UM LACTTE PARA FICAR PARA A HISTÓRIA

Temos participado como expositores do Lactte desde a primeira edição em 2006.

De lá para cá, também participamos algumas vezes como painelista, debatedor ou moderador.

Este ano, além de expositor e moderador, tive a oportunidade de integrar a equipe organizadora das sessões educacionais, o que revelou-se uma experiência bastante estimulante também.

Apesar da agenda apertada, ainda consegui assistir, parcial ou integralmente, alguns painéis, os quais comento abaixo sob uma ótica muito particular:

O que os clientes esperam dos fornecedores

Juliana Costa/Carrefour, Eliane Taunay/Pepsico e Fernando Pinho/Embratec, moderados por Patricia Thomas/Abgev, realizaram um painel objetivo, com apresentações recheadas de exemplos de demandas dos clientes corporativos, das respectivas soluções apresentadas por fornecedores parceiros, bem como daquilo que um cliente corporativo não deseja receber como serviço. Com participação inicialmente tímida da plateia, o painel cresceu na medida em que o público foi estimulado a interagir com perguntas e comentários, o que animou o debate.

A implementação local de programas de viagens globais

Scott Gillespie/Consultor (EUA), Roberto González/Walmart (Mexico) e André Carvalhal/CWT (Brasil) fizeram 3 painéis em 1, tamanha a diferença de visão e realidade dos mercados de seus países. Enquanto o americano evidenciou a importância das políticas de viagens, dos sistemas automatizados de auto-reserva (self booking tools) e dos call centers profissionais, entre outros recursos atuais de gestão de viagens corporativas, o mexicano fez uma apresentação (em inglês?!) em que destacou o contato pessoal, o relacionamento de seus passageiros com os consultores de sua TMC (própria) e a pouca aderência entre os usuários da sua ferramenta de self booking tool. O brasileiro ficou entre os dois, posicionando-se como agência global com dificuldades locais, em especial com a fragmentação de conteúdo das cias. aéreas, entre outros. Um bom painel que poderia ter sido melhor explorado, considerando o interesse gerado pelo tema e a alta qualidade e experiência dos palestrantes.

Integrando Viagens e Despesas: Como chegar lá

Celso Cordeiro/Concur (EUA), Renata Falcão/Vale (Brasil) e Cárlon Szymanski/Dell (EUA) fizeram apresentações técnicas sobre suas experiências na implantação de integração de sistemas de gestão de viagens e de despesas. Bem moderados, Cárlon mostrou como funciona o projeto de integração da Dell com o sistema Concur e a Renata apresentou a integração desenvolvida pelo Reserve com os sistemas Oracle IExpense, AP, PPSoft e IDM, da mineradora Vale. Um painel que demonstrou, de forma equilibrada, que soluções diferentes podem atingir o mesmo objetivo com a mesma eficácia e que a tecnologia desenvolvida no Brasil encontra-se atualizada em relação às demandas dos clientes corporativos. Uma sessão de pura tecnologia, que agradou pela forma como o moderador e os painelistas traduziram o tema em suas apresentações.

Estratégias de distribuição global

Comentário mais detalhado em GDS E CONEXÃO DIRETA SÃO AMBOS IMPORTANTES !

Como melhorar a comunicação nos processos de viagem

Douglas Fischer/Boeing, Denis Simonin/Continental, Eliane Martins/Continental e Antonio Cubas/Maringá realizaram um dos painéis mais procurados do Lactte 2011, para tratar de um tema focado no atendimento do viajante VIP. A sala lotada, do início ao fim da sessão, comprovou o sucesso deste painel.

Nova década: clientes x TMC´s – Quais as tendências nesta relação?

Moderados por Viviânne Martins/Abgev, Edmar Bull/Copastur, Eloi D’Ávila/Flytour, Eduardo Murad/IBM, Roberto González/Walmart (Mexico), Maura Allen/Radius (EUA) e Walter Nery/Terra realizaram uma sessão geral sobre a relação entre os clientes e as agências de viagens corporativas, onde os destaques foram as diferentes realidades (outra vez) dos mercados de viagens corporativas entre EUA, Brasil e Mexico, a relação de confiança e parceria necessária entre os clientes e as agências, a necessidade crescente de tecnologia para reintegração de conteúdos fragmentados e a transparência fundamental na relação comercial e financeira no triângulo cliente/agência/fornecedor de serviço de viagem. Com ótima participação do público, tanto clientes como fornecedores, o painel fechou o Lactte 2011 com chave de ouro.

