{"id":7417,"date":"2021-07-05T00:43:46","date_gmt":"2021-07-05T03:43:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/b2btech\/?p=7417"},"modified":"2021-07-05T00:45:30","modified_gmt":"2021-07-05T03:45:30","slug":"grandes-empresas-e-a-pressao-sobre-o-time","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/b2btech\/2021\/07\/05\/grandes-empresas-e-a-pressao-sobre-o-time\/","title":{"rendered":"GRANDES EMPRESAS E A PRESS\u00c3O SOBRE O TIME"},"content":{"rendered":"\n<p>Tenho me debru\u00e7ado sobre um tema muito presente na vida corporativa, mas que passa despercebido porque \u201cestamos muito ocupados\u201d para pensar nisso ou mesmo buscar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dir\u00e3o tratar-se de \u201cperrengue chique\u201d, daqueles problemas t\u00edpicos de quem est\u00e1 bem de vida, tem um bom emprego e ganha bem\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o fato \u00e9 que est\u00e1 cada dia mais dif\u00edcil encontrar o desejado equil\u00edbrio entre vida pessoal e vida profissional, sendo que muitos acreditam mesmo que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 esta separa\u00e7\u00e3o, sendo portanto desnecess\u00e1rio (ou mesmo imposs\u00edvel) tentar equilibrar numa balan\u00e7a os dois lados de uma mesma moeda.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendem que a vida pessoal e profissional tendem a ser, hoje, uma coisa s\u00f3, e \u00e9 a\u00ed que reside o problema, verdadeira trag\u00e9dia humana contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Vabo J\u00fanior escreveu sobre este tema, que tamb\u00e9m me aflige, com muita propriedade, no ano passado e o texto permanece atual e, tudo indica, permanecer\u00e1 merecedor de profundas reflex\u00f5es por muitos anos ainda:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Empresas Unic\u00f3rnio s\u00e3o uma f\u00e1brica de burnout: precisamos falar sobre esse elefante na sala<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><em>Texto de autoria de Lu\u00eds Vabo Jr, publicado originalmente no Blog do Vabo em <a href=\"https:\/\/blogdovabo.com\/2020\/01\/08\/empresas-unicornio-sao-uma-fabrica-de-burnout-precisamos-falar-sobre-esse-elefante-na-sala\/amp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/blogdovabo.com\/2020\/01\/08\/empresas-unicornio-sao-uma-fabrica-de-burnout-precisamos-falar-sobre-esse-elefante-na-sala\/amp\/<\/a><\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O que chamamos de \u201csucesso\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso mundo \u00e1gil, din\u00e2mico e inquieto exige constantes adapta\u00e7\u00f5es e serve como combust\u00edvel para inova\u00e7\u00f5es nos mais diversos setores.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, no mercado de trabalho, esse cen\u00e1rio, ao inv\u00e9s de promover melhores condi\u00e7\u00f5es, transformar nossa rela\u00e7\u00e3o com o trabalho e usar o fruto de nosso esfor\u00e7o para nos favorecer, pelo contr\u00e1rio, parece estar tendo o efeito oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Estresse, depress\u00e3o e ansiedade tomam conta das empresas. E, nas Startups e Scaleups Unic\u00f3rnios, que despontam como \u201co futuro dos neg\u00f3cios\u201d, os \u00edndices de burnout \u2013 o esgotamento mental devido ao trabalho \u2013 s\u00f3 crescem.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos falar sobre esse elefante na sala, antes de que seja tarde demais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que s\u00e3o Empresas Unic\u00f3rnio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Empresas Unic\u00f3rnio s\u00e3o startups que conseguiram ser avaliadas em 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares&nbsp; \u2013 um feito t\u00e3o raro que justifica sua associa\u00e7\u00e3o a esta criatura m\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo foi cunhado pela investidora-anjo Aileen Lee, m 2013, no artigo&nbsp;<a href=\"https:\/\/techcrunch.com\/2013\/11\/02\/welcome-to-the-unicorn-club\/\">Welcome To The Unicorn Club: Learning From Billion-Dollar Startups<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, poucas empresas recebiam o t\u00edtulo \u2013 uma realidade que, felizmente, por um lado, vem mudando gradativamente de l\u00e1 pra c\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro, Empresas Unic\u00f3rnio n\u00e3o s\u00e3o magn\u00edficas como a criatura que lhes d\u00e1 nome. Na verdade, as Scaleups, ao passo que se tornam Unic\u00f3rnios, podem se tornar f\u00e1bricas de burnout!