Lobby do Four Seasons New York

Cinco inovações que vão mudar a hotelaria

Listamos cinco prováveis ou possíveis inovações que vão mudar a hotelaria em tempos de distanciamento social e biossegurança: redesenho das áreas comuns, novas tecnologias de limpeza, experiências de baixo contato, chave do quarto digital e robôs para room service.

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1 Redesenho de áreas comuns
Inovações que vão mudar a hotelaria: lobby do Anaheim Marriott
Lobby do Anaheim Marriott pré-covid-19 | Foto de Carla Lencastre

Em muitos hotéis o lobby era um ponto de encontro, com espaços projetados para facilitar, e incentivar, a interação. Várias propriedades estão rearrumando e redesenhando áreas levando em conta a covid-19. Marriott International, a maior rede hoteleira do mundo, anunciou que vai remover móveis e reorganizar lobbies para permitir distanciamento social.

Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Prince Hotel Hong Kong
Quarto do Prince Hotel Hong Kong | Foto de divulgação

Da Ásia, chega um exemplo significativo. O Prince Hong Kong, parte do grupo Marco Polo, já tinha uma renovação prevista para este ano que seria executada aos poucos, sem fechar. Com a crise, as atividades do hotel foram suspensas em fevereiro e a obra será feita de uma vez só. Mas, antes de começar, todos os planos foram revisados. Desenhos de espaços comuns como lobby e restaurante foram refeitos e revestimentos, repensados. No lounge executivo, a área será ampliada em 30%. Materiais mais fáceis de limpar e higienizar serão priorizados para pisos, balcões, mesas, cadeiras.

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2 Novas tecnologias de limpeza

Pulverizadores eletroestáticos e luz ultravioleta podem vir a fazer parte dos protocolos hoteleiros. O grupo Hilton avalia seguir os dois procedimentos. A rede Marriott pretende, nos próximos meses, adotar os sprays eletrostáticos. Esta é mais uma das inovações que vão mudar a hotelaria.

O Fórum Econômico Mundial diz que raios UV podem se tornar realidade na indústria da hospitalidade. A luz ultravioleta é a etapa final da limpeza; o efeito da descontaminação é reduzido se houver poeira, por exemplo. Usada em hospitais e transporte público, sua eficácia em relação ao novo coronavírus ainda está sendo estudada.

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3 Experiências de baixo contato

Mesmo que o check-in seja no lobby, a tendência é o hóspede usar o próprio telefone e não tocar em nenhuma superfície. Hotéis de diferentes categorias já ofereciam check-in e check-out sem contato físico. Muitos outros vão seguir pelo mesmo caminho. A Marriott anunciou que check-in e pedidos de serviço de quarto por celular estarão disponíveis em mais de 3.200 de suas propriedades em todo o mundo (o grupo administra cerca de sete mil hotéis).

Inovações que vão mudar a hotelaria: check-in e check-out virtuais no Four Seasons New York
Suíte com vista para o Central Park no FS New York | Foto de divulgação/Peter Malinowski

O Four Seasons New York, que está recebendo profissionais da área de saúde durante a pandemia, adotou check-in e check-out virtuais. Vão crescer os aplicativos de redes hoteleiras, inclusive as luxo, como Four Seasons (a foto no alto do texto é do lobby do FSNY). O app oferece comunicação em tempo real, mantendo a qualidade do serviço.

Menus de room service estarão em QR code, tablets ou TVs. Os hotéis do grupo europeu La Réserve removeram os cardápios dos quartos e, também, de seus restaurantes. O pagamento por aproximação será ampliado. Incentivo ao meio eletrônico é um dos protocolos para a hotelaria do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC na sigla em inglês).

Elevadores touchless serão mais comuns. O Prince Hong Kong, com 394 quartos, incluiu painéis de controle de elevadores non-touch em seu projeto de renovação, por exemplo. Um mundo “beyond human” é a primeira das dez tendências de consumo apontadas pela Euromonitor International para 2020. No final de abril, a consultoria revisou a lista levando em conta a covid-19. Se no início do ano “além do humano” era um mundo onde a inteligência artificial poderia ser conveniente, agora é esperado rápido crescimento da automação no setor de serviços para evitar contato.

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4 Chave do quarto (e muito mais) no celular
Inovações que vão mudar a hotelaria: quarto do Hilton Denver City Center
Quarto do Hilton Denver City Center: chave digital pré-pandemia | Foto de Carla Lencastre

O grupo Hilton, um dos pioneiros em check-in sem interação física, anunciou que a partir de junho vai ampliar seu programa Digital Key para mais de 4.700 propriedades em todo o mundo (o grupo tem cerca de 6.100 hotéis). A inciativa é parte dos novos protocolos globais de limpeza da rede. O app Hilton Honors, onde fica a chave digital, permitirá também controlar iluminação, temperatura e televisão. O MGM Resorts terá chave digital na reabertura de seus 13 hotéis em Las Vegas. Além da chave no celular, o app permitirá fazer ckeck-in e check-out no próprio telefone.

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Cartões magnéticos continuarão a ser usados como chaves, mas terão que ser constantemente desinfetados como recomenda o WTTC em seus protocolos para o novo normal na hotelaria. Fico nervosa de pensar naquela situação nada rara em que o cartão não funciona. Você volta ao lobby, o cartão é limpo, reprogramado, desinfetado… Não era divertido antes (principalmente nos longos corredores dos hotéis em Vegas), imagina agora.

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5 Robôs para serviço de quarto
Inovações que vão mudar a hotelaria: Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles
Hannah, robô para serviço de quarto do H Hotel da Curio Collection by Hilton, em Los Angeles: na ativa desde antes da pandemia | Foto de Carla Lencastre

Em um mundo no qual o hóspede quer ter o mínimo possível de contato social e interação humana, pedidos de room service entregues por robôs podem se tornar mais comuns. Robôs para limpeza em hotéis não é usual, mas também pode vir a ser considerado. Um exemplo são os dispositivos que emitem raios ultravioleta, por enquanto usado em hospitais.

Escrevi também sobre as inovações vão mudar a hotelaria em um mundo com covid-19, e o setor de viagens em geral, para o Projeto #Colabora, site de jornalismo independente especializado em desenvolvimento sustentável. Clique aqui para ler mais sobre as novidades da área.

Todos os nossos textos sobre o impacto da covid-19 na hotelaria estão aqui

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Carla Lencastre

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), trabalhou por mais de 20 anos na redação do jornal O Globo nas áreas de Comportamento, Cultura, Educação e Turismo. Editou a revista e o site Boa Viagem O Globo por uma década e ganhou vários prêmios do setor. Em 2020 foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do turismo no Brasil pelo ranking Panrotas+Elo. Desde 2015 escreve para diversas publicações, entre elas O Globo e #Colabora, site de jornalismo independente voltado para o desenvolvimento sustentável. Anda mundo afora em busca de boas histórias desde sempre. É carioca de mar e bar. Gosta de dias nublados e de hotéis. Ama viajar e incentivar os outros a pegar a estrada. Está no Instagram e no Twitter em @CarlaLencastre 

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