Undertourism e o Brasil

Boi Garantido, do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas (MinC/LiadePaula)

Enquanto o Turismo no Brasil ainda engatinha para atrair viajantes internacionais, destinos consagrados ao redor do mundo sofrem com o Overtourism. Barcelona e Veneza são exemplos de locais em que a própria população decidiu usar sua voz contra a exagerada exploração do potencial turístico das cidades. A percepção de que o Turismo em excesso degrada é hoje aceita em diversos segmentos da indústria de viagens, mas é uma realidade que, por ora, aflige talvez apenas uma centena de destinos.

Ao mesmo tempo em que há quem torça o nariz para hordas de turistas, há aqueles lugares que dariam tudo para entrar nas vitrines de grandes mercados emissores – e é aí que entra a realidade brasileira. Ganha força no debate internacional a importância de analisar novos destinos sob a ótica do Undertourism. O termo é novo, mas deve ser repetido cada vez mais nos próximos anos.

Indicado pela Skift como uma das grandes tendências do Turismo em 2019, o Undertourism é um movimento duplo em que, de um lado, há cidades querendo se posicionar como destinos alternativos ao congestionado e estafante turismo dos grandes centros, e, na outra ponta, um mercado cada vez maior de viajantes que valorizam a tranquilidade e a autenticidade de um local que ainda não foi atacado pelo modus operandi da indústria turística tradicional.

Sob o olhar internacional, o Brasil é um grande pólo de Undertourism a ser explorado. Exceto alguns destinos que já possuem uma marca própria no imaginário estrangeiro, há toda uma extensa lista de locais que se encaixam no que deseja essa demanda reprimida. Aliás, a começar pelo próprio mercado doméstico, ainda muito pouco desenvolvido considerando todo o potencial do País.

O viajante que é tocado pelo Undertourism quer mais do que ser somente um pioneiro dentro do seu círculo social. O ímpeto inicial vai além de encontrar o próximo “destino-hit” e se concentra mais na qualidade do Turismo promovido. Numa visão mais romantizada, a busca tende a focar na autenticidade do contato com a comunidade local e na experiência de consumir produtos e serviços da região visitada. A ideia é criar laços com um destino e, ao fim, deixá-lo como foi encontrado na chegada.

Apesar de ser uma tendência crescente, alcançar esse viajante em potencial não é um trabalho meramente orgânico. Discurso batido no País em que o curto prazo é regra, há de se investir hoje para colher os frutos num futuro não imediato. Desenvolver o Turismo onde ele inexiste (ou quase inexiste), vai além do Marketing. A promoção e divulgação de um destino é peça-chave, não há como negar, mas não é a única. Abrir caminho para o desenvolvimento de novos mercados turísticos envolve investimento em infraestrutura, preservação cultural e projeção da economia local. Um trabalho de base que, se realizado a contento, poderá encontrar seu público tanto dentro quanto fora do Brasil.

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Terra de castelos

A bandeira de Portugal no sempre lotado Castelo de São Jorge, em Lisboa

Castelos costumam gerar um curioso (e compreensível) fascínio nas pessoas, seja pela beleza estética ou pela importância histórica que alguns deles possuem. Eu, que gosto muito de história e me animo com essas construções bem preservadas, adoro visitar uma fortificação ou palácio toda vez que passeio por um novo local – especialmente aqui na Europa, terra tomada por castelos.

Eu já defendi neste blog em outros momentos o Turismo em Portugal por meio de suas estradas. Há alguns meses dei sugestões de roteiros saindo do Porto e, mais recentemente, falei das Aldeias de Xisto no centro do país. Destinos que valem uma visita estão espalhados por todas as regiões e, nesse post, quero demonstrar isso usando a meu favor os castelos de Portugal.

Fragmento da Muralha Fernadina, no Porto

Segundo o Wikipedia, Portugal possui quase 200 construções entre castelos, palácios, fortificações, torres e muralhas. Em um país com dimensão um pouco menor que a do estado de Pernambuco, fica fácil de imaginar que esses castelos estão postados em tudo que é parte.

Por vezes residência de membros da nobreza, mas sempre uma extensão da atuação do governo em vigor, os castelos tiveram enorme importância ao longo da história de seus países – e, como é possível notar ao analisar o posicionamento dessas construções, também serviram para assegurar territórios e delimitar fronteiras.

No mapa criado por este blog, estão sinalizadas 171 construções históricas que, de alguma forma, ajudaram Portugal a desenhar sua trajetória ao longo dos séculos. Desde o Castelo de Guimarães, um dos bastiões na formação de Portugal como nação, até o Convento de Cristo, em Tomar, morada de templários e exemplo do papel que a igreja católica exerceu ao longo da história lusitana.

O evidente caráter defensivo dessas construções explica a concentração de castelos em regiões de disputa territorial com reinos vizinhos, seja no interior ou no litoral. Ainda assim, essas fortificações estão espalhadas por absolutamente todas as regiões de Portugal, de norte a sul.

Obviamente que há castelos mais interessantes e bem preservados que outros, ou mais importantes historicamente falando. Mas, para um turista em deslocamento entre os principais destinos de Portugal, é praticamente impossível viajar e não cruzar com uma construção de destaque.

A minha sugestão é que, definida a rota de uma viagem rodoviária pelo país, dê uma olhada nas cidades pelas quais você passará. Há grandes chances de que uma peça importante da história de Portugal esteja no seu caminho. Pesquise a história e detalhes como horários de visita e atividades que possam estar acontecendo.

A bela vista do Castelo de Penela para a Serra da Lousã

Fiz isso em uma viagem recente a Coimbra e acabei por conhecer o Castelo de Penela, que junto a outras fortificações teve papel na defesa da região perante as ofensivas mouras no século 12. Em um desvio breve do meu trajeto e uma visita rápida, tive contato com a linda arquitetura medieval do castelo e uma vista incrível da serra da Lousã.

Mas se história e castelos não forem o suficiente para lhe animar, também pesquise a gastronomia local. Aqui eu fiz um mapa com exemplos da confeitaria conventual (parte I e parte II), que também dá uma ideia de quão presentes esses doces estão pelo país.

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Onde tudo começou: o Castelo de Guimarães

Volta ao tempo nas Aldeias do Xisto, em Portugal

Talasnal e a Serra da Lousã, no Centro de Portugal

Muitas palavras em Portugal podem causar estranheza aos ouvidos brasileiros, seja por possuírmos termos diferentes para os mesmos objetos, seja pela divergência de significados. Mas esse não é o caso aqui. Apesar de ser um tanto quanto inusitado, quando você lê no título “Aldeias do Xisto”, sim estou falando das rochas metamórficas. Literal que é, o português deu tal nome a esse tipo de vilarejo porque ele é construído absolutamente inteiro utilizando as rochas que são conhecidas pelo tom acastanhado.

Espalhadas pelo Centro de Portugal, atualmente 27 aldeias formam a “Rede de Aldeias do Xisto”. Como estão situadas no coração do país, a visita a um desses vilarejos é uma excelente opção para quem viaja de carro entre Lisboa e o Porto (ou vice-versa). Eu cito especificamente viagens de carro porque uma das características das Aldeias do Xisto é que elas estão instaladas em locais inóspitos, afastadas de grandes cidades da região e, não raro, no topo de áreas montanhosas.

Xisto em todos os detalhes

Antes de comentar a experiência de visitar uma Aldeia do Xisto, uma breve explicação do que são exatamente essas vilas. Eu começaria escrevendo “Em meados do século…”, mas não se sabe bem desde quando comunidades vivem nos locais que hoje conhecemos como Aldeias do Xisto. É sabido que romanos, bárbaros e árabes por lá estiveram e, dada a presença de gravuras rupestres (como na região de Zêzere), é possível aferir que haviam moradores até mesmo antes disso. O que é certo é que as Aldeias do Xisto se expandiram ao longo do período medieval, por estarem em meio a rotas comerciais, mas principalmente pela característica agrícola e pastoril das comunidades que ali viviam.

A abundância de xisto na região moldou a arquitetura das vilas, com rochas compondo os passeios, as escadas, os pátios e, obviamente, as grossas paredes que dão corpo às Aldeias. O projeto que sustenta a Rede de Aldeias do Xisto destaca a presença humana como o grande monumento desses vilarejos, “um elemento simbioticamente ligado ao território que o envolve e à comunidade que o sustenta”.

Tal presença, aliás, segue por lá. Apesar do abandono no meio do último século, atualmente as Aldeias do Xisto presenciam um movimento de retomada, com habitações passando por reformas e novos moradores escolhendo a rotina quase que monástica desses locais – para quem busca exatamente esse sossego, uma busca dessas regiões no Airbnb lista diversas opções de hospedagem em casas autênticas de xisto.

A manutenção do vilarejo é bem supervisionada

Aqui entra o relato da minha visita a uma Aldeia do Xisto. A escolhida foi a graciosa Talasnal, em meio a Serra da Lousã, mas falar somente do vilarejo é perder um tanto da experiência. Tudo começa muito antes de chegar a Talasnal, mais precisamente quando da entrada na estrada que leva até ela (estou sendo bem generoso chamando a via de estrada). Por cerca de 30 minutos, um caminho de duas mãos, com espaço para um veículo por vez, em subidas e descidas e extremamente sinuoso. Ao mesmo tempo, cenários incríveis que mesclam mata fechada com pinheiros altíssimos e encostas abertas com vista para as montanhas que abraçam a região. O que eu via desde a estrada já era muito exótico e bonito, e era uma introdução para o que estava por vir.

Ao chegar em Talasnal, a sensação é de volta no tempo. O cenário homogêneo e monocromático, de um repetido tom castanho-acinzentado, me engole conforme vou acessando as ruelas, uma mais estreita que a outra. A Aldeia vive, tem um comércio à disposição dos turistas (alguns que fazem a pé a trilha de 6 km que fiz de carro) e até senhores trabalhando em um tipo de reforma evidenciam isso. Cruza-se portas tapadas por trepadeiras, casas que há muito foram abandonadas. E da solidez do xisto que me cerca por todos os lados surge uma espécie de limite da Aldeia. As casas e ruelas que se amontoavam param em um pátio e dele se vê a vastidão de montanhas à frente de Talasnal.

Aldeias do Xisto se consolidaram durante o período medieval

Dos pés da Aldeia, com vista livre, é que se tem noção de quão afastada do resto do mundo está a comunidade. É desse mesmo ponto também que eu compreendo o resultado de tantas ruelas e tantas paredes levantadas em xisto. Não é preciso se afastar muito para conseguir visualizar Talasnal em sua totalidade (e exuberância), postada no alto da Serra da Lousã, com vista privilegiada daqueles que lá embaixo vivem uma outra realidade (ou que vivem em outro tempo).

Apesar do valor histórico, as Aldeias do Xisto não são museus, parques ou coisa parecida. São vilarejos reais e, por isso, não se cobra entrada para visitá-los. O site da Rede de Aldeias do Xisto reúne sugestões de rotas de visita e até trilhas para aqueles mais ativos. Além da Serra da Lousã, as Aldeias também estão espalhadas pelas regiões de Serra do Açor, Zêzere e Tejo-Ocreza, sempre na macrorregião de Centro de Portugal.

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Geolocalização, a nova vilã do Turismo

Horseshoe Bend, no Arizona, cenário que viralizou nas redes sociais e trouxe efeitos para o mundo real (Flickr/dawgfanjeff)

Imagens e relatos são por essência grandes promotores do Turismo. Quem nunca definiu as próximas férias diante da experiência de um familiar ou amigo? Há quase uma década, essa perspectiva se expandiu ao migrar para as redes sociais, que têm gerado tal efeito inspiracional com maestria. Grande objetivo dos marqueteiros, que investem um bocado em influenciadores do mundo digital, a onda quase que instantânea de turistas pode ter efeitos alarmantes em alguns tipos de destinos – especialmente naqueles que envolvem natureza.

Mundo afora especialistas parecem ter encontrado uma vilã: a geolocalização em redes sociais. Em pouco mais de oito anos de existência, o Instagram foi capaz de colocar no mapa de destinos em alta alguns lugares que, até então, eram relíquias apenas exploradas por um punhado de viajantes locais. De acordo com dados da agência Omnicore, postagens geolocalizadas têm 79% mais engajamento do que as imagens sem tagueamento – de uma base que, hoje, chega aos 500 milhões de usuários ativos por dia.

Em um primeiro momento, não é de todo mal reunir um catálogo de imagens variadas em um só lugar, como é o caso da seção de geolocalização do Instagram, por exemplo. Ela de fato tem o poder de apresentar um novo local a potenciais visitantes e isso gera uma valiosa exposição que, consequentemente, retorna com mais turistas e o crescimento econômico que muitos destinos buscam. O problema surge, de acordo com alguns órgãos turísticos “reféns” do tagueamento virtual, quando paisagens específicas viralizam.

Turistas em visita a Horseshoe Bend, no Arizona (Flickr/Simon Walhalla)

Alguns casos são famosos ao redor do mundo e mostram, na prática, como as redes sociais têm o poder de influenciar os viajantes em suas escolhas e as consequências disso. Nos Estados Unidos, na divisa entre os estados do Arizona e Utah, uma vista curiosa do curso do rio Colorado se popularizou entre fotógrafos e viajantes profissionais. O Horseshoe Bend, pelo formato de ferradura que o rio tem neste ponto, viu em pouco tempo o número de visitantes por ano saltar de alguns milhares para mais de um milhão e meio no ano passado. Como se pode imaginar, o novo volume demandou intervenções estruturais, como a criação de um estacionamento, e aumentou a preocupação das autoridades com a preservação do parque naquele local.

Uma solução para os efeitos nocivos da geolocalização é o uso de tags mais genéricas. Ao invés de estampar lugares exatos, a sugestão é localizar a reserva, a cidade ou a região em questão. No final do ano passado, o bureau turístico de Jackson Hole, em Wyoming, iniciou uma campanha de conscientização sobre o tema, batizada de Tag Locations Responsibly (“tagueie lugares com responsabilidade”).

“Infelizmente, toda vez que alguém tagueia com a localização precisa uma foto incrível de natureza, é atraído um tráfego em excesso que é prejudicial ao nosso ambiente. Como entusiastas da conservação, nós pedimos que você compartilhe suas fotos utilizando uma tag genérica”, propõe o Visit Jackson Hole, que como parte da campanha criou no Instagram a localização “Tag Responsibly, Keep Jackson Hole Wild”.

As tags genéricas em prol da preservação de biomas sensíveis é uma tentativa de barrar a depredação que comumente acompanha o fluxo massivo de turistas a um determinado local. Apesar de ainda não estar claro se evitar a exatidão geográfica tem resultados práticos, não custa nada abrir mão de uma tag específica na próxima postagem em área preservada.

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12 milhões de passageiros: Porto bate recorde em 2018

Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto (Divulgação/ANA Vinci)

Os terminais do aeroporto do Porto movimentaram 11,94 milhões de pessoas em 2018. O número é recorde histórico para a segunda maior cidade de Portugal e é um dos indícios de que a Cidade Invicta viveu no ano passado sua temporada mais movimentada de todos os tempos (ou “de sempre” como costumam dizer os portugueses).

Durante todo o último verão estive no Porto e, como relatei aqui em alguns posts, era claro que a cidade estava bombando de gringos. Amigos locais ou que moram lá há muito tempo eram enfáticos ao dizer que nunca haviam visto o Porto cheio daquele jeito.

Números absolutos do Turismo da cidade ainda não foram divulgados, mas com esses dados publicados pela ANA/Vinci, gestora dos aeroportos portugueses, a expectativa de recorde é alta. De 2017 para 2018 foram registrados 1,15 milhões de passageiros a mais no aeroporto.

A alta no número de viajantes é a maior entre aeroportos portugueses, com 10,7% no comparativo ano a ano. Também é o crescimento mais forte de movimentações (aterrissagens e decolagens) no país, em 7,9%, ou 92 mil operações no ano.

A escala e a realidade não são as mesmas, mas acho válido o comparativo com o cenário do Brasil. Se fosse um aeroporto brasileiro, o Porto estaria atrás apenas de Guarulhos, Congonhas, Brasília e Galeão. Sua movimentação é maior que a de Confins, Viracopos e Santos Dumont.

O Porto colhe hoje os frutos de ações recentes em prol do Turismo. Dentre elas estão políticas de fomento à indústria de viagens (que englobam, mas não se limitam, à promoção); a abertura para novas abordagens e plataformas que dão corpo à infraestrutura local; e à aposta da iniciativa privada no projeto de desenvolvimento do destino.

Fica evidente que o Porto alcançou o primeiro (e mais difícil) passo da empreitada de uma cidade turística, que é a de ocupar espaço de destaque em vitrines, redes sociais e imaginários mundo afora.

Feito isso, a cidade agora terá que lidar com uma nova demanda por infraestrutura e, localmente, com uma população que nem sempre é afetada positivamente pela chegada de dinheiro estrangeiro. Mas essas são cenas de outros capítulos, outras postagens.

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Em Tomar, a janela mais famosa de Portugal

A Janela do Capítulo, no Convento de Cristo, em Tomar

Não é raro topar com países que possuem uma cidade como Tomar. Um lugar um tanto remoto, um tanto pequeno, mas que por um motivo ou outro tem o seu lugar cravado no imaginário de um povo. No caso de Tomar, essa imagem na cabeça do português muito provavelmente é a de uma janela.

Qualquer um em visita ao país logo percebe que portugueses apreciam uma boa conversa debruçados em batentes. De bairros tradicionais em cidades grandes a minúsculas aldeias, as notícias correm quando as venezianas se abrem. Mas não é de qualquer janela que falo.

Convento de Cristo

Há mais de 500 anos, uma janela em especial foi escolhida para colocar em rocha toda a ostentação que a megalomania de sua era foi capaz de desenvolver. Na fachada ocidental do Convento de Cristo, no ápice do estilo manuelino, está exibida a Janela do Capítulo (ou Janela Manuelina).

Encravados na parede estão temas caros à época, como as navegações e a igreja. É como se a imponente obra descrevesse os passos dos portugueses no período. Aos olhos do espectador, a janela encarna a liderança que Portugal assumia perante o mundo ocidental.

As diversas “fases” do complexo se permeiam

O passeio pelo Convento de Cristo, no entanto, não se resume à Janela do Capítulo. Complexo finalizado apenas no século 18, mais de 600 anos depois de seu início, a Igreja/Fortificação/Castelo retoma diversos momentos da história do país. Nele, períodos da trajetória de Portugal se aglomeram – por vezes fisicamente, com corredores tapando fachadas e escadas estranhamente beirando janelas.

O orgulho de Tomar, cidade de pouco mais de 40 mil habitantes no centro de Portugal, é hospedar esta que foi a sede da Ordem dos Templários, intimamente ligada aos primórdios da nação lusitana e com construção iniciada no século 12. Desde 1983 o local é tombado como Patrimônio Mundial pela Unesco – tema que já foi abordado pelo Viajante 3.0 em outro momento.

A fachada ocidental, com a Janela Manuelina e seus dois contrafortes

A visita ao local é paga, com bilhetes a € 6 – residentes de Portugal têm entrada gratuita em domingos e feriados até as 14h. Há também uma trilha pelos muros do castelo que eu acho indispensável. Além de uma vista espetacular dos entornos de Tomar, há todo um clima medieval que só fortificações com tanto tempo e história são capazes de oferecer. De quebra, para quem estiver por lá no inverno, dá pra fazer um lanchinho com as laranjas que dão nos jardins do convento.

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Vista da muralha do Convento de Cristo

Pé na estrada novamente

Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos

Esses últimos meses de Brasil passaram rápido e, corrido que foi, acabei deixando o blog meio de lado. As postagens ficaram esparsas, mas como eu havia adiantado anteriormente no texto que apresentou a nova sala VIP da Air France, não deixei de alimentar esse espaço no período.

Volto com este texto para dizer que, mais uma vez, estou em definitivo fora do Brasil. A Europa segue como destino e, por conta disso, o Turismo no continente será tema frequente do blog – porém, não exclusivamente.

Pelas próximas semanas estarei alocado em uma quinta no Centro de Portugal, mais precisamente na província do Ribatejo. Não vou adiantar muito aqui porque pretendo esmiuçar em textos futuros essa experiência no campo.

O importante é dizer que o blog segue vivíssimo e que agora será alimentado mais periodicamente. Os textos anteriores estão aqui no arquivo, não deixem de ler. A jornada do Viajante 3.0 continua pela blogosfera da PANROTAS e também pelo Instagram.

Alta gastronomia voando de econômica? Na Air France é possível

Criação do Maison Lenôtre leva alta gastronomia a bordo da Air France (Divulgação/Air France)

No meu retorno temporário ao Brasil, a volta foi a bordo da Air France, como vocês viram aqui no blog quando relatei minha experiência no novíssimo VIP Lounge da aérea em Charles de Gaulle. Pois bem, se não bastasse todo o conforto que me foi disponibilizado nessa Sala VIP, durante o voo a Air France também tratou de me apresentar a um mundo novo na experiência gastronômica.

Além do tradicional (e gratuito) serviço de catering em voos de longa duração, com refeições completas e amplo menu de bebidas, a Air France disponibiliza a seus passageiros das classes Economy e Premium Economy a opção de realizar um “upgrade” na comida. Essa preciosidade se chama Menus à La Carte e, acreditem, pagar a mais pela comida no avião não é um luxo absurdo. São seis temas diferentes disponíveis para os passageiros Air France.

Opções à la carte estão disponíveis nas classes Economy e Premium Economy (Divulgação/Air France)

Aqui vou citar quais são os menus, com preço indicado, mas mais à frente vou me ater ao cardápio que eu consumi. Há lá o My Fun Menu (€ 13), a opção de hambúrguer e chips; o Le Marché de Jean Imbert (€ 21), assinado pelo popular chef com interpretações de seus pratos; o Une Sélection Lenôtre (€ 28), alta gastronomia francesa assinada por chefs da Maison Lenôtre; o Menu Tradition (€ 18), focado na culinária francesa; o Menu Océan (€ 15), inspirado nos sabores do mar; e o Menu Italia (€ 12), que é meio autodescritivo.

A minha escolha foi o Une Sélection Lenôtre, que é um menu criado por chefs da tradicional casa francesa e que varia de acordo com as estações do ano (disponível somente em voos que saem de Paris). A refeição consistia em fingers de berinjela e creme de parmesão como entrada, seguido de peito de frango com pimento de piquillo e purê de batata no prato principal. Queijo camembert e uvas acompanhavam o menu, que tinha de sobremesa o especialíssimo bolo de chocolate amargo Concerto, uma das assinaturas da Lenôtre.

Serviço de bordo, um dos pontos altos da experiência na Air France (Divulgação/Air France)

Ao escrever sobre a experiência de provar alta culinária a bordo, dois pontos me fazem defender essa escolha. O primeiro trata da refeição em si. Cardápios nas classes econômicas giram em torno de praticidade e da possibilidade de atender o maior número de gostos possível. Em geral, a entrada não dialoga com o prato principal, a sobremesa não brilha os olhos de ninguém.

No caso do Une Sélection Lenôtre, com menu criado de forma uniforme, fica claro por onde os chefs pretendiam me levar. Para mim, a delicadeza e suculência do frango ficaram mais evidentes justamente por conta da acidez da berinjela na entrada. O camembert tinha uma função ao antecipar o chocolate amargo do Concerto, e por aí vai.

O outro ponto é financeiro, já que dentro de um aeroporto você não conseguirá encontrar opções gastronomicamente tão bem trabalhadas como estas, acompanhadas de bebidas, pelos preços praticados pela Air France. O Menu Tradition, por exemplo, oferece culinária francesa por € 18, valor que, nos terminais, dificilmente cobre uma taça de vinho e entrada.

Menu Océan, que custa € 15 nas saídas desde Paris (Divulgação/Air France)

Os Menus à La Carte da companhia devem ser adquiridos de forma on-line. São três os momentos em que o passageiro pode escolher, confirmar e pagar pela refeição: na compra da passagem; entre 90 dias e 24 horas antes do voo (no menu “Suas Reservas”); ou entre 30 horas e 24 horas antes do voo (durante o check-in on-line).

Vale checar no sistema quais cardápios estão disponíveis no trecho do voo em questão. Algumas opções são exclusivas de certas regiões, como o Une Sélection Lenôtre é das saídas internacionais de Paris, ou o Menu Italia, que fica restrito a rotas da América do Norte, África e Ásia.

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Crooked Can, o parque de diversões dos cervejeiros em Orlando

Muitas opções de cervejas, quase sempre assim, no draft

A terra da diversão tem seu próprio parque temático para os adultos bons de copo. Os apreciadores de cervejas artesanais que estiverem de passagem por Orlando, na Flórida, têm uma parada obrigatória no Crooked Can Brewery Company, cervejaria que une a arte da bebida artesanal com uma oferta bem diversa em alimentação.

A meca norte-americana da cerveja artesanal, o estado do Colorado, tem relação direta no nascimento do Crooked Can. De férias pela região, os amigos Jared Czachorowski, Andrew Sheeter e Robert Scott se apaixonaram pela cultura cervejeira do Colorado e decidiram montar sua própria versão na Flórida.

Um mercado com aspecto centenário no centro de Winter Garden, a 20 minutos de carro de Orlando, foi o local escolhido para hospedar o Crooked Can. Na parte cervejeira do estabelecimento, gigantescos tonéis ficam expostos aos visitantes por uma parede de vidro – é possível reservar tours, realizados aos domingos.

Longas mesas são ideais para famílias e amigos

No balcão, torneiras derramam nos copos todo o cardápio da produção local, que em média oferece 12 tipos de cervejas, de claras a escuras, passando por maltadas e até versões cítricas. A Crooked Can tem suas produções fixas, como a Higher Stepper (American IPA) e a Freedom Ride (Stout), mas também oferece edições especiais.

Na minha visita, a escolhida (e deliciosamente aprovada) foi a Ayuh!, uma edição limitada de New England IPA (tipo de cerveja conhecido por mesclar amargor e dulçor com corpo amarelado e turvo). Quanto a preços, as cervejas do local mantêm a média de meio pint (260ml) a US$ 3,50 e pint (470ml) a US$ 6,50.

Um dos conceitos da fundação do Crooked Can é o de proporcionar um ambiente familiar acima de tudo. É nesse sentido que entra em cena o market food local, com opções gastronômicas variadas, de pizza e hambúrgueres a sushi e vegan.

Extensas mesas de madeira, tanto dentro do mercado, quanto em um espaço aberto, são o convite perfeito para juntar os amigos em uma reunião no Crooked Can. O bar não faz reservas, por isso, se o caso for uma visita em grupo, evite horários de pico (tanto no almoço, como no jantar).

Cervejaria está em prédio histórico de Winter Garden

Os horários de atendimento variam de acordo com o dia, mas os estabelecimentos gastronômicos costumam fechar antes do que a cervejaria. Às sextas e sábados, por exemplo, o Crooked Can fica aberto até 1h – enquanto que os restaurantes fecham por volta das 23h. A recomendação é checar os horários pela internet, neste link.

O Crooked Can Brewery Company também aceita reservas para festas e eventos corporativos. Há uma sala privada (Barrell Room) para até 150 convidados e o espaço inteiro também está disponível, para eventos que recebam até 600 convidados.

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Sawgrass Mills de ônibus (e por US$ 5)

Sawgrass Mills, um dos maiores outlets da Flórida (Instagram/Shopsawgrass)

Foram pouquíssimas horas livres em Fort Lauderdale, na Flórida, onde estive para edição deste ano da feira La Cita de las Americas – cobertura que pode ser lida no Portal PANROTAS e na próxima edição da Revista PANROTAS. Com apenas uma manhã livre, e sem muita ideia do que fazer por lá, eu resolvi dar uma passada no Sawgrass Mills, o gigantesco outlet que tem no condado de Broward, na cidade de Sunrise.

Eu não sou o típico consumidor de shopping, confesso não ter muita paciência, mas me pareceu uma ideia razoável bater até lá pra comprar umas lembrancinhas pra família. Vi as opções de transporte até o Sawgrass e…senhor! Do hotel em que eu estava, o Harbor Beach Marriott Resort, até o shopping eram mais de US$ 60 (ida + volta) pelo Uber. Com o shuttle oficial, o preço caía para US$ 25 (ida + volta). Ainda assim, eu não tava muito afim de gastar esse dinheiro só pra visitar um shopping. Por isso, resolvi ir para lá de transporte público.

Sistema público de ônibus do Condado de Broward (Divulgação/BCT)

O site do BCT (Broward County Transit), empresa de ônibus local, me deu horários e informações suficientes para que eu conseguisse me virar sozinho – ajuda, é claro, a pontualidade do sistema (por garantia, esteja no ponto 5 min antes da previsão de passagem do ônibus). Nesse site descobri o tal do “All Day Bus Pass”, meu companheiro de viagem naquele dia. É possível comprar o cartão a bordo do próprio ônibus, custa apenas US$ 5 e você pode ir e voltar como quiser, fazendo baldeações ou não.

Passe diário

No meu caso, eu precisei pegar dois ônibus por trecho e demorou um pouco mais de uma hora para chegar. O ônibus 36 te deixa na porta do Sawgrass Mills e vai praticamente em uma (longa) linha reta. Você pega ele no final da N Fort Lauderdale Beach Blvd, neste ponto aqui. Para chegar na parada eu precisei pegar o ônibus 40, mas isso era específico do meu roteiro, dada a localização do meu hotel.

Uma vez no ônibus, sente e espere. Eu aproveitei para conhecer uma parte de Fort Lauderdale que eu não teria conhecido, em regiões longes dos holofotes turísticos, dividindo o espaço com a população local. O sistema de som e um letreiro no ônibus anunciam todas as paradas, o que facilita para quem não é de lá (algo importante na volta, para saber em qual ponto descer).

No canto superior esquerdo, destaque para o ponto de chegada/partida do ônibus 36

Ao chegar em Sawgrass Mills, o ônibus para exatamente na entrada da Praça de Alimentação do setor amarelo. Guarde essa saída, porque é de lá que o próprio #36 sai para sua viagem de volta. Faça uma pesquisa antes de deixar o hotel – principalmente se, como eu, você estiver sem 4G no celular. Tenha anotado números dos ônibus, horários aproximados e paradas onde descer/trocar de ônibus.

A conclusão é que é possível e relativamente fácil ir para Sawgrass Mills de ônibus. Mesmo sem 4G no celular, me bastou uma pesquisa prévia e alguns printscreens das rotas que eu precisava pegar para chegar lá. Obviamente que esse é um passeio para quem não tem muita pressa em chegar cedo (ou a necessidade de ir embora tarde), e, principalmente, que não vá voltar de lá empanturrado de sacolas de compras.

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