<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea? Vem que eu te explico desde o come\u00e7o:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que s\u00e3o Scaleups?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com o conceito de Scaleup, vamos come\u00e7ar desde o come\u00e7o.&nbsp;<strong>Mas se voc\u00ea j\u00e1 sabe o que s\u00e3o Scaleups, pode passar para o pr\u00f3ximo t\u00f3pico<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 um tempo s\u00f3 se falava de Startups nas rodadas de investimento e em ambientes propensos \u00e0 inova\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, agora a bola da vez s\u00e3o as Scaleups. Inclusive, a transi\u00e7\u00e3o foi tanta que parecem sin\u00f4nimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, Startups e Scaleups n\u00e3o s\u00e3o termos intercambi\u00e1veis; na verdade, eles descrevem duas fases distintas do crescimento de uma empresa:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 uma Startup?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Startup \u00e9 uma empresa em seus est\u00e1gios iniciais que tem, como objetivo, desenvolver ou aprimorar um modelo de neg\u00f3cio, preferencialmente escal\u00e1vel e repet\u00edvel, permeada por algum tipo de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 uma Scaleup?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Scaleup pode ser definida como uma empresa que j\u00e1 validou seu produto no mercado e provou que o modelo de neg\u00f3cios da sua matriz \u00e9 sustent\u00e1vel, podendo ser escalado. Tornar-se uma Scaleup \u00e9 o \u201cpasso seguinte\u201d das Startups. O foco aqui \u00e9 no crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exemplos de Scaleups brasileiras: Nubank, Stone, 99, iFood\/Movile, Quinto Andar, Creditas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>5 diferen\u00e7as entre Startups e Scaleups<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como est\u00e3o em momentos de neg\u00f3cio distintos, Startups e Scaleups t\u00eam suas particularidades. Afinal, como voc\u00ea deve imaginar, os desafios de gerenciamento, lideran\u00e7a e log\u00edstica durante cada fase s\u00e3o bem diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, elenquei alguns deles:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Valida\u00e7\u00e3o de produto ou modelo de neg\u00f3cios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a mais \u00f3bvia entre Startups e Scaleups \u00e9 o est\u00e1gio de desenvolvimento do produto ou modelo de neg\u00f3cio: nas Scaleups, os pontos de valida\u00e7\u00e3o j\u00e1 foram aperfei\u00e7oadas, enquanto as Startups ainda est\u00e3o entendendo aspectos como segmenta\u00e7\u00e3o de clientes, CAC e aloca\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, as Scaleups sabem que se colocarem R$X&nbsp; no neg\u00f3cio, receber\u00e3o R$ Y em troca. Esse n\u00edvel de clareza permite investimentos com confian\u00e7a para fazer o que j\u00e1 est\u00e3o fazendo em uma escala ainda maior. Por outro lado, as startups ainda podem n\u00e3o ter certeza de que tipo de retorno obter\u00e3o de seus esfor\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Fun\u00e7\u00f5es do time<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante os est\u00e1gios iniciais do crescimento de uma empresa, n\u00e3o \u00e9 incomum que os membros da equipe assumam v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es. A maioria das empresas contrata pessoas com um conjunto de habilidades espec\u00edficas para uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, mas tamb\u00e9m espera que essas pessoas assumam outros desafios \u00e0 medida que ele forem surgindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea precisa desse perfil \u201cfaz um pouco de tudo\u201d para desenvolver estrat\u00e9gias, sistemas e processos desde o in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que as Startups v\u00e3o se expandindo, \u00e9 importante restringir as fun\u00e7\u00f5es da equipe. Se isso significa transformar sua equipe de vendas e marketing em dois departamentos separados ou contratar especialistas para cada fun\u00e7\u00e3o nesses departamentos, assim ser\u00e1. As Scaleups se concentram no aprimoramento e especializa\u00e7\u00e3o, em busca de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Avers\u00e3o ao risco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto maior a empresa, maior a sua avers\u00e3o ao risco. Voc\u00ea tem uma pequena base de clientes, um produto ainda n\u00e3o-validado e tra\u00e7\u00e3o zero? Ent\u00e3o voc\u00ea realmente n\u00e3o tem muito a perder quando confrontado com a perspectiva de buscar uma ideia nova e incomum.