Ficha (Suja e Barra) Limpa

Um tema como o da ética na política é de uma aceitação tão óbvia quanto o da sustentabilidade ou da inclusão social.

O apoio de quase 2 milhões de assinaturas de eleitores não é algo a ser desperdiçado por quem depende de votos pata se manter no poder.

A oportunidade de amenizar, numa única tacada, os muitos anos de descrédito da classe política, justamente em ano eleitoral, também não é fato que ocorre a toda hora.

Nada disso parece suficiente para sensibilizar a classe política ou mesmo receber da imprensa o destaque que o assunto merece.

A usina de Belo Monte, as multas do TSE ao PT e a convocação do Dunga seriam mais importantes do que um projeto de lei que pretende tornar inelegível por 8 anos o candidato condenado em órgão colegiado?

Com relatoria do deputado Índio da Costa, o projeto de lei batizado de Ficha Limpa, tem que ser aprovado até 10 de junho, para que tenha efeito nas eleições deste ano.

Com alguns partidos manifestando interesse em manter a barra mais limpa do que a ficha, penso que sem pressão popular e apoio da imprensa, será quase uma missão impossível.

Explanação rebuscada…

No post anterior Agência e sistema: global ou local?, recebi um comentário de meu amigo Rocco Laieta, tão direto quanto verdadeiro, afirmando que eu “rebusco” muito a explanação e utilizo muitas siglas, nem sempre de domínio geral, às vezes dificultando um pouco a compreensão do que realmente desejo transmitir.

Admiti imeditamente o acerto de sua opinião e tentei corrigir-me, explicando o significado das siglas que eu havia incluído no texto, sem a devida “tradução” e prometi postar uma espécie de glossário de siglas e termos, alguns técnicos e outros comerciais, relativos ao mercado de turismo e de viagens corporativas.

Agradeço ao Rocco pela franqueza e, após contar com a ajuda do Rubens Falcão, outro amigo estudioso do assunto, apresento aqui, sem a menor pretensão de ser conclusivo ou mesmo de buscar precisão nas descrições, o GTR (Glossário de Termos Rebuscados), com algumas descrições de expressões que fazem parte do dia-a-dia de quem lida com distribuição, tecnologia e viagens corporativas.

ABGEV: sigla de “Associação Brasileira de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas”, que é a associação, de abrangência nacional, que reúne gestores de viagens corporativas de empresas, agências, sistemas e fornecedores em geral.

ABRACORP: sigla de “Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas”, que é a associação, de abrangência nacional, que reúne agências de gestão de viagens corporativas.

AGV: sigla de “Agência de Gestão de Viagens”, também conhecida como TMC (Travel Management Company), que é a empresa especializada em gestão de viagens corporativas, responsável pelo atendimento, reservas, comercialização e gestão dos serviços de viagens para empresas de todo porte.

AIR-SHOW: informações sobre o voo que aparecem nos monitores dos aviões modernos, contendo orientações sobre distâncias, duração do voo, entre outras.

ALL-INCLUSIVE: hotel em cuja diária estão incluídas todas as despesas, tais como bebidas, refeições, café da manhã, almoço, jantar, refeições intermediárias e entretenimentos, prática oferecida em alguns hotéis voltados para turismo.

BACK-OFFICE: sistema de gestão financeira de agências de viagens.

BED & BREAKFAST: hotel que oferece somente o quarto e o café da manhã, sem qualquer outro tipo de serviço ou entretenimento.

BOARDING PASS: cartão de embarque.

BUSINESS CLASS: classe executiva.

CAV: sigla de “Controle de Adiantamento de Viagens”, que é o recurso oferecido por sistemas de gestão de viagens corporativas, que permite à empresa fazer a gestão da verba adiantada ao colaborador em sua viagem corporativa.

CHARTER: tipo de fretamento em que todos os lugares do meio de transporte são comprados por uma operadora de turismo, para serem revendidos em pacotes ou diretamente.

CHECK IN: verificação de entrada no hotel ou de embarque no aeroporto.

CHECK OUT: verificação de saída no hotel ou desembarque no aeroporto.

ECONOMY CLASS: classe econômica.

FIRST CLASS: primeira classe.

FREE SHOP: loja livre de impostos situada em área restrita dos aeroportos, acessada por passageiros em embarque e desembarque de voos internacionais.

GDS: sigla de “Global Distribution System”, que são sistemas multinacionais concentradores do inventário de serviços (disponibilidade, tarifas, reservas, emissão etc.), contratados pelas cias. aéreas, hotéis e outros fornecedores de serviços de viagens e turismo, para distribuição de reservas aos agentes de viagens.