O evento, no geral, apresentou muitos pontos altos em relação aos anos anteriores:

– A integração dos comitês de tecnologia da Abgev e Abracorp
– Mais sessões cheias
– Mais participação da plateia
– Mais assuntos focados na realidade brasileira e latinoamericana (evidenciando suas diferenças)
– Mais gestores de viagens presentes, antenados e interessados
– Mais cias. aéreas participando dos painéis e das sessões gerais
– Mais provedores brasileiros de tecnologia de gestão de viagens
– Mais patrocinadores interessados no maior evento de viagens corporativas no Brasil
– O anúncio da GBTA South America powered by Abgev

Como tudo, ainda podemos melhorá-lo (e 2012 está aí para isso), mas em minha opinião, esta foi a melhor de todas as edições do Lactte.

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GDS E CONEXÃO DIRETA SÃO AMBOS IMPORTANTES !

Excelente o nível do debate promovido entre os 4 participantes do painel ID2.

Luiz Ambar (Sabre), Marcelo Bento (Gol), Debora Kondo (Azul) e André Vieira (Amadeus) debateram abertamente, sem meias palavras, as mega tendências da distribuição dos serviços de viagens, no painel ID2. Global Distribution Strategies, ontem, 2a. feira, primeiro dia do LACTTE 2011, superevento promovido pela ABGEV e GBTA, no Grand Hyatt São Paulo.

Explicitaram, a partir de 6 macro temas, as suas visões (e de suas empresas), de quais serão as tendências globais da distribuição no futuro (que começa daqui a 1 minuto)…

Perspectiva do Cliente Corporativo
– Globalização: Flexível ou Regionalização?
– Plataforma Dominante: PC, Tablet ou Mobile?
– Meios de Pagamento: Cartão ou M-Payment?

Perspectiva da Cia. Aérea
– Extra Revenue: Merchandising ou Ancillary Fees?
– Conteúdo: Consolidação ou Fragmentação?
– Distribuição: GDS ou Direct Connect?

As argumentações consistentes e as opiniões bem fundamentadas dos painelistas estimularam a participação da plateia, com perguntas, análises e manifestação de 12 pessoas entre as 160 presentes.

Um painel que foi valorizado pela qualidade dos debatedores e da plateia, no espírito de compartilhamento do conhecimento promovido por nossa ABGEV.

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O ESPÍRITO INOVADOR

Ao responder um comentário no post QUEM PODERIA IMAGINAR…?, escrevi uma frase que chamou a atenção de alguns amigos, que me abordaram questionando sua autoria, pois tiveram a impressão de já a “terem lido em algum lugar”.

“O espírito inovador é um inconformado e, por isso, independentemente do ambiente ou da época em que viva, buscará sempre um olhar diferente, uma abordagem inédita, um ponto de vista único”, foi uma resposta que dei ao comentário do Rubens Falcão sobre o post citado.

Francamente, desconheço se alguém já havia publicado “ou postado” algo parecido, mas a frase foi elaborada de forma a expressar sucintamente o que penso sobre o assunto, o que agora faço mais analiticamente.

Observando a trajetória de alguns profissionais do mercado de viagens e turismo, que se destacam por isso, percebo que ter o espírito da inovação é uma característica que, curiosamente, está associada a algumas outras (nem sempre todas), além das citadas na tal frase:

– inconformado: acha que sempre pode melhorar algo que a maioria considera suficientemente bom.

– diferente: prefere seguir um caminho que não conhece do que seguir a mesma trilha da maioria.

– inédito: não copia, não gosta de cópias, prefere o original.

– único: evita modismos, valoriza a exclusividade e a identidade própria.

– questionador: duvida de todas as verdades absolutas de seu interlocutor.

– obstinado: quando tem certeza de algo, nada o faz mudar de ideia.

– controverso: prefere discordar do que concordar, nem que seja para promover o debate.

– holístico: tem sempre um argumento que considera o todo em detrimento do específico.

– perfeccionista: não aceita soluções prontas, prefere aprimorá-las, pois considera que nada está tão bom que não possa ser melhorado.

– arrojado: apesar de afeito ao risco, pode se jogar ou não em um novo projeto, dependendo de outras variáveis, em geral de ordem pessoal.

– autêntico: tem postura VG (verdadeira grandeza), não se preocupa em impressionar, não aumenta e nem inventa.

– inquieto: não se acostuma à rotina, à pasmaceira, ao “tudo igual todo dia sempre”, é um “desassossegado”.

– criativo: está sempre “inventando moda” e levando as pessoas a perguntarem: o que fulano vai inventar agora…?

O espírito inovador não age assim por opção, mas por necessidade.

Não me refiro aqui aos grandes gênios da humanidade (em geral cientistas, músicos, inventores, escritores, pintores, artistas, desportistas, etc), mas aos espíritos inovadores que permeiam nossas vidas, nossas empresas, nossa rede social (a real, não a virtual) e nossas famílias.

Certamente você lembrou de algum familiar, amigo, colega ou conhecido ao ler este texto.

Eu lembrei de alguns…

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