CONVERSANDO COM UM “HERMANO”

Seguindo nosso desafio de exportar tecnologia brasileira para gestão de viagens corporativas, tenho feito interessantes contatos com profissionais da área, no México, Chile, Colômbia e Argentina.

Nesses contatos, sempre de cunho profissional, acabamos por nos relacionar com diferentes culturas corporativas, variadas formas de pensar o mundo e peculiares visões de outros povos sobre o nosso país.

Semana passada, em reunião com um nosso parceiro argentino, abordamos o excepcional momento econômico que o Brasil está passando, em contraponto com demais países da região, incluindo a Argentina, quase todos mergulhados em crises econômicas e políticas.

Nosso “hermano”, que também tem negócios no Brasil, comentou: “Nós também já tivemos bons momentos, mas eles passam… Esse é o momento do Brasil aproveitar a onda positiva”.

Perguntei: “Você acha que quem não surfar bem essa onda, pode tomar um tombo mais adiante?”

Com uma mistura de experiência em crises (isso também temos), espírito latinoamericano (temos menos) e ar nostálgico (eles são imbatíveis), ele foi categórico: “Difícil o Brasil cair agora, porque o país é muito grande… China e Brasil são os dois países que puxarão a economia mundial neste século.”

E continuou o vaticínio: “A Europa está quebrada. Os EUA só olham para seus problemas internos. A Ásia tem altos e baixos. O Oriente Médio é uma bomba relógio. O Brasil será cada vez mais o propulsor da economia da América Latina. O mundo inteiro já percebeu isso.”

Pensei: “Temos ouvido muito isso, mas será que o empresariado brasileiro realmente acredita nisso?”…

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SOBRE SEGREDOS

Não sei se deveria escrever sobre segredos, mas se escolhi este título, deve ser porque resolvi contar algum…

Segredo

O que é segredo para você? E a quem pode pertencer um segredo?

Poucas coisas carregam simultaneamente tanta sedução e maldição quanto esta mistura de sigiloso, secreto e misterioso.

Se um assunto é mesmo segredo, então pertence a alguém que não deseja a divulgação, mas se existe a intenção da revelação em um momento planejado, então não é segredo, no máximo uma novidade…

“Os 7 segredos disso ou daquilo” é título recorrente de livro de autoajuda, mas custo a acreditar que segredos revelados sobre qualquer assunto possam efetivamente ajudar alguém em alguma coisa…

Os segredos da maçonaria não são mais mistério, os da igreja estão escritos há mais de dois mil anos, os do casamento são de livre acesso a todos os casados, os do sucesso dependem de inúmeras variáveis, algumas incontroláveis.

Já o tão procurado segredo da felicidade apresenta diversas versões, entre elas, algumas politicamente corretas:
– “Deixar que nossos interesses sejam tão amplos e nossas reações pessoais tão amistosas quanto possível” (Bertrand Russell)
– “Saber encontrar a alegria na alegria dos outros” (Georges Bernanos)
– “Pense nos outros” (Fernando Sabino em “O menino no espelho”)

Penso que até os segredos do amor deixaram de ser mistério insondável, embora quem os conhece, continue guardando segredo…

Que segredo é coisa para se guardar a sete chaves, ninguém duvida…, mas se até o terceiro segredo de Fátima foi revelado, embora tardiamente, como considerar que algumas pessoas, que estão no poder por alguns anos por força do meu voto, teriam o direito de conhecer “segredos de estado” e o poder de decidir sobre sua divulgação??

Se até a Presidente da República muda de opinião a cada semana e se sente insegura para decidir sobre guardar ou não guardar segredos, e o Congresso Nacional “negocia” desde o que deve ser considerado segredo de estado, até o prazo limite para se guardar um segredo, eu pergunto: a quem pertencem as informações do poder público?

Ao poder público ou ao público?

Sobre o que eu ia contar…, melhor deixar em segredo, pelo menos por enquanto…

Em tempo: sobre os exemplos citados neste texto, o segredo do sucesso é líder absoluto no Google, com quasre 10 milhões de referências, acima de amor e felicidade…

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SERÁ QUE FALTA PLANEJAMENTO?

Conforme tenho manifestado continuamente, a fragmentação da distribuição de viagens e turismo prevalecerá, independentemente de eu e você sermos contra ou a favor…

Os fornecedores de serviços de viagens usarão de tudo um pouco para experimentar formas alternativas de distribuir seu inventário.

O problema é que as ideias dos fornecedores, não raro, tem surgido mais rapidamente do que sua real capacidade de pô-las em prática no prazo desejável.

Longe de esgotar o assunto, seguem alguns casos:

Webjet resolve cobrar taxa pelo direito do Passageiro marcar o assento, entre outras.

Trip muda tudo e resolve migrar sua estratégia de distribuição para o GDS.

American Airlines, em disputa com GDS, decide retomar o controle de seu inventário, através de distribuição via “direct connect”,

Os GDSs promovem esforços para as agências deixarem de usar o e-TAM e passarem a reservar TAM através de seus sistemas.

Tudo aparentemente muito bem planejado, mas só internamente…, pois esquecem de considerar o necessário prazo para que os sistemas integradores (do corporativo, do lazer, da consolidaçào etc,) e os sistemas “backoffices” das agências, adequem-se às novas regras, às alterações de funcionalidades ou mesmo às mudanças de modelo de negócios.

Sem os “backoffices” ajustados, essas alterações criam um verdadeiro caos nos processos de controle e faturamento das agências, prejudicando o negócio.

Mas sem os “front-offices” preparados para reservar seus produtos, as cias. aéreas podem perder vendas, pela simples falta de planejar o essencial.

Desde 2004, nosso mercado tem avançado bastante em tecnologia, mas ainda tem muito a evoluir em procedimentos, nesta nova (e inexorável) realidade da distribuição descentralizada de produtos e serviços de viagens e turismo…

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