QUASE UMA SEITA…

72 pessoas acordaram numa manhã de sábado de sol de verão, pegaram seus carros ou foram de taxi, alguns haviam voado de outras cidades na véspera, para entrar em um grande salão, onde permaneceram fechadas, das 9:00h às 17:00h, quase sem contato com o mundo exterior.

Não, não era um “reality show”, era “reality life”…

72 voluntários dedicaram um dia inteiro em prol do aprimoramento do mercado em que atuam, a indústria de eventos e viagens corporativas.

72 profissionais que assistiram e participaram, debateram e refletiram, ensinaram e aprenderam, compartilharam conhecimentos de forma focada e descontraída ao mesmo tempo.

Segmentados em 11 comitês, 72 clientes (gestores de viagens), agentes de viagens (TMCs), cias. aéreas, hotéis, locadoras e transportadores terrestres, sistemas integradores, de gestão de viagens (SGVC) e de distribuição global (GDS), especialistas em eventos, incentivos, meios de pagamento, consultores, outros profissionais e associações da indústria de eventos e viagens corporativas, estavam juntos com a mesma motivação.

Ali, naquele 02/02/2013, esses 72 profissionais, de todas as idades, com diferentes experiências e variadas opiniões, assinaram a ata de constituição de uma nova associação internacional e, assim, tornaram-se fundadores da ALAGEV – Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativos.

Durante o coffee-break, observei aquelas pessoas e imaginei como era extraordinário participar de tudo aquilo, daquela motivação, daquela certeza de fazer algo positivo por um propósito comum, sem interesses pessoais ou objetivos comerciais, apenas “por acreditar na causa”.

Eu estava mesmo imerso nesses pensamentos, quando a Patrícia aproximou-se e murmurou baixinho: “É quase uma seita…”

É isso, uma seita, mas não uma seita secreta. Bem ao contrário, a ALAGEV é uma seita aberta, transparentemente escancarada a todos que comungarem com os princípios do voluntariado, da integridade e da paixão por gestão de eventos e viagens corporativas.

Durante o almoço, fiquei pensando no privilégio de participar da diretoria executiva de uma associação com essas características e, em especial, na responsabilidade de ser o seu primeiro vice-presidente, tendo Viviânne Martins como presidente e Alexandre Pinto como diretor financeiro.

E lembrei de como os conselheiros Ana Panneitz, Patricia Thomas, Eliane Taunay, Eduardo Murad, Rodrigo Cezar, Walter Teixeira, João Bueno e Paulo Daniel, também fazem o possível e o impossível, para multiplicar seu tempo para apoiar a Aline Bueno e o Paulo Amorim, incansáveis na missão de gerenciar (e realizar) a associação, junto com toda a equipe.

Neste momento, fui surpreendido por uma fotógrafa, que apontou seu mini-iPad na direção de nossa mesa e dirigiu a foto, pedindo que todos sorrissem, “pois o dia estava lindo lá fora…”

Era Chieko Aoki, que veio ver de perto o que acontecia por ali, no Villa Noah, e aproveitou para registrar (foto abaixo) aquele momento, enquanto almoçava conosco.

Fundacao Alagev - Encontro de Comites Villa Noah
Fundação da ALAGEV - Almoço no Villa Noah no Encontro de Comitês 02/02/2013

O voluntariado tem disso, atrai, contagia e congrega…

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CABEÇA DE DONO…

Esta é uma expressão típica do conceito de meritocracia, incutido na cabeça de trainees e jovens executivos que se interessavam por disputar uma vaga em uma das empresas dos fundadores do Banco Garantia, nos anos 80.

Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, em sociedade e liderados (ou inspirados) por Jorge Paulo Lemann, criaram um império econômico graças ao seu talento individual e capacidade nata de identificar, motivar e extrair o máximo de jovens e promissores profissionais.

Criaram e seguiram à risca um modelo próprio de gestão, que prega a busca incessante de eficácia, através de metas cada vez mais agressivas, de produção, de automação de processos, de economia e de redução de custos.

A teoria do “fazer mais com menos” foi levada ao extremo do “fazer sempre mais e mais, com cada vez menos e menos”, numa filosofia de que o resultado está acima de tudo, não importando os meios para alcancá-lo, tese que eles sempre praticaram em suas próprias vidas, sempre com muito sucesso, diga-se de passagem (pelo menos naquilo a que se propõem).

No fundo, a ideia dos caras sempre foi baseada no velho Reco-Reco (Reconhecimento gera Recompensa), com metodologia criteriosa de medição de resultados versus generosa premiação pelas metas superadas, apoiado por um discurso bem estruturado, aceito e disseminado nos meios acadêmicos na época (e ainda hoje) associado a uma penca de exemplos de virtuosos e bem sucedidos jovens seguidores.

