CONSUMIDOR INFIEL

Conversando com o Paulo Nascimento, VP Comercial e Mkt da Azul Linhas Aéreas, perguntei o motivo das recentes promoções autofágicas das cias. aéreas nacionais.

Minha dúvida prendia-se justamente ao fato de que há evidente excesso de demanda de passageiros e que esta demanda continua crescendo, mas as cias. aéreas insistem em oferecer preços notadamente abaixo de seus custos operacionais.

O prejuizo acumulado de mais de 1 Bi das cias. aéreas nacionais no terceiro trimestre é um claro indicador de que há algo inexplicado no ar, além de cada vez mais passageiros e mais aviões de carreira…

“Ao excesso de demanda, as cias. aéreas reagiram com excesso de oferta”, explicou o Paulo. “Então o cenário passou a ser oferta abundante de voos para um crescente volume de passageiros ultrassensíveis a preço”…

Tornar as viagens de avião acessíveis às classes C e D tem sido estratégia recorrente de todas as cias. aéreas brasileiras, mas isso tem um custo.

Esse custo, mais cedo ou mais tarde, seria cobrado e as cias. aéreas sabiam disso quando optaram, em uníssono, por investir no crescimento da sua base de clientes.

Hoje as cias. aéreas procuram conquistar e fidelizar esse passageiro, um consumidor infiel, pouco exigente (sua referência é a viagem de ônibus) e que, por R$ 5 ou R$ 10 de diferença, troca de cia. aérea sem pestanejar…

Resta saber se o caixa das empresas aéreas vai suportar aguardar o amadurecimento deste novíssimo mercado, que continua crescendo sem parar, mas permanece completamente infiel à marca ou à qualidade do serviço.

Gostemos ou não, este novo consumidor só quer saber de uma coisa: preço !

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CABEÇA DE LAGARTIXA OU PÉ DE JACARÉ

Há uns 10 anos atrás, em reunião com o gerente comercial da Varig na época, abordamos um tema que tornou-se mais atual do que nunca nos dias de hoje.

Esse gerente havia recebido um convite da empresa, para assumir o cargo de diretor comercial da Varig na Argentina, mas resistia em aceitar.

Quando questionei como ele poderia ter dúvida em trocar um cargo de gerente comercial pelo de diretor comercial, ele esclareceu a questão: no caso da Varig, diretor comercial na Argentina podia ser menos que gerente comercial no Brasil, se fosse considerado o volume de vendas de cada um desses mercados.

E foi definitivo: “Escolher entre ser diretor com pouco poder ou ser gerente com autonomia, equivale a decidir se eu quero ser cabeça de lagartixa ou pé de jacaré”.

Trazendo para os dias atuais, neste momento em que grandes grupos financeiros tendem a assumir o controle de tradicionais agências de viagens, operadoras e consolidadoras, fico imaginando se esta mesma dúvida não passa na cabeça de tantos empresários de primeira linha, até então donos de seus narizes (ou cabeças de lagartixa).

Mesmo com muito dinheiro no bolso, estarão prontos para se transformar, de uma hora pra outra, em pé de jacaré?

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FÁTIMA BERNARDES E A ALMA FEMININA

Conversando com um pequeno grupo de mulheres, incluindo a minha, durante o fim de semana passado, no The Royal Palm Resort em Campinas, todas estavam curiosíssimas com um assunto que, naquele momento, ainda era quase um boato: a separação da Fátima Bernardes e William Bonner…!

A curiosidade referia-se mais a se a separação era somente profissional ou se o casamento também havia acabado.

O mote principal da discussão tinha a ver com o que poderia ter motivado a esposa a parar de trabalhar ao lado do marido no Jornal Nacional, jornal televisivo campeão absoluto de audiência…

Muitas suposições foram levantadas:

– Ela achou que já havia trabalhado muitos anos e, cansada, queria dar um tempo.

– Ele, como diretor do JN, deve ser autoritário e ela se encheu de suportá-lo duplamente, em casa e no trabalho.

– Ela queria parar de trabalhar para dar mais atenção às crianças.

– Ele julgou que era hora de colocar alguém mais jovem na função e resolveu comprar a briga com ela.

– Ela descobriu que ele estaria tendo um caso com a Patrícia Poeta e mandou um “ou ela ou eu”. Sem alternativa, ele decidiu…

– Ele não aguentava mais a pressão da esposa controladora ao lado dele, 24 horas por dia, e resolveu demiti-la.

– Ela percebeu que não precisava se esforçar tanto num trabalho árduo, diário e estressante, pois ele podia sustentá-la…

Foi neste momento que uma das mulheres do grupo comentou:

“Afinal, nada como ter um marido para nos sustentar !!!”

Partindo de um grupo de mulheres executivas, todas profissionais experientes, que fazem parte de uma geração que empunhou a bandeira da liberdade feminina, da igualdade de direitos e do equilíbrio de deveres entre os pares, esse comentário caiu como uma bomba e todos se entreolharam, num climão meio debochado…

Na realidade, todos os supostos motivos elencados foram de um machismo inacreditável, mas que todas julgavam plenamente razoáveis como justificativa para que a Fátima Bernardes desejasse separar-se do marido (somente no trabalho, descobriu-se depois).

Antes que o assunto descambasse para “cabeça do casal”, “chefe de família” e “sociedade patriarcal” ou que enveredasse pela defesa da mulher enquanto “sexo frágil”, “rainha do lar” e “esteio da família”, uma delas levantou-se e, saindo da sala, encerrou o assunto de forma categórica:

“Marido para nos sustentar é bom, mas eu queria mesmo era ter um Crô só pra mim”.

Preferi levantar-me da mesa e, discretamente, buscar outro grupo onde a conversa estivesse menos complexa, mais fácil de acompanhar…

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