Sempre fui um péssimo saltador. Seja saltos verticais rumo à uma fruta suculenta pendurada em uma árvore, seja um mergulho profundo em uma piscina refrescante ou até aqueles saltos sobre o meio-fio, fugindo da forte enxurrada das chuvas de verão. Minha falta de qualidade nos saltos não é tanto pela falta de distância ou impulso, nem mesmo por inapetência ao risco; na realidade meu problema é a falta de noção sobre que quantidade de força e impulso dedicar à tarefa, além de uma peculiar falta de senso de profundidade, talvez resultante de meu astigmatismo acentuado.
Quando tinha 6 anos decidi dar um lindo salto (a famosa “ponta”) na piscina infantil do Clube de Regatas em Ribeirão Preto. O resultado foi meu dente superior da frente partido ao meio e um enorme galo na cabeça, fora o susto de quase ter morrido afogado numa poça d’água. Durante a vida fui colecionando estes saltos retumbantes, o último deles em 2010 depois de tomar várias canas na África do Sul. Já era tarde da noite e decidi que o melhor modo de terminar o “boma” na selva era pulando sobre o caldeirão encaixado sobre a enorme fogueira no centro do terreiro. Não preciso ser muito gráfico na explicação, pois o resultado já era esperado: após um vôo fenomenal meu pé de apoio bateu na borda do caldeirão, quase no momento de aterissar, prvocando uma capotagem de efeito plástico espetacular, além de arranhões, uma costela meio trincada e severas dores por todo o corpo.
Fiz toda esta volta (prá variar) com o propósito de retornar a um tema que me é caro e complexo: como crescer sem perder o equilíbrio e cair? Como chegar do outro lado do riacho sem enfiar o pé na lama e afundar até o joelho? Ao procurar uma resposta me deparo com as analogias de sempre, muitas próprias e outras externas, mas todas me levam ao mesmo caminho. Devagar, sempre e com método chegaremos a algum lugar. Não tão rápido como alguns, não tão vitoriosos quanto outros, mas temos boas chances de chegar inteiros.
A recente compra do Instagram pelo Facebook, as peripécias de Eike Batista e suas empresas bilionárias, os mega-negócios montados sobre expectativas altíssimas e resultados a mirar com luneta não são para mim. Chego à conclusão que neste rápido mundo dos negócios virtuais não farei fortuna, mas também vejo que não corro o risco de quebrar o pescoço em alguma manobra arriscada demais. E você, também se sente em descompasso com a velocidade do mundo à sua volta? Não desanime, creio que não estamos sozinhos!
























