Alta gastronomia voando de econômica? Na Air France é possível

Criação do Maison Lenôtre leva alta gastronomia a bordo da Air France (Divulgação/Air France)

No meu retorno temporário ao Brasil, a volta foi a bordo da Air France, como vocês viram aqui no blog quando relatei minha experiência no novíssimo VIP Lounge da aérea em Charles de Gaulle. Pois bem, se não bastasse todo o conforto que me foi disponibilizado nessa Sala VIP, durante o voo a Air France também tratou de me apresentar a um mundo novo na experiência gastronômica.

Além do tradicional (e gratuito) serviço de catering em voos de longa duração, com refeições completas e amplo menu de bebidas, a Air France disponibiliza a seus passageiros das classes Economy e Premium Economy a opção de realizar um “upgrade” na comida. Essa preciosidade se chama Menus à La Carte e, acreditem, pagar a mais pela comida no avião não é um luxo absurdo. São seis temas diferentes disponíveis para os passageiros Air France.

Opções à la carte estão disponíveis nas classes Economy e Premium Economy (Divulgação/Air France)

Aqui vou citar quais são os menus, com preço indicado, mas mais à frente vou me ater ao cardápio que eu consumi. Há lá o My Fun Menu (€ 13), a opção de hambúrguer e chips; o Le Marché de Jean Imbert (€ 21), assinado pelo popular chef com interpretações de seus pratos; o Une Sélection Lenôtre (€ 28), alta gastronomia francesa assinada por chefs da Maison Lenôtre; o Menu Tradition (€ 18), focado na culinária francesa; o Menu Océan (€ 15), inspirado nos sabores do mar; e o Menu Italia (€ 12), que é meio autodescritivo.

A minha escolha foi o Une Sélection Lenôtre, que é um menu criado por chefs da tradicional casa francesa e que varia de acordo com as estações do ano (disponível somente em voos que saem de Paris). A refeição consistia em fingers de berinjela e creme de parmesão como entrada, seguido de peito de frango com pimento de piquillo e purê de batata no prato principal. Queijo camembert e uvas acompanhavam o menu, que tinha de sobremesa o especialíssimo bolo de chocolate amargo Concerto, uma das assinaturas da Lenôtre.

Serviço de bordo, um dos pontos altos da experiência na Air France (Divulgação/Air France)

Ao escrever sobre a experiência de provar alta culinária a bordo, dois pontos me fazem defender essa escolha. O primeiro trata da refeição em si. Cardápios nas classes econômicas giram em torno de praticidade e da possibilidade de atender o maior número de gostos possível. Em geral, a entrada não dialoga com o prato principal, a sobremesa não brilha os olhos de ninguém.

No caso do Une Sélection Lenôtre, com menu criado de forma uniforme, fica claro por onde os chefs pretendiam me levar. Para mim, a delicadeza e suculência do frango ficaram mais evidentes justamente por conta da acidez da berinjela na entrada. O camembert tinha uma função ao antecipar o chocolate amargo do Concerto, e por aí vai.

O outro ponto é financeiro, já que dentro de um aeroporto você não conseguirá encontrar opções gastronomicamente tão bem trabalhadas como estas, acompanhadas de bebidas, pelos preços praticados pela Air France. O Menu Tradition, por exemplo, oferece culinária francesa por € 18, valor que, nos terminais, dificilmente cobre uma taça de vinho e entrada.

Menu Océan, que custa € 15 nas saídas desde Paris (Divulgação/Air France)

Os Menus à La Carte da companhia devem ser adquiridos de forma on-line. São três os momentos em que o passageiro pode escolher, confirmar e pagar pela refeição: na compra da passagem; entre 90 dias e 24 horas antes do voo (no menu “Suas Reservas”); ou entre 30 horas e 24 horas antes do voo (durante o check-in on-line).

Vale checar no sistema quais cardápios estão disponíveis no trecho do voo em questão. Algumas opções são exclusivas de certas regiões, como o Une Sélection Lenôtre é das saídas internacionais de Paris, ou o Menu Italia, que fica restrito a rotas da América do Norte, África e Ásia.

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Crooked Can, o parque de diversões dos cervejeiros em Orlando

Muitas opções de cervejas, quase sempre assim, no draft

A terra da diversão tem seu próprio parque temático para os adultos bons de copo. Os apreciadores de cervejas artesanais que estiverem de passagem por Orlando, na Flórida, têm uma parada obrigatória no Crooked Can Brewery Company, cervejaria que une a arte da bebida artesanal com uma oferta bem diversa em alimentação.

A meca norte-americana da cerveja artesanal, o estado do Colorado, tem relação direta no nascimento do Crooked Can. De férias pela região, os amigos Jared Czachorowski, Andrew Sheeter e Robert Scott se apaixonaram pela cultura cervejeira do Colorado e decidiram montar sua própria versão na Flórida.

Um mercado com aspecto centenário no centro de Winter Garden, a 20 minutos de carro de Orlando, foi o local escolhido para hospedar o Crooked Can. Na parte cervejeira do estabelecimento, gigantescos tonéis ficam expostos aos visitantes por uma parede de vidro – é possível reservar tours, realizados aos domingos.