INTEGRADORES: sistemas concentradores do inventário de serviços (disponibilidade, tarifas, reservas, emissão etc.), contratados pelas agências de viagens e empresas clientes, para conexão direta aos serviços das cias. aéreas, hotéis e outros fornecedores de serviços de viagens e turismo.

INTERNET: rede mundial de computadores, também conhecida como “Web”.

LATE CHECK OUT: quando o hóspede pretende deixar o hotel após o horário estabelecido para a saída.

NO-SHOW: não comparecimento de hóspede ou passageiro, com reserva confirmada, que não efetuou o cancelamento dentro do prazo da reserva, usualmente ensejando cobrança de multa.

ONLINE: todo tipo de comunicação, transação e/ou transmissão de dados em tempo real, realizada entre sistemas computacionais.

OTA: sigla de “Online Travel Agency” e a agência de viagens online.

OVER-BOOKING: excesso de reservas para um mesmo serviço, acima de sua capacidade máxima.

PAX: denominação internacional para Passageiro.

PEDIDO: unidade de serviço reservado através de sistemas integradores.

PNR: sigla de “Passenger Number Record”, que é a unidade de reserva através de GDS.

ROOM SERVICE: serviço de atendimento de pequenas refeições no quarto do hotel.

SBT: sigla de “Self Booking Tool”, que é o sistema de autoreserva, também denominado OBT (Online Booking Tool) e mais conhecido no Brasil como Sistema de Gestão de Viagens Corporativas.

SELF BOOKING: processo de autoreserva em que o próprio cliente realiza suas reservas, conectado aos sistemas de cias. aéreas, hotéis e outros fornecedores de serviços de viagens e turismo.

SELF TICKET: ou self-ticketing, processo de autoemissão em que o próprio cliente emite os serviços de viagens, conectado aos sistemas de cias. aéreas, hotéis e outros fornecedores de serviços de viagens e turismo.

SLA: sigla de “Service Level Agreement” que é o acordo de nível de serviço que define os níveis mínimos de qualidade do serviço prestado por um fornecedor, a partir de indicadores e métricas.

STAND BY: lista de espera para ocupação e uso de um determinado serviço, sujeito a reservas.

SITE: um conjunto de páginas “html” que compõem a presença eletrônica de uma determinada pessoa jurídica na internet, as quais estão vinculadas a um determinado endereço eletrônico e a um domínio, que é o nome do “site” registrado nos organismos autorizados, também denominado portal, “home page” ou página na internet.

TMC: sigla de “Travel Management Company”, também conhecida como AGV (Agência de Gestão de Viagens), é a empresa especializada em gestão de viagens corporativas, responsável pelo atendimento, reservas, comercialização e gestão dos serviços de viagens para empresas de todo porte.

UP-GRADE: melhoria de nível para um determinado serviço contratado.

VOUCHER: comprovante de pagamento antecipado de hotel, locação de carro, seguro viagem ou passagem aérea.

WALK IN: quando o passageiro chega ao hotel sem reserva.

WALK OUT: ou “Express Check Out” é quando o passageiro deixa o hotel sem realizar o processo usual de “check out” na recepção.

WWW: sigla de “World Wide Web”, que significa “rede de alcance mundial”, também chamada resumidamente Web ou Internet.

Agência e sistema: global ou local?

As grandes corporações vivem um verdadeiro conflito quando se encontram na situação de decidir a contratação de um sistema de gestão de viagens corporativas (ou self booking tool) para controlar sua política de viagens, agilizar processos e reduzir custos.

Ou escolhem um sistema local, desenvolvido para o mercado do país em que ele será utilizado, que atende as funcionalidades requeridas pela organização ou selecionam um sistema global, que pode não entregar soluções customizadas e específicas daquele mercado, por seguir padronização mundial, a despeito de atuar em países com mercados tão diferentes como EUA e China, Israel e Turquia, Paquistão e Brasil.

Similar problema ocorre na contratação da agência de gestão de viagens, pois apesar da grande experiência e alto nível de cumprimento de SLAs das travel management companies, frequentemente as agências locais são as contratadas, por entregarem um serviço mais ágil e personalizado, com o mesmo SLA e expertise da TMC.

Com um sistema desenvolvido e operado no Brasil, nossa experiência em desbravar o mercado externo tem nos mostrado o valor do velho conceito, praticado por multinacionais inovadoras, que visam o resultado de suas ações acima de tudo: pensar globalmente e agir localmente.

Assim fez a Cargill Agrícola S.A., quando em 1995 ousou contratar no Brasil um “novo entrante” num mercado de gigantes e hoje, 5 anos depois, inovou outra vez ao recontratar este mesmo sistema, agora como líder de mercado, para a primeira implantação fora do país.

Neste caso, uma vez mais fugindo à regra, a Cargill pensou globalmente e agiu regionalmente.

E acertou outra vez.