde o início do negócio. Na realidade ele sai mas entramos juntos em outra empreitada, uma nova empresa de representações (Mondo) com um foco um pouco diferente do que vínhamos fazendo até agora.

Recebi várias mensagens de felicitações, as quais agradeço de coração. Recebi também uns poucos questionamentos sobre “porque fazer outra empresa no mesmo segmento?”; “porque deixar seu funcionário sair e tornar-se seu sócio numa nova empreitada?” e uma bem direto ao ponto: “porque dividir o bolo?”. Gostaria de aproveitar este espaço para resopnder de forma simples a estas questões, colocando quais premissas sigo para meus negócios, meu credo empresarial. Pode ser um pouco pedante e uns irão dizer que estamos longe da perfeição em várias destas áreas, e irei concordar plenamente com estas críticas, mas não nos esqueçamos que a jornada rumo à perfeição precisa começar de algum ponto e jamais termina…

1 – Quem ganha sozinho nunca ganha por muito tempo – meu negócio não é tocado apenas por mim, é resultado do trabalho de cada um de nós e leva o esforço de nossas ações coletivas. Meu ideal de empresa é que não existam funcionários, mas sim que todos sejam donos do negócio, nem que seja de pequenas partes.

2 – Aponto defeitos no trabalho dos meus colegas mas não renego suas qualidades – Sou um cara chato de se trabalhar. Vejo isso como defeito que tento melhorar e como qualidade a lapidar. O importante é que a crítica seja desprovida de julgamentos pessoais e que do outro lado existam pessoas prontas para ouví-las e checar sua validade; já com as qualidades precisamos repetí-las com frequência para que o acerto se torne um hábito cotidiano e leve sempre à excelência profissional.

3 – Quero ter sucessores para poder tirar férias – quantas pessoas a gente conhece que não conseguem sair de férias com tranquilidade? Quantos tem medo de deixar o escritório e encontrar escombros quando voltarem de uma longa viagem? Quero ter sempre a tranquilidade de poder sair e me divertir sabendo que tem gente olhando pelo que é “nosso”.

4 – Gosto de formar pessoas – um de meus orgulhos são meus “ex-pupilos” em empresas que passei. Jovens que perturbei para melhorar, caras que incomodei para entregar um trabalho de qualidade superior, assistentes que incentivei a buscar seus MBAs e pós-graduações. Quando eu parar quero poder ver um monte de árvores fortes dando frutos e sombra, não me conformarei em ver um terreno árido e erodido.

5 – Pago absolutamente todos os meus tributos e fornecedores com correção – Não deveria fazer parte de minhas crenças, pois é um dever de cidadão, mas como estamos no Brasil é algo muitas vezes relegado. As receitas do nosso negócio estão todas registradas, os impostos estão absolutamente todos pagos e temos todas as certidões absolutamente em dia. Dá muito mais trabalho e custa muito mais que fazer de maneira informal, mas para mim não existe outra forma correta de trabalhar, muito menos a forma “esperta”. Como sempre ouvi do Goiaci, “a grande malandragem ainda é ser honesto”.

6 – Quero reconstruir nossa empresa a cada dia – jamais me conformo com os resultados de ontem e com as conquistas do passado. Prá mim o melhor dia do nosso negócio ainda está por vir, nosso grande sucesso ainda vai ser construído, nós só atingiremos o topo da montanha se melhorarmos muito o que achamos que fazemos bem. Não há espaço para condescendência e acomodações e o preço que pagamos às vezes é alto, mas é a única maneira de estar sempre andando à frente do restante do pelotão.

7 – Tamanho não é documento – minha fórmula para medir sucesso é: Sc + Sf = $ – (I + C) =  SU . Traduzindo, satisfação de clientes mais satisfação de fornecedores geram a receita da qual subtraio investimentos e custos e chego ao SUCESSO. O tamanho dele pode variar, mas tem que ser sempre crescente. Já o tamanho da empresa ajuda, mas impacta diretamente todas as variáveis, às vezes negativamente.

8 – Prefiro que apontem nossos erros em vez de felicitar-nos por qualidades – é ótimo obter reconhecimento de clientes, fornecedores e parceiros, mas a gente não melhora sem críticas e correções. Quando ouço uma crítica me remoo de raiva por dentro, mas também tenho a chance de atacar o problema e resolvê-lo.

