Abav precisa descer do púlpito

Já acompanho há alguns anos a delicada situação das Abavs pelo País: de um lado são acusadas de “nada fazerem pelos agentes de viagens”; de outro, seus presidentes e alguns dirigentes mais engajados dizem que “os agentes que reclamam não participam e não veem o trabalho que é feito voluntariamente”. No meio termo, deve haver alguma verdade escondida.

 

Não vou julgar o mérito da questão aqui (talvez em outro post), mas também tenho acompanhado o discurso dos presidentes de Abav. E ele é igual do Rio Grande do Sul ao Acre. Aliás, não deveria ser discurso e sim diálogo. E sim, convocação. E sim, prestação de contas (ao menos aos associados). E sim, uma conversa franca e transparente. Menos palanque ou púlpito e mais ação. E a Abav não tem conseguido dialogar. Está muito na defensiva. Está muito ofendida com as críticas, que, infundadas ou não, são a percepção de boa parte do mercado. E boa parte pode não ser parte boa… mas e o diálogo para saber isso? Não há.

 

Se fazer de vítima, nesse caso, não funciona. Se a entidade fosse realmente fundamental, a visão seria outra. OK, podemos dizer que talvez o agente que não é associado tenha uma visão torta do que esperar de uma entidade. Mas eu aposto que a mudança de postura da Abav já ajudaria. Não é questão de ser fundamental, mas… se você vier veja quanta coisa pode acontecer. Veja o que você pode fazer aqui dentro. Aliás… o que você gostaria de encontrar em uma Abav? O que vemos são gestões presidencialistas e as muitas ações promovidas são apenas a visão desses presidentes.

 

Uma postura menos defensiva e mais pró-ativa ajudaria e muito. Assim como uma comunicação moderna, um posicionamento mais olhando o futuro do que o presente ou o passado.

 

O ex-presidente da Abav Nacional, Goiaci Guimarães, em entrevista ao Jornal PANROTAS, disse que a Abav deveria se preocupar mais com soluções para o negócio do agente do que com os problemas administrativos da entidade, o que inclui organizar uma feira. E ainda criticou a falta de união dentro de muitas entidades.

 

Tenho certeza e assino embaixo que há boa intenção nos presidentes de Abav. Que doam seu tempo e suas ideias para representar a classe. O mesmo na Abav Nacional. Mas o discurso está ultrapassado. Estão sempre se defendendo, quando não deveriam estar acuados e sim compartilhando, trocando ideias, dando as mãos, lutando, construindo… Discurso é perda de tempo. Ninguém ouve. Ninguém lê.

 

Abaixo as panelinhas e viva o sopão comunitário.

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Artur Luiz Andrade

Artur Luiz Andrade é carioca, taurino, jornalista e nasceu em 1969. É editor-chefe da PANROTAS Editora e mora em São Paulo desde 1998

3 thoughts on “Abav precisa descer do púlpito

  1. Bom Dia!

    Não consigo lembrar de nenhuma ação realmente positiva da ABAV e tambem SINDETUR, que tenham sido importantes para as agencias. No meu modo de ver , as agencias são sempre as prejudicadas, tambem por nossa culpa. Não somos uma categoria que briga de forma correta pelo setor. Mau representados, muita festa pouco trabalho , sem regulamentação real, é cada um por si. A regras são simplesmente impostas e nos cabe seguir e isso a muitos anos, as relações comerciais são de pessimo nivel, economia vai bem não precisamos de agencias, economia cai, agencias são fundamentais e assim segue.
    abraços Gerson – Agente de Viagens

  2. e facil as pessoas esquecer …um ano atraz era o Edmar que tava correndo atraz da resolucao do bendidto imposto de 33% pra 6.7% do IOF cobrado sobre as transacoes internacionais chamado do IRRF ….mais e facil as pessoas esquecer…. como pode….o cara trabalha voluntariamente e ainda recebe critica… gente e muito facil e so ir bater na porta do cara e oferecer ajuda …
    se alguem faz melhor pq nao se candidatou?

  3. Quando o juiz Sergio Moro assinou o ‘cumpra-se a pena’ tão logo o STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou a mais que prevista rejeição ao pedido de habeas corpus de Lula, o ‘pregão’ já estava fechado. Passava das 18:00.

    Mercado aberto, a notícia de que a prisão de Lula fora decretada fez bolsa subir (2%) e dólar cair (-1,3%). O mercado ‘reagiu bem’, economistas estão comemorando.

    Por que? O que alijar Lula da corrida presidencial tem a ver com o alvoroço?

    “Abre espaço para um candidato de centro ou reformista aparecer mais. O Lula, calado, com uma prisão nas costas, não pode subir mais em palanque e muito provavelmente não vai transferir sua popularidade. Ele não elege mais poste nenhum”, declarou Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais, o home broker do Banco Modal (home broker é um sistema de negociação de ações e outros ativos financeiros diretamente pela internet).

    Explicado? Para o tal ‘mercado’, Lula fora da disputa facilita a vitória de algum candidato que avance com as reformas, um candidato alinhado com a agenda deles. Michel Temer foi colocado lá por esse pessoal, para implantar as reformas trabalhistas, a da previdência e todas as outras que arrancam nossa pele.

    Precisando passar a maior parte do tempo se desviando de suas ligações com o porto de Santos, com malas de rodinhas de R$ 500 mil, com bunker de R$ 51 milhões, Temer perdeu cacife político para aprovar as reformas todas e foi um fiasco para a turma do pato amarelo. Nem todas as agendas evoluíram ao gosto dos patrões. E Lula, que vinha fazendo declarações mais aos moldes do PT de antigamente, deixou o tal ‘mercado’ ressabiado.

    É irônico – e lamentável – que esse argumento, o mesmo utilizado por Mario Amato em 1989, quando o então presidente da Fiesp (sempre ela…) afirmou que 800 mil empresários sairiam do país caso Lula se tornasse presidente, ainda funcione.

    Durante os dois mandatos de Lula no Palácio do Planalto, todos ganharam. Ricos e pobres. Nenhum paneleiro falava em corrupção. Mas agora as manchetes voltam a favorecer a especulação através do medo. E o mercado não vive de outra coisa que não seja especulação, ou vive?

    Lula cometeu um erro brutal quando chamou Sergio Moro de ‘juizinho’ ou ‘juizeco de primeira instância’, não me lembro bem qual foi o adjetivo. Incutir o ódio em um juiz não é bom negócio. A não ser, talvez, para o mercado.

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