MARKETING X TECNOLOGIA

Pensando nas diferenças entre estes profissionais, passeei por títulos alternativos ao deste post: “DESCOLADOS X NERDS” ou “MODERNINHOS X DOIDÕES” ou ainda “CRIATIVOS X CRIADORES”…

O fato é que nada é mais estroncho do que participar de uma reunião de trabalho com as tribos do marketing e da tecnologia.

Sim, são tribos formadas por diferentes profissionais, cujos temperamentos e personalidades tendem a gerar um determinado padrão de comportamento.

Estes padrões apresentam, nesses dois casos, tamanhas diferenças, que fazem com que a convivência pacífica e harmoniosa entre seus componentes seja quase um milagre.

Quem já não participou de uma conversa com integrantes de tecnologia e de marketing e surpreendeu-se com as reações mais estapafúrdias sobre o entendimento de um mesmo assunto?

Entre tantas diferenças na forma de pensar e agir, relacionei algumas que encontro no dia-a-dia:

– Os coleguinhas do marketing são modernos, antenados e estilosos e a turma da tecnologia tende ao grunge, ao confortável ou alternativo.

– Enquanto o profissional de tecnologia é focado no produto, o de marketing é focado no cliente.

– Os analistas de marketing são usuários vorazes de gadgets e inovações tecnológicas. Já os tecnólogos preferem desenvolvê-las.

– Para o programador, o cliente é usuário, para o analista de marketing, o cliente é Deus.

– As duplas de criação são quase artistas e os desenvolvedores desejam ser considerados.

– Enquanto os técnicos pensam que sabem tudo, os marketeiros têm certeza que sabem.

Juntar esses dois times para produzir um mesmo trabalho, desenvolver o mesmo projeto, atender os mesmos clientes, é um desafio espetacular.

E, quando dá certo, o resultado também.

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EPIDEMIA SOCIAL

Para ilustrar o tema, reproduzo aqui um diálogo real entre marido e mulher numa linda manhã de sábado:

– Estou assustada comigo – diz a mulher

– Por que, querida?

– Eu estava no banheiro assistindo à novela das 11, numa linda manhã ensolarada como essa… Isso não parece estranho?

– Não lembro de termos instalado TV no banheiro… – responde o marido, insensível à preocupação feminina.

– Claro que eu não estava assistindo à TV ! Eu assistia ao capítulo de ontem d’O Astro no meu iPhone, claro…

– Ué, porque não assistiu ao vivo ontem, se estávamos em casa? – insistiu o pragmático marido.

– Porque ontem, na hora d’O Astro, eu assisti à novela das 9, também no iPhone, porque chegamos em casa tarde, lembra?

O diálogo segue até que o marido questiona a mulher o motivo de ela assistir numa tela tão pequena, se poderia assistir, com a mesma mobilidade, na tela do iPad, por exemplo.

– Mesma mobilidade nada – argumenta a mulher. – O iPad eu teria que tirar da bolsa, ligar, buscar  o que quero assistir… muito trabalhoso. Já o iPhone está ligado 24 horas por dia, sempre ao meu lado, com um link direto para o que eu gosto.

Por ser tão simples, rápido, direto e disponível, o smartphone tornou-se, praticamente, um apêndice de nosso corpo, quase uma prótese para conectividade instantânea, entre diversas outras funções.

Dizem que Steve Jobs não descansará enquanto o iPhone 8 ou 9 não estiver reduzido a um chip, a ser implantado na base da orelha do usuário, de forma a permitir seus principais comandos sem o uso das mãos.

Receber uma ligação, a partir da informação automática no seu ouvido com o nome de quem está chamando, ou fazer uma ligação ao simples pronunciar de uma frase (ex.: iPhone 9 ligue para celular de Artur Andrade), sem tocar em absolutamente nada, nem mesmo fazer qualquer gesto, será, talvez, a última fronteira da interface homem/máquina, antes do comando neural.

Sim, o celular será uma prótese, mas hoje ainda não é, embora as pessoas o carreguem até para tomar banho, às reuniões de trabalho e aos encontros familiares, numa estranha forma de priorizar o relacionamento com uma pessoa ausente, sobre todas as demais pessoas à sua frente.

Apesar das centenas de milhões de usuários dos Facebook’s da vida, a verdadeira rede social é outra, é a surrada forma com que 7 bilhões de pessoas no mundo inteiro se comunicam por escrito, se relacionam indiscriminadamente com qualquer outro usuário, num nível de direcionamento e foco somente possível graças à incrível capilaridade do celular como interface: o SMS.

