{"id":801,"date":"2011-09-02T09:58:09","date_gmt":"2011-09-02T12:58:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/distribuindoviagens\/?p=801"},"modified":"2011-09-02T09:58:09","modified_gmt":"2011-09-02T12:58:09","slug":"perdemos-a-nocao-do-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/b2btech\/2011\/09\/02\/perdemos-a-nocao-do-dinheiro\/","title":{"rendered":"PERDEMOS A NO\u00c7\u00c3O DO DINHEIRO"},"content":{"rendered":"<p>Essa frase, dita por um executivo do mercado financeiro ap\u00f3s uma reuni\u00e3o de trabalho, foi o mote para analisarmos juntos alguns comportamentos recentes da sociedade brasileira, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de valor da moeda e, consequentemente, do pre\u00e7o de mercadorias e servi\u00e7os no Brasil.<\/p>\n<p>Sempre tivemos variados sintomas de desinteresse pela poupan\u00e7a pessoal, mas ultimamente nosso desapego pelo valor do dinheiro tem sido escandaloso e cito alguns fatos:<\/p>\n<p>Fato 1: O brasileiro n\u00e3o gosta de moeda.<br \/>\nPorta-moedas e cofrinho n\u00e3o emplacam no Brasil. Ser\u00e1 ainda fruto da hiperinfla\u00e7\u00e3o no passado recente?<\/p>\n<p>Fato 2: O brasileiro n\u00e3o faz quest\u00e3o de centavos de troco.<br \/>\n&#8220;Aceita uma balinha?&#8221; ou &#8220;Posso ficar devendo 10 centavos?&#8221; s\u00e3o frases corriqueiras ditas por operadores de caixas de lojas, normalmente aceitas pelo consumidor brasileiro.<\/p>\n<p>Fato 3: O brasileiro n\u00e3o se abaixa para pegar R$ 0,50 no ch\u00e3o.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o vale a pena o esfor\u00e7o&#8221; ou &#8220;Deve ser pegadinha e n\u00e3o quero pagar mico&#8221; s\u00e3o justificativas para deixar o dinheiro no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que esses sintomas se intensificam, a crescente mobilidade social tende a resgatar todo um passivo de consumo que faz com que as pessoas valorizem o ato de viajar, mas para fazer compras&#8230;<\/p>\n<p>E, no final de uma viagem, j\u00e1 planejam a pr\u00f3xima&#8230;, para continuar fazendo compras&#8230;<\/p>\n<p>Aqueles que ainda n\u00e3o ascenderam a esta categoria de consumidor (o turista de compras), acabam resolvendo por aqui mesmo sua sede de consumo, muitas vezes realimentando a roda da supervaloriza\u00e7\u00e3o dos bens e servi\u00e7os, em detrimento do valor do dinheiro.<\/p>\n<p>&#8211; As classes C e D compram roupas de grife parceladas em 12 vezes, com juros, desde que acreditem que possam pagar a presta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; As classes C e D compram im\u00f3veis parcelados em 30 anos, com juros, corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, taxas de contrato, de seguro, de administra\u00e7\u00e3o e de financiamento, desde que acreditem que possam pagar a mensalidade.<\/p>\n<p>&#8211; As classes C e D fazem a festa das institui\u00e7\u00f5es financeiras, pois tomam empr\u00e9stimos, compram a prazo e contratam servi\u00e7os financeiros de todo tipo.<\/p>\n<p>Isto ocorre porque as classes C e D buscam o status social que as classes A e B j\u00e1 possuem, mas estas\u00a0n\u00e3o sustentam o crescimento econ\u00f4mico, pois:<\/p>\n<p>1 &#8211; N\u00e3o t\u00eam escala suficiente para sustentar uma expans\u00e3o econ\u00f4mica por anos seguidos.<\/p>\n<p>2 &#8211; Compram produtos de maior valor agregado, no exterior, muito mais baratos.<\/p>\n<p>3 &#8211; Lidam com dinheiro h\u00e1 mais tempo, com mais informa\u00e7\u00e3o e, por isso, tem melhor no\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<p>Um t\u00eanis Nike, Reebok, Puma ou Adidas custa entre\u00a0USD 30 e 90 nos EUA e entre USD 100 e 300 no\u00a0Brasil, onde s\u00f3 compra quem ainda n\u00e3o pode viajar para comprar l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Uma di\u00e1ria de hotel mediano (3 estrelas) custa entre USD 60 e USD 180 nos EUA e entre USD 200 e 400 em S\u00e3o Paulo, onde paga-se por absoluta falta de op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um carro de luxo custa USD 40 a 60 mil nos EUA e USD 100 a 200 mil no Brasil, onde paga quem pode, lamentando n\u00e3o poder pagar o pre\u00e7o cobrado no exterior.<\/p>\n<p>O metro quadrado num condom\u00ednio de luxo em frente \u00e0 praia, em Miami, custa a metade do metro quadrado de um apartamento na 2a. quadra da praia da Barra da Tijuca.<\/p>\n<p>Apesar de que mais da metade de alguns novos lan\u00e7amentos imobili\u00e1rios de luxo em Miami estarem sendo adquiridos por brasileiros, \u00e9 aqui no Brasil que a demanda est\u00e1 aquecida, apesar dos alt\u00edssimos pre\u00e7os, fora da realidade do mercado imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o alt\u00edssimo custo de vida das grandes cidades brasileiras, provocado por este descompasso entre excesso de moeda e escassez de bens e servi\u00e7os, j\u00e1 come\u00e7a a impactar o planejamento estrat\u00e9gico das empresas para os pr\u00f3ximos anos, pois o empresariado j\u00e1 come\u00e7a a desconfiar de que este ritmo de crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o se sustente, por falta de estrutura econ\u00f4mica e de infraestrutura b\u00e1sica, itens que n\u00e3o se resolvem em menos de 5 anos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o povo brasileiro segue comprando iPhone de USD 299 por R$ 1.500, pagando R$ 80 por uma pizza (+ R$ 10 de entrega) ou ainda comprando jeans por R$ 180 ou camisa polo por R$ 150, achando esses pre\u00e7os bem razo\u00e1veis.<\/p>\n<p>Fico imaginando no que isso vai dar&#8230;<\/p>\n<p>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa frase, dita por um executivo do mercado financeiro ap\u00f3s uma reuni\u00e3o de trabalho, foi o mote para analisarmos juntos alguns comportamentos recentes da sociedade brasileira, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de valor da moeda e, consequentemente, do pre\u00e7o de mercadorias e servi\u00e7os no Brasil. 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