O tempo nos ensina, nos castiga, nos faz refletir…
O sujeito passa pela vida estudando, estudando muito, gradua-se, faz pós-graduação e continua estudando, capacitando, qualificando, trabalha e participa de treinamentos, inscreve-se em seminários e congressos, lê livros, revistas, jornais, tudo online, mas offline também.
Dedicado, ele evolui profissionalmente, assiste e participa de palestras, debates e simpósios, é convidado para conferências, passa a orientador, treinador e painelista, torna-se referência em alguma coisa, vira especialista e formador de opinião, é convidado a palestrar e moderar debates, a escrever artigos e registrar suas opiniões sobre o mercado, suas visões do mundo, sonha em escrever um livro (às vezes consegue).
De repente, acorda imaginando (ou genuinamente sentindo) que, em termos profissionais, já sabe tudo, já viu de tudo, já testemunhou quase tudo nesta vida e que, por isso, pouca coisa poderá surpreendê-lo em sua trajetória.
Passa a acreditar que tem o monopólio da verdade, que é o único que conhece o caminho para determinadas soluções, embebeda-se de vaidade e não percebe a transitoriedade de tudo, do seu trabalho, da sua vida, do seu legado.
Pois é aí que mora o perigo…
Enquanto se julga “O Cara”, na verdade o sujeito pode ter entrado, de forma inexorável, na fase inicial de seu processo de obsolescência profissional.
O que ele pensa ser o seu auge, pode ser o início de sua lenta retirada de cena, involuntária, compulsória até, afinal, para quem chega ao topo e deseja continuar, só resta descer…
A falta de moderação (nem falo humildade), de algum senso, de equilíbrio, de percepção da realidade, de respeito à inteligência e à capacidade dos outros, tende a desviar o indivíduo da verdade.
O ser humano, a sociedade, as pessoas observam e percebem tudo, e não perdoam o “sapato alto”, a soberba, o “nariz em pé”, a empáfia, o “modéstia à parte”, o falso altruísmo, a arrogância, a prepotência…
E quando falta sensibilidade, falta quase tudo…
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