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros dias, o sucesso da empresa dependia de sua capacidade de operar rapidamente em resposta aos coment\u00e1rios, dados e insights coletados ao longo do caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, nas Scaleups, os investidores, clientes e membros da equipe agora esperam aumentos de escala para multiplicar os resultados rapidamente. Quanto mais dinheiro voc\u00ea ganha, mais cuidadoso voc\u00ea tem que ter quando se trata de experimentar novos caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos come\u00e7ar a observar o in\u00edcio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Dilema-Inovacao-Tecnologias-Empresas-Fracasso\/dp\/8576801280\/ref=sr_1_1?adgrpid=61528804204&amp;gclid=EAIaIQobChMI0N-_jI_w5gIVgweRCh1_ewSZEAAYASAAEgLkGPD_BwE&amp;hvadid=326936454215&amp;hvdev=c&amp;hvlocphy=1001773&amp;hvnetw=g&amp;hvpos=1t1&amp;hvqmt=e&amp;hvrand=6839760408865901673&amp;hvtargid=kwd-471340934338&amp;hydadcr=5628_10696896&amp;keywords=dilema+da+inova%C3%A7%C3%A3o&amp;qid=1578353011&amp;sr=8-1\">Dilema do Inovador<\/a>, descrito pelo Prof. Clayton Christensen.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Sistemas e processos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por natureza, as Startups geralmente t\u00eam sistemas muito flex\u00edveis. O processo usado por algu\u00e9m para elaborar uma campanha de marketing por e-mail, atualizar um aplicativo ou responder a e-mails de clientes est\u00e1 constantemente mudando.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, os membros de um time geralmente t\u00eam liberdade de experimentar v\u00e1rios processos at\u00e9 descobrir o que funciona melhor para eles. Eventualmente, eles s\u00e3o convidados a documentar esse processo em um sistema que pode ser facilmente replicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e0 medida que as Startups evoluem para Scaleups, os sistemas organizados se tornam imperativos para manter o controle de qualidade e concluir os projetos no prazo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. Hierarquia de gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A lideran\u00e7a necess\u00e1ria para uma empresa em est\u00e1gio inicial \u00e9 totalmente diferente daquela necess\u00e1ria para uma empresa que est\u00e1 escalando seu modelo de neg\u00f3cios. Basicamente, quanto mais pessoas voc\u00ea contratar, mais pessoas precisar\u00e1 gerenciar, certo?<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a gest\u00e3o de uma equipe de 10 pessoas seja poss\u00edvel para alguns co-fundadores, supervisionar uma equipe de 30 pessoas pode ser bastante complicado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que os departamentos se tornam maiores, h\u00e1 mais espa\u00e7o para erros ao passar projetos de uma fun\u00e7\u00e3o para a seguinte. Se n\u00e3o conseguir gerenciar esses novos desafios corretamente, voc\u00ea poder\u00e1 ter problemas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Agora que voc\u00ea j\u00e1 entendeu como as Scaleups se diferenciam das Startups, apresentando desafios ainda maiores e mais complexos, fica mais f\u00e1cil entender por que o burnout se tornou t\u00e3o comum nessas empresas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vamos aprender um pouco mais sobre as causas dessa s\u00edndrome e pensar um pouco sobre o que provocou a \u201ccultura do esgotamento mental\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cCULTURA DO BURNOUT\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os millennials podem at\u00e9 ser conhecidos como a \u201cgera\u00e7\u00e3o do burnout\u201d, mas a exaust\u00e3o no trabalho \u00e9 hist\u00f3ria antiga.