Algumas pessoas, quando viajam ao exterior, procuram manter seus principais hábitos diários e, em especial, buscam restaurantes cuja cozinha ao menos se assemelhe a de seu país de origem.
Outras preferem justamente os restaurantes chamados “turísticos”, por se sentirem mais à vontade e por considerarem que poderão optar entre os pratos típicos e os internacionais.
Existem ainda as que fazem exatamente o oposto e pesquisam os chamados restaurantes autênticos, aqueles que são frequentados pelos “nativos” e não estão incluídos na categoria turística e, justamente por isso, podem oferecer um serviço acima da média, associado a uma culinária tradicional, verdadeiramente da região visitada.
Em Madri, para a Fitur, após pesquisar entre algumas opções, como o “Bazaar” (muito badalado, não resiste a uma pesquisa nos comentários do Trip Advisor), o “Europa Decó” (dentro do Hotel Urban, moderninho, bem decorado e só), “Rubaiyat” (bem, esse todos conhecemos a qualidade, mas podemos ir em São Paulo), acabamos arriscando o “El Rincón de Estebán”, na Calle de Santa Catalina, 3, rua em frente ao Congresso de los Diputados de Madrid.
Ressabiados no início (afinal estávamos no “Cantinho do Estevão”…), fomos caminhando do NH Paseo del Prado (em frente ao museu) até o Congresso e dali entramos na tal Calle de Santa Catalina, onde o restaurante ocupa todo o andar térreo (quase uma casa) de um prédio antigo.
Nossa surpresa começou com a calorosa acolhida do Sr. Esteban, um senhor de setenta e poucos anos, bem disposto, vestido com paletó e gravata, assim como os maitres e o gerente da casa, e seguiu-se com a gentileza unânime dos garçons, sommelier e ajudantes de mesa.
A decoração aconchegante, típica de uma residência transformada em restaurante, lembrava exatamente isso: estávamos em casa.
Nas paredes algumas poucas fotos, do Sr. Esteban, mais jovem, com o príncipe Filipe e outra, mais velho, com a rainha Sofía que, segundo o anfitrião, frequenta eventualmente o restaurante.

Ok, ok, isso lembra restaurante turístico…, mas a lembrança se encerra aí.
Depois de um correto serviço inicial, a “perdiz roja a la toledana” e o “bacalao a la castellana” estavam soberbos e bem acompanhados pelo vinho indicado.
Depois da ótima sobremesa da casa e do expresso, Sr. Esteban nos trouxe um licor de limão “hecho por mi hermano, es mejor que limoncello italiano”.
Existem lugares de uma cidade que marcam a nossa memória e, quando retornamos àquela cidade, sempre desejamos voltar àquele lugar.
Pela cozinha, pela acolhida e pelos bons momentos que desfrutamos, estou certo que retornaremos ao El Rincón de Esteban, em Madri.
