{"id":125,"date":"2023-05-17T13:17:21","date_gmt":"2023-05-17T16:17:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/passaporte-de-fe\/?p=125"},"modified":"2023-05-17T13:17:23","modified_gmt":"2023-05-17T16:17:23","slug":"turismo-etico-e-turismo-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/passaporte-de-fe\/2023\/05\/17\/turismo-etico-e-turismo-espiritual\/","title":{"rendered":"Turismo \u00e9tico \u00e9 turismo espiritual"},"content":{"rendered":"\n<p>Nasci nos anos 1970 mas sou apaixonado pelos anos 1980. \u00c9 claro que n\u00e3o sou saudosista, mas gosto da produ\u00e7\u00e3o musical dessa d\u00e9cada, assim como filmes, s\u00e9ries e as telenovelas da Globo. N\u00e3o preciso dizer que revejo, quando poss\u00edvel toda a produ\u00e7\u00e3o televisiva, principalmente entre os anos de 1983 e 1988. E me surpreendo como assuntos que s\u00e3o tabus nos dias de hoje eram tratados sem nenhum problema h\u00e1 40 anos. A \u00faltima d\u00e9cada trouxe discuss\u00f5es essenciais que v\u00eam transformando n\u00e3o apenas a forma como nos relacionamos uns com os outros mas tamb\u00e9m com a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00f5es ligadas a racismo, misoginia, homofobia, intoler\u00e2ncia religiosa s\u00e3o trazidas para debates francos nos obrigando a rever at\u00e9 mesmo as express\u00f5es que usamos em nossas conversas triviais. \u00c9 preciso dizer que nada disso \u00e9 f\u00e1cil. E h\u00e1 um importante trabalho ainda a ser realizado. Em recente entrevista a empres\u00e1ria Luiza Trajano, emocionada, confessou que n\u00e3o percebia o racismo estrutural que ainda est\u00e1 t\u00e3o presente em nosso pa\u00eds, ainda que a maior parte de n\u00f3s, bata no peito e se considere antirracista.<\/p>\n\n\n\n<p>No turismo n\u00e3o \u00e9 diferente. Ainda que, por raz\u00f5es \u00f3bvias, saibamos lidar com diferen\u00e7as culturais, estamos aprendendo a repensar servi\u00e7os que sejam inclusivos e tamb\u00e9m ensinando os clientes a viajar buscando impactar o menos poss\u00edvel o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o da hotelaria global com a diversidade, a equidade, com a sustentabilidade. Uma crescente busca por experi\u00eancias ecol\u00f3gicas \u00e9 vis\u00edvel. E nesse cen\u00e1rio, observamos uma preocupa\u00e7\u00e3o verdadeira e importante, de muitos destinos tamb\u00e9m com a dignidade dos animais. OS EUA foram pioneiros em adotar novas pr\u00e1ticas, conscientes que a li\u00e7\u00e3o de casa ainda n\u00e3o terminou. Em seguida vieram os europeus, os asi\u00e1ticos e os africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Falamos aqui de viagens de f\u00e9. E sei que nem toda viagem tem um objetivo espiritual. Mas toda viagem pode ter valores espirituais a serem respeitados. E n\u00e3o \u00e9 preciso ser S\u00e3o Francisco de Assis ou vegano para compreender que n\u00e3o h\u00e1 espiritualidade que resista ao desrespeito para com o ser humano ou a Natureza. O m\u00eas de abril tradicionalmente \u00e9 dedicado a reflex\u00e3o sobre turismo n\u00e3o cruel aos animais. Conversamos com a jornalista Andrea Miramontes, pioneira no pa\u00eds na conscientiza\u00e7\u00e3o de um turismo que recupere a dignidade dos bichos. Confira!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Como nasceu a iniciativa de promover a reflex\u00e3o sobre o turismo e dignidade animal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trabalho com prote\u00e7\u00e3o animal h\u00e1 mais de 20 anos. Sempre levei o assunto para o jornalismo. Encaro com grande responsabilidade, como jornalista e influencer, incentivar o turismo que n\u00e3o cometa crueldade e abuso com animais para satisfazer as pessoas e gerar lucro. Fa\u00e7o isso em todos os ve\u00edculos em que passei. No \u00faltimo grande portal de not\u00edcias em que trabalhei, eu criei a editoria de turismo em 2011, que j\u00e1 nasceu com essa regra.