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, embora o burnout n\u00e3o seja novidade, hoje h\u00e1 mais pesquisas por tr\u00e1s do fen\u00f4meno \u2013 e mais sugest\u00f5es para evit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio do equil\u00edbrio entre vida profissional e pessoal decorre da \u00e9tica do trabalho milenar que implica que \u201csempre devemos estar funcionando\u201d, isto \u00e9, \u201cfazendo algo que seja \u00fatil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cren\u00e7a de viver para trabalhar se tornou realidade para muitos trabalhadores hoje \u2013 incluindo aqueles que n\u00e3o s\u00e3o millennials.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que parecemos mais esgotados hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 necessidade de estarem digitalmente conectados 24 horas por dia, sete dias por semana, e pela ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perspectivas de desemprego, falta de aposentadoria, mudan\u00e7as nos modelos de trabalho e \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o, muito comum, de equilibrar faculdade e trabalho, o esgotamento est\u00e1 atingindo os trabalhadores mais jovens mais cedo \u2013 e com ainda mais impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as gera\u00e7\u00f5es passadas tenham sofrido com burnout, pesquisas mostram que a gera\u00e7\u00e3o dos millennials de fato sente a press\u00e3o mais dramaticamente, com um extrato de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www2.deloitte.com\/us\/en\/pages\/about-deloitte\/articles\/burnout-survey.html\"><strong>84% dessa gera\u00e7\u00e3o sofrendo desgaste no emprego atual<\/strong><\/a>, em compara\u00e7\u00e3o com 77% de todos os entrevistados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, quase metade dos millennials dizem que deixaram um emprego especificamente porque se sentiram esgotados, em compara\u00e7\u00e3o com 42% de todos os entrevistados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o burnout n\u00e3o apenas afeta carreiras profissionais: ele tamb\u00e9m pode ser impiedoso para as rela\u00e7\u00f5es pessoais e para a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os funcion\u00e1rios que est\u00e3o frequentemente ou sempre esgotados, 63% t\u00eam mais chances de passar um dia doente e 23% t\u00eam mais chances de visitar o pronto-socorro. Os problemas psicol\u00f3gicos e f\u00edsicos de colaboradores esgotados custam entre&nbsp;<a href=\"https:\/\/hbr.org\/2017\/04\/employee-burnout-is-a-problem-with-the-company-not-the-person\"><strong>US $ 125 bilh\u00f5es e US$ 190 bilh\u00f5es por ano<\/strong><\/a>&nbsp;em gastos com sa\u00fade nos Estados Unidos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de surpreender que esses mesmos colaboradores tamb\u00e9m tenham duas vezes mais chances de concordar fortemente que as demandas de seu trabalho interferem na vida familiar. Tampouco \u00e9 \u00e0 toa que o burnout foi, este ano, oficialmente classificado como uma s\u00edndrome pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No Brasil, s\u00e3o quase 20 milh\u00f5es de trabalhadores que sofrem com o novo \u201cmal do tempo\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em pesquisa conduzida pela USP e divulgada pela \u00c9POCA, observou-se que os sintomas do burnout s\u00e3o semelhantes aos da depress\u00e3o, estresse e ansiedade. O que o diferencia desses transtornos \u00e9 que, no caso do burnout, embora as \u00e1reas cerebrais afetadas sejam as mesmas, a causa \u00e9, especificamente, devida ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisa constatou que um em cada cinco trabalhadores brasileiros sofre de burnout. Quando se leva em considera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os que tiveram ao menos algum dos sinais, mas n\u00e3o \u201cqueima total\u201d, fica-se diante de um quadro que atinge metade da for\u00e7a de trabalho do pa\u00eds, de acordo com a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como as Scaleups t\u00eam contribu\u00eddo para fomentar o burnout?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bom, o modelo de trabalho associado a empresas com esse perfil \u00e9 propenso a esgotar seus trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o da pesquisa conduzida pela USP alerta que \u201ca rotina profissional piorou de tal maneira nos \u00faltimos anos \u2014 impulsionada por avan\u00e7os da tecnologia, mudan\u00e7as na sociedade e no mercado de trabalho e novas din\u00e2micas empresariais \u2014, que acabou por abalar a sa\u00fade mental das pessoas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SCALEUPS S\u00c3O F\u00c1BRICAS DE BURNOUT: O ELEFANTE NA SALA E POR QUE NINGU\u00c9M FALA SOBRE ELE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Press\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se pud\u00e9ssemos resumir o trabalho em boa parte das Startups e Scaleups em uma palavra, acredito que muitos escolheriam essa.