9 - Tragam-nos inovações! - acho aquele livro “Quem mexeu no meu queijo” uma grande balela, pelo simples fato que o queijo não é meu nem seu. O queijo é feito diariamente com novas idéias, conceitos, criatividade e determinação. Ele será de quem o fizer e colocar para os outros mexerem e aperfeiçoarem, aprendendo assim a fazer outro queijo diferente no dia seguinte.

10 – Quero ter um negócio de categoria global – minha obsessão é fazer de meu (s) negócio (s) um benchmark para empresas do resto do mundo. Hoje existem centenas de empresas ao redor do globo que fazem o que fazemos, mas apenas umas 10 que possam ser consideradas “world class”. Quero estar entre estas 10 e um dia ser apontado como o melhor entre elas, só isso. Ok, sei que é um objetivo prá lá de grandiloquente, mas precisamos de objetivos “espetaculares” se quisermos criar negócios espetaculares, certo?

Feliz Páscoa a todos!

 

Vai decolar?

3 de abril de 2012

Sobre o anúncio da WTM Latin America, filhote da WTM Londres que pretende habitar São Paulo a partir do ano que vem: dificil decolar.

A não ser que haja um amplo acordo para trazer o ECB (Encontro Comercial Braztoa) para dentro da WTM; outro acordo para colar a WTM na São Paulo Travel Week e um acordo final para inserir os interesses da CTI-NE, ABAV Nacional e demais associações. A não ser também que seja instituído um programa agressivo de hosted buyers e agendas de reuniões “cara-a-cara.

A atual agenda de eventos domésticos e internacionais com pesada participação brasileira leva a uma conjuntura onde o profissional de turismo está realmente virando “turista”, pois pode passar mais tempo pulando de evento em evento e de feira em feira do que trabalhando e vendendo seus produtos. Nesta onda de múltiplos eventos a gente percebe cada vez mais o crescimento de eventos proprietários (SP Travel Week, Nastur, Encontro Ancoradouro, Workshop CVC, etc.) onde potenciais expositores conseguem atenção exclusiva de seus convidados e a maximização do retorno de seus investimentos. Enquanto isso as grandes feiras vão perdendo espaço e se transformando em “showcases” onde muita gente passeia para ver e ser visto mas poucos negócios são efetivamente concretizados.

Além do óbvio desconforto que a Reed causa na ABAV (fará uma feira que promete competir com a grande Feira das Américas), ela está mexendo num vespeiro com mais abelhas que pode contar, pois pretende fazer uma salada de frutas conciliando interesses de diversos setores sem levar em consideração as implicações econômicas de querer dividir um bolo que já é disputado a facadas por comensais locais. Sem dúvidas a Reed tem peso internacional, expositores que a seguem onde vá e caixa para financiar sua expansão; o que não sabemos é se terá a costura adequada de alianças no Brasil e na América Latina para fazer vingar esta aposta

Finalmente, fica a reflexão: depois de haver tentado fazer decolar a LACIME sem sucesso na década passada, ter lançado com limitado (pouco, prá sermos diretos) sucesso a AIBTM (irmã caçula da grande EIBTM) nos Estados Unidos e não ter promovido as propagadas melhorias que o mercado esperava na Feira das Américas, será que a Reed agora acerta o passo?

 

Atrasado?

28 de março de 2012

Vou mandar um post desconfortável para a maioria de vocês, desculpem-me a impertinência! Aqui embaixo estou listando nomes em 3 categorias e gostaria que vocês fizessem a análise de quais conhecem em cada uma delas, ok?

Categoria 1: Apple, Starbucks, Facebook, Google, Target, Red Bull, Siemens AG, Ralph Lauren, 3M e HBO

Categoria 2: Twitter, Tesla Motors, Uniqlo, Pinterest, Dropbox, Chipotle, Genentech, UPS, Pay Pal

Categoria 3: Square, Digital Democracy, Tencent, Patagonia, GreenBox, United Styles, Jawbone, Airbnb, Badoo, Naked Pizza, Bug Agentes Biológicos, Narayana Hrudayalaya Hospitals, Chobani e Y Combinator

O que vocês leram acima são nomes de empresas. Sim, os nomes da categoria 1 são conhecidos do grande público e com certeza todos nós já compramos produtos deles ou fitamos suas campanhas publicitárias em algum lugar do planeta. São empresas de idades variadas, porém em sua grande maioria já tem algum tempo de janela (apesar de várias serem filhas do mundo pontocom). Os nomes na categoria 2 são de empresas menos comuns mas pessoas ligadas em tecnologia, design, novidades e afins já esbarraram em histórias sobre elas. São empresas que não existiam até alguns anos atrás e rapidamente se estabeleceram em nichos (com exceção da UPS). Na categoria 3 temos empresas praticamente desconhecidas do grande público brasileiro e até mesmo estrangeiro. São empresas “nichadas”, com focos em negócios muito específicos e de alta complexidade.

