UM ÚNICO CAMINHO A SEGUIR

Esses 12 meses de pandemia nos trouxeram as mais diferentes experiências e nos levaram a variadas reflexões.

Já sabíamos, mas agora experimentamos na carne, que não existe atividade econômica imune a situações de guerra, catástrofe climática e pandemia.

Naturalmente, os impactos variam de acordo com a dimensão e com a duração da situação, mas o fato é que a humanidade sempre transforma-se, de alguma forma, após viver uma dessas situações, que apesar de ocorrerem com pouca frequência, são situações que se repetem, sistematicamente, ao longo dos séculos e nos coloca (a humanidade), sem qualquer pudor, diante daquele surrado questionamento: como não previmos isso?

Temos, hoje, tecnologia de gestão de dados num nível de complexidade, que poderíamos (ou deveríamos) lidar com virtualmente ilimitados cenários preditivos relacionados a todas essas potenciais situações, mas é incrível que sejam investidos muitos milhões de dolares em previsão climática, mas quase nada possa ser feito para evitar furacões na Flórida e no Caribe (apenas como exemplo), fenômeno destruidor que se repete quase anualmente.

Da mesma forma, governos dispendem gigantesco esforço material e de inteligência, para antever movimentos e conflitos armados entre países e/ou grupos sociais, mas desde que o mundo é mundo, nunca nosso planeta experimentou um momento sequer de paz plena entre os povos.

As epidemias também sempre existiram, com maior ou menor proporção, mas quando atingem escala global e são chamadas pandemias, é que entendemos a fragilidade da natureza humana.

Essas 3 situações (guerra, catástrofe climática e pandemia) têm muitas diferenças entre si, desde a forma como começam, o quanto parecem evitáveis ou não e a maneira como são geridas, mas também reúnem importantes similaridades, todas consequência do desequilíbrio que geram no ecossistema econômico global:

1) Mexem no bolso

Impactam profundamente a estabilidade econômica no planeta.

2) Mexem nos sonhos

Minam silenciosamente a confiança das pessoas em planejar seu próprio futuro.

3) Mexem na fé

Corrompem a autoestima e a percepção de evolução da humanidade.

Mas uma coisa é absolutamente certa em qualquer uma dessas situações: elas passam…

Assim como nas guerras e nas catástrofes climáticas, esta pandemia nos levou, e ainda está nos levando, muitas vidas e deixando tantas outras com alguma sequela.

Pessoas da família, entre os amigos, da vizinhança, entre os conhecidos, dos colegas de trabalho e do mercado, vários foram vitimados, em maior ou menor grau de contaminação, pela covid.

Mas hoje, início de abril de 2021, o cenário começa a mudar, tão rapidamente quanto avança o processo de vacinação em massa.

Nos EUA, país que já está ministrando a primeira dose da vacina em jovens de 20 anos, a economia começa a reagir, numa velocidade diretamente proporcional ao desejo da população em voltar à vida anterior à pandemia.

Segundo a experiência pessoal de alguns colegas da Abracorp, alguns voos já lotam, o tráfego aéreo já começa a congestionar em algumas rotas, a hotelaria já recompõe preços, agências de viagens recontratam os demitidos, o povo americano quer botar o pé na estrada, ou melhor, o coração nos céus…

E esta é a boa notícia: a economia mundial está começando a reaquecer, liderada pelos países que investiram e planejaram a vacinação em massa da população.

Este é o caminho, o único caminho.

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RETOMADA = TRABALHO

A pandemia do coronavirus, entre outras disrupções sociais, rebatizou alguns conceitos e trouxe várias expressões novas para o cotidiano, algumas vieram para ficar, outras serão esquecidas (com o maior prazer), mas tem sido um período de aprendizado forçado e inédito.

Descobrimos que o home-office pode ser chamado de teletrabalho, que as comorbidades podem ser piores do que a própria covid-19, que a imunidade de rebanho se aplica a pessoas, que o distanciamento social nada tem a ver com apartheid, que devemos usar máscaras mesmo fora do carnaval, que grandes eventos podem ser virtuais ou híbridos, que taxa de letalidade é diferente de taxa de mortalidade, que pandemia é uma coisa e estado de calamidade é outra e, curiosamente, rebatizamos um provável cenário anormal, como novo normal

Mas de todas as novas expressões, a que mais me chamou atenção, pelo tanto de esperança que denota uma só palavra, atende pelo singelo nome de retomada.

Não recordo de outra unanimidade absoluta como essa, há muito tempo um conceito não mostra tanta força para unir iguais e desiguais, esquerda e direita, homens e mulheres, ricos e pobres, jovens e idosos, empresários e trabalhadores, sem exceções ou meio termo.

Como todos os empreendedores do Brasil e do mundo, em especial os do mercado de viagens e turismo, também estou apostando, mas me pergunto diariamente:

Como será a retomada?

Estamos retomando exatamente o que?

A retomada terá a velocidade proporcional ao esforço e criatividade que todos empenharmos neste momento

Alguns imaginam que o mercado de viagens e turismo nunca mais será o mesmo, outros esperam plena recuperação já em 2021. No meio termo, várias cias. aéreas trabalham com prognósticos que variam entre 2022 a 2023, o que empresta a esta experiência prospectiva, uma única certeza, a de que estamos cercados de incertezas.

Pode não parecer, mas sou otimista quanto à retomada, embora eu não consiga transparecer um otimismo irreal, do tipo que espera que o mercado normalize naturalmente e permanece aguardando isso acontecer.

Eu não vejo outra alternativa senão fazer exatamente o que nos fez (refiro-me ao mercado de viagens e turismo como um todo) chegar até aqui: muito trabalho, essa palavrinha tão fora de moda, mas que trouxe a humanidade ao ponto de evolução em que nos encontramos em 2020.

Sem desmerecer a avalanche de soluções de comunicação digital que, subitamente, nos vemos todos envolvidos, não vejo como nosso mercado de viagens e turismo possa retomar seu rumo através dessa verdadeira epidemia de compartilhamento de ideias, percepções, opiniões, sensações e experiências que, a esta altura do campeonato, parece mais uma terapia ocupacional para profissionais que, de abril a julho, não tinham o que vender nem clientes para comprar e, de agosto em diante, terão que se concentrar, isso sim, em criar negócios onde não se sabe bem onde estão.

De forma bem pragmática, viagens e turismo envolvem, necessariamente, deslocamentos e experiências, deslocamentos sem experiências não são viagens e turismo, experiências sem deslocamentos também não.

Portanto, para uma efetiva retomada, sugiro esquecermos, um pouco que seja, as redes sociais, as lives, as conferências virtuais, os foruns de pensadores, debatedores, especialistas e focarmos obstinadamente na única coisa que nos tirará deste ostracismo pandêmico: os negócios.

Você não sabe como fazer isso neste momento? Ninguém sabe, mas não existe outro caminho senão continuar buscando.

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