Um dos conceitos fundamentais deste pensamento considera que o profissional deve pensar e agir como sócio da empresa, para sempre buscar os melhores resultados para a companhia, dia e noite, todos os dias, ano após ano, muitas vezes (quase sempre) abdicando de seu tempo livre, de momentos de lazer, da companhia de amigos e da família: afinal, os resultados devem estar em primeiro lugar.

Para os líderes de uma empresa cuja estratégia de gestão é baseada na meritocracia, não importam os motivos, sejam quais forem, que levaram uma equipe, ou um integrante da equipe, a ser bem ou mal sucedido em determinado objetivo ou projeto.

Para essa corrente de gestores, o que importam são somente os resultados em si, o resto é puro discurso humanista, numa corruptela dos “fins que justificam os meios” que faria corar o mais rigoroso seguidor dos 5 sigmas japoneses…

Aliás, essa conceituação de que o bom profissional tem que ter “cabeça de dono”, não resiste a uma análise mais detalhada no mundo real à nossa volta, que não garante que responsabilidade, empenho e comprometimento sejam exclusividade de sócios de empresas.

Conheço inúmeros profissionais em nosso mercado que não precisam ser donos do negócio para pautarem seu procedimento profissional como exemplo de motivação, empenho e resultados, e nem por isso pode-se dizer que têm “cabeça de dono”.

Na verdade, eles têm “cabeça de profissional competente”, o que, aliás, é o que se espera de um profissional quando ele é contratado: que aja sim com cabeça de dono…, mas dono de sua própria carreira.

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MOMENTO HISTÓRICO PARA O CORPORATIVO

Considero-me literalmente suspeito para falar deste assunto, mas mesmo assim, não vou deixar de oferecer minha perspectiva sobre o que acontecerá no Grand Hyatt São Paulo, de 24 a 26 de fevereiro de 2013.

Acompanhamos o LACTE desde o tempo em que se chamava LACTTE (com 2 Ts), e quando digo acompanhamos, refiro-me a participamos, expomos, organizamos, patrocinamos, palestramos, moderamos, argumentamos, divulgamos e, a partir deste ano, também somos mantenedores da associação que o criou e produz, nossa ABGEV.

Nessa edição do LACTE, no próximo mês, prevejo que vamos participar de um acontecimento inédito, algo que somente conseguimos dar a exata dimensão, se observarmos sob a perspectiva histórica de quem viu uma associação nascer, crescer, evoluir e, agora, buscar novos ambientes, novos horizontes, novos desafios.

Como antecipado pelo Panrotas, durante este oitavo LACTE será anunciado que a ABGEV, coincidentemente aos 10 anos de fundação, deixa de ser uma associação brasileira para, formalmente, tornar-se a ALAGEV, uma associação latinoamericana (una asociación latinoamericana).

E você poderá perguntar: e o que tem isso de especial?

Ora, uma associação internacional, com sede no Brasil, desenvolvida por brasileiros, argentinos, chilenos, colombianos etc, cuja expansão para outras nações parte de um conceito educacional, de voluntariado e de compartilhamento de conhecimento e das melhores práticas, desenvolvido por profissionais de nosso mercado, é um extraordinário avanço, em especial neste momento em que tantas multinacionais buscam novos mercados na América Latina (e no Brasil em especial) e tantas empresas brasileiras expandem sua área de atuação para todo o continente.

Quem conhece o mercado brasileiro de viagens corporativas são os profissionais brasileiros.

Quem conhece o mercado argentino de viagens corporativas são os profissionais argentinos.

Quem conhece o mercado chileno de viagens corporativas são os profissionais chilenos.

Nenhuma novidade nisso, mas é bom saber que haverá uma associação consolidando e compartilhando todo este conhecimento regional, toda esta experiência adquirida, toda essa prática no exercício local da atividade de gestão de eventos e viagens corporativas, sem fórmulas prontas ou modelos globais, mas com práticas e soluções locais.

Mais do que simplesmente saber disso, o fantástico mesmo é poder participar dessa história e, por isso, convido você a inscrever-se no LACTE 8, que acontecerá de 24 a 26/02/2013, no Grand Hyatt São Paulo.

Mais do que conhecer novos produtos e serviços, compartilhar conhecimento através de relacionamento qualificado e assistir às melhores palestras e debates que um evento corporativo pode oferecer, você vai testemunhar e participar verdadeiramente de um momento histórico, e poderá dizer:

Eu participei da fundação da ALAGEV.

Ou simplesmente:

Eu estava lá !

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