Os leitores já devem ter notado que meus posts ultimamente tem sido cada vez mais esparsos. Tentei até as ultimas forças administrar a vida de executivo com a de blogueiro. Mas quando nessa mistura ainda entra o fim dos meus estudos de sociologia a coisa realmente fica complicada.
Foi por isso que resolvi pedir um tempo ao Artur para poder concluir minha tese de mestrado em Sociologia Empresarial pela SciencesPo de Paris. Abre parênteses: outro dia o Sidney Alonso, curioso e palpiteiro até o ultimo fio de cabelo, perguntou que diabos é isso que eu estudo. “Paulo, tanta coisa para estudar e você escolhe Sociologia da Empresa ?
Meu caro Sidney, – respondi – nenhum líder nem nenhuma empresa consegue ser competitiva ou crescer sem abrir espaço para compreender o que se passa dentro dela. O que se nota hoje é um modelo ultrapassado de gestão. De um lado as regras, a ordem e as metas impostas por diretores e presidentes que estudaram nas melhores Business School. De outro as relações sociais e informais dos funcionários que criam o clima positivo ou negativo, boicotam projetos e atrasam as metas. Um hiato que se transforma em perda de competitividade a longo prazo.
Quanto mais as relações sociais na empresa ficam distantes das regras impostas pelos seus lideres mais a empresa se distancia de seus clientes. Pois ela fica muito tempo resolvendo conflitos internos.
A sociologia da empresa procura justamente estudar o potencial escondido dentro do engajamento coletivo. Acredito que um excelente líder é aquele que pensa de maneira tridimensional: nos lucros, nas relações sociais entre seus funcionários e no cliente. Infelizmente no mundo de hoje, poucos são os lideres que pensam e agem assim.
E não adianta pensar que dar panetones aos funcionarios nas festas de final de ano é o suficiente para incentivar as relações sociais.
Minha tese final vai procurar justamente analisar esse hiato entre lideres e liderados. E propor caminhos para que as empresas possam crescer junto com seus funcionários. E vice versa.
Para quem quiser saber mais sobre esse tema, convido a ler a entrevista que fiz em Janeiro com um dos maiores sociólogos da atualidade, Norbert Alter, e que foi publicada na edição de aniversário da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
Volto no ano que vem com mais historias para contar.
Obrigado a todos os leitores e também ao Artur que aceitou me dar esse tempo.