O que todas estas empresas tem em comum? Quase nada e ao mesmo tempo tudo. Todas elas estão listadas entre as 50 empresas mais inovadoras do mundo em suas áreas de trabalho (segundo o ranking anual da publicação Fast Company), são os expoentes em suas indústrias e estão construindo um caminho que será trilhado por todas as outras empresas mais cedo ou mais tarde. O que é mais surpreendente sobre todas elas é que as mais antigas fazem um enorme esforço para permanecer nesta lista, enquanto novatas pipocam diariamente com idéias mirabolantes que acabam se tornando grandes negócios.

Quem apostaria 1 Real numa empresa de mensagens de texto como o Twitter há 5 anos? Pois o Twitter é avaliado hoje em U$10 bilhões. Do outro lado, o que faz uma empresa (apenas uma) brasileira nesta lista? Pois é, a tal “Bug Agentes Biológicos” é um fenômeno de inovação. Alguns recados desta intrigantes lista são:

1) Você não precisa ter uma empresa jovem para ser inovador (3M, Siemens, Ralph Lauren, Target, UPS), mas precisa ter muita coragem para não se deitar sobre os louros de vitórias passadas.

2) O mundo é muito mais veloz em criar novidades do que somos capazes de absorver. Jawbone, Y Combinator, Uniqlo, Badoo, Tencent e Chipotle são nomes que qualquer pessoa com mais de 35 anos tem dificuldade de associar a um tipo de negócio.

3) O turismo é uma área que não está produzindo inovação na velocidade e com a intensidade de outras indústrias. Das 50 mais inventivas apenas 1 delas é do nosso ramo, você saberia dizer que empresa é essa?

Finalmente, ficam os pontos para reflexão: a gente vai sobreviver se chegar atrasado ao poço de água? Se ainda tiver água no poço ela vai estar limpa e fresca? Onde estão todos estes caras que beberam a água limpa e já não estão mais aqui? Pois é, caros leitores…é difíl viver nesse mundo maluco, principalmente quando o concorrente ou inimigo de hoje acabou de nascer ontem à noite e já tem outro pronto para nascer amanhã.

Bloqueado

24 de março de 2012

Lembro que há quase 2 anos passei por uma fase de bloqueio. Não, não era um bloqueio mental grave ou um bloqueio físico que me impedisse de caminhar, falar ou pensar. Foi o pior dos bloqueios que um blogueiro, escritor ou colunista podem ter, o tão famoso bloqueio entre o que a mente recita e a mão não escreve.

Nos últimos 15 dias voltei a sofrer de tal mal. Não consigo me sentar à frente do computador e produzir um post decente sequer, nem que seja uma crítica sobre destinos, uma avaliação de hotéis ou um comentário sobre alguma notícia que já esteja circulando. É como se a desconexão entre meu cérebro e meu teclado tenha atingido um alto nível de degeneração, como se a sinapse esteja entorpecida por alguma droga poderosa ou por um trauma obscuro.

Venho tentando analisar o que pode ter provocado esta súbita parada, este amortecimento que provoca minha ira e que não me deixa seguir adiante. Depois de muito matutar estou concluindo que o melhor que posso fazer é escrever livremente e colocar prá fora as idéias mais corriqueiras que me vierem à cabeça, talvez assim eu consiga limpá-la daquilo que a congestiona. Então, vou deixar esta página aberta e vou colocar algumas idéias que forem surgindo aos borbotões, por favor tenham paciência e compaixão!

1) Minha DMC da Jordânia pregou um susto enorme na gente hoje. Eu tenho um novo funcionário que se chama Jéverson, mas também é conhecido por “Pato Branco”, “White Duck”, “JZ”, “Jay-Z” e por aí vai. Pois a Ghada mandou uma mensagem hoje que começava assim: “dear Jarvis”. Cara, “Jarvis” já é demais pro moleque, ele não merece a imensa lista de apelidos que tem e agora ganhou outro que não faz o menor sentido! Por falar no Pato Branco, ele está em Dubai recebendo um grupo de agentes de incentivo neste momento, como parte de seu treinamento para se tornar uma peça valiosa de nosso time.

