A hegemonia conquistada pelo PT desde que assumiu o poder (e que se mantém até hoje), levou os partidos brasileiros a conviverem num ambiente político que está, há mais de 10 anos, contrabalançando suas próprias crenças com a popularidade de Lula e, agora, de Dilma.
Desde então, nenhum partido (e nenhum político de expressão) ousou apresentar, até hoje, uma alternativa clara de oposição, um projeto político que efetivamente contraponha-se ao poder vigente, devido ao inconfesso receio de “conflitar” com os mais de 70% dos eleitores que consideram bom ou ótimo (!?) o governo Dilma.
Caso típico de privilegiar o projeto político pessoal em detrimento da própria consciência, este comportamento dos políticos brasileiros assemelha-se muito à atitude geral da população, que considera natural o “eu” estar à frente do “nós”.
Apesar disso, este vácuo na prática política nacional (a falta de uma oposição legítima) acaba de ser preenchido pelo povo brasileiro.
Para quem teve alguma dificuldade (alguns ainda tem) de identificar a motivação dos atuais movimentos populares, espontâneos, sem lideranças, sem coordenação (também por isso, mais legítimos do que nunca), de tudo o que li e captei das passeatas, no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, as principais demandas são justamente saúde, educação, transporte, serviços públicos de uma forma geral, ou seja, aquilo que os 3 mandatos do PT deixaram de entregar (entre outros), apesar do estúpido aumento da carga tributária.
Mas existe um item, mais evidente do que todos os outros, mais desejado que tudo, verdadeira unanimidade entre os manifestantes de todos os estados brasileiros, de qualquer idade, gênero, classe social ou mesmo tendência política: o povo brasileiro não suporta mais a corrupção, a impunidade, a gestão fraudulenta, a política dissociada da ética e praticada em benefício próprio, a falta de representatividade, o enriquecimento ilícito, a justiça lenta, lerda, comprada, a prevaricação, a dissimulação, a “esperteza”, o engodo, a fraude.
O sentimento maior é que a falta de justiça gera a impunidade, que gera a corrupção, que gera todos os outros males.
Você consegue imaginar o que pode acontecer se os processos dos mensaleiros não terminarem da maneira que o senso comum espera?
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