GDS: a volta dos que não foram…

Usualmente é difícil encontrar um título para um artigo, que resuma o sentido ou o espírito de um texto, mas hoje diversos títulos me vieram à cabeça:

GDS: o renascimento (cabe bem para este post)

GDS: inovando com o passado (também cabe para este post, mas não soa bem)

GDS: novos entrantes no Brasil (este é quase perfeito)

É estimulante acompanhar a evolução da distribuição em nossa indústria e, em especial, o esforço dos GDSs em manter o status quo do seu negócio no Brasil, durante os últimos anos.

Desde 2004 sem distribuir a íntegra de seu conteúdo através de GDS, a TAM finalmente retornará ao modelo de distribuição “lock in”, que ainda é padrão mundial.

Vitória do GDS? Sim… e não.

O fato é que nenhuma empresa de tecnologia conseguiria manter-se, durante mais de 6 anos, em um mercado em que sua participação caiu, abruptamente, de 100% para cerca de 17% neste período.

Os GDSs conseguiram.

E conseguiram graças ao seu rentável modelo de negócio, que sobrevive no mundo inteiro, e que subsidiou a operação no Brasil, como fazem em qualquer região considerada estratégica, mesmo que não remunere sua operação localmente.

No Brasil, é provável que os GDSs tiveram que ceder no preço da segmentação, mas ganharam em sobrevivência no mercado nacional, exatamente num momento em que este mercado só tende a crescer, com previsão de triplicar nos próximos 20 anos.

A TAM também venceu.

Conseguiu estabelecer sua própria plataforma de distribuição, que permanecerá totalmente operacional e instalada nas agências de viagens, cabendo ao mercado optar por continuar utilizando-a ou retornar ao GDS, cujo preço de segmentação, como disse, certamente foi reduzido.

Mas agora a TAM detem o controle estratégico sobre a sua distribuição.

Os GDSs que oferecerão o “full content” da TAM já iniciaram a disputa comercial para demarcar seu pedaço no latifúndio, que são as agências de viagens, mesmo antes de saber se o latifúndio deseja ser demarcado…

Trata-se de um novo velho filme, algo como “A Reconquista dos Agentes – Reloaded”.

É um legítimo processo de conquista comercial, como em qualquer concorrência, mas que utiliza as mesmas armas utilizadas no passado e que levaram as cias. aéreas a questionar seu modelo.

“O incentivo que o GDS paga ao agente de viagens sai do meu bolso”, afirmavam as cias. aéreas antes de 2004, quando se rebelaram contra isso, por perceberem que pagavam um sobrepreço pela segmentação, que acabava por financiar o controle estratégico sobre a distribuição de seu produto, pelo GDS.

Hoje, por receberem um valor menor pela segmentação, haverá espaço para o GDS pagar incentivo à agência?

E se pagarem incentivo agora, para ganhar mercado um do outro, será até quando?

No final das contas, penso que todos concordam que o retorno do GDS ao mercado de distribuição de voos nacionais é muito bem-vindo:

– para as agências de viagens, como alternativa de sistema de reserva de baixo custo.

– para as cias. aéreas, pelas funcionalidades para voos internacionais e entre cias. aéreas diferentes.

– para os sistemas integradores, como o Reserve, pois simplificará a integração para uma quantidade menor de fornecedores de conteúdo, substituindo os atuais mais de 20 sistemas diferentes, gerando economia de desenvolvimento, manutenção e suporte.

– para a indústria de viagens, pela indiscutível importância do GDS como player em nosso mercado.

Embora os GDSs não tenham mudado seu modelo de remuneração, certamente se ajustaram a este novo tempo, representado pelas novas tecnologias disponíveis, pelas menores margens de rentabilidade das cias. aérea e do mercado e pelo maior poder de escolha dos clientes e dos agentes de viagens.

Sejam bem-vindos de volta para o futuro !

.

Operador ou Consolidador de Hotéis?

