QUEM CONTINUA LUCRANDO COM TURISMO ONLINE É O GOOGLE

Ao assistir à boa apresentação da equipe comercial do Google ontem, durante a reunião da Abracorp de julho, lembrei-me de um post que publiquei em 15/03/2013, aqui no Blog Distribuindo Viagens.

E não lembrei desse texto à toa, pois na verdade, o debate que se seguiu à esta apresentação suscitou-me a confirmação de que aquele texto continua atualizado, ou seja:

QUEM LUCRA COM TURISMO ONLINE É O GOOGLE

Não é difícil fazer as contas.

Algumas das grandes OTAs brasileiras (refiro-me a Decolar, Rapi10, Submarino, Viajanet etc) gasta entre R$ 250mil e R$ 2milhões mensais com Adwords do Google.

Como sabemos, apenas para pagar esta conta, é necessário vender pelo menos 10 vezes mais, ou seja, entre R$ 2,5 milhões e R$ 20 milhões mensais de venda de pacotes, bilhetes e hospedagens, somente para pagar a fatura do Google…!

Considerando que esses grandes “players” não podem investir somente no Google, mas também em meios tradicionais (jornais, revistas, eventos e até TV), dá para ter uma ideia do quanto somente a compra de Adwords pode não oferecer o retorno desejado.

Acompanho a evolução deste conceito há muitos anos, pois como maior anunciante de turismo do extinto site de buscas Cadê?, quando o Reserve operava como OTA entre 2000 e 2002, rapidamente vimos nosso investimento em “comprar palavras” (era o termo da época) esvair-se em muitos cliques, mas poucas vendas.

Alguém poderá dizer: “Ora, isso foi há mais de 10 anos, quase no século passado”.

Realmente, hoje a taxa de conversão é maior do que naquela época em que o Decolar detinha o 3o. lugar em vendas online no Brasil, atrás do Reserve e do Viajo.com (havia ainda o Ziptravel e o Bargain, entre outros), mas mesmo após muitos milhões de investimento de capital de risco, com os atuais fantásticos números de vendas do Decolar, afirmo, sem medo de errar, que é o Google quem fica com a maior fatia do bolo.

Aliás, eu estava escrevendo este post, quando recebi um mailing da TI Inside com matéria sobre estudo do eBay, um dos maiores anunciantes mundiais do Google, que setencia: “Ferramenta de anúncios do Google é cara e não funciona”.

O eBay compra a bagatela de 170 milhões de palavras-chave (as key-words) no Google e chegou à conclusão, após análise mais detalhada do que a usual métrica simplista do ROI, de que recebe USD 0,25 por cada USD 1,00 investido nesta ferramenta.

Talvez por isso, o temido projeto do Google Travel ainda não saiu do papel.

Afinal, pra quê o Google vai concorrer com as OTAs se elas têm sido tão generosas com ele?

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COMO TIRAR LEITE DE PEDRA…

Parei para analisar a realidade dos fatos recentes sob um ponto de vista um pouco menos glamouroso, mesmo que um tanto ácido…

Imagine um grande torneio entre diferentes agremiações, que participam com forte estrutura técnica, incluindo preparadores, assessores e estrategistas, todos apoiando os principais competidores. Estes, como grandes atores, se emocionam ao cantar o hino nacional, afirmam lutar para defender o seu país, buscam conquistar a confiança da população e dão mesmo tudo de si, enfrentando a equipe adversária com todas as armas que dispõem. Como todos desejam sair vitoriosos a qualquer custo, nem sempre utilizam recursos lícitos para derrotar o oponente e tentam burlar a vigilância atenta do juiz. No fundo, o que todos esses competidores buscam, a qualquer preço, são os louros da vitória, na forma dos benefícios de quem sagra-se vencedor nesta disputa, cujo principal símbolo é o título que passarão a ostentar por 4 anos, até a próxima edição da competição.

Isso mesmo, estou me referindo às eleições.

Depois do período de redução acentuada nos negócios, provocada pela Copa do Mundo no Brasil, voltaremos os olhos para um novo torneio.

Mesmo diante de um horizonte sombrio para nossa economia, continuo achando que o empreendedorismo brasileiro, como mola propulsora da sociedade, conseguirá tirar leite de pedra neste segundo semestre (que avança rapidamente) de 2014.

Mas sou mesmo um otimista incorrigível.

As empresas voltaram a viajar, acordos voltaram a ser negociados, negócios precisam ser fechados, contratos devem ser assinados, a produção, o trabalho e a economia urgem.

Refiro-me aqui especialmente ao mercado de viagens corporativas, o qual, como previsto e declarado pela Abracorp desde o início do ano, represou os eventos e deslocamentos dos executivos durante a Copa, com consequente incremento neste pós-Copa…, pelo menos até as eleições.

Pois neste curto período entre a Copa e as eleições, o governo despejará dinheiro na economia (através dos mecanismos macroeconômicos de sempre), visando estabelecer um ambiente favorável, mesmo que artificialmente, às intenções de eleição e reeleição dos candidatos do partido da situação.

Lamentável do ponto de vista político, apesar de tratar-se de expediente corriqueiro independentemente do partido, estes 3 meses configuram uma janela de oportunidade comercial, antes dos meses de incerteza que iniciam logo após os resultados serem divulgados.

Só nos resta trabalhar em busca de bons resultados, pelo menos até outubro…

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CONFUSÕES

Não sei aonde vamos chegar, mas os impactos no mercado de viagens e turismo são inevitáveis.

Não dá pra encarar as recentes confusões no mundo, sem analisar suas imediatas consequências sobre o fluxo de passageiros no transporte aéreo comercial.

Numa primeira análise, parecem longe de nós os conflitos na Faixa de Gaza (mais de 500 mortos civis até agora) e a derrubada do avião da Malaysia Airlines (também quase 300 mortos)…

Mas não dá para jogar pra baixo do tapete o fato de que existem armamentos capazes de derrubar um avião a 10.000 pés de altura, em mãos de extremistas, terroristas, milicianos ou ou nome que se queira dar a exércitos paramilitares.

Como se comportará o mercado da aviação quando o passageiro for informado que, conforme informações não oficiais e não confirmadas (ainda), a cia. aérea israelense El Al, prepara-se para equipar todos os seus aviões com sistemas antimísseis?

No vídeo abaixo, o CEO da El Al fala com tranquilidade sobre este sistema antimísseis, já em testes desde 2013:

Como se comportará o passageiro europeu, sabendo que qualquer rota próxima ao leste do continente, carrega um risco potencial de estar ao alcance de baterias antiaéreas sofisticadas, disponíveis a exércitos rebeldes, alimentados por grandes potências militares?

Depois do impacto do 11 de setembro, o mundo foi obrigado (pelos acontecimentos e pelo padrão imposto pelos EUA) a acostumar-se com a paranoia da segurança nos aeroportos.

Será que nos acostumaremos à paranoia da beligerância em pleno voo?

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Obs.: Num cenário desses, a Airbus ainda quer que os passageiros viajem em assentos de bicicleta…!

Airbus - Assento de Bicicleta
Airbus requer patente de assentos similares aos de bicicletas

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