Uma pausa no blog do Panrotas

26 de junho de 2011

Os leitores já devem ter notado que meus posts ultimamente tem sido cada vez mais esparsos. Tentei até as ultimas forças administrar a vida de executivo com a de blogueiro. Mas quando nessa mistura ainda entra o fim dos meus estudos de sociologia a coisa realmente fica complicada.

Foi por isso que resolvi pedir um tempo ao Artur para poder concluir minha tese de mestrado em Sociologia Empresarial pela SciencesPo de Paris.   Abre parênteses: outro dia o Sidney Alonso, curioso e palpiteiro até o ultimo fio de cabelo, perguntou que diabos é isso que eu estudo. “Paulo, tanta coisa para estudar e você escolhe Sociologia da Empresa ?

Meu caro Sidney, – respondi – nenhum líder nem nenhuma empresa consegue ser competitiva ou crescer sem abrir espaço para compreender o que se passa dentro dela.  O que se nota hoje é um modelo ultrapassado de gestão. De um lado as regras, a ordem e as metas impostas por diretores e presidentes que estudaram nas melhores Business School. De outro as relações sociais e informais dos funcionários que criam o clima positivo ou negativo, boicotam projetos e atrasam as metas.  Um hiato que se transforma em perda de competitividade a longo prazo.

Quanto mais as relações sociais na empresa ficam distantes das regras impostas pelos seus lideres mais a empresa se distancia de seus clientes. Pois ela fica muito tempo resolvendo conflitos internos.

A sociologia da empresa procura justamente estudar o potencial escondido dentro do engajamento coletivo.  Acredito que um excelente líder é aquele que pensa de maneira tridimensional: nos lucros, nas  relações sociais entre seus funcionários e no cliente. Infelizmente no mundo de hoje, poucos são os lideres que pensam e agem assim.

E não adianta pensar que dar panetones aos funcionarios nas festas de final de ano é o suficiente para incentivar as relações sociais.

Minha tese final vai procurar justamente analisar esse hiato entre lideres e liderados. E propor caminhos para que as empresas possam crescer junto com seus funcionários. E vice versa.

Para quem quiser saber mais sobre esse tema, convido a ler a entrevista que fiz em Janeiro com um dos maiores sociólogos da atualidade, Norbert Alter,  e que foi publicada na edição de aniversário da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Volto no ano que vem com mais historias para contar.

Obrigado a todos os leitores e também ao Artur que aceitou me dar esse tempo.

Aprendendo com a American Airlines

16 de junho de 2011

Quem assistiu ao ultimo comercial postado no YouTube pela American Airlines cujo titulo é “A Whole World is Missing” (traduzindo “esta faltando muita coisa”) vai imaginar que a AA ultrapassou a fronteira do bom senso.

O anuncio foi exibido em canais de TV a cabo como CNN, TNT, Discovery etc. Um investimento considerável cujo objetivo é marcar posição de ataque as OTAs e reforçar a disputa pelo cliente direto.

A American afirma: “Nossos 3,400 voos diarios não aparecem nas buscas da Orbitz.com mas o internauta pode encontra-los no nosso site AA.com”.

Apenas para refrescar a memoria do leitor, a American Airlines retirou suas tarifas do site da Orbitz em dezembro depois de uma batalha comercial envolvendo custos, incentivos e conexão direta com a Travelport, dona do Galileu e da Orbitz. O mais curioso é que a AA é uma das fundadoras da Orbitz.com.

Esse ataque direto é um sinal de desespero. A tatica de declarar guerra ou retirar o direito de venda de um intermediario são cada vez menos eficazes. A Orbitz esta progressivamente substituindo o ticket share da American com outras centenas de companhias aéreas disponíveis no site, comprovando a tese de que a decisão de voar de avião nos dias de hoje é baseado em preço.

Como já havia dito anteriormente: qual a diferença entre voar de American ou voar com outra companhia ? Todas tem serviços médios, os mesmos Boeings apertados e um programa de milhagem que nunca conseguimos resgatar.

Em tempo: o video nao vingou. Apenas 2 000 visitas. A American o retirou do ar em menos de uma semana.  E para completar, conforme noticiou o JP no inicio do mes a justica americana obrigou a AA a restabelecer as tarifas no Orbitz.

Aprender como operar nesse ambiente de transparencia e poder supremo do consumidor é um desafio ainda longe de ser vencido.

Isso vale para as áreas, para os hotéis e todos os demais fornecedores do turismo.

Funcionários dispersos

5 de junho de 2011

O computador na empresa existe para aumentar a produtividade, certo ? Nem sempre. Ultimamente, com as redes sociais, as pesquisas indicam que as pessoas passam 20% do tempo de trabalho navegando por motivos pessoais. Seja para escrever baboseiras no Facebook ou pesquisar produtos que serão comprados mais tarde.

A explosão das vendas de laptops nos últimos 5 anos contribuiram ainda mais para aumentar esse fenomeno, pois além de navegar o usuário utiliza seu aparelho profissional para ouvir músicas, ver filmes e jogar.

Como evitar esse tipo de situação ? A melhor maneira é sendo um bom gerente.  Um  bom gerente consegue “roubar” a dispersão das pessoas simplesmente distribuindo tarefas e demonstrando exemplaridade no uso do computador. Já um excelente gerente vai mais  longe, mobilizando e energizando de tal forma as equipes que elas não pensam em outra coisa que não seja fazer acontecer na empresa.

Mas como eu ia dizendo, e deixando de lado as divagações sobre o bom gerente, o único fenômeno que vai diminuir essa tendencia é o surgimento dos Tablets (se o leitor quiser pode chamar de iPad).

Um estudo recente do Google revela: em dois anos existirão mais de 165 milhões desses aparelhos espalhados pelo mundo.

Algumas constatações:

68% dos usuários utilizam o tablet ao menos 1 hora por dia;

77% disseram que estão usando menos o laptop e o desktop;

82% utilizam a partir de casa;

59% passam mais tempo no tablet do que lendo um livro;

34% preferem o tablet do que ver TV;

Esse assunto não tem tirado apenas o sono dos gerentes, mas sobretudo dos presidentes das empresas fabricantes de computadores e de TV a cabo.  Estão todos  apavorados com a agressividade do crescimento desses aparelhos e com a rapidez que eles tem provocado a mudança no comportamento dos usuários

Saiba mais sobre a pesquisa clicando aqui.

O iPad 2 já está à venda no Brasil desde Maio.

Trend/Rextur e os Chicotes/Charretes

26 de maio de 2011

Fui tomar Suco de Caju no stand da Embratur entre os compromissos da IMEX em Frankfurt. Abre parênteses: a melhor coisa do mundo quando a gente mora fora é visitar o stand da Embratur para beber Suco de Caju e comer pipoca. Fecha parênteses.

Estava a beber meu suco e comer pipocas quando veio um jovem rapaz de um hotel no Brasil.  Era jovem e gordinho. Tinha uma máquina de fotografia no pescoço embaralhada ao crachá. – “Paulo, o que você acha da parceria Trend-Rextur ?”  Suspirei: – “Sei lá, sei lá”.  Mas ele se aproxima ainda mais: – “Paulo, você escreveu outro dia que a Trend é o única empresa capaz de competir com a CVC. Agora que eles tem o aéreo da Rextur ninguém segura não é mesmo?”.

Baixa-me uma certeza: Vou ter que comentar. Nenhum leitor meu fica sem resposta.

- “O que eu acho ? Bem acho que com essa aliança eles vão ter que fazer uma escolha estratégica e pararem de vender chicotes.”  O gordinho perguntou: – “Mas eles vendem chicotes?”.  Ai notei que tratava-se do típico leitor de um blogueiro só.  “Sim o Alexandre Camargo no “levantando vôo” explicou a operação Trend/Rextur e contou a  historia da fábrica de chicotes que achava que as charretes nunca seriam substituídas pelos automóveis”.

E ele: – “Entendi. Quer dizer que as agencias de viagens são as charretes pois estão sendo substituídas pela internet ?”. – “De certa forma sim. Como já havia escrito anteriormente as agências precisam se reinventar. O ganha-pão delas deve ser a consultoria e não a comissão de um bilhete ou hotel. Esse assunto de comissão é discurso de quem dirige charrete”.

A conversa havia tomado forma. Resolvi alongar o raciocínio – “No fundo essa operação não vai causar grandes impactos. Ambas as empresas já disseram que o negocio delas é fornecer “solução de viagens” para “agentes de viagens”.  E o mundo da “solução de viagens” para “agentes de viagens” é previsível: De um lado os que tem IATA, credito e tarifa e de outro os que não tem nem IATA, nem credito, nem tarifa.

O que é imprevisível é a reacão dos consolidadores concorrentes sobre aumento de capilaridade da Rextur em cima da rede da Trend. Vai ocorrer a tal lei da reacão causa e efeito: para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário”.

O gordinho nessa altura ja suava e mergulhava a mão na cesta de pipocas.  – “Quer dizer que os consolidadores concorrentes da Rextur vão querer vender hotéis?” Continuo: – “Querer vender hotéis não é o que importa mas sim querer reagir na busca de um modelo de negocios como alternativa a um ataque de um concorrente inteligente como a Rextur. Muitas consolidadoras já estão com projetos prontos para a web no BtoC. Sejam proprios ou associados. Isso vai gerar oportunidades para todos. Os vendedores de chicotes vão precisar reinventar seus negócios e nunca na história do capitalismo isso foi tão fácil graças à internet.  Ainda mais no Brasil, onde as viagens on line estao na era paleolítica “.

E o gordinho:  – “Mas porque isso tudo só ocorreu agora ?”

Eu já estava apressado: – “Porque no fundo todos eles estão preparando suas empresas para a chegada dos grandes”.

E, súbito, depois de mastigar as pipocas, ele reage :  – “Os grandes investidores internacionais que vão sair às compras igual fez o Carlyle com a CVC ?” .  Fiz que sim com a cabeça batendo em retirada para mais uma reunião.

No caminho pensei comigo:  “Eta gente inteligente esses leitores do Panrotas!

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Ganhar dinheiro no Facebook

19 de maio de 2011

Quando me perguntam como fazer dinheiro com o Facebook penso sempre no que dizia o Nizam Guanaes no início da internet: Essa historia de internet é como a Malu Mader aos 15 anos de idade…

Se o leitor quer saber como as empresas vão ganhar dinheiro com Facebook deve imaginar um novo modelo de negócio. Se buscam vendas instantâneas ali é o ultimo lugar que encontrarão.

Facebook tem a ver com atingir uma audiência em diferentes etapas ao mesmo tempo. Um viajante esta no Facebook antes, durante e depois da viagem. E nesse universo o que conta são apenas duas coisas a confiança do cliente na marca anunciada e o que os outros pensam dessa mesma marca.

Comprar no Facebook é um ato catalisador de um conjunto de histórias e experiencias do cliente. Dentro e fora do mundo virtual.

Diversas pesquisas indicam que quanto mais os consumidores utilizam as redes sociais mais elas confiam nos conselhos dos amigos e menos na propaganda tradicional das marcas.

Enquanto isso as empresas insistem em utilizar essas mesmas redes sociais como canal de comunicação usando mensagens ultrapassadas cada vez menos credíveis.

Se o leitor busca duas dicas simples de como posicionar seu negocio no Facebook aqui vão elas:

Experimentar, experimentar e experimentar. Nenhuma empresa pode ficar fora do Facebook. Primeiro porque somente a curva de experiencia pode acelerar uma vantagem competitiva futura. Segundo porque nos dias de hoje estar fora do  FB significa estar longe de seu cliente.

Integrar, integrar, integrar: O melhor exemplo é o da Delta Airlines. O cliente escolhe qual canal utilizar. Ele pode fazer as mesmas coisas na pagina da Delta no FB que nos demais canais como internet, call center ou telefone portátil.

O mundo do e-commerce ainda esta engatinhando nesse oceano chamado Facebook.  Iniciativas como  a Payvment (que permite as empresas construírem lojas dentro do universo FB e aos Fans publicarem suas compras) ou eventuais mega acordos com grandes lojas virtuais como Amazon ou Apple ainda não passam de experimentação.

Por enquanto ninguém tem a resposta de como tornar fans em compradores.

Rio em 5º lugar nos destinos preferidos do TripAdvisor

8 de maio de 2011

Pelo terceiro ano o site de recomendações mais popular do mundo acaba de publicar o ranking dos destinos preferidos dos viajantes. Foram listados mais de 337 lugares .

Com muita satisfação vemos  o Rio de Janeiro em quinto lugar.

O ranking é resultado do cruzamento de milhões de opiniões reais e sinceras dos viajantes que utilizam o TripAdvisor todos os dias no mundo inteiro para compartilhar suas experiencia.

Olhando as  atracões descritas no site como “Top-rated things to do” a principal delas, na frente do Corcovado e do Pão de Açúcar estão as classes de cozinha do Cook in Rio.

Mais uma vez a prova de que a experiencia turística nos dias de hoje não é completa apenas com monumentos e paisagens, mas com iniciativas simples que permitam que o viajante se integre a cultura local.

Parabéns ao Rio por mais essa conquista.  E parabéns ao Cook in Rio por levar os turistas muito alem do Corcovado com suas moquecas, caipirinhas e pés de moleque.

Que esse reconhecimento inspire milhões de viajantes em todo mundo. E que eles saiam felizes contanto para muitos outros.

Simples assim como deve ser a construção de um destino turístico.

Vejam o ranking dos 10 principais destinos do 2011 Travelers’ Choice World Destinations:

1. Cape Town, Africa do Sul
2. Sydney, Australia
3. Machu Picchu, Peru
4. Paris, Franca
5. Rio de Janeiro, Brasil
6. New York City, Estados Unidos
7. Roma, Italia
8. Londres, Inglaterra
9. Barcelona, Espanha
10. Hong Kong, China

Uma semana de arrepiar

2 de maio de 2011

Primeiro recebo um e-mail da PlayStation Network informando a amável clientela que os sistemas foram invadidos por hackers e os dados dos 77 milhões de usuários de  jogos on line e sistemas de entretenimento foram roubados. O meu filho Lorenzo de 12 anos é um deles.

Como se não bastasse o mesmo informe revela que os numeros do cartão de credito de mais de 2 milhões de contas foram também surrupiados.  A PlayStation Network esta fora do ar desde o dia 20 de abril.  Trata-se da maior quebra de privacidade da história da internet.

Ainda na semana passada:  a Amazon teve problemas com seu serviço de “cloud computing” afetando o funcionamento de centenas de sites como Quora e Foursquare.  Para quem não sabe, cloud computing é o serviço de terceirização da armazenagem de dados. A Amazon é um dos maiores armazéns virtuais da internet.

Para terminar o Steve Jobs teve que sair do anonimato de sua doença para se explicar sobre a denuncia de que a Apple estaria  armazenando e comercializando informações sobre a localização e deslocamento dos usuários do iPhone.

Esses três episódios confirmam o que já havia alertado em posts anteriores: nunca fomos tão vulneráveis . Vivemos a euforia do consumidor livre e soberano das redes sociais. Mas na medida em que essa liberdade e soberania estão armazenados nos servidores da  Facebook ou Apple esse consumidor na verdade é um refém.

Os leitores podem afirmar que a saída para esse dilema é o livre arbítrio.  Mas as empresas e os governos tem sua parcela de responsabilidade.

As empresas, alem de investir continuamente em seus sistemas de segurança, necessitam aprimorar seus sistemas de comunicação.

Tanto a Sony quanto a Amazon ocultaram durante dias a existência de problemas.  O aparecimento do Steve Jobs demonstra que a Apple também não soube administrar sozinha a acusação.

Quanto aos governos, cabe a eles criar mecanismos de regulação e de punição para essas derrapagens e negligencias.

Vem ai o novo concorrente do Groupon: O Google

25 de abril de 2011

Pergunta:  Aonde dorme um gorila de 300 Kilos ?

Resposta:  Aonde ele quer. (Quem vai mexer com um bicho desse tamanho?)

Depois de ter a proposta de 6 bilhões de dólares rejeitada pelo Groupon o Google resolveu lançar seu próprio serviço de compras coletivas. O Offers é um novo serviço de descontos que permite  que comerciantes locais ofereçam descontos de 50% sobre mercadorias encalhadas. Por enquanto trata-se de um piloto limitado aos residentes de Portland no estado de Oregon. (moradores de Nova Yorque, São Francisco e Oakland serão os próximos a testar).

O apetite do Google pelas compras coletivas vai muito alem das compras coletivas. Ele utiliza a plataforma de 193 milhões de usuários do Gmail e a sinergia com o Google Places para atingir o comercio local. Atualmente o comercio local é considerado pouco lucrativo para o Google pois não paga para aparecer nos resultados de busca.

Existe muito dinheiro disponível nesse comércio. Tradicionalmente ele anunciava em páginas amarelas e malas diretas. Pouco a pouco está migrando para internet não pelas vias tradicionais de SEM (search engine marketing) mas sim através de redes sociais e de sites como o Groupon.

Ainda não está claro como o Google vai conseguir se apropriar desse mercado. Assim como nao está claro como o Goolge vai conseguir conter o avanço do Facebook.  Ofertas diárias pelo Gmail tornam-se cada vez mais banais e intrusivas.

Groupon investe seus recursos nas redes locais de vendedores e em aplicativos de localização instantânea e geográficas de ofertas como o  Groupon Now . A palavra de ordem dentro da empresa é: local, local, local.

Aliás ele também dá seus golpes de Gorila. Recentemente contratou a mais importante executiva de vendas do Google – Margo Georgladis – para ser a numero dois da empresa.

Para o leitor do blog do Panrotas em primeira mão o screen shot to Google Offers

Para o leitor do blog do Panrotas em primeira mão o screen shot to Google Offers

Vovozinhos parte II

19 de abril de 2011

Mas como eu ia dizendo o marketing esta descobrindo esse mercado.

E para entende-los os pesquisadores do AgeLab, do MIT (Massachssets Institute of Thecnology um dos maiores centros de excelencia academica em pesquisa tecnológica do mundo) criaram o AGNES (Age Gain Now Empathy System). Traduzindo para o português: Sistema de Aquisição de Idade.

A ideia é ajudar os marketeiros e designers a literalmente entrar na pele de um ser humano de 70 anos e sentir que apesar de extremamente ativos, eles possuem limitações fisicas que precisam ser levadas em conta na criação  dos produtos.

A primeira vista a roupa parece uma indumentária de alpinista: Um capacete amarrado na cintura por cordas impede o completo movimento do pescoço, óculos amarelados reduzem o campo da visão , punheleiras limitam o movimento das mãos, joelheiras dificultam a dobra dos joelhos, sapato com sola de isopor desestabiliza o centro de gravidade e luvas cirúrgicas reduzem o tato.

Vale a pena uma visita no site da AgeLab. Muitas outras empresas estão  investindo tempo e recursos para melhor entender esse mercado super poderoso.  A Ford Motors é uma delas. Testam um sistema de estacionamento mãos livres  para os motoristas com dificuldades de virar o pescoço. Muitos supermercados estão reorganizando seus produtos nas prateleiras para facilitar o acesso dos idosos.

E para todos aqueles que não  levam muito a serio a força do mercado das vovozinhas e vovozinhos  lembro do que me contou a Ana Maria Donato em um delicioso almoço que tivemos em Paris. “Paulo outro dia a  Bibi Ferreria, do alto de seus 90 anos, fez o auditório do Jo Soares ir abaixo. Disse ela: vocês que são mais jovens fiquem sabendo: a juventude de vocês é passageira. A minha velhice ao  menos é definitiva. “

Uma indumentária de alpinista reproduz os movimentos de um ser humano de 70 anos ajudando os marketeiros a entender melhor esse mercado

Uma indumentária de alpinista reproduz os movimentos de um ser humano de 70 anos ajudando os marketeiros a entender melhor esse mercado

Os supermercados são os primeiros a se adaptarem

Tarefas simples para os mais jovens como estacionar um veiculo, pode não ser tão simples para quem tem mais de 70 anos

Tarefas simples para os mais jovens como estacionar um veiculo, pode não ser tão simples para quem tem mais de 70 anos

Vovozinhas e Vovozinhos super poderosos

10 de abril de 2011

Disse outro dia que ia escrever sobre os seniors. Pois chegou a hora:  o mundo esta envelhecendo.

Segundo a ONU os seres humanos acima de 65 anos deverão dobrar em 2050 atingindo 1,5 bilhão de pessoas. Pela primeira vez na história da humanidade os seniors vão  superar as crianças com menos de 5 anos.

Os economistas, sempre pessimistas, vêem a explosão da população de terceira idade não como um triunfo da ciência ou da humanidade mas como uma crise iminente:  As pessoas serão obrigadas a adiar a aposentadoria ou jamais se aposentar. Muitos sistemas sociais vão  quebrar. Principalmente em países ricos. Na Alemanha a população  jovem é cada vez menor e o sistema econômico perde sua vitalidade em função  disso, exigindo a procura   forcada por mão  de obra jovem e menos qualificada em países pobres.  Na Franca, a aposentadoria aos 60 anos faz com que os economicamente ativos não consigam sustentar o número de aposentados. Em 2020 a França vai atingir o perigoso deficit de 40 bilhões de euros.

Os analistas da Standard & Poor’s afirmam:  “Nenhuma outra força será capaz de influenciar o futuro da saúde das finanças públicas e da política como  o envelhecimento da população “.  Somado a tudo isto, e para encerrar a dose de pessimismo, o mesmo relatorio da S&P escreve que “cuidar da velhice” custa anualmente   600 bilhões de dolares aos sistemas sociais dos paises.

Hoje os seniors já são  523 milhões de pessoas. E mais ativos do que nunca: viajantes, esportistas, executivos, iternautas e ate ministros. Os vovozinhos e vovozinhas estão por toda parte. Menos em casa.

No proximo post vou mostrar para os leitores como o marketing esta descobrindo esse mercado e de que maneira os centros de pesquisa das universidades estão ajudando os profissionais a tirar proveito dele.