Longas mesas são ideais para famílias e amigos

No balcão, torneiras derramam nos copos todo o cardápio da produção local, que em média oferece 12 tipos de cervejas, de claras a escuras, passando por maltadas e até versões cítricas. A Crooked Can tem suas produções fixas, como a Higher Stepper (American IPA) e a Freedom Ride (Stout), mas também oferece edições especiais.

Na minha visita, a escolhida (e deliciosamente aprovada) foi a Ayuh!, uma edição limitada de New England IPA (tipo de cerveja conhecido por mesclar amargor e dulçor com corpo amarelado e turvo). Quanto a preços, as cervejas do local mantêm a média de meio pint (260ml) a US$ 3,50 e pint (470ml) a US$ 6,50.

Um dos conceitos da fundação do Crooked Can é o de proporcionar um ambiente familiar acima de tudo. É nesse sentido que entra em cena o market food local, com opções gastronômicas variadas, de pizza e hambúrgueres a sushi e vegan.

Extensas mesas de madeira, tanto dentro do mercado, quanto em um espaço aberto, são o convite perfeito para juntar os amigos em uma reunião no Crooked Can. O bar não faz reservas, por isso, se o caso for uma visita em grupo, evite horários de pico (tanto no almoço, como no jantar).

Cervejaria está em prédio histórico de Winter Garden

Os horários de atendimento variam de acordo com o dia, mas os estabelecimentos gastronômicos costumam fechar antes do que a cervejaria. Às sextas e sábados, por exemplo, o Crooked Can fica aberto até 1h – enquanto que os restaurantes fecham por volta das 23h. A recomendação é checar os horários pela internet, neste link.

O Crooked Can Brewery Company também aceita reservas para festas e eventos corporativos. Há uma sala privada (Barrell Room) para até 150 convidados e o espaço inteiro também está disponível, para eventos que recebam até 600 convidados.

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Sawgrass Mills de ônibus (e por US$ 5)

Sawgrass Mills, um dos maiores outlets da Flórida (Instagram/Shopsawgrass)

Foram pouquíssimas horas livres em Fort Lauderdale, na Flórida, onde estive para edição deste ano da feira La Cita de las Americas – cobertura que pode ser lida no Portal PANROTAS e na próxima edição da Revista PANROTAS. Com apenas uma manhã livre, e sem muita ideia do que fazer por lá, eu resolvi dar uma passada no Sawgrass Mills, o gigantesco outlet que tem no condado de Broward, na cidade de Sunrise.

Eu não sou o típico consumidor de shopping, confesso não ter muita paciência, mas me pareceu uma ideia razoável bater até lá pra comprar umas lembrancinhas pra família. Vi as opções de transporte até o Sawgrass e…senhor! Do hotel em que eu estava, o Harbor Beach Marriott Resort, até o shopping eram mais de US$ 60 (ida + volta) pelo Uber. Com o shuttle oficial, o preço caía para US$ 25 (ida + volta). Ainda assim, eu não tava muito afim de gastar esse dinheiro só pra visitar um shopping. Por isso, resolvi ir para lá de transporte público.

Sistema público de ônibus do Condado de Broward (Divulgação/BCT)

O site do BCT (Broward County Transit), empresa de ônibus local, me deu horários e informações suficientes para que eu conseguisse me virar sozinho – ajuda, é claro, a pontualidade do sistema (por garantia, esteja no ponto 5 min antes da previsão de passagem do ônibus). Nesse site descobri o tal do “All Day Bus Pass”, meu companheiro de viagem naquele dia. É possível comprar o cartão a bordo do próprio ônibus, custa apenas US$ 5 e você pode ir e voltar como quiser, fazendo baldeações ou não.

Passe diário

No meu caso, eu precisei pegar dois ônibus por trecho e demorou um pouco mais de uma hora para chegar. O ônibus 36 te deixa na porta do Sawgrass Mills e vai praticamente em uma (longa) linha reta. Você pega ele no final da N Fort Lauderdale Beach Blvd, neste ponto aqui. Para chegar na parada eu precisei pegar o ônibus 40, mas isso era específico do meu roteiro, dada a localização do meu hotel.

Uma vez no ônibus, sente e espere. Eu aproveitei para conhecer uma parte de Fort Lauderdale que eu não teria conhecido, em regiões longes dos holofotes turísticos, dividindo o espaço com a população local. O sistema de som e um letreiro no ônibus anunciam todas as paradas, o que facilita para quem não é de lá (algo importante na volta, para saber em qual ponto descer).

No canto superior esquerdo, destaque para o ponto de chegada/partida do ônibus 36

Ao chegar em Sawgrass Mills, o ônibus para exatamente na entrada da Praça de Alimentação do setor amarelo. Guarde essa saída, porque é de lá que o próprio #36 sai para sua viagem de volta. Faça uma pesquisa antes de deixar o hotel – principalmente se, como eu, você estiver sem 4G no celular. Tenha anotado números dos ônibus, horários aproximados e paradas onde descer/trocar de ônibus.

A conclusão é que é possível e relativamente fácil ir para Sawgrass Mills de ônibus. Mesmo sem 4G no celular, me bastou uma pesquisa prévia e alguns printscreens das rotas que eu precisava pegar para chegar lá. Obviamente que esse é um passeio para quem não tem muita pressa em chegar cedo (ou a necessidade de ir embora tarde), e, principalmente, que não vá voltar de lá empanturrado de sacolas de compras.

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Hall L, a nova sala VIP da Air France em Charles de Gaulle (Paris)

Mesas individuais, muitas tomadas e espaços abertos marcam o Business Lounge da Air France em CDG (Divulgação/Air France)

O blog vai sofrer uma realocação momentânea e isso pede um post sobre idas e vindas. A questão é que essa semana eu voltei para o Brasil, onde vou passar os últimos meses do ano, e, por conta disso, aproveitei para escrever sobre minha viagem de retorno a bordo da Air France. Para quem se acostumou a acompanhar a trajetória do Viajante 3.0 desde seu início, lá em março, não se preocupe que o blog continuará sendo alimentado com minhas experiências internacionais, sejam na Europa ou nos Estados Unidos, principalmente (mas não exclusivamente).

Neste texto vou falar de uma área dos aeroportos que é familiar para alguns e uma realidade desejada por muitos: as Salas VIP. Vocês já leram alguma coisa aqui sobre as conexões da Air France-KLM em seus principais hubs europeus, Paris e Amsterdã, respectivamente. Justamente por ter parado em Paris, no Aeroporto Charles de Gaulle, que nasceu esse texto. Estive lá por algumas horas, conheci o novíssimo lounge da Air France no Hall L (terminal 2E) e mostro aqui todos os detalhes.

Comida é trocada constantemente no buffet

Ao todo, a Air France possui sete lounges espalhados pelos diversos terminais do maior aeroporto da capital francesa. O Business Lounge do Hall L foi inaugurado em sua totalidade há menos de dois meses – as obras foram divididas em duas fases, a primeira aberta ao público em janeiro. Um produto novo, com o melhor em tecnologia e conforto que a companhia tinha à disposição, e desenhado para passageiros acostumados com viagens internacionais.

Bar Central

Para mim ficou claro desde o primeiro momento que o intuito da área é desligar o passageiro da jornada de ida/retorno. É criar ferramentas para transportá-lo para um espaço que ofereça toda a hospitalidade dos bons hotéis (ou de sua própria casa), sem interromper sua produtividade – que ela seja mantê-lo ligado a seus negócios, em contato com a família ou descansando para etapas futuras da viagem.

Isso se reflete no cuidado dos funcionários em enveredar sobre a tênue linha entre dar atenção e serviços necessários sem atrapalhar a vivência do passageiro na área. Por isso, o self-service tem tanto espaço, por exemplo. A excelente oferta gastronômica do lounge acontece em buffets, para que o hóspede fique livre para fazer seu prato quando quiser, na quantidade que quiser, quantas vezes quiser. O mesmo vale para as bebidas, disponíveis em geladeiras ou em baldes para as garrafas de vinhos e frisantes.

Se alguma dúvida surgir, além da equipe caminhando pelo salão e dos anfitriões na recepção, há uma espécie de mesa de concierges. Em geral, tudo é muito livre e intuitivo, sempre visando descomplicar a vida de quem passa por lá.

Cara de quem vai dormir gostoso

A minha experiência no lounge se baseou em duas coisas: comer e dormir. Com horas de sobra na conexão, não tive pressa alguma para experimentar as opções frias e quentes, tomar gim e vinho. Já levemente “relaxado”, me deitei em um dos divãs das mini-suites, que oferecem um espaço silencioso e de baixa iluminação, e me entreguei ao sono – não esqueçam de programar um alarme, perder o voo não é uma opção aqui.

Se eu quisesse, no entanto, havia muito mais para fazer. São 3,2 mil metros quadrados de área, espaço de sobra para um bar de coquetéis, “banca” com jornais e revistas globais, chuveiros, spa, espaço kids e mesas de reunião.

A capacidade máxima do lounge é de 540 pessoas. Tem entrada garantida os passageiros La Première, Business e membros Flying Blue da categoria Elite Plus. Mesmo assim, para quem voa Economy e Premium Economy, é possível acessar a área mediante a pagamento (€ 25 a € 45). Lembrando que a entrada paga é sujeita à disponibilidade, não ocorrendo nos horários de pico (em geral, nas noites com mais de três voos internacionais saindo do hall L).

Tela interativa informa passageiro sobre espaços no lounge

A Air France disponibilizou em seu canal de Youtube um tour 360º com todos os detalhes do lounge (veja abaixo). Não deixe de dar uma olhada nos últimos posts e acompanhe a jornada do Viajante 3.0 pela blogosfera da PANROTAS e também pela conta no Instagram.

Entendendo o “encerrado para férias”

Antes de sair de férias, floricultura faz promoção para desafogar o estoque

Parece inconcebível para os que passam por Portugal em agosto que, em pleno verão, comércios troquem turnos duplos e casas cheias de turistas endinheirados pela tranquilidade de suas próprias férias. Agosto é o mês que escancara a maneira própria dos portugueses em gerir seus negócios, algo um pouco difícil de entrar na cabeça daquele brasileiro, digamos, mais capitalista.

Por aqui, muitos e muitos bares e restaurantes são geridos por famílias. Mesmo aqueles pontos mais tradicionais, que se tornaram clássicos ou “visitas obrigatórias”, não raro têm no comando até hoje os fundadores originais ou parentes próximos. É uma mistura de orgulho, zelo e desconfiança que impede que eles deixem seus negócios nas mãos de terceiros.

Ao mesmo tempo, como qualquer bom profissional que ralou durante o ano todo – e já enfrentou (e faturou) os movimentados meses de maio, junho e julho -, há de se reservar algumas janelas do calendário para o próprio descanso, que em geral acontece ao longo do mês de agosto.

Aí que surge o conflito. Há quem, racionalmente, com números e fórmulas, irá argumentar que é preciso se manter aberto o maior tempo possível na alta. Talvez até aumentar o horário de funcionamento e contratar temporários para maximizar os lucros da temporada.

Fui almoçar e…

No outro lado da argumentação, além do cansaço acumulado por tocar uma operação em ritmo frenético nestes cerca de quatro meses, trabalhar até o fim do verão significa ter para as férias pessoais o outono (que é lindo, mas…), um período menos convidativo, de dias cada vez mais curtos e temperaturas cada vez mais baixas.

Confesso que não foi fácil entender de cara essa opção pelas férias. Mas, pessoalmente, eu respeito muito essa escolha. Fechar seu estabelecimento no meio da alta temporada é tanto um reconhecimento aos funcionários que deram duro nos meses anteriores, quanto um recado a todos de que ali há pessoas que priorizam conforto e bem-estar ao invés de dinheiro.

Dei como exemplo bares e restaurantes, mas isso acontece de uma forma meio que geral pelos mais variados tipos de serviços. Fecham-se papelarias, drogarias e floriculturas (como a da foto). É difícil encontrar dentistas ou advogados atendendo, por exemplo.

Enfim, pode ser bem frustrante dar de cara com a porta fechada e um recado comunicando a data de retorno, mas eu não vou julgar aquele que só quer tirar um tempo para descansar e estar com os seus.

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Não seja um turista inconveniente

A frequentemente assediada estátua do trabalhador em Bratislava, Eslováquia

Eu nasci e cresci em São Paulo, uma cidade que não vive necessariamente do Turismo, passei uma temporada em Dublin, que também não é dos destinos europeus mais badalados, mas foram nesses meses aqui no Porto que eu tive contato mais próximo com um local que vive intensamente a indústria de viagens. Neste verão o Porto foi tomado por turistas de um jeito que os locais nunca haviam visto. Os números mais tarde vão dizer se recordes foram batidos, mas a sensação é de que, de fato, a cidade estava mais cheia do que nunca.

Ótimo para a economia e para aqueles que vivem do Turismo, nem tão bom assim para quem vive alheio a essa universo. Pela primeira vez como morador de uma cidade-destino, eu tive que driblar turistas quando eu queria apenas chegar ao mercado; vi ruas amanhecerem sujas diante das noitadas dos estrangeiros; fui paciente para entender que, mesmo longe de casa, as pessoas carregam seus hábitos locais.

Pode soar extremamente prepotente para alguém que mal se instalou numa cidade cheia de turistas, mas resolvi pontuar aqui alguns hábitos comuns que acredito serem facilmente contornáveis – já que eu realmente acredito que há mais falta de atenção do que falta de educação, propriamente.

Com meu pai, sendo inconveniente na hora da folga do rapaz

Cultura
Instintivamente achamos que todos os lugares funcionam tal qual sua própria cidade. Aqui se atravessa a rua na faixa? O semáforo é respeitado? Tem fila para entrar no ônibus? Parece óbvio, mas em cada lugar as coisas são de um jeito. Um dos meus exercícios prediletos quando sou turista é a observação. Paro, olho, analiso, pergunto e, por falta de termo melhor, copio os locais – mesmo (ou principalmente) nas coisas mais simples. Ganha a cidade, já que a compreensão diminui a possibilidade de atritos, e ganha o turista, que tem a chance de experimentar uma forma de viver que não seria tão óbvia em um primeiro momento.

Cotidiano
Turista é um ser meio perdido por excelência e disso não vou reclamar jamais, faz parte do negócio. Tem vezes que é preciso mesmo parar a caminhada para checar o mapa ou uma sinalização, mas não custa nada dar uma olhada ao seu redor antes de fazer isso. Não é raro ver gente parando ao pé de escadas rolantes, na porta do metrô/trem ou na beira de uma via, atrapalhando um fluxo de pessoas que têm n outros motivos para estar ali.

Serviços
Suas férias são sagradas, claro que são. Quem lhe serve, seja em um hotel, restaurante ou atração, trabalha justamente para que este seja um momento livre de preocupações. Mesmo assim, má experiências acontecem, humanos são passíveis de erro. Dito isso, acredito que descontar frustrações em funcionários é uma forma muito injusta de lidar com seus problemas. Exija o retorno por um serviço que contratou, evidentemente, mas seja razoável quando suas expectativas não forem alcançadas.

Inconveniente em Sintra, Portugal

Conservação
Por mais que viva do Turismo, um destino também é a casa de quem ali mora. Às vezes tenho a impressão de que alguns (poucos) turistas enxergam essas cidades de forma descartável. Que elas estão lá para seu próprio usufruto, independentemente dos moradores ou dos que venham a visitar no futuro. Para mim parece razoável esperar que convidados cuidem da casa do anfitrião tão bem (ou melhor) quanto cuidam da sua própria casa.

Apesar de incomodar, certamente esses pontos não são os piores reflexos do Turismo em massa em uma sociedade. É extensa e muito mais profunda a discussão sobre o Overtourism (Turismo em excesso) e a sua consequência direta, a Turismofobia. Para quem quer ler mais sobre o tema, a amiga e repórter da Panrotas, Karina Cedeño, publicou recentemente uma série de reportagens analisando o fenômeno. Nela, a repórter traça um panorama geral do Turismo em grande escala, abordando a discussão sob o olhar de grandes destinos, da indústria de cruzeiros, de órgãos governamentais e dos profissionais do mercado.

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Os 14 patrimônios culturais da Unesco em Portugal

Os patrimônios naturais e culturais da Unesco nasceram para atestar a importância e a relevância de determinados locais e, sobretudo, para garantir sua longevidade por meio de ações de conservação. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura colocou em prática essa ideia na década de 1970 e, desde então, mais de mil áreas, em 167 países, entraram na lista.

Além do evidente ganho em preservação, entrar no grupo da Unesco também faz com que essas regiões façam uso de uma vitrine capaz, por si só, de alavancar o Turismo e atrair um público que até então desconhecia certos destinos. A cidade de Elvas é um exemplo. Listada em 2012 por hospedar uma fortaleza do século 17, em pouco mais de cinco anos a região viu o fluxo turístico local crescer 300%.

Espalhados por todos os continentes, a maior concentração de patrimônios está na Europa. Aqui em Portugal não é difícil topar com a plaquinha que identifica áreas tombadas como patrimônio pela Unesco. Por ter cruzado com algumas nos últimos meses, resolvi listar todas as 14 áreas identificadas pela entidade no país. Confira a lista abaixo (entre parênteses, o ano em que as regiões foram tombadas pela Unesco):

(Turismo Açores)

Angra do Heroísmo (1983)
No distante arquipélago dos Açores, região autônoma portuguesa no meio do Oceano Atlântico, está a cidade de Angra do Heroísmo. Parada estratégica durante as expedições ultramarinas, a cidade se desenvolveu desde o século 16. A importância de seu centro histórico e das fortificações militares fizeram de Angra do Heroísmo uma das primeiras cidades portuguesas a integrar a lista da Unesco.

(Flickr/Oscar Cuadrado Martinez)

Convento de Cristo, Tomar (1983)
O complexo do Convento de Cristo, em Tomar, é um dos maiores exemplares de construção religiosa da Europa. Com obras entre os séculos 12 e 18, o convento reúne elementos arquitetônicos românicos, góticos, manuelinos, renascentistas, maneiristas e barrocos. Um dos destaques da construção é a charola, inicialmente um oratório privativo, com o tempo o espaço se tornou a capela-mor do Convento de Cristo.

(Flickr/Pedro Caetano)

Mosteiro da Batalha (1983)
Em 1385 a Batalha de Aljubarrota definiu a vitória definitiva dos portugueses sobre os castelhanos. Para celebrar o feito e em agradecimento à Virgem Maria, o vitorioso rei D. João I mandou construir o Mosteiro da Batalha – que só foi finalizado quase dois séculos depois. A marcante presença do estilo manuelino, com traços do gótico final europeu, é a credencial para que o Mosteiro figure na lista da Unesco.

(Visit Lisboa)

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém (1983)
Talvez o Patrimônio Cultural mais visitado pelos brasileiros em Portugal, o Complexo de Belém se divide entre a Torre, nas margens do Tejo, e o Mosteiro dos Jerónimos. Ambos datados do século 16, as edificações construídas na dinastia de Avis são uma mostra do poder de Portugal durante a Era das Descobertas: a Torre, pelo caráter defensivo; os Jerónimos, pela pomposidade da construção.

(Flickr/François Philipp)

Centro Histórico de Évora (1986)
Évora, no Alentejo, já foi a segunda cidade mais importante de Portugal. Era o século 15 e os reis desses tempos costumavam passar períodos na região, motivo pelo qual a cidade ganhou construções históricas como os conventos de Santa Clara e dos Lóios ou o Palácio de D. Manuel. Uma cidade-museu, Évora também guarda memórias de um passado longínquo, da presença dos Mouros (rua da Mouraria) e dos romanos (Templo Romano), por exemplo.

(Flickr/Angel de los Rios)

Mosteiro de Alcobaça (1989)
Em 1153 foi fundada a Abadia de Santa Maria de Alcobaça, que 20 anos mais tarde iniciou as construções de seu mosteiro. Por muito tempo a cidade no Centro de Portugal foi uma das poucas no país a hospedar um templo de arquitetura genuinamente gótica. Ficam lá os túmulos de D. Pedro I e Inês de Castro, amor proibido retratado por Camões nas páginas de Os Lusíadas.

(Visit Lisboa)

Sintra (1995)
Refúgio da aristocracia portuguesa e de ricos estrangeiros no século 19, Sintra se desenvolveu como um dos centros da arquitetura romântica na Europa. Lá estão obras tocadas pela realeza lusitana, como o Palácio Nacional de Sintra e o Palácio Nacional da Pena, mas também construções de moradores abastados, como o Palácio de Monserrate e a Quinta da Regaleira. A singularidade e a conservação dos palácios foram alguns dos motivos para que a cidade entrasse na lista da Unesco.

Centro Histórico do Porto (1996)
A Ribeira, a Ponte Luís I e o Mosteiro da Serra do Pilar compõem, juntos, o famoso cenário das tantas fotografias tiradas pelos turistas que visitam o Porto. O coração da segunda maior cidade de Portugal é tombado pela Unesco por ser a representação física, com seus prédios e construções históricas, do desenvolvimento ocasionado pela herança comercial da região.

(Flickr/Nmmacedo)

Vale do Côa e Siega Verde (1998, 2010)
Único parque arqueológico na lista portuguesa, o Vale do Côa (listado pela Unesco em 1998) e a jazida de Siega Verde (2010) ficam localizados no Norte de Portugal, próximos da fronteira leste com a Espanha. Representante do passado pré-histórico da região, foram encontrados no vale gravuras em pedra datadas do Paleolítico Superior (22 mil a 10 mil anos a.C.).

Alto Douro (2001)
Apesar do nome, a produção do vinho do Porto nunca foi feita nesta cidade. As uvas são cultivadas e o vinho processado a mais de 100 quilômetros dali, no vale do rio Douro, ou Alto Douro. As montanhas talhadas por quase dois mil anos de produção vinícola criam um cenário único, assim como é única no mundo a produção do vinho fortificado da região.

(Guimarães Turismo)

Centro Histórico de Guimarães (2001)
“Portugal nasceu aqui” é uma frase comumente ouvida em Guimarães. Não é exagero dizer que a identidade e a língua portuguesa nasceram na cidade do Norte, primeira capital do país, no século 12. O bem conservado centro histórico de Guimarães, com edificações originais que datam desde o século 10, mostra a relevância que a cidade teve em diferentes momentos da história portuguesa.

(Turismo Açores/M Rocha)

Ilha do Pico (2004)
O português é alguém intimamente ligado ao vinho. Para onde fosse o levaria e a Ilha do Pico, segunda maior do arquipélago dos Açores, é prova disso. Lá a cultura foi implementada desde o século 15 e existe até hoje. As características únicas das vinhas centenárias, que exigiam cuidados específicos como a proteção contra a água do mar, colocaram a cidade na lista da Unesco.

(Flickr/Oscar Cuadrado Martinez)

Fortaleza de Elvas (2012)
Diante de séculos de invasões mouras e muçulmanas, a estratégica cidade de Elvas, no interior de Portugal, foi ganhando importância militar com as Guerras de Reconquista. A necessidade de se defender foi traduzida na construção da maior fortificação em estrela da Europa. O complexo, que contém castelo, praça-forte, fortes, aqueduto e muralhas, é exemplar único de seu tipo no continente.

(Turismo do Centro)

Universidade de Coimbra (2013)
Os mais de 700 anos de história fazem da Universidade de Coimbra uma das mais antigas instituições de ensino superior europeias ainda em operação. Além da importância histórica e a relevância atual (são 25 mil estudantes), o complexo possui construções notáveis, como o Paço das Escolas, a Biblioteca Joanina e o Jardim Botânico.

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Minha visão de Toy Story Land, em Disney’s Hollywood Studios

Toy Story Land, em Orlando

Quem acompanha o Portal PANROTAS viu que o Walt Disney World Resort, em Orlando, inaugurou recentemente, no parque Hollywood Studios, uma expansão com temática exclusiva ao universo da franquia Toy Story. Eu estive por lá nessa cobertura, que rendeu a capa da edição #1328, falando de questões operacionais, dando dicas e mostrando detalhes da área. Achei válido também reservar um espaço aqui no blog para minhas percepções pessoais de Toy Story Land.

Toy Story é algo muito caro a mim e quem me conhece há algum tempo sabe disso. Aos cinco anos me colocaram na frente de uma televisão para assistir ao VHS do primeiro Toy Story: fascínio imediato, obviamente. Em 1999, veio uma sequência que deu prosseguimento à adoração ao filme, mas que não era tão boa quanto a estreia, é preciso pontuar. Dez anos mais tarde, a consagração surgiu com a terceira produção – que tirou lágrimas do jovem Renato na poltrona do cinema.

Na inauguração, muito sol, suor e papel picado colado na testa

Talvez eu seja o perfil exato do espectador que a Disney buscava ao lançar a franquia. Se não isso, pelo menos faço parte da geração que cresceu vivendo os personagens e se vendo na figura de Andy, o garotinho dono dos bonecos que ganham vida. Dos cinco aos 20 anos, idade que eu tinha entre primeiro e último filmes, e agora com 28, Toy Story se manteve relevante mesmo sendo mais ou menos presente.

Para criar algo tão grandioso quanto uma área de parque temático, é preciso de um diálogo muito profundo e sincero com as pessoas que irão passar pelo local. A Disney sabe, como ninguém no mundo, disso. Toy Story Land é feita para mim, o cara que hoje beira os 30 e viu o filme nascer. Toy Story Land é feita para meu priminho, que tem três anos e é fascinado por Woody e Buzz. Toy Story Land é feita para avós, como a minha, que vai se deliciar pela área vendo neto e bisneto, 25 anos de diferença, curtindo o parque como iguais.

Cada visitante terá seus motivos para gostar do espaço, seja pelas novas atrações, seja pelos minuciosos detalhes, seja pela interação com os personagens. Tudo isso é muito válido para mim, acreditem, mas há aqui uma questão resolvida que é minha parte favorita nessa inauguração. Explico.

Em 2016 estive em Hollywood Studios, também pela PANROTAS, e confesso ter me frustrado um pouco com o que (não) vi relacionado a Toy Story. Pô, eu gosto da franquia, eu queria enxergar os filmes no parque, entrar numa loja enorme cheia de bugiganga, ver bonecos gigantescos dos personagens.

Com Toy Story Land eu me senti “ouvido”. Vi a franquia ser prioridade do grupo, receber investimento e surgir como o grande produto do parque neste verão. Isso me foi suficiente – além do que estão lá o filme, as bugigangas e os bonecos enormes.

Slinky Dog Dash

Em imagens

Um episódio rápido dessa minha primeira experiência em lançamentos da Disney. Os caras são muito organizados, é incrível. Tudo está ali para que você possa fazer o seu trabalho da melhor forma possível. Por exemplo, equipes de filmagem que te auxiliam durante entrevistas e em gravações nas atrações.

O resultado pode ser visto no vídeo abaixo, da PANROTAS, que apresenta Toy Story Land. Além de mostrar detalhes da área, acompanhados de entrevista com a querida Paula Hall, relações públicas da Disney, também tem o jornalista em questão passando vergonha, sentado no carrinho da montanha-russa, tal qual gente famosa se divertindo em gravação para o Domingo Legal.

 

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Os termômetros chegaram a 40 graus na Europa

Praia de Matosinhos, em Portugal (Flickr/alopzm)

Quem não lembra das notícias sobre a série de altas temperaturas que dominou o verão europeu no ano passado? Em 2017, Portugal sofreu muito com o calor, seja no desconforto para a população (e visitantes), seja nos devastadores incêndios em áreas florestais. O que parecia ser ato isolado, “temperaturas mais altas dos últimos anos” ou acidente de percurso, ganhou uma incômoda sequência neste 2018.

Essa introdução toda para dizer que está um calor quase que insuportável por aqui. A onda chegou de vez na Europa e, em um primeiro momento, mostra que será tão extrema quanto a anterior. Aqui no norte de Portugal a situação é até mais “amena”, com termômetros chegando aos 35 graus, mas não indo além disso.

Temperaturas em Portugal nesta sexta-feira, 3 (Reprodução/O Tempo.pt)

Mais ao sul do país a situação piora. A máxima de hoje para Lisboa é de surreais 42 graus, com a manutenção das temperaturas acima dos 40 graus por todo o final de semana. Nas regiões vizinhas de Ribatejo, Alto Alentejo e Baixo Alentejo, os termômetros podem marcar até 43 graus!

O mesmo acontece na Espanha, com altas por todo o país. O Norte, assim como em Portugal, está um pouco menos severo. Em Zaragoza, por exemplo, termômetros marcam 38 graus. Na região central, a capital Madri enfrenta 41 graus, enquanto que no sul, de Sevilha, as temperaturas estão em 42 graus.

Todo o noticiário local tem focado nas temperaturas extremas, divulgando focos de incêndios controlados (ou não) ou repetindo os alertas de segurança passados pelas autoridades. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) declarou que o país está e irá se manter pelos próximos dias em alerta vermelho, o mais grave da escala.

Além dos possíveis focos de incêndio, a preocupação do órgão é com o risco elevado de exposição à radiação ultravioleta (UV). Por isso, a recomendação é de que a população utilize óculos de sol, chapéu, camisetas, guarda-sol e protetor solar.

Se você está a caminho da Europa, principalmente Portugal e Espanha, se prepare. A massa de ar seco e quente proveniente do Norte da África, razão pela qual as temperaturas estão tão extremas, deve se manter pelo continente por mais alguns dias. Se proteja do calor, bebam muita água, procure atividades internas (como museus) e deixe para caminhar a céu aberto quando o sol estiver mais baixo (por volta das 20h/21h).

Para aqueles que viajam por esses países de carro, não deixem de checar o portal fogos.pt. O site mostra em tempo real a situação em áreas de risco de incêndio, que podem fechar estradas ou ameaçar regiões povoadas.

Caso esteja pela região, deixe nos comentários os seus relatos de como têm enfrentado esse calor. Acompanhe a jornada do Viajante 3.0 pela blogosfera da PANROTAS e também pela conta no Instagram.

10 Festas Populares para conhecer melhor Portugal (parte II)

Como prometido, aqui está a segunda parte da lista de festas populares portuguesas que eu criei para o Viajante 3.0. No primeiro post, que você pode acessar neste link, apresentei celebrações como o São João (Porto), Sebastianas (Freamunde), Feiras Novas (Ponte de Lima), Festa dos Tabuleiros (Tomar) e Festa dos Remédios (Lamego).

Em homenagem a entidades religiosas diversas, essas comemorações têm entre si pelo menos uma coisa em comum: todas representam a data (ou uma das datas) mais importantes para estes locais. Participar de festas populares em Portugal significa estar presente no melhor dia do ano para uma grande parte da população, seja pelo viés religioso, seja pelo profano.

Abaixo apresento cinco outras celebrações que completam essa lista, escolhidas a dedo para que o leitor possa se programar e conhecer a fundo a mais autêntica experiência portuguesa.

Os desfiles na Av Liberdade são um dos pontos altos da festa de Santo António (Facebook/Visit Lisboa)

Santo António (Lisboa)

Junho é sinônimo de festa em Lisboa e a capital portuguesa não poderia ficar de fora. Santo António é o homenageado e as comemorações se espalham pelos cantos da cidade do primeiro ao último dia do mês. Em 12 de junho, no entanto, é quando a cidade realmente para em nome do santo.

A Avenida da Liberdade vira passarela para o desfile das marchas populares, cada uma representando uma área da capital. Todos coloridos, bairros tradicionais se enfeitam com luzes, guirlandas e balões, seja na Alfama, em Bairro Alto, Ajuda, Graça ou Mouraria.

Nestes locais, aliás, palcos são montados para a realização dos divertidíssimos arraiais e bailaricos – todos regados a muita cerveja e, é claro, acompanhado de sardinhas na brasa. A parte religiosa novamente está presente, com procissões nas cercanias da Sé no dia seguinte (13).

Jovens reunidos durante o Pinheiro, uma das etapas das Nicolinas (Divulgação/Município de Guimarães)

Nicolinas (Guimarães)

Fugindo ao padrão das comemorações que se aglomeram no verão europeu, as Nicolinas são festas estudantis realizadas entre 29 de novembro e 7 de dezembro, em Guimarães. Como o nome indica, o homenageado da vez é São Nicolau de Mira, padroeiro dos estudantes.

Os nove dias de festa são divididos por temas e formas de celebrar diferentes: Pinheiro e Ceias Nicolinas; Novenas; Posses e Magusto; Pregão; Maçãzinhas; Danças de São Nicolau; Baile Nicolino; e Roubalheira.

Destas, destaco três datas. O Pinheiro, dia em que os estudantes saem para jantar e no fim da noite entoam cânticos pelas ruas de Guimarães. A roubalheira, madrugada em que estudantes vão às ruas para zombar comércios, trocando placas de lugar ou tomando pertences esquecidos ao léu. E as Maçãzinhas, quando estudantes mulheres se postam em janelas e varandas para ouvir as serenatas românticas e ganhar pequenas maçãs de seus pares.

Os assustadores Caretos das Festas dos Rapazes (Flickr/Visit Porto and North/Associação Grupo de Caretos de Podence)

Festas dos Rapazes (Trás-os-Montes)

Os últimos dias do ano em Trás-os-Montes são reservados para um importante rito local. Entre Natal e Dia de Reis, os jovens da região do extremo nordeste de Portugal se vestem de forma peculiar (e, de certa forma, assustadora) para marcar a passagem para a vida adulta.

Originalmente pagã, celebrada no solstício de inverno, a festa secular foi apropriada pela igreja e hoje homenageia Santo Estevão. Nela, os garotos da cidade se vestem de Caretos, personagem que assusta os presentes com sua máscara rudimentar e roupas coloridas em verde, vermelho e amarelo.

Para marcar o momento, os rapazes vão às ruas para brincar, provocar e assustar os presentes. Muito celebrada no distrito de Bragança, a festa está espalhada por toda região de Trás-os-Montes. Por isso, vale pesquisar pequenas cidades da área e suas respectivas datas de desfiles.

De cima de carros, pétalas são atiradas no público durante a divertida Batalha das Flores, na Festa das Cruzes (Flickr/Município de Barcelos)

Festa das Cruzes (Barcelos)

Se não há santo a ser celebrado, não tem problema. Em Portugal, dá-se um jeito para comemorar. Em Barcelos, a misteriosa aparição de uma cruz negra no campo, em 1504, foi motivo para a criação de um mito que alcançou devoção e, posteriormente, ganhou sua própria festa.

A Festa das Cruzes é a “mais famosa e mais conhecida das festas minhotas” (da região do Minho), como se gabam os locais. As datas de início e término das comemorações variam de ano a ano, mas em 2018, nos primeiros minutos de 25 de abril (data que tem grande valor simbólico para Portugal), uma Salva de Morteiros marcou o início das festividades.

A programação dura até 6 de maio, cheia de cerimônias oficiais e religiosas, com missas e a Grandiosa Procissão da Invenção da Santa Cruz. O templo do Senhor das Cruzes, com seus tapetes de pétalas naturais, é visita indispensável.  Também são realizados concertos, espetáculos, arraiais e, claro, shows pirotécnicos.

A imagem da Mãe Soberana, durante procissão da Festa Grande (Divulgação/Munícipio de Loulé)

Mãe Soberana (Loulé)

Tratada por Mãe Soberana durante sua comemoração anual, a festa em homenagem a Nossa Senhora da Piedade é “a maior manifestação religiosa a Sul de Fátima”. O concelho de Loulé, no Algarve, hospeda o santuário que recebe romeiros de todo o Portugal para a celebração, que acontece no domingo de Páscoa.

Como na criação de expectativa para um ápice final, a Mãe Soberana se divide entre a Festa Pequena e a Festa Grande. De início, nesta primeira parte, a imagem da Nossa Senhora desce de seu posto no santuário, participa de uma marcha com a Filarmónica de Minerva e ruma então para a Igreja de São Francisco – onde, por 15 dias, é acompanhada de novenas e sermões.

Após essa quinzena, chega o dia da Festa Grande. Uma missa é celebrada pelo Bispo do Algarve, em Faro, e assim a imagem está pronta para retornar à casa, em nova procissão que termina com a subida da Nossa Senhora a seu posto no santuário.

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