ESCUTAR SEM OUVIR…

O ex-Governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola era um especialista no tema.

O jornalista podia fazer a pergunta mais inteligente ou capciosa que fosse, que o Brizola permanecia impávido durante toda a explanação prévia do questionamento malicioso, para em seguida, iniciar sua exposição de conceitos e ideias sobre um outro assunto absolutamente diferente da pergunta formulada.

Com o tempo, de tanto observá-lo participando de debates políticos na TV, comecei a perceber que ele escutava, mas não ouvia a pergunta do entrevistador ou mesmo a do adversário de urna e simplesmente aguardava o interlocutor concluir sua questão, para iniciar sua verborragia insana a respeito do que havia planejado dizer ao eleitor.

Observando muitos profissionais atualmente, em reuniões, entrevistas, conference calls, eventos e coquetéis, percebo que Brizola fez escola…

Tem muita gente que escuta o interlocutor longamente, com aquela cara de atenção absoluta, mas no fundo está pensando no que dizer na próxima oportunidade de retomar a palavra.

Lembro-me também de um colega que, entediado, cochilava por longos 10 minutos em reuniões de entidade e, ao acordar subitamente assustado e perceber que havia ficado “out” provavelmente tempo demais, emendava instantaneamente um “peço a palavra” para, em seguida, discorrer de forma genérica sobre “a importância da opinião de todos na decisão do assunto em debate”…

Outra linha interessante é a do sujeito que escuta (mas não ouve) uma crítica contundente ao seu comportamento em determinada situação e reage com fleuma britânica, com ar de comedida superioridade e responde com um largo elogio ao seu crítico, seguido da defesa do direito universal do ser humano à opinião, à divergência, à controvérsia, ao contraditório.

Para finalizar, emenda com um contido sorriso de autossuficiência: “discordo totalmente de cada palavra de sua explanação, mas eu seria capaz de morrer defendendo seu direito de proferi-la”.

É um craque (ou pensa que é)…

Eu fico imaginando esses políticos, executivos, juristas etc. no papel de vendedor, aquele profissional que algumas vezes vende sem conhecer, outras vezes resolve sem saber como, e quase sempre faz o cliente feliz com um sorriso, uma palavra ou um gesto que inspira confiança.

Gostemos ou não, é a vitória definitiva da percepção sobre o fato…

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EU QUERIA SER O PELÉ…

Eu tinha 9 anos na Copa de 70.

Aos 9 anos, naquela época, os meninos não acompanhavam os jogos com a voracidade com que consomem transmissões esportivas atualmente.

Mas eu assisti quase todos os jogos, ao lado de meus pais e irmãos, e lembro nitidamente de algumas jogadas espetaculares que, sempre que repetidas na TV ao longo dos últimos 40 anos, me transmitem a mesma sensação de quem presenciou, ao vivo, aqueles momentos de genialidade.

Mas, domingo passado, ao ler que o goleiro Félix declarou em depoimento, gravado pouco antes de morrer, que Pelé e o zagueiro reserva Fontana brigaram na concentração da Copa de 70, experimentei um certo alívio e um sentimento de libertação, devido a um episódio que ocorreu na minha escola, logo após a Copa.

Para comemorar o feito, o inédito tricampeonato que manteria a Taça Jules Rimet definitivamente no Brasil, após idas e vindas desde 58, as escolas promoviam festividades, unindo ginástica e atividade comunitária, com a presença dos pais e familiares dos alunos.

Tínhamos que ensaiar uma espécie de volta olímpica, cantando:

“90 milhões em ação,
pra frente Brasil,
do meu coração…”

A performance infantil  incluía uma taça na mão de todos os alunos, que estariam vestidos com o uniforme da seleção brasileira, devidamente identificados com o nome de um dos “Heróis do Tri”.

Jamais vou esquecer meu sentimento de frustração infantil quando recebi a camisa identificada com o nome FONTANA…

Ao olhar para meu rosto desolado, a professora perguntou-me:

– O que foi, Fernando?

– Eu queria ser o Pelé – respondi simplesmente, manifestando o desejo compartilhado por todos os alunos presentes.

A professora então apresentou-me uma foto do zagueiro reserva Fontana, como argumento para justificar sua escolha e, não satisfeita, disparou:

– Você é parecido com o Fontana, não com o Pelé.

E continuou, entregando a valiosa camisa do PELÉ para outro colega e olhando para os outros meninos:

–  Pelé só tem um !

O que mais me incomodou foi o fato de que o tal de Fontana era um completo desconhecido da torcida, alguém que foi escalado para a eventual e improvável substituição de um Brito (um touro de disposição) ou de um Piazza (outro difícil de machucar) e, por isso, jamais entrou em campo…

Assim como meus colegas, eu tinha a ambição de ser o melhor, mas me senti como quem foi designado a representar o ninguém, aquele de quem nunca se teve notícia e que, por isso, não parecia existir.

