Empreendedorismo está definitivamente na moda.
Pra onde eu olho, há algo que me chama a atenção para este fato: os novos profissionais só querem saber de empreender.
Na entrevista de um candidato a estágio, com 19 anos, rolou o seguinte diálogo:
– Qual seu objetivo em estagiar conosco?
– Quero aprender muito, tenho muita curiosidade em conhecer como uma empresa estruturada faz as coisas acontecerem com pessoas tão diferentes, todos indo na mesma direção.
A resposta intrigou o entrevistador que apertou:
– E esta curiosidade vai levá-lo aonde? Qual seu maior sonho?
– Quero aprender o máximo que puder, para poder montar o meu negócio…
Meu filho, Luís Vabo Júnior, leciona Empreendedorismo na PUC-Rio e temos conversas muito interessantes sobre este tema, aprendo muito com ele, em especial com a forma como um talento ou atributo pessoal (conceito de alguns anos atrás) foi transformado em ciência.
– “Fulano tem espírito empreendedor”, dizia-se, até os anos 90, daquelas pessoas que “tinham nascido com tino para os negócios”.
– “Beltrano capacitou-se em empreendedorismo”, diz-se hoje dos alunos que, como o estagiário da entrevista acima, só pensam em tocar o seu próprio negócio.
Mas como identificar um espírito empreendedor? Quais são as 10 características mais comuns entre os empreendedores?
Segue uma lista que é um apanhado de opiniões variadas, associadas às minhas próprias observações sobre o comportamento e a atitude das pessoas:
1. O empreendedor tende a estabelecer metas desafiadoras para si, assume riscos razoáveis, mas possíveis.
2. Não se omite frente à responsabilidade sobre os problemas, procura soluções e se esforça muito para encontrar.
3. É proativo, observador, detalhista, rastreia o ambiente, sempre procurando informações e oportunidades e coloca mãos à obra para atingir seus objetivos.
4. Acha que tudo pode ser melhorado e procura formas de inovar e de apresentar soluções mais eficientes.
5. É determinado, persiste nos seus objetivos, tem foco, dedica tempo e concentra energia nos seus projetos.
6. Deseja saber a opinião das pessoas envolvidas em seu trabalho, quer saber objetivamente o que acham de seu desempenho, precisa de feedback e encontra meios de obtê-los.
7. Não esconde seu maior sonho: tornar-se empresário.
8. Não receia trabalhar, ousar, arriscar, errar, refazer, errar de novo, insistir, tentar outra vez, tantas vezes quanto for necessário, até acertar.
9. Acredita em si mesmo mais do que em seus próprios gurus, por mais extraordinários que sejam, embora nem sempre admitam isto.
10. Sente-se forte, independente e capaz de vencer tudo o que encarar, é só uma questão da curva de aprendizado até tornar-se o melhor em qualquer assunto.
Qualquer semelhança com o comportamento adolescente não é mera coincidência.
Ao menos do ponto de vista conceitual, os jovens empreendedores têm muito a ver com os adolescentes, pois também questionam os procedimentos, as práticas e a atitude dos adultos, neste caso, os empresários que um dia, se bem sucedidos, eles se transformarão.
Ou, como dizia Elis: “Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.”
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