(Peço licença a meu amigo Cássio, profundo conhecedor do tema Consolidação)

Penso que o negócio da consolidação de bilhetes aéreos tem, entre seus principais pilares, o crédito concedido pela agência consolidadora ao pequeno agente (às vezes nem tão pequeno), a qual, na maioria das vezes, não consegue crédito diretamente com a cia. aérea.

Obviamente, nada impede que uma agência que tenha crédito em determinada cia. aérea, emita bilhetes através de um consolidador, desde que a condição comercial oferecida seja melhor que a da cia. aérea, configurando assim uma prática largamente utilizada, apesar de ferir a lógica da distribuição comercial (mas este é outro assunto).

Já na hotelaria, os consolidadores atendem mais pelo nome de operadores e, com o uso intensificado das novas tecnologias, que permitem reservas online via internet, estão se multiplicando rapidamente…

Além das consolidadoras online mais focados na hotelaria nacional (como a Trend, Hoteisnet, e-HTL etc. etc.) existe hoje uma quantidade bastante expressiva de consolidadores de hotéis internacionais, já operando no Brasil: Transhotel, Hoteldo, Tourico, Travco, Hotelbeds, GTA, Miki, Pluralis, CTN, apenas para citar alguns…

Ocorre que todas estas empresas disponibilizam interfaces XML para integrar seu conteúdo a operadores nacionais, que desejam comercializar, de forma prática e segura, hospedagem de hotéis em todo o mundo, para agências de viagens que necessitam de crédito, serviço e/ou tecnologia, para atender seus clientes.

A facilidade das novas tecnologias permite que alguns destes portais ofereçam o conteúdo de outros portais, que por sua vez, oferecem o conteúdo de outros, num “samba do crioulo doido” sem fim, que acaba por gerar o risco de encontrar-se num determinado portal, um hotel duplicado ou triplicado, com tarifas diferentes, para o mesmo período… Mas até isto a tecnologia já consegue evitar, desde que bem aplicada.

O fato é que o mercado de consolidação de hotelaria está em ebulição e, até o momento, não ficou claro quem vencerá esta batalha, se poucos grandes consolidadores ou muitos médios operadores hoteleiros…

.

Mudei de assunto: NBTA Houston 2010

Quando escrevi sobre liderança em 18/04, associando o tema ao técnico Joel Santana do Botafogo, campeão carioca de futebol de 2010, os muitos comentários recebidos confirmaram que o futebol é um tema da preferência dos brasileiros.

Mas não esperava que o post de 05/07/10 Mudei meu voto para presidente fosse gerar tanto interesse e polêmica em quase 50 comentários…!!!

De qualquer forma, a Copa do Mundo acabou, ainda faltam 83 dias para as eleições e temos muito trabalho pela frente, para que o ano não fique resumido a eventos que pouco ou nada tem a ver com o negócio de agenciamento de viagens em 2010.

Em agosto, mais precisamente de 08 a 11 de agosto, participaremos, Solange e eu, do NBTA International Convention & Exposition 2010, em Houston/USA, super evento focado exclusivamente em gestão de viagens corporativas, onde renomados especialistas de todo o mundo debatem e compartilham experiências a respeito dos melhores processos e das mais modernas tecnologias aplicadas ao setor.

Sempre participando da delegação brasileira organizada pela ABGEV, marcamos presença neste evento desde 2005, e afirmo que isso tem feito diferença em nosso negócio, pois ali estão reunidos os mais importantes players de serviços e de tecnologia para gestão de viagens corporativas.

Para nós do Reserve, todo NBTA Convention oferece referências importantes, ideias relevantes e estímulos à inovação, nos levando a adaptar conceitos para o mercado latinoamericano, a melhorar o que geralmente é desenvolvido para os EUA e até a evitar o que não deu certo ou que teria pouca aderência em nossa realidade.

Este ano, certamente, não será diferente.

.