Essa expressão, verdadeiro chavão preconceituoso, é ouvida sempre que uma determinada empresa deixa seu processo orgânico de crescimento e anuncia intenção de investir fortemente para alavancar ainda mais seus negócios.
Quando se trata de uma multinacional, uma sociedade anônima ou megacorporação de capital pulverizado, o anúncio de investimento é considerado “normal”, talvez porque a origem dos recursos neste caso, normalmente não é o resultado operacional do negócio.
No caso das empresas familiares, o próprio sucesso comercial costuma alimentar os projetos de crescimento, o que, por si só, gera este tipo de reação do mercado, algumas vezes acompanhada de incredulidade.
Num ambiente em que o “dinheiro sem dono” de fundos de investimento (venture capital, private equity, entre outros termos usados para designar a disposição ao risco de seus investidores) busca oportunidades que fujam da mesmice das aplicações financeiras (e seus resultados matriciais), as iniciativas de empreendedores seriais brasileiros chamam a atenção do mercado brasileiro de viagens e turismo.
O que são a Trend e a Flytour (e o que foi a CVC, até entrar o Carlyle) se não empresas familiares?
Entre outras características, são empresas cujas marcas estão associadas a uma determinada família, geralmente de seu fundador.
Quando pensamos na TAM, sabemos qual família a fundou e está no controle. O mesmo vale para a GOL, a Avianca e a Trip. Sim, todas empresas familiares até hoje, apesar de seu tamanho, estrutura e mecanismos de governança.
Na hotelaria nem se fala, pois redes como Blue Tree, Bourbon, Othon, The Royal, Windsor, e muitas, muitas outras, tem em seus controladores a prova inconteste de que são boas e competentes empresas familiares.
Em todos os mercados, empresas familiares jogam, de igual para igual, com grandes grupos econômicos e, por isso, os agressivos movimentos da Trend e da Flytour visando o segmento de lazer, devem preocupar, e muito, a poderosa CVC, a despeito de seu gigantismo e reconhecimento de marca junto ao consumidor.
Como atualmente, mais do que nunca, o cliente é mais fiel à percepção de valor da relação custo x benefício, do que propriamente a uma marca, essa preocupação justifica-se pelo simples fato de que nenhuma empresa conseguiria ignorar concorrentes desta envergadura.
Nem mesmo a CVC.
.