<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o ocorre tanto nos est\u00e1gios iniciais de uma empresa quanto no momento em que ela come\u00e7a a crescer vertiginosamente. Em parte, isso deve por quase nunca haver dados confi\u00e1veis suficientes nos quais os empreendedores possam basear uma decis\u00e3o cr\u00edtica, de modo que, conseq\u00fcentemente, eles s\u00e3o for\u00e7ados a agir de acordo com a intui\u00e7\u00e3o na maior parte do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>E o grande n\u00famero, bem como a rapidez, das decis\u00f5es necess\u00e1rias em um dia comum podem estressar ou esgotar os at\u00e9 mesmo os fundadores mais experientes e entusiasmados. Afinal, voc\u00ea nunca se sente seguro de que est\u00e1, de fato, fazendo o melhor para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que a maior parte das Startups, ainda que tenham seu produto ou modelo validado, n\u00e3o consegue atingir o primeiro est\u00e1gio de expans\u00e3o. Num cen\u00e1rio como esse, existem expectativas de todos os lados sobre como levar o neg\u00f3cio de 0 a 500 milh\u00f5es de reais \u2013 e muitos CEOs precisam abandonar o barco no meio do caminho por conta do burnout.<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda que as Scaleups sejam, por defini\u00e7\u00e3o,um indicativo de sucesso, a press\u00e3o, por outro lado, s\u00f3 aumenta. A transi\u00e7\u00e3o de uma Startup para uma Scaleup nunca \u00e9 feita sem impactos significativos sobre os processos da empresa, seus colaboradores, seus executivos, seus fundadores\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Estes precisam cuidar para conter a tens\u00e3o de modo a n\u00e3o deix\u00e1-la vazar para os colaboradores; por outro lado, os colaboradores precisam se adaptar a um modelo de neg\u00f3cio mais \u00e1gil sem sucumbir \u00e0 press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, al\u00e9m de enfrentar uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos para se construir um neg\u00f3cio que fa\u00e7a sentido, o maior desafio interno das Scaleups \u00e9 superar o ar de \u201chero\u00edsmo\u201d associados \u00e0s Startups que passam para a fase dois \u2013 \u201cuma empresa que venceu as adversidades do mundo dos neg\u00f3cios\u201d \u2013 para encarar um modelo mais met\u00f3dico, e menos rom\u00e2ntico, de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A incapacidade de adotar processos coletivos e sistem\u00e1ticos para substituir o hero\u00edsmo individual \u2013 por exemplo, continuando a entregar projetos \u00fanicos, repletos de identidade, quando seus clientes imploram por solu\u00e7\u00f5es padronizadas e repet\u00edveis \u2013 causa um estresse incalcul\u00e1vel em todos, impactando clientes, parceiros, executivos e, claro, a equipe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 abalar profundamente uma estrutura que j\u00e1 n\u00e3o era muito segura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta \u00e0 press\u00e3o e \u00e0 necessidade de adaptar colaboradores a esse novo ritmo, muitos adotam uma abordagem perigosa que equipara quantidade de esfor\u00e7o e trabalho a sucesso. Em outras palavras, \u201cquanto mais voc\u00ea trabalhar, mais sucesso teremos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os executivos, fundadores e membros do conselho normalmente t\u00eam dificuldade em se desligar do trabalho, acostumando-se a viver sob constante press\u00e3o \u2013 o que, invariavelmente, faz com que ela seja espalhada por outras \u00e1reas da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria irrealista, por\u00e9m, dizer que \u00e9 poss\u00edvel empreender sem press\u00e3o, ou que \u00e9 poss\u00edvel mudar esse cen\u00e1rio com algumas modifica\u00e7\u00f5es simples. Muito mais do que uma quest\u00e3o de modelo de neg\u00f3cios, \u00e9 uma quest\u00e3o&nbsp;<em>cultural e psicol\u00f3gica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9, portanto, que as Scaleups sejam o ber\u00e7o de um fen\u00f4meno com graves consequ\u00eancias para nosso bem-estar. Mas elas s\u00e3o ambientes que costumam potencializ\u00e1-los \u2013 e n\u00e3o podemos ignorar isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Burnout n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de sucesso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores da USP definem psicodin\u00e2mica do trabalho como \u201cuma \u00e1rea do conhecimento que se desenvolve h\u00e1 cerca de 40 anos, expandindo os discursos anteriores da psicopatologia e colocando-os sob uma perspectiva de emancipa\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s de estudos nessa \u00e1rea, comprovou-se que o trabalho nunca \u00e9 neutro: ou ele leva o indiv\u00edduo a um processo de aliena\u00e7\u00e3o ou a processos emancipadores, onde se pode crescer mais como profissional e como sujeito dentro de um determinado coletivo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falamos de burnout, essa linha \u00e9 especialmente t\u00eanue.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque o trabalho parece ter evolu\u00eddo de uma&nbsp;<strong>necessidade&nbsp;<\/strong>para um meio de&nbsp;<strong>identidade<\/strong>, criando-se uma cobran\u00e7a para serem \u201cbem-sucedidas\u201d que vai muito al\u00e9m de aspectos meramente econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, afinal, como definir, exatamente, o sucesso? Estamos nos concentrando demais na evid\u00eancia material de sucesso e n\u00e3o na maneira como nos sentimos quando fazemos algo e nos sentimos bem-sucedidos?<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7a um teste. O que vem \u00e0 sua cabe\u00e7a quando voc\u00ea ouve ou l\u00ea a palavra&nbsp;<strong>SUCESSO<\/strong>? E o que vem \u00e0 sua cabe\u00e7a quando voc\u00ea ouve ou l\u00ea a palavra&nbsp;<strong>FELICIDADE<\/strong>?<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00edveis mais baixos de renda possam impactar os n\u00edveis de felicidade, os n\u00edveis mais altos de renda n\u00e3o est\u00e3o necessariamente associados a pessoas mais felizes.<\/p>\n\n\n\n<p>Felicidade \u00e9 um conceito complexo que \u00e9 influenciado por muitas vari\u00e1veis. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/worldhappiness.report\/ed\/2019\/#read\">World Happiness Report (2019)<\/a>analisou o PIB per capita, a expectativa de vida, o apoio social, a liberdade de escolha, a generosidade e as percep\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o e ponderou essas vari\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de felicidade de cada pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os Estados Unidos, China e Jap\u00e3o s\u00e3o os tr\u00eas principais PIBs do mundo, isso n\u00e3o equivale necessariamente ao quociente de felicidade da popula\u00e7\u00e3o. De fato, nenhum deles est\u00e1 no Top 10 e os Estados Unidos mal entram no Top 20 (#19), com a China (#93) e o Jap\u00e3o (#58) ficando l\u00e1 embaixo quando o assunto \u00e9 felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pudera: o modelo chin\u00eas 9-9-6 (trabalho de 9h da manh\u00e3 \u00e0s 9h da noite, 6 dias por semana) \u00e9 desumano.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/19\/internacional\/1555672848_021656.html\">Nesta mat\u00e9ria do El Pa\u00eds<\/a>, a jornalista Macarena Vidal Liy pinta um cen\u00e1rio que parece sa\u00eddo direto de uma distopia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, como relata um dos entrevistados para o artigo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cEu tinha de ficar sempre no escrit\u00f3rio trabalhando at\u00e9 tarde e, \u00e9 claro, sem pagamento extra. Nos fins de semana o chefe podia ligar para voc\u00ea, se houvesse alguma emerg\u00eancia, e voc\u00ea tinha de ir. Se voc\u00ea ia embora cedo, mesmo que n\u00e3o tivesse nada para fazer, isso era mal visto: achavam que voc\u00ea n\u00e3o estava trabalhando duro o suficiente\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Soa familiar? Pois \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2017\/08\/31\/opinion\/sunday\/silicon-valley-work-life-balance-.html\">O Vale do Sil\u00edcio andou recebendo as mesmas cr\u00edticas.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Isso ocorre porque ainda alimentamos a ilus\u00e3o de que felicidade \u00e9 sin\u00f4nimo de sucesso e sucesso \u00e9 sin\u00f4nimo de bens e luxo. E o burnout reflete essa busca insaci\u00e1vel pela felicidade atrav\u00e9s do sucesso e pelo sucesso atrav\u00e9s do trabalho incessante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eu acredito que haja, sim, rela\u00e7\u00e3o entre trabalho, sucesso e felicidade. Mas n\u00e3o nestes termos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais bem-sucedido porque vive cansado. O seu burnout n\u00e3o \u00e9 indicativo de que voc\u00ea \u201cseu deu bem na vida\u201d. \u00c9 imposs\u00edvel sermos felizes estando esgotados e n\u00e3o tendo tempo sequer para parar e refletirmos a respeito de nossa felicidade. Esse \u00e9 um mito propagado por modelos de neg\u00f3cios que se beneficiam da vulnerabilidade&nbsp; social, psicol\u00f3gica e econ\u00f4mica dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>For\u00e7a de vontade e ambi\u00e7\u00e3o n\u00e3o devem se manifestar como 12, 14, 16, 20 horas de trabalho di\u00e1rias. For\u00e7a de vontade e ambi\u00e7\u00e3o devem se manifestar como DESEJO e VOCA\u00c7\u00c3O; como AMOR pelo que se faz e consci\u00eancia de que voc\u00ea faz o que faz porque voc\u00ea tem um PROP\u00d3SITO. Porque tem algo muito maior que move voc\u00ea \u2013 e n\u00e3o porque voc\u00ea se sente cobrado \u2013 pelo seu chefe ou pela sociedade ou at\u00e9 mesmo por voc\u00ea mesmo \u2013&nbsp; a \u201cter sucesso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed sim, quando fazemos algo com prop\u00f3sito, e nos realizamos atrav\u00e9s desse prop\u00f3sito, podemos associar sucesso a felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como evitar o burnout? 10 dicas pr\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol><li>Fa\u00e7a medita\u00e7\u00e3o<\/li><li>Fa\u00e7a terapia<\/li><li>Procure um psic\u00f3logo<\/li><li>Alimente-se de forma balanceada<\/li><li>Esteja presente<\/li><li>Pratique exerc\u00edcios f\u00edsicos<\/li><li>Fa\u00e7a pausas de descompress\u00e3o<\/li><li>Respire<\/li><li>Durma pelo menos 7h por dia<\/li><li>Fa\u00e7a exerc\u00edcios de intelig\u00eancia emocional<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea se sentir esgotado \u2013 passando, tendo passado ou \u00e0 beira de um burnout \u2013 eu sugiro que voc\u00ea olhe para o seu trabalho \u2013 e para a sua carreira \u2013 como se voc\u00ea estivesse a 10.000 metros de altura de si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu caminho atual te satisfaz? Voc\u00ea sente que trabalha muito mais do que deveria? Voc\u00ea sente que tem condi\u00e7\u00f5es de buscar uma alternativa melhor? Quando foi a \u00faltima vez que voc\u00ea se sentiu realizado no trabalho? Voc\u00ea se sente em paz quando deixa o trabalho? Voc\u00ea consegue estabelecer limites entre o trabalho e a vida pessoal?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil implementar as mudan\u00e7as necess\u00e1rias para evitar a prolifera\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as e modelos de trabalho nocivos, mas um bom primeiro passo e termos consci\u00eancia de quais limites precisamos impor.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de burnout em Scaleups n\u00e3o pode ser encarado como \u201cossos do of\u00edcio\u201d. Abrir m\u00e3o da sa\u00fade mental n\u00e3o deve ser encarado como um \u201csacrif\u00edcio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a felicidade seja sempre nosso maior indicativo de sucesso. S\u00f3 assim poderemos, de fato, usar nosso trabalho a favor de um mundo melhor&nbsp;\ud83d\ude42<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1 uma olhada no Burnout Index:&nbsp;<a href=\"https:\/\/burnoutindex.org\/\">https:\/\/burnoutindex.org\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto de autoria de Lu\u00eds Vabo Jr, publicado originalmente no Blog do Vabo em <a href=\"https:\/\/blogdovabo.com\/2020\/01\/08\/empresas-unicornio-sao-uma-fabrica-de-burnout-precisamos-falar-sobre-esse-elefante-na-sala\/amp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/blogdovabo.com\/2020\/01\/08\/empresas-unicornio-sao-uma-fabrica-de-burnout-precisamos-falar-sobre-esse-elefante-na-sala\/amp\/<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho me debru\u00e7ado sobre um tema muito presente na vida corporativa, mas que passa despercebido porque \u201cestamos muito ocupados\u201d para pensar nisso ou mesmo buscar uma solu\u00e7\u00e3o. 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