&nbsp;Enquanto estive l\u00e1, nenhum passeio com animais em cativeiro e que cometa crueldade foi publicado debaixo do meu guarda-chuva de editora. De 10 anos para c\u00e1, meu projeto @ladobviagem, nas redes sociais e site, j\u00e1 nasceu com essa miss\u00e3o. Foi o primeiro&nbsp;site de viagens dedicado a combater o abuso animal de forma expl\u00edcita.&nbsp;H\u00e1 tanta coisa linda para curtir no mundo e n\u00e3o precisamos usar o sofrimento de animais para nos divertir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Que tipos de cuidado o turista precisa observar? Muitas vezes ele nem se d\u00e1 conta de que est\u00e1 colaborando para maltratar animais.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o prestigiar zool\u00f3gicos, shows com animais, que deveriam estar livres com seus comportamentos naturais, e evitar selfies com animais selvagens, \u00e9 preciso ficar atento a mais algumas regras. Qualquer passeio que tenha animal em cativeiro e contato de turista com animais selvagens, como dar mamadeira a le\u00e3ozinho, banho em elefante, tirar foto com bicho-pregui\u00e7a ou arara, montaria em qualquer animal, tem cativeiro e crueldade. N\u00e3o fa\u00e7a. Desconfie de falsos santu\u00e1rios. O santu\u00e1rio de verdade n\u00e3o faz do lugar um zool\u00f3gico, n\u00e3o permite contato das pessoas com os animais e tenta, de toda forma, reabilitar o animal para devolver \u00e0 natureza.&nbsp;Essa \u00e9 a miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Que a\u00e7\u00f5es destinos t\u00eam tomado e que podem inspirar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Evitam divulgar como atra\u00e7\u00e3o do destino os lugares que tenham animais em cativeiro.&nbsp;Devem destinar parte do dinheiro do turismo \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental de fauna e flora. Hot\u00e9is n\u00e3o devem ter animais em cativeiro como atrativo. \u00c9 preciso incentivar o turismo para observa\u00e7\u00e3o de animais livres, sem contato com as pessoas, no habitat natural deles, conduzido por pessoas treinadas para isso.&nbsp;E, claro, nesse tipo de turismo, o animal aparece se quiser. O turista deve estar consciente disso.&nbsp;Um excelente exemplo no Brasil \u00e9 um turismo no Pantanal para ver on\u00e7as pintadas livres. Em vez de&nbsp;lucrarem com a matan\u00e7a de on\u00e7as, \u00e9 melhor proteg\u00ea-las e t\u00ea-las livres, para observa\u00e7\u00e3o de turistas. Os visitantes s\u00e3o levados por profissionais extremamente qualificados, inclusive, com controle do tempo m\u00e1ximo do passeio, sil\u00eancio e comportamento adequado do turista, para a m\u00ednima interven\u00e7\u00e3o naquele ambiente, que um passeio desses exige.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. H\u00e1 outras iniciativas parecidas com a sua no Brasil e no mundo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sinceramente, fui a pioneira a come\u00e7ar um <strong>site de turismo<\/strong> que se dedica a isso, como uma das principais responsabilidades.\u00a0Muitos outros sites, mas estes dedicados ao veganismo e de ONGS internacionais, muito competentes, j\u00e1 combatiam crueldades e continuam um trabalho importante para acabar com o turismo com animais em cativeiro, selfies e shows. Hoje, alguns grandes ve\u00edculos j\u00e1 abandonaram o incentivo de turismo que comete crueldade animal. Mas ainda temos um caminho \u00e1rduo, especialmente nestes tempos de alguns influencers desmiolados e cafonas, que ainda publicam beijos em golfinhos, macacos como pet e montaria em burros, cavalos, camelos e elefantes escravos, como se fosse algo divertido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nasci nos anos 1970 mas sou apaixonado pelos anos 1980. \u00c9 claro que n\u00e3o sou saudosista, mas gosto da produ\u00e7\u00e3o musical dessa d\u00e9cada, assim como filmes, s\u00e9ries e as telenovelas da Globo. N\u00e3o preciso dizer que revejo, quando poss\u00edvel toda a produ\u00e7\u00e3o televisiva, principalmente entre os anos de 1983 e 1988. 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