O inacreditável poder deste aparelho reside no fato de reunir, numa mesma interface (um equipamento quase do tamanho de um cartão de crédito), as funcionalidades antes disponíveis em 20 ou mais diferentes aparelhos de nosso cotidiano:
– telefone
– recado
– email
– web
– câmera fotográfica
– arquivo de fotos
– filmadora
– arquivo de vídeos
– aparelho de som
– arquivo de músicas
– mapas
– GPS
– despertador
– cronômetro
– calculadora
– gravador
– bússola
– lanterna
– tradutor
– agenda
– calendário
– jogos

Carregar no bolso um negócio desses (ou num implante na pele futuramente) é algo que mexeu com a cabeça das pessoas, independentemente do fato dela ter nascido antes, durante ou após o advento desta tecnologia.

O fato é que por centralizar as atenções, de forma individual (cada um no seu), exclusivista e egocêntrica, não há festa, jantar, encontro romântico ou qualquer outro tipo de relacionamento social em que não se perceba, claramente, o poder inquestionável que ele exerce sobre todas as pessoas.

Percebo nisso autênticos sintomas de vício, de dependência química (neste caso física) à uma droga, com o agravante de sua epidêmica distribuição mundial, que acabaram por transformar o seu uso na verdadeira e invencível doença social deste século, que mal inicia.

P.S.: Não, esse post não é patrocinado pela Apple…

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JABÁ E JABAZEIROS

Depois de trocar impressões com o Artur (ok, por Skype também é conversa), resolvi postar minha opinião (não a dele) sobre o assunto.

Não me refiro ao jabá com jerimum (carne seca com abóbora), mas à forma reduzida de “jabaculê”, que diz-se da ação, pretensamente isenta, de utilização da mídia jornalística para divulgação com interesse comercial.

Muito comum nas rádios e TVs, é a forma que algumas gravadoras e artistas usavam (e ainda usam), em início de carreira (ou em fim), para reproduzir suas músicas, à exaustão, para tentar atrair o gosto dos ouvintes…

É dever de ofício de todo jornalista resistir ao jabá, da mesma forma que é dever de ofício de todo funcionário público evitar o suborno, de todo político fugir da corrupção e de todo cidadão ser ético.

Entretanto, algumas vezes é dificílimo distinguir o que é jabá do que é matéria de interesse jornalístico, uma vez que a motivação do leitor por um texto pode ser total, parcial, segmentado, condicional, espontâneo, viral, direcionado, manipulado, controlado, autêntico, sincero, nem tanto, politicamente correto ou bem incorreto etc.

Mas uma coisa é certa, o conceito de jabá é aplicável aos profissionais da mídia, repórteres, jornalistas, articulistas, locutores, narradores, apresentadores etc, justamente porque isenção absoluta é matéria-prima de seu trabalho.

Mas o que dizer dos autores “amadores” que escrevem textos, publicados na internet, para a leitura de centenas ou de milhares de pessoas?

Sim, refiro-me aos blogueiros de todos os tipos, que escrevem em portais variados, em geral especializados, sobre todo tipo de assunto.

Por não serem jornalistas (alguns até são e outros pensam que são), os blogueiros estarão fora da área de risco do jabá?

Penso que o blogueiro-não-jornalista, aquele profissional especialista em um determinado segmento, que escreve e posta na web sobre o tema que conhece ou em que se destaca na vida profissional, o faz devido a uma ou mais motivações, entre as quais:

1 – Divulgar seus conceitos sobre determinado tema e suas ideias sobre assuntos variados.

2 – Expor sua veia de escritor, que não havia encontrado uma legítima válvula de escape até surgir o mundo dos blogs.

3 – Divulgar ideias, produtos, serviços e novidades de forma transparente, subliminar ou escancarada.

4 – Pura vaidade.

5 – Uma mistura de alguns ou todos os itens anteriores.

Considerando que, em geral, são profissionais especialistas nos temas sobre os quais escrevem, qualquer post mais detalhado, mais “técnico”, poderá expressar uma ideia aparentemente direcionada para um determinado produto ou serviço.

O melhor código de ética neste caso é justamente contar com a autocrítica e a autocensura do blogueiro e, principalmente, com sua preocupação com o conceito de que cada um constrói a sua imagem e a sua história.

Também neste caso, o cliente (aqui, o leitor) sabe o que quer e não perdoa… O que você acha que ele faz quando não concorda com a atitude, com a postura de um autor?

Seguramente, ele dará resposta adequada ao “jabazeiro”, seja através da demonstração de falta de credibilidade profissional ou do desinteresse em ler ou postar comentários em seus posts ou, até mesmo, bem ao contrário, poderá prestigiá-lo com sua audiência e participação, caso aprecie a leitura de seu blog.

Simples assim…

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