O dia-a-dia está ficando chato…
Coisas simples como comer, fazer compras ou simplesmente ir ao cinema, passaram a exigir um complexo processo de decisão.
O ser humano gosta de novidades, mas está cada vez mais difícil escolher.
Quando eu era criança, o café da manhã era delicioso, embora tão simples quanto café com leite, pãozinho francês com manteiga e, de vez em quando, queijo minas.
Semana passada, fui a um restaurante em São Paulo e pedi:
– Por favor, gostaria de uma xícara de café…
– O Sr quer café expresso ou coado?
– Expresso, por favor.
– Café regular ou descafeinado?
– Regular…
– Nespresso ou em pó?
– Nespresso.
– Roma ou Ristreto?
– Ristreto.
– Curto ou longo?
– Curto.
– Puro, com creme ou com espuma de leite?
– Perdi a paciência e respondi secamente: esquece o café e me traga uma coca-cola…
– Zero, Light, Diet ou Regular?
– Zero
– Lata ou garrafa?
– Lata
– 350ml ou 200ml?
– 350 ml
– Copo ou canudo?
– Copo
– Com gelo e limão?
– Deixa pra lá e me traga um copo d’água…
– Com gás ou sem?
– Com gás
– San Pellegrino ou São Lourenço?
– São Lourenço
– Com gelo?
– Tchau…!
Fui embora refletindo sobre o quanto a sociedade de consumo nos fez seletivos, cheios de mimos, de preferências, de “eu gosto disso, não gosto daquilo”…
O alimento mais popular, que Cristo nos ensinou a repartir, hoje pode ser árabe, branco, careca, de centeio, de forma, de leite, de mel, de queijo, doce, francês, integral, italiano, preto… (entre os que lembro).
As múltiplas opções do cotidiano nos oferecem o que o ser humano mais preza: liberdade de escolha.
Mas, francamente, tornaram bem mais chato o ato de consumir…
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