FLORES, CORES, SABORES E PERFUMES DO PARAÍSO

Paraíso é uma dessas palavras com enorme força interior, que se expressam por seu próprio conceito, sobre o qual não pairam dúvidas…

Existem bons, ótimos, excelentes lugares, como existem locais maravilhosos, fantásticos, espetaculares, mas qualquer um desses conceitos admite algum grau de intensidade, como também podem variar, de pessoa para pessoa.

Acima desses, existe ainda o lugar chamado “paradisíaco”, ou seja, com alguma semelhança com o que se imagina ser um paraíso.

Mas se você deseja qualificar, de forma realmente inquestionável, um lugar que, para você, é especial, absoluto, único, chame este lugar simplesmente de “o paraíso”.

Paraíso não aceita dúvida: é o paraíso e pronto !

Paraíso é o lugar onde não existem problemas ou defeitos, somente virtudes, beleza e harmonia.

Enfim, é o lugar para onde vão os bons e os justos (tem conceito mais esclarecedor do que este?).

Resumindo, é o lugar perfeito…

Por tudo isso, do ponto de vista do bem estar, afirmo que este lugar onde estamos agora, a ilha de Taha’a, no Tahiti, é o meu Paraíso na Terra !

Como dizem que para chegar ao paraíso é necessário passar pelo purgatório, com certeza a distância e o tempo da viagem exerceram este papel:
1 – RIO/GRU – TAM (1h)
2 – Conexão (3h)
3 – GRU/SCL – LAN (4h)
4 – Conexão (5h)
5 – SCL/PPT – LAN (13h)
6 – Conexão (24h)
7 – PPT/Raiatea – Air Tahiti (1h)
8 – Conexão (1h)
9 – Raiatea/Taha’a – Lancha (40min)

Mas a Ilha de Taha’a está valendo cada minuto deste esforço !!

Durante o planejamento desta viagem, muitos amigos me perguntaram o que cariocas, que moram na praia da Barra da Tijuca (eleita entre as 10 melhores praias urbanas do Brasil), queriam fazer no Tahiti…

Alegavam que o Tahiti é programa para quem não mora perto de praia e que, no final das contas, “praia é praia e o Tahiti não deve ser tão diferente assim”…

Ledo engano: quanta diferença !

Tahiti é destino para quem adora praia, mesmo que more em frente a uma.

Todas as informações que eu reunia sobre a Polinésia Francesa, suas praias inigualáveis, sua natureza exuberante, suas flores abundantes e suas cores generosas (do céu, do mar, da areia, dos peixes, da vegetação, da comida, etc) foram superadas pelo choque visual “ao vivo”, de toda essa manifestação conjunta da natureza…

Some-se a tudo isso o fato de estarmos hospedados no Le Taha’a, um Relais & Chateaux de origem francesa (incluindo culinária, decoração, charme), com um autêntico Spa tahitiano, bangalôs sobre a água, praia privativa, entre outros atrativos já conhecidos.

Como o turismo é a principal atividade econômica do arquipélago, os nativos são sempre gentis e empenham-se em demonstrar amabilidade.

Interessantes também as famosas fazendas de pérolas (pearl farms) do Tahiti, verdadeiros criadouros subaquáticos que, aqui, produzem as chamadas “black pearls” (pérolas negras) que, apesar da base sempre escura, atingem variados matizes, que vão do verde ao prata.

Diferentes das pérolas brancas japonesas e das pérolas amareladas australianas, mais abundantes, as pérolas tahitianas são cultivadas quase artesanalmente e, por isso, são as mais raras e valorizadas do mundo.

Entre os diversos momentos mágicos, assistimos, estupefatos, a beleza única do por do sol em Taha’a, a qual, no entanto, não resistiu à verdadeira poesia que é o amanhecer neste lugar, com o sol mansamente revelando a beleza das cores do mar do Pacífico, azul turqueza se olhado ao longe e inacreditavelmente transparente, quando olhado de perto.

Por último, paira no ar um aroma adocicado, um leve perfume oriundo das plantações de baunilha, características de Raiatea, ingrediente também dos óleos aromatizantes utilizados nas sessões de massagem do Spa.

Algumas pessoas, quando estão diante de tantos atributos reunidos num só lugar, tendem a buscar ou imaginar defeitos e, por isso, antecipo:
– a água do mar, nem fria nem morna, é a mais agradável que já experimentei.
– o mar é calmo, quase uma piscina natural.
– os peixes, abundantes e coloridos, povoam até a beira das praias.
– a vegetação é exuberante e preservada.
– o clima, nesta época do ano, é ameno, com sol e brisa fresca.
– os preços…, bem, até o paraiso tem seu preço…

Amanhã, vamos à Bora-Bora, mas o meu paraíso pessoal, definitivamente, fica em Taha’a, ao lado da Ilha de Raiatea, norte da Polinesia Francesa.