Somente agora em 2012, com esta revelação do Félix, meu constrangimento finalmente acabou: o Fontana podia não ser o melhor jogador da seleção, mas tinha opinião, personalidade e não se intimidou em encarar o Pelé, quando discordou dele.

A professora tinha razão: eu pareço mais com o Fontana.

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O DESAFIO DA FEIRA DA ABAV

Todo ano é a mesma coisa: os expositores tradicionais reclamarão dos preços e dos resultados da edição do ano passado, mas estarão todos, firmes e fortes, com seus stands na Feira das Américas 2012, de 24 a 26 de outubro, no Riocentro.

O trade de turismo muda literalmente para o Rio de Janeiro nesta semana de outubro, esperando ver novidades, encontrar todo mundo, conhecer novos produtos, inspirar-se com novas ideias, e se possível, abrir portas para alguns bons negócios, que serão fechados ao longo dos meses seguintes, pois como é senso comum, “ninguém fecha negócio dentro da Abav”.

Será mesmo?

Tenho uma experiência muito particular no relacionamento com a Feira das Américas, pois mesmo sendo realizada há 10 anos no Rio de Janeiro, cidade sede de nossa empresa, sempre promovemos eventos paralelos, em horários não conflitantes com a feira, com o duplo objetivo de aproveitar o fluxo natural de agentes de viagens que vêm ao Rio e o de atrair para a feira aqueles agentes que, por qualquer motivo, não viriam.

Nessa linha, buscando unir capacitação e confraternização, realizamos um workshop anual de tecnologia e uma grande festa para brindar o ano com nossos clientes (nas últimas 3 edições com nosso parceiro Panrotas como coanfitrião), coincidentemente no mesmo período em que desapareceram as grandes festas promovidas pelas cias. aéreas durante a ABAV, o que gerava alguma diferenciação em nossa ação de marketing.

Esta nossa estratégia era motivada pelo fato de que a Feira das Américas sempre focou, quase que exclusivamente, o segmento de viagens de turismo e lazer, enquanto nossa empresa fornece tecnologia para gestão de viagens corporativas.

Mas e agora? Como destacar uma empresa num cenário sempre igual, ano após ano?

Para ser justo, temos que reconhecer que a ABAV vem passando por importantes ajustes e, atendendo à demanda (e pressão) do mercado, a Feira das Américas finalmente começou a mudar, primeiro em 2011, com a valorização do Congresso, e agora em 2012, com a segmentação do mercado corporativo, iniciativa que ganhará mais força ainda em 2013, quando a feira acontecer em São Paulo, berço natural do mercado de viagens corporativas da América Latina.

Este ano, cias. aéreas nacionais e internacionais, redes hoteleiras, locadoras de carros, fornecedores de tecnologia, operadoras turísticas, agências consolidadoras, cias. de cruzeiros marítimos, secretarias de turismo dos estados, convention bureaus, etc. etc. encherão 2 pavilhões que, desta vez, finalmente mesclarão viagens de turismo, o carro chefe da ABAV, com viagens corporativas, provavelmente seu futuro maior negócio, uma especialidade pela primeira vez exposta de forma dedicada na feira da ABAV, num mega espaço promovido pela ABRACORP, com apoio da GOL.

Em 2011, buscando acompanhar essas mudanças, o 6o. Workshop Reserve de Tecnologia integrou a programação do Congresso da ABAV, no Riocentro, uma edição do evento que valorizou o educacional, a capacitação, a difusão do conhecimento.

Em 2012, no lugar de nossa tradicional festa à noite, receberemos clientes, parceiros e amigos em 2 locações dentro da Feira das Américas, uma no Espaço Corporativo ABRACORP e outra no Business Center ABAV PANROTAS, tradicionais parceiros de nossa empresa.

Com essas alterações estratégicas, de conteúdo e de foco, promovidas pela ABAV, chegamos à conclusão que para fazer bonito na Feira das Américas, basta fazer o clássico dever de casa: expor, convidar clientes, prospects, parceiros e buscar a diferenciação no conteúdo, ou seja, naquilo que será apresentado no seu stand.

Afinal, como bem sinalizou o Artur, não faz mais sentido esse papo de expor somente para marcar presença

Este ano, o Reserve será expositor na Feira das Américas, por acreditarmos no potencial do evento como propulsor de negócios.

Para quem, na altura do campeonato, ainda não se decidiu, sugiro correr, que a Feira das Américas será daqui a 45 dias e ainda dá tempo de ser criativo, preparar o melhor conteúdo de seu produto e apresentá-lo com exclusividade na maior feira de turismo da América Latina.

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