{"id":260,"date":"2018-07-04T15:29:49","date_gmt":"2018-07-04T18:29:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/?p=260"},"modified":"2018-07-04T15:29:49","modified_gmt":"2018-07-04T18:29:49","slug":"o-mapa-da-confeitaria-portuguesa-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/2018\/07\/04\/o-mapa-da-confeitaria-portuguesa-parte-i\/","title":{"rendered":"O mapa da confeitaria portuguesa (parte I)"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t<figure id=\"attachment_274\" aria-describedby=\"caption-attachment-274\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Mapa_post-952x1024.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-274\" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Mapa_post-952x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"538\" srcset=\"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/Mapa_post-952x1024.jpg 952w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/Mapa_post-279x300.jpg 279w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/Mapa_post-768x826.jpg 768w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/Mapa_post-1568x1686.jpg 1568w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/Mapa_post.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-274\" class=\"wp-caption-text\">[clique no mapa para ampliar a imagem]<\/figcaption><\/figure>Outro dia surgiu na minha linha do tempo no Facebook um mapa da It\u00e1lia que localizava regi\u00f5es por suas massas t\u00edpicas e n\u00e3o pelas cidades (creio que era uma cria\u00e7\u00e3o do projeto <a href=\"https:\/\/tasteatlas.com\/italy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Taste Atlas<\/a>). Tinha l\u00e1 o pesto no lugar de Lig\u00faria, agnolotti em Piemonte, carbonara no Lazio e por a\u00ed vai. Fiquei com vontade de fazer parecido e surgiu a ideia do mapa dos doces portugueses.<\/p>\n<p>A confeitaria conventual, como \u00e9 chamada, \u00e9 um dos s\u00edmbolos da cultura portuguesa e \u00e9 traduzida na pr\u00e1tica por uma diversidade incr\u00edvel de doces, com tamanