Fast Forward, Rewind, Play, Pause ou Slow Motion? – Take 1

 

 

Fast Forward, Rewind, Play, Pause ou Slow Motion? – Take 1

Estive buscando informações e histórico dos últimos 10 anos para a preparação do Lacte10. Após o evento, falando com algumas pessoas, analisando os feedbacks e audiência nas sessões educacionais observei que muitos assuntos ainda seguem em pauta, gerando discussões, alguns caíram no esquecimento, outros surpreenderam e até perdemos fé em poucos.

Vou passar a minha impressão de como alguns filmes passaram na minha cabeça nesses últimos 10 anos. Espero ter encontrado um meio termo entre o simplismo e detalhe e compartilhar minha visão com a de vocês, em capítulos, começando com o Take 1, Tecnologia:

Olhando para os OBTs, vejo que houve uma evolução, apesar de algumas derrapadas no início. O fato de termos grande parte do inventário fora do GDS causou essas patinadas, mas por outro lado fez com que muitas empresas brasileiras se destacassem no cenário e se tornaram grandes players, inclusive em expansão para a América Latina. As ferramentas internacionais, pelo mesmo motivo acima, tiveram que se adaptar e flexibilizar para atender o mercado brasileiro. Em 2010 debatíamos: O online conquistou o corporativo? Já tínhamos muitas empresas com adoção significativa e cases foram apresentados.

Muitas ferramentas já possibilitam a emissão automática de bilhetes, os chamados self ticketing, robô de emissão entre outros nomes, o que significa grande evolução no processo, porém vejo com certa timidez a adoção ou aceitação por parte das empresas quanto a essa “feature”.

Do outro lado os TMCs. Tecnologia sempre foi um ponto de investimento e atenção constante, desde o front office até o back office. Quando falamos de big data, data management é necessário primeiro prestar atenção, antes de tudo, ao input de dados, o que faz toda a diferença para termos informações confiáveis e consequente gerenciamento na outra ponta. Assim uma ferramenta de front automatizada é chave para a entrega do que o TMC se propõe, que é o gerenciamento de viagens corporativas, identificar oportunidades e savings.

Os dados produzidos pelo TMC podem ser trabalhados em ferramentas de BI, outra solução que surgiu para o mercado de viagens corporativas quando se começou a falar sobre Big Data, Data Management, etc. Apesar de ver ainda hoje muita gestão em excel….e lá em 2006 perguntávamos: Consolidação de dados: sonho ou pesadelo? Até hoje se discute isso…..

Muitas TMCs ainda trabalham com softwares de gestão antigos e desatualizados, e com o número cada vez maior de transações e geração de dados, tornaram-se obsoletos. Algumas partiram para aquisição de ERPs, para uma melhor gestão empresarial.

Por falar em ERPs, outro grande movimento positivo foi a integração dos ERPs com OBTs, Expense e TMCs. Ganha a empresa com maior controle, atualização e gestão. Isso já era preocupação no primeiro LACTE.

A mobilidade se tornou um mote. Todo o processo de reservas até a prestação de contas deve ser feito remotamente. E-mails, agenda, tudo em gadgets na mão do viajante.

A vida do viajante corporativo ficou mais fácil com a imensa variedade e quantidade de aplicativos disponíveis. Mapas, dicas de viagens, sites de busca, reservas, entretenimento, melhores assentos, onde é meu terminal, atrasos de voos, o que fazer nos destinos, redes sociais, profissionais, arquivo de viagens, gerenciados de milhas, mensagens instantâneas…fica difícil escolher um. Aliás a grande preocupação das empresas é justamente a de orientar e permitir a utilização daqueles que sejam seguros para a empresa, uma vez que o smart phone corporativo está conectado ao servidor da empresa de alguma forma que pode ser violado.

Soluções para segurança como rastreamento e localização se tornaram extremamente necessários para as corporações.

Não vou falar aqui sobre distribuição, mas não posso deixar de mencionar que os GDSs sempre tiveram papel fundamental em nosso mercado. Muitas vezes questionados. Algumas vezes colocados em cheque quando algumas companhias aéreas discutiam se distribuíam ou não seu inventário através dele. Outras alternativas apareceram, mas os GDSs ainda continuam como players importantes no cenário.

Em viagens corporativas a tecnologia em muitas áreas avançou bem, porém em eventos não vemos vi muitos progressos.

Não estou me referindo a parte operacional, onde temos grandes investimentos e tecnologia de ponta, com equipamentos cada vez mais sofisticados que diferenciam um evento do outro, utilização RFIDs, eventos híbridos com utilização de plataformas colaborativas como web meetings, entre muitas outras.

Falo da gestão. Vejo poucas empresas com sistemas de gerenciamento de eventos implantados. Sistemas esses que oferecem desde o acompanhamento dos orçamentos até o fechamento. O velho e bom excel é ferramenta comum. A conferencia manual, nota por nota. Os lançamentos para pagamento nos ERPs se faz de forma total, ou seja, sem detalhamento. Quanto sua empresa está gastando com A&B? Os impostos são todos recolhidos corretamente? Em uma fatura de evento podem ter vários serviços e produtos com alíquotas diferentes.

Em resumo, as questões sempre levantadas não eram as ferramentas em si ou as tecnologias disponíveis, porém a utilização e efetividade dessas na gestão. E ainda acho que vai ser. Fato é que não é possível fazer nenhuma gestão sem informação acurada. Mais ainda: sem conhecimento e poder de análise de nada importa ter um sistema de ponta.

Minha visão é de usuário e telespectador, uma vez que grande parte desses 10 anos estive fazendo o papel de gestor de viagens, cliente/consumidor dessas tecnologias, e tecnologia para mim, na maioria dos casos sempre passou em Play e FF, embora em algumas particularidades tenha dado um Slow Motion.

Em breve o Take 2 – Meios de Pagamentos

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Eduardo Murad

Bacharel em Turismo pela Universidade Anhembi-Morumbi, Eduardo Murad Jr. cursou MBA em Turismo, Hotelaria e Entretenimento pela FGV, com extensão no College of Business da Ohio University. Na área corporativa, desempenhou a função de gestor de viagens para a América Latina em grandes companhias, como Siemens e IBM e foi Diretor de Vendas de Diversificação e Gestão de Fornecedores na Alatur JTB. No no âmbito acadêmico, dedicou-se à docência no curso de Turismo da Universidade Paulista (UNIP) e como professor e palestrante da Academia de Viagens Corporativas. Atualmente exerce a função de Diretor de Vendas da HRS para America Latina. É Presidente da ALAGEV (Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas) para o biênio 2014/2016. Com mais de quinze anos de experiência no mercado, foi ganhador do prêmio Best in Class 2005 da TMC Brasil, como melhor gestor de viagens daquele ano. Co-autor dos livros "Agencias de Viagens e Turismo - Praticas de Mercado" e "Viagens Corporativas: Saiba tudo sobre gestão, estratégias e desafios deste promissor segmento"

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