NO FUNDO, NÃO PASSA DE UMA EMPRESA FAMILIAR…

Essa expressão, verdadeiro chavão preconceituoso, é ouvida sempre que uma determinada empresa deixa seu processo orgânico de crescimento e anuncia intenção de investir fortemente para alavancar ainda mais seus negócios.

Quando se trata de uma multinacional, uma sociedade anônima ou megacorporação de capital pulverizado, o anúncio de investimento é considerado “normal”, talvez porque a origem dos recursos neste caso, normalmente não é o resultado operacional do negócio.

No caso das empresas familiares, o próprio sucesso comercial costuma alimentar os projetos de crescimento, o que, por si só, gera este tipo de reação do mercado, algumas vezes acompanhada de incredulidade.

Num ambiente em que o “dinheiro sem dono” de fundos de investimento (venture capital, private equity, entre outros termos usados para designar a disposição ao risco de seus investidores) busca oportunidades que fujam da mesmice das aplicações financeiras (e seus resultados matriciais), as iniciativas de empreendedores seriais brasileiros chamam a atenção do mercado brasileiro de viagens e turismo.

O que são a Trend e a Flytour (e o que foi a CVC, até entrar o Carlyle) se não empresas familiares?

Entre outras características, são empresas cujas marcas estão associadas a uma determinada família, geralmente de seu fundador.

Quando pensamos na TAM, sabemos qual família a fundou e está no controle. O mesmo vale para a GOL, a Avianca e a Trip. Sim, todas empresas familiares até hoje, apesar de seu tamanho, estrutura e mecanismos de governança.

Na hotelaria nem se fala, pois redes como Blue Tree, Bourbon, Othon, The Royal, Windsor, e muitas, muitas outras, tem em seus controladores a prova inconteste de que são boas e competentes empresas familiares.

Em todos os mercados, empresas familiares jogam, de igual para igual, com grandes grupos econômicos e, por isso, os agressivos movimentos da Trend e da Flytour visando o segmento de lazer, devem preocupar, e muito, a poderosa CVC, a despeito de seu gigantismo e reconhecimento de marca junto ao consumidor.

Como atualmente, mais do que nunca, o cliente é mais fiel à percepção de valor da relação custo x benefício, do que propriamente a uma marca, essa preocupação justifica-se pelo simples fato de que nenhuma empresa conseguiria ignorar concorrentes desta envergadura.

Nem mesmo a CVC.

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O MUNDO FICOU MENOS CRIATIVO HOJE

Com a morte de Steve Jobs, vai embora o gênio criativo que fez de sua empresa e marca, um conceito de inovação, minimalismo e funcionalidade intuitiva.

Recebi a notícia de sua morte com o pesar de quem perde um amigo próximo, tal a inspiração que suas ideias me trazem e a admiração que sinto por sua figura.

Considerado arrogante, sem paciência com as limitações da inteligência humana, foi vencido justamente por uma delas, neste caso física.

O destino é mesmo irônico e, em casos como este, cruel.

[]’s

Luís Vabo

O VERDADEIRO PODER DO AGENTE DE VIAGENS

Há muito tempo venho abordando  o conceito da distribuição fragmentada de serviços de viagens como uma tendência irreversível, tanto quanto são irreversíveis o uso da internet como ambiente de negócios e suas consequências sobre todas as atividades econômicas, sem exceção.

Esta frase, um tanto óbvia hoje, foi escrita em 2004, quando a distribuição de conteúdo de viagens e turismo ainda estava concentrada em poucos distribuidores, GDSs, GSAs, consolidadores e grandes operadoras.

Hoje, sete anos depois, todos esses “hubs” sobreviveram e permanecem fortes e importantes para nossa indústria, mas não são mais tão “hub” assim…

Na contramão do que muitos imaginaram como o início do fim da atividade de agenciamento de viagens, a mesma internet que aparentemente ameaçava os agentes, oferece hoje as ferramentas que viabilizam o seu negócio, permitindo o acesso a todo tipo de informação, fornecedor, sistema de reserva, destinos, sejam oferecidos por intermediários ou pelo prestador final do serviço turístico.

O agente de viagens escolhe, baseado em seus próprios critérios, se acessa a cia. aérea ou compra em consolidadores, se revende produtos prontos de operadoras ou monta seus próprios pacotes, se reserva nos portais das cias. aéreas ou em sistemas integradores ou ainda em GDSs.

Assim como seu cliente, o agente de viagens faz essas escolhas baseado não somente em preço e rentabilidade, mas também em conveniência (leia-se facilidade, agilidade e segurança da operação comercial).

Aquilo que em 2004 parecia o grande inimigo do agente de viagens, hoje evidencia-se como seu grande aliado, o único a lhe oferece a maior de todas as vantagens competitivas, verdadeira joia preciosa de todo empreendedor: o poder de escolha.

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