O tal Ministro, o Eike Batista e o Sidney

20 de maio de 2013

Aqui estou repercutindo novamente meus amigos blogueiros.

Dessa vez é o Sidney Alonso. O Sidney tem que assumir que tornou-se escritor. Junto com o Vabo é um dos mais assíduos do blog do Panrotas. Tem material que o credencia tornar-se escritor.

Certa vez falei ao Sidney: Você pensa escrevendo e escreve falando. Graciliano Ramos dizia: “quem quer ser escritor tem que fazer igual às lavadeiras de Alagoas: molham a roupa suja na beira da lagoa, torcem o pano, molham novamente e voltam a torcer. Batem o pano na laje e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar mais. Somente depois disso é que elas dependuram a roupa no varal para secar . Quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa ” – dizia ele – “A palavra não foi feita para enfeitar, a palavra foi feita para dizer”.

Mas deixa eu parar de implicar com o estilo do Sidney e repercutir dois posts: o primeiro sobre a visita do tal ministro Gastão Vieira na FIT em Cuba. Digo o tal ministro porque já perdi a conta de tanto ministro bom e tanto ministro ruim que entra para cuidar do Turismo do Brasil. Não sei se esse ai é bom ou ruim mas concordo com o Sidney que o homem esta totalmente desfocado da realidade do mundo. Atualmente o eixo da história não passa mais por Cuba mas por outros mercados emergentes que todos os dias jorram turistas ávidos por gastar e explorar novas experiencias.

A crise na Europa mostra isso: destinos como Paris, Londres, Munique e Barcelona tem conseguido resultados surpreendentes em seus hotéis graças a uma onda de novos consumidores de países emergentes do Leste Europeu, China, Rússia e Oriente Médio.

O Sidney acertou em cheio: o que falta ao tal ministro além de pragmatismo é foco.

Falando em foco, o segundo post é aquele sobre o Eike. Eike Batista era símbolo de um novo tipo de empreendedor audacioso com projetos de portos, mineradoras e empresas de energia. Eu digo ERA porque acho que depois que o Eike virou Eike ele perdeu o foco dos seus negócios e começou a diversificar sem critério.  A despeito do fato da comunidade financeira critica-lo por não estar entregando o que prometeu e que esteja alavancado em financiamentos do BNDES, o que um dia os historiadores vão dizer sobre o apogeu e queda do Eike é que, em algum momento de sua brilhante carreira, o foco foi perdido.

Lendo a trajetória do empresario não consigo entender como pôde se meter em tantos negócios: petróleo, indústria naval, energia, logística e mineração, restaurante chinês, hotelaria, incorporação imobiliária, comunicação, voleibol, bolsa de energia, fabricante de equipamentos e semicondutores, academia de ginastica, esporte, entretenimento, clinica de beleza, vestuário, e por fim a disputa pelo Maracanã.

Certa vez presenciei a seguinte cena em uma convenção internacional de vendas: o Presidente era um executivo italiano carregado no sotaque que gritava em inglês para todos os funcionários: “We need to fuck us!”

Na verdade o coitado queria dizer “ We need to focus!” mas o som da sua voz anglo-italiana fez a plateia entender outra ordem de seu líder.

Olhando a realidade do Eike e de tantos lideres no Brasil …

 

Quem perde com o Turismo online são os hotéis

17 de março de 2013

Havia dito que gosto de repercutir os posts do Luis Vabo. Essa semana ele levantou o assunto das despesas das OTAs com Google Adwords.

Globalmente os números são ainda mais impressionantes: uma recente análise da Bloomberg estima que a Priceline, proprietária da hotels.com e da agoda.com  juntamente com a Expedia Inc gastaram quase 2 bilhões de dólares com Adwords no Google em 2012

Pergunto: quem pagou essa conta ?  Elementar meu caro Vabo: os hotéis é que pagam as despesas de propaganda das OTAs no Google.

Um levantamento da Consultoria L2,  mostra que em 2010 os hotéis americanos repassaram 120 bilhões de dólares às OTAs  queimando bilhões de seus ativos com comissões .  Uma politica tarifaria desastrosa que durante a crise empurrou os preços para baixo e levou hóspedes a pensar antes de tudo em um hotel da Expedia e não num hotel da  Marriot ou Holiday Inn. Isso é a pior coisa que pode acontecer na hotelaria: diluir valor e percepção de marca.

O Vabo está certo ao afirmar que o Google ainda não se lançou no modelo de venda direta de hotéis e aviões através do seu Google Travel talvez porque quer evitar o conflito de interesse com as OTAs, seus principais “clientes” dos Adwords.

Mas o terreno esta pronto para venda direta no aéreo, com a consolidação da compra da ITA Software Inc. e o lançamento do Hotel Finding. O Hotel Finding busca preços no site dos hotéis através de conexões diretas.  E os hotéis pagam comissão ao Google e não às OTAs.

Para completar o modelo do Google Travel, recentemente eles adquiriram a lendária firma inglesa de conteúdo de viagens Frommer’s.

Mas o que vai determinar o avanço direto dos tentáculos do Google no  lucrativo filé  mignon das comissões dos hotéis é o posicionamento comercial  ainda pouco evidente da Apple, Facebook e Amazon no mundo das viagens.

O certo é que hotéis – ao contrário dos aviões – permanecerão na mira desses mastodontes.  Os hotéis são mais pulverizados (apenas 30% da oferta mundial de quartos pertence a redes hoteleiras) menos integrados tecnologicamente e míopes: muitos pensam que tecnologia não é mais importante do que cama e quarto confortável.