Tiro de Janeiro

O Rio passa por outro momento bem difícil em sua trajetória. Quando a gente acha que a coisa vai andar… ela volta a décadas atrás.

 

Assistir, no mesmo noticiário, que uma menina de 12 anos morreu (perdeu a vida, não existe mais, deixou de respirar, isso mesmo, MORREU) por causa de bala perdida vinda de tiroteio perto de sua escola e que os governantes corruptos que passaram pela cidade e estado, e também no governo federal, aceitam devolver milhões de reais (sim, MILHÕES) que roubaram dos cofres públicos, só podemos sentir revolta. Indignação máxima. E por que não vamos às ruas?

 

O Rio entrou em crise depois dos roubos na Copa do Mundo e Olimpíada, depois dos roubos na Petrobras (a sede da empresa é no Rio e o Estado é um dos que mais ganham com o oil business), depois do fiasco do pré-sal, depois dos acidentes com vítimas no carnaval, depois de o ex-governador ser preso e desmascarado… É pouco?

 

Quantas pessoas morreram em hospitais por falta de recursos, em crimes nas ruas da cidade, em casa por causa da falta de segurança ou investimentos? Quantas pessoas esses milhões de reais poderiam ter salvado? Então a denúncia é corrupção? Não. É assassinato. É crime contra os moradores da cidade.

 

 

Agora, se para os cariocas está tão ruim, o que o turista vai fazer na cidade? Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a criminalidade nos últimos meses contribuiu decisivamente para uma queda de R$ 320 milhões nas receitas do turismo fluminense. O montante equivale a 42% do total da perda do faturamento do setor (R$ 768,5 milhões) entre janeiro e abril deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016.

 

O Turismo, indústria que poderia estar compensando a queda de investimentos do mercado de petróleo ou das construtoras, é ignorado na cidade. Turismo pra quê?, pensam os governantes. Carnaval pra quê? Turismo não gera nada… O turista vai sozinho, sem precisar de divulgação… Os hotéis que gastem para lotar seus quartos… Quem mandou construírem tantos hotéis? Continuam pensando os administradores…

 

Quanto pior a situação, melhor para quem explora os outros oferecendo o que não pode dar. Quanto pior o quadro mais o populismo (e não apenas o político) continuará explorando e manipulando a massa.

 

E então uma amiga minha disse que o Rio precisa de notícias positivas na mídia. Não. O Rio precisa se livrar de uma corja que já durou tempo demais no poder, de governantes que só olham seus negócios, de quem trate a cidade como deve e olhe para o Turismo como a indústria que pode resolver diversos males.

 

Será que apenas os turistas acreditam no Rio como destino turístico.

 

Com a palavra, todos vocês, do Turismo.

 

Postagens relacionadas

Published by

Artur Luiz Andrade

Artur Luiz Andrade é carioca, taurino, jornalista e nasceu em 1969. É editor-chefe da PANROTAS Editora e mora em São Paulo desde 1998

6 thoughts on “Tiro de Janeiro

  1. Triste !! muito triste , nossa realidade está ai, a nossa vista todos os dias, nas TVs e Jornais do Mundo. Triste, muito triste .

  2. Querido Artur,
    Excelente e triste post. Como sempre falamos em nossas conversas: não adianta gerar notícia positiva, precisa de produto turístico de qualidade. Fico cada vez mais assustada de ver nossa grande chance de passar para um outro patamar, como nação e produto turístico, ir direto pro ralo. Não sou diferente de todos que vão ao Rio: fico maravilhada com tanta beleza. E também não sou diferente de milhares: já sofri violência lá ou tive alguém próximo que sofreu neste mesmo lindíssimo cenário. Tem que ter uma saída e certamente não é pela geração de boas notícias.

  3. Certamente não é apenas dando boas notícias. Mas creio que quem está aqui, investindo, lutando para gerar emprego e renda deve ser valorizado. Ouvir que os cariocas inteligentes estão indo para São Paulo é triste, pois reflete a miopia a o preconceito. Querendo ou não o Rio ainda é a vitrine do Brasil. E a cadeia produtiva do turismo brasileira, de todos os estados também sofre quando as coisas por aqui não estão bem. Não acho que tapar o sol com a peneira resolva, mas também mostrar que além da violência , dos desmandos, do caos, tem gente produzindo, projetos lindos e notícias boas que merecem ser destacadas.

    1. Bom, não fui eu que fiz essa afirmação sobre os cariocas ou quem mora no Rio, mas pela sua resposta ver que os moradores da cidade estão perdendo a alegria e o bom humor apenas ratifica tudo o que disse e repito: notícia positiva é acabar com a violência na cidade e com o desgoverno.

  4. […] O Rio de Janeiro continua sendo. O Rio de Janeiro, fevereiro e março, como canta Gilberto Gil em “Aquele abraço”. Mas não apenas o Rio do alto verão, e sim o Rio de todos os meses do ano continua sendo uma cidade que precisa de turistas. E que passa por um momento difícil, de retrocesso, como escreveu o CCO da Panrotas e carioca Artur Luiz Andrade, em texto publicado no início da semana no blog Sem Reserva. […]

  5. Eu estive no Rio apenas uma noite quando tinha 5 anos e decidi mais tarde (mais velho) que chega para toda vida.

    Ou seja, podem gastar o quanto quiserem em promocao turistica, em melhores produtos turisticos, em melhores formacoes dos operadores, na realizacao de 700 copas e olimpiadas; que sem seguranca o turismo nao decola.

    Obviamente que se o turismo do Rio esta em baixa, o Brasil no seu todo ressente-se. Mas, pelo menos o pouco turismo que vai acaba se dividindo por outras cidades.

    Eu disse ”pouco turismo que vai”, pq eh inadimissivel que um Pais continental como o nosso tenha 6,6 milhoes de turistas em ano de olimpiada. Senao, seriam os 5,5 a 6 milhoes do costume.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *