Conversando com o Paulo Nascimento, VP Comercial e Mkt da Azul Linhas Aéreas, perguntei o motivo das recentes promoções autofágicas das cias. aéreas nacionais.
Minha dúvida prendia-se justamente ao fato de que há evidente excesso de demanda de passageiros e que esta demanda continua crescendo, mas as cias. aéreas insistem em oferecer preços notadamente abaixo de seus custos operacionais.
O prejuizo acumulado de mais de 1 Bi das cias. aéreas nacionais no terceiro trimestre é um claro indicador de que há algo inexplicado no ar, além de cada vez mais passageiros e mais aviões de carreira…
“Ao excesso de demanda, as cias. aéreas reagiram com excesso de oferta”, explicou o Paulo. “Então o cenário passou a ser oferta abundante de voos para um crescente volume de passageiros ultrassensíveis a preço”…
Tornar as viagens de avião acessíveis às classes C e D tem sido estratégia recorrente de todas as cias. aéreas brasileiras, mas isso tem um custo.
Esse custo, mais cedo ou mais tarde, seria cobrado e as cias. aéreas sabiam disso quando optaram, em uníssono, por investir no crescimento da sua base de clientes.
Hoje as cias. aéreas procuram conquistar e fidelizar esse passageiro, um consumidor infiel, pouco exigente (sua referência é a viagem de ônibus) e que, por R$ 5 ou R$ 10 de diferença, troca de cia. aérea sem pestanejar…
Resta saber se o caixa das empresas aéreas vai suportar aguardar o amadurecimento deste novíssimo mercado, que continua crescendo sem parar, mas permanece completamente infiel à marca ou à qualidade do serviço.
Gostemos ou não, este novo consumidor só quer saber de uma coisa: preço !
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