2) Ainda falando da juventude, o JZ tá maravilhado com os hotéis de Dubai e Doha, só fala nisso em seus relatórios diários. Depois de um tempinho de estrada ele vai descobrir que hotéis são peças importantes, mas não são essenciais para garantir o sucesso de uma viagem. Com todo seu conforto, sofisticação e mimos os hotéis devem ser vistos como o local de repouso, o oásis de tranquilidade e bem-estar que recarrega nossas energias para seguirmos adiante no dia seguinte. O que faz um destino é sua gente, sua cultura, sua comida, suas belezas e, por fim, seus hotéis. A diferença entre saber disso ou buscar a satisfação através o número de “estrelas” é o que separa os viajantes rodados da turma que está apenas começando, mas ele ainda tem muito tempo prá aprender isso.

3) Eventos esportivos vendem muito. Temos uma quantidade impressionante de solicitações de grupos para grandes-prêmios de Fórmula 1, jogos de futebol na Europa, campeonatos regionais de golfe ou torneios de Grand Slam. Eu, que não tinha dimensão dos números e das possiblidades até pouco tempo atrás, vejo que a tendência de crescimento é irreversível, mas há uma evidente exploração monetária nestas ocasiões. Hotéis que valem U$200 sendo vendidos a U$500 por noite, preços de ingressos e passeios inflados, enfim, é lá e cá que os problemas de administração dos eventos acontece.

4) Esta semana tivemos uma reunião da MPI com líderes de empresas do segmento de eventos e incentivos. Foi uma reunião para falar mais da associação e também para pontuar a necessidade de nos unirmos em torno de causas comuns que pautam nosso trabalho, principalmente no longo-prazo. Educação, formação profissional, relações com fornecedores, práticas gerenciais, posicionamento estratégico…a lista é extensa e complexa, mas temos que começar a atacar estes problemas de frente, não dá mais para ignorar que além de beneficiários devemos ser fiadores de um sistema melhor, mais justo e moderno.

5) Recebi esta semana a confirmação de minha próxima viagem a trabalho em Abril, desta vez para a India. A novidade é que finalmente vou sair da zona de conforto (triângulo dourado, Varanasi, Rajastão) e partirei para uma expedição que anda fazendo falta no meu currículo: Kerala, Cochin, Kumarakon, Calcutá, Bangalore…agora é viagem de gente grande, sensações definitivamente reais, não tem essa de Sadú de turbante posando prá foto. Mal posso esperar!

6) Falando em viagem, o calendário do 1º semestre promete: Índia, Turquia, Rússia, Jordânia e Alemanha. Na 2ª metade do ano vamos mais “mansos”: Estados Unidos (2 vezes), Peru, Canada, Egito e Omã. Muitas fotos a caminho, muitas boas histórias prá contar…

Pronto, já soltei um pouco a mão no teclado e me sinto mais tranquilo. Semana que vem me dedicarei a entregar posts melhores, mais relevantes e interessantes. Bom domingo a todos!

Poeira

16 de março de 2012

As melhores análises são feitas de cabeça fria. No calor das emoções tendemos a aumentar tudo, sejam defeitos, qualidades ou pequenas coisas que passariam despercebidas em momentos de calmaria. O bom e o ruim de ter um blog, ainda mais com a visibilidade do Panrotas, é que tudo o que escrevemos no calor das emoções é rapidamente lido e propagado, exigindo cuidado redobrado para não cometermos o pecado do exagero.

Como hoje já é 6ª feira vejo o horizonte e constato que a poeira já baixou. O terremoto do 10º Fórum Panrotas já é visto pelo retrovisor e o que restam são idéias, conceitos, informações e retóricas que podemos digerir com calma e frieza. Partindo destas premissas ouso cravar que foi um dos melhores (senão o melhor) eventos voltados para o segmento turístico que já participei.

Ok, eu disse aí em cima que não podemos exagerar, mas realmente não me vejo cruzando a linha do excesso. O 10º Fórum Panrotas nos apresentou idéias em bandeijas de prata; serviu um lauto banquete que satisfez os mais exigentes comilões e gourmets; possibilitou pela 1ª vez que as pessoas que pensam e decidem o turismo Brasileiro (seja receptivo, exportativo, online, etc.) pudessem receber uma dose cavalar de visão estratégica em curto espaço de tempo.

Não vou me ater aos detalhes de cada sessão nem à qualidade dos expositores. Preferências não se discutem, o que importa é um “todo” coeso e bem amarrado. A formatação em arena circular permitiu uma proximidade com o palco e as pessoas nunca antes registrada, a ostensividade das imagens de patrocinadores foi trocada por uma aparição mais sutil e subliminar através dos painéis mais distantes e “soltos” no grande espaço. A luz azulada entre sessões e o foco centralizado no palco redondo transmitiu modernidade, bem como as constantes tomadas aéreas feitas pela câmera na grua nos trouxeram o mundo dos palcos de tv para o centro da Fecomércio. Pela ótica de “meeting design” foi um evento transgressor, rompedor de paradigmas e ousado como seu programa temático. Nota 10!

A disposição das sesões foi inteligentemente desenhada, alimentando-nos com um zig-zag de estrangeiros, brasileiros, políticos e empresários. Não houve 2 sessões que se arrastassem em sequência, um tema árido era logo substituído por outro mais suave e assim foi-se sucedendo o script. Nota 0 (ZERO) para as pessoas que não querem assistir às sessões mas teimam em ficar do lado de fora do salão conversando alto e atrapalhando quem está do lado de dentro. Ano que vem sugiro que a organização proiba que o espaço externo fique cheio de gente, quem não estiver dentro do plenário tem que ser convidado gentilmente a ficar no andar térreo conversando e tomando cafezinho (coisas muito válidas e importantes também, sem dúvidas).

Sugestões? Sim, sempre existem sugestões, mas o nível foi tão alto que fica difícil ser chato, até para um cara chato como eu. Fui sem expectativas muito grandes e saí convencido que o Fórum Panrotas precisa dar luz a “filhotes”. Filhos que sejam acolhidos na Feira das Américas, nas incipientes Braztoas e nos outros eventos que pretendem dar voz e corpo ao nosso setor. Os profissionais que tiveram o privilégio de estar no 10º Fórum Panrotas foram expostos ao que existe de melhor, torço para que todos os outros que não puderam participar tenham chances similares num futuro bem próximo.

Um agradecimento especial ao Don Guillermo por ter iniciado este caminho sem volta 10 anos atrás. Sua contribuição está deixando o nosso mercado mais inteligente e articulado, mais profissional e maduro. Um grande abraço!

Ladeira Acima

12 de março de 2012

Nunca fui fã incondicional da Jane Fonda. Continuo não sendo. Independente da preferência pessoal não posso deixar de aplaudir o video anexo a esta mensagem, pois a mensagem é poderosa e atinge a todos nós, seja como avós, pais, filhos ou netos.

Se você tem 11 minutos para investir não deixe de assistir, vale a pena, especialmente para as mulheres (a quem se dirige a mensagem subliminar). Espero que gostem e espero vê-los e falar com vocês amanhã, durante o 10º Fórum Panrotas.

TEDx Stairway – Jane Fonda

Doha & Dubai

6 de março de 2012

Tostines

2 de março de 2012

Este é um post chato. Se você não estiver naquele dia de muita paciência para digressões filosóficas, metáforas estranhas e pseudo-intelectualismo, sugiro humildemente não lê-lo, pois não vai acrescentar muito prazer a sua 6ª feira. Aos bravos e ferrenhos leitores que não conseguem largar o osso até tirar o último tutano, meus sinceros cumprimentos e desejos de boa leitura!

Os paradoxos são observados por estudiosos, cientistas, filósofos e matemáticos desde os primórdios do conhecimento. Sua observação e posterior entendimento fazem que seja um tema cativante, com enorme resistência ao envelhecimento ou esquecimento. Um exemplo claro de paradoxo é o princípio dos “vazos comunicantes”, que aprendemos na escola. Segundo este princípio o nível de um líquido torna-se idêntico em todos os recipientes que se interconectem. O interessante é que se o nível dos líquidos deve ser igual, por que o Canal do Panamá e suas eclusas “corrigem” um desnível de 3 metros entre o Oceano Atlântico (mais baixo) para o Oceano Pacífico (mais alto) sendo que estes dois oceanos se conectam? Então, está formado um paradoxo (que neste caso tem sua razão de ser, mas não cabe a longa explicação).

De qualquer forma, sempre que vou escrever sobre uma idéia paradoxal ela está clara em minha cabeça, mas não consigo transferí-la de maneira eficiente e simples para as palavras, daí fico dando essas inúteis voltas. É assim com a velha discussão entre “market share” e “resultado”. Pensei muito sobre o tema e continuo mantendo visões conflitantes sobre o que é melhor, mais vantajoso ou adequado. Minhas convicções agora balançam em função de uma variável importantíssima que nós humanos chamamos de TEMPO.

Fazer um resultado excepcional num determinado ano não significa que o mesmo se repetirá em exercícios futuros, da mesma forma que lutar por market share em sacrifício ao resultado imediato pode trazer suculentos frutos em safras vindouras. O mais inquietante é como estabelecer o balanço adequado entre uma coisa e outra, ou, como as empresas e seus estrategistas demarcam o tempo certo para ministrar determinado remédio em substituição ao outro. Uma coisa, entretanto, é absolutamente certa: cada modelo só consegue ser provado e sustentado se houver uma execução muito próxima da perfeição, minimamente sujeita a interferencias externas ou indesejáveis “paradoxos”. No turismo esta luta entre os dois cavaleiros do apocalipse é tema de calorosas e longas reuniões entre diretores, com defensores ferrenhos para cada lado. Após acompanhar muitas destas discussões ouso (sujeito a errar estrondosamente) delinear os principais argumentos de cada corrente de pensamento:

1) SHARE: os aficcionados por tamanho, presença geográfica, volume de vendas, pontos-de-vendas e escala argumentam que um market share em constante expansão garante a prevalência sobre concorrentes, massa crítica para manipular fornecedores e força para empurrar cada vez mais produtos e serviços na direção do mercado consumidor, garantindo uma rentabilidade menor (em termos percentuais), mas de maior sustentabilidade no longo prazo, bem como as atenções de investidores sedentos por novas oportunidades onde colocar seu volátil capital para render.

2) RESULTADO: os loucos por planilhas, fluxo de caixa, margens operacionais e operações “nichadas” (termo até chulo, mas desprovido de melhor sinônimo) defendem que a busca incessante por um resultado superior mantém empresas e produtos em alerta constante, sempre enxutas e líquidas (paradoxo?), garantindo recursos próprios para investimentos no seu crescimento sem o comprometimento do resultado para acionistas, que pode vir a minguar caso haja uma acidental perda de apetite por parte de consumidores.

Aí entramos com o “Segredo de Tostines”: tenho mais resultado porque vendo mais ou vendo mais porque tenho mais resultado? A resposta é o tal e irritante paradoxo.

Eu tento resolver o paradoxo de forma simplista, pois lá no interior não ensinam a gente com a mesma densidade e profundidade que em outras paragens sofisticadas: a turma do SHARE sempre levará vantagem quando o mercado estiver comprador, ávido por produtos e serviços e com abundância de crédito e “segurança financeira”. O importante para esta turma é estar com olhos e ouvidos bem abertos para perceber o momento de fazer ajustes na outra direção, evitando expôr-se de forma atabalhoada aos inevitáveis solavancos e retrações que, com certeza, um dia virão. A turma do RESULTADO sempre levará vantagem quando o mercado estiver menos aquecido, quando a eficiência e precaução forem o mantra sagrado da sobriviência. Os resultados positivos e constantes em momentos menos favoráveis garantem o abrigo na tormenta, mas requerem que seus defensores saibam que estão abdicando de uma posição de maior visibilidade no mercado e que o preço a pagar será a manutenção de um assento para assistir ao jogo, mas jamais na 1ª fila.

Concluindo (finalmente, hein Sidney?), acredito que as empresas que sobrevivem e se renovam conseguem aplicar com maestria os dois princípios antagônicos e paradoxais, desde que observem o futuro com atenção e se preocupem com a tão famigerada “execução”. Ao final podemos dizer que o cara que joga no time do SHARE apanha bastante durante o jogo mas sempre tem fôlego para encarar a prorrogação e os temidos penalties (seu pulmão é de tamanho descomunal), já a turma do RESULTADO marca gols de forma cirúrgica e rápida, mas carece de fôlego para aguentar a pressão por 90 minutos ou na difícil prorrogação. Pois é, comecei com vasos comunicantes, derrapei nos paradoxos e terminei com futebol, ou seja, extraí enorme paciência e camaradagem de vocês que conseguiram chegar até aqui. Muito obrigado por não terem desistido e um lindo fim-de-semana a todos!

Vietpics ou Fotocongues?

28 de fevereiro de 2012

Algumas fotos de nossas férias no Vietnã. Um destino imperdível prá quem curte boa comida, praias, simpatia e preços baixos, além de não se importar com as 28 horas prá chegar lá! Para ver em tamanho grande basta clicar sobre a foto desejada, espero que gostem!