{"id":1460,"date":"2015-04-30T13:47:03","date_gmt":"2015-04-30T16:47:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/direto-de-paris\/?p=1460"},"modified":"2015-04-30T13:47:03","modified_gmt":"2015-04-30T16:47:03","slug":"um-inferno-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/direto-de-paris\/2015\/04\/30\/um-inferno-em-paris\/","title":{"rendered":"Um inferno em Paris"},"content":{"rendered":"<p>Hoje ningu\u00e9m mais se assusta ou se indigna com cenas de sexo explicito e viol\u00eancia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, mas as coisas nem sempre foram assim.<\/p>\n<p>O poder e a moral na Fran\u00e7a sempre foram contestados, mas com a populariza\u00e7\u00e3o da impress\u00e3o as coisas ficaram s\u00e9rias. E a partir dai o rolo compressor e no entanto, liberador da hist\u00f3ria n\u00e3o parou mais.<\/p>\n<p>Moli\u00e8re , apesar de ser admirado por Luis XIV, teve Tartufo interditada e a vers\u00e3o que conhecemos hoje, sofreu cortes da censura religiosa da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, enquanto\u00a0 a burguesia descobria o Iluminismo, Voltaire ia e vinha da Bastilha. O autor obrigado a se exilar na Inglaterra, conseguiu l\u00e1 e em outros pa\u00edses da Europa editar anonimamente obras contestarias do poder . Na Fran\u00e7a, era temido pelo reinado de Lu\u00eds XV.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca a Libertinagem ia de vento em popa com festas de cabide inimagin\u00e1veis nos dias de hoje. E dos sal\u00f5es burgueses ou bordeis luxuosos transcreviam-se para as folhas de papel historias relatadas ou inventadas, para a grande desaven\u00e7a do clero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Panfletos revelando ou inventando luxurias e imundices sobre Maria Antonieta ajudaram muito os revolucion\u00e1rios a cortar as cabe\u00e7as reais com apoio do povo cr\u00e9dulo e faminto.<\/p>\n<p>Isso sem falar em Marat e sua milit\u00e2ncia sanguin\u00e1ria, convidando a massa popular a fazer justi\u00e7a com suas m\u00e3os, foices e ancinhos.<\/p>\n<p>Muitos documentos foram queimados, as vezes at\u00e9 por seus propriet\u00e1rios temendo a repress\u00e3o real ou da igreja.<\/p>\n<p>A primeira obra liter\u00e1ria que ganhou a men\u00e7\u00e3o infernal data de 1844 e com ela nasceu o departamento mais voluptuoso da Biblioteca Nacional da Fran\u00e7a, o Inferno.<\/p>\n<p>Ali, obras outrora clandestinas ou impressas no exterior encontraram um lugar onde podem descansar pacificamente. Durante muito tempo escondidas do publico podem ser descobertas sem autoriza\u00e7\u00e3o especial ou carta explicativa, como exigiu-se at\u00e9 os anos 60. Textos e livros como Os furores uterinos de Maria Antonieta, esposa de Lu\u00eds XVI;120 Dias de Sodoma do Marques de Sade ;A Filosofia na Alcova; Franceses, Mais um Esfor\u00e7o Se Quiserdes Ser Republicano, repousam ao lado de desenhos er\u00f3ticos mais recentes de autores como Jean Cocteau e Paul Verlaine. Temas como a auto-flagela\u00e7\u00e3o, erotismo, milit\u00e2ncia revelam os conceitos da moralidade atrav\u00e9s dos s\u00e9culos e esperam a todos, santinhos e safados no Inferno de Paris.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nota Voltaire esteve preso duas vezes na Bastilha, antes de exilar-se na Inglaterra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje ningu\u00e9m mais se assusta ou se indigna com cenas de sexo explicito e viol\u00eancia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, mas as coisas nem sempre foram assim. O poder e a moral na Fran\u00e7a sempre foram contestados, mas com a populariza\u00e7\u00e3o da impress\u00e3o as coisas ficaram s\u00e9rias. 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