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EU VOEI LATAM: SERÁ ENORME O DESAFIO…!!

Eu estava bem animado com o acerto estratégico da fusão LAN e TAM e cheguei a escrever um post sobre isso.

Conciliar frotas, sistemas, rotas, pessoal, programas de milhagem etc etc é um grande desafio, que tem tudo para otimizar a operação conjunta das duas cias, trazendo óbvios benefícios para ambas.

Mas como administrar culturas tão diferentes quanto as da TAM e da LAN?

Nosso voo Rio/Papeete pela LAN, sairia do Rio às 6:05h, de 27/10, pela TAM (code-share), para conexão em Guarulhos para voo LAN às 9:55h para Santiago e, daí, nova conexão para Papeete às 17:00h também com a LAN.

O roteiro, bem planejado com quase 4 horas de folga entre Rio e São Paulo, não resistiu às diferenças culturais das equipes LAN e TAM…

O voo da TAM, que era um voo RIO/NYC, saiu atrasado 1:30h e, por isso, chegamos em Guarulhos às 8:40h, ainda assim 1:15h de antecedência, suficiente para uma conexão com a LAN, cia. aérea emissora dos bilhetes.

A supervisora da TAM, Britney, muito gentil e bem treinada, nos guiou na desabalada correria de praxe (por isso, bem treinada), para chegarmos ao checkin da LAN às 8:52h, ou seja, 1:03h antes da saída do voo para Santiago.

Qual não foi nossa surpresa, incluindo a de Britney, ao ouvir da supervisora da LAN, Karen, muito séria e profissional, que seu voo havia fechado 5 minutos antes do previsto, apesar de todos os contatos por rádio entre as duas supervisoras, durante todo o tempo.

Alegou Karen que a LAN é muito rigorosa com horário e que, mesmo ela tendo a prerrogativa de reabrir o voo, não o faria, pois não via sentido em abrir uma exceção, nem mesmo admitindo que havia tempo hábil, sem risco de atrasar o voo, para embarcar os 4 Pax (Rio/Papeete/Sydney/Rio) e 8 Pax (Rio/Santiago).

Por curiosidade acadêmica perguntei: “Karen, por que não reabrir o voo, se isso beneficiará os 12 Pax e a própria LAN, sem risco de prejudicar os demais clientes?”

A resposta de Karen, tão seca quanto profissional, me pareceu saída da boca de um capitão: “São procedimentos da nossa companhia”.

A atleta Britney, da TAM, nos reacomodou em seu voo das 8:30h para Santiago, o qual, por também estar atrasado, acabou saindo às 9:55h, curiosamente no mesmo horário do voo da LAN, que a militar Karen nos impediu de embarcar.

Passei as 3:30h do voo refletindo em como a cultura corporativa pode influenciar a percepção dos clientes sobre uma empresa e sobre as consequências disso, ao longo do tempo.

Em especial, fiquei imaginando que espetacular desafio terão os dirigentes da TAM e da LAN, para conciliar uma cia. aérea que convive com atrasos de 1:30h mas trata os passageiros como clientes, com outra cia. aérea que atua com rigor desmedido, preferindo priorizar processos em detrimento dos passageiros…

E não me venham com aquela estória de “Vamos pegar as virtudes de cada uma e evitar os defeitos”…

Isso me faz lembrar a fábula da proposta de casamento que uma linda modelo fez ao gênio Albert Einstein, sob a alegação de que os dois teriam filhos lindos como ela e inteligentes como ele, a qual foi prontamente recusada pelo físico, com uma justificativa lacônica: “O risco de ocorrer o oposto invalida o experimento…”

Como cliente, senti na pele qual será, provavelmente, o maior desafio da fusão LAN e TAM: as diferenças culturais de suas equipes e, por conseguinte, das duas empresas.

Em tempo: quando embarcamos no voo da TAM, observamos que o gate da LAN, ao lado, acabara de abrir para iniciar o embarque para o qual emitimos nossos bilhetes…

Ninguém é de ferro…!

Essa frase do título é tão óbvia, que eu não resisti.

Justamente por isso, viajo hoje com D. Solange Vabo (isso também não é novidade) para relaxar uns diazinhos no outro lado do oceano, em Taha’a, Bora-Bora e, depois, Sydney.

Afinal, a vida não é só trabalho, tecnologia ou distribuição…

Com autorização da Helô e sem autorização do Sidney Alonso, entrarei um pouco na seara dos dois, em meu próximo post.

Breve…

Fui.

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