AMIGOS…

Conversando com um casal de amigos muito queridos, sobre o quanto a amizade influencia a forma como nos comportamos quando estamos juntos, alguns conceitos interessantes afloraram.

Observamos que a sociedade mistifica a amizade verdadeira, como sendo um sentimento às vezes mais importante do que o respeito à própria individualidade, embora isso não sobreviva a uma análise realista, com alguma dose de bom senso e noção de civilidade:

Amigos dizem o que pensam !
Nem sempre, pois o verdadeiro amigo equilibra-se entre ser autêntico, mas não ao ponto de magoar o outro, e sempre busca uma verdade libertadora, não inquisidora.

Amigos sempre concordam.
Não necessariamente, mas quem é amigo mesmo não deixa a divergência de opinião sobrepor-se ao relacionamento, mas, ao contrário, aproveita para estimular a troca de conceitos.

Amigos toleram tudo.
Também não, pois para tudo há limite, até para a amizade sincera, mas a verdade é que entre amigos os limites de tolerância são muito mais elásticos, o que nos ajuda a aceitar as diferenças.

Amigos amigos, negócios à parte.
Se isso fosse verdade, não existiria outra expressão, mais forte do que esta: “Eles fizeram um verdadeiro negócio entre amigos”.

Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito.
Sim, como todo sentimento por outra pessoa, a amizade é baseada em relações afetivas e, do jeito que as redes sociais banalizaram o termo “amigo”, é melhor guardar os verdadeiros no coração e não na web.

Amigos não tem defeito…
Negativo, amigos têm defeitos e, algumas vezes, têm muitos defeitos, sempre amenizados pelas virtudes, e este equilíbrio é o próprio sentido da amizade em si.

Aliás, a este respeito, sempre lembro-me de um comentário da Irene Ravache, durante o Fórum Alatur 2011, quando participou de painel ao lado de Marilia Pera:

“No início da nossa vida adulta, escolhemos nossos amigos pelas suas virtudes. Alguns anos mais tarde, admiramos nossos amigos apesar de seus defeitos. Quando atingimos a maturidade plena, amamos nossos amigos justamente pelos seus defeitos.”

Amizade é isso…

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JUSTIÇA DOS HOMENS

Sim, estamos cercados de desonestos, sobrevivemos a desonestidades, no Brasil e no mundo, e isso é triste.

Como parte da natureza humana, esta é uma realidade que desafia a sociedade e atua diariamente sobre todos nós, várias vezes ao dia.

Mas existem variadas nuances de atitudes desonestas, desde um simples avanço de sinal em que o motorista infringe um regulamento de trânsito, portanto não age honestamente com a sociedade (mesmo sem prejudicar alguém diretamente), até os grandes crimes políticos, desvio de dinheiro público, corrupção pura e simples, com potencial de prejudicar milhares ou milhões de pessoas.

Reflito aqui sobre qual castigo é o mais exemplar para quem comete, em geral impunemente, este tipo de crime, pois o exemplo é a mais importante ferramenta penal em qualquer sociedade.

A realidade é que quando o político é denunciado, investigado e processado, inicia ali seu inferno astral que, além de literalmente acabar com suas pretensões futuras (apesar de nem sempre encerrar sua carreira política), destruir sua rede de relacionamentos sociais e quase sempre abalar profundamente sua família, também leva-o a um processo explosivo de desgaste psicológico que, por mais experiente, desapegado ou mesmo “cara de pau” que seja, pode consumir parcial ou completamente a sua saúde.

Sem a pretensão de listar casos reais (basta observar alguns recentes e outros mais antigos), o estado de saúde dessa turma de mensaleiros, tanto os condenados quanto os não condenados, ficará irremediavelmente comprometido pela angústia, pelo fracasso, pela vergonha, pela depressão, pelo stress galopante de um processo como este.

“A maior malandragem do mundo é ser honesto”, dizia Moreira da Silva.

“Se não for honesto por natureza, seja ao menos por malandragem”, completava Bezerra da Silva.

Eles bem que poderiam ter dito também: “A honestidade faz bem à saúde”.

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QUE VENDA MAIS QUEM FOR MAIS COMPETENTE

Jamais imaginei que um texto com o título Opinião: Como Equilibrar o Caixa das Cias. Aéreas fosse atrair tanta atenção dos agentes de viagens.

Digo que não imaginava isso, porque o texto foi escrito pensando em chamar a atenção das cias. aéreas, o que não podemos afirmar que aconteceu, pois não houve comentário aberto originado de seus representantes.

De qualquer forma, imagino que o fórum para as cias. aéreas se manifestarem sobre isso deve ser outro, bem como os interlocutores pelos agentes de viagens também são outros.

Mas muitos comentários neste post chamaram a minha atenção e, apesar de soar um tanto injusto destacar alguns, eu selecionei 3 comentários, mesmo correndo o risco de cometer uma injustiça com tantos outros leitores e dezenas de comentaristas que o texto recebeu:

1 – Edmar Bull, presidente da ABRACORP, foi o primeiro a comentar, o que prenunciou que o post ia bombar, pois mexeu com a cabeça dos agentes de viagens. Edmar ressaltou, aos 5 minutos do primeiro tempo, que o agente de viagens “é o canal de distribuição mais barato que existe em todo o mercado”, e que, por isso, as cias. aereas “tem que entender que estão para voar e não fazer gestão de clientes e TI”. 

2 – Antonio Azevedo, presidente da ABAV Nacional, desabafou contra os que só reclamam, mas não participam da entidade e manifestou-se revoltado com os agentes de viagens que criticam a entidade sem sequer serem associados: “…todos os dirigentes da ABAV trabalham para a classe sem qualquer remuneração e colocando invariavelmente os interesses da classe acima de seus próprios”, e ressaltou que, apesar disso “a ABAV continuará atuando fortemente na defesa dos interesses das agências de viagens”.

3 – Artur Andrade, editor do Panrotas, lembrou do acordo ABAV/TAM e que “A Abav aceitou e assinou que a Tam não cobrasse a DU no site. Se não me engano, o acordo valia por cinco anos. Então, deve estar acabando. Ótima chance para líderes como Antonio Azevedo, Edmar Bull e outros se reunirem com as aéreas para desenhar novo acordo”. Artur afirmou ainda que vai verificar com o Jurídico da ABAV quando o acordo expira, mas também assinalou que “acordos podem ser revistos mesmo ainda em vigor, claro.

Agradeço a todos pela participação e acho que esta é a hora de transferir o assunto, da mesa de debates para a mesa de negociações, entre aqueles que tem delegação para isso: a ABAV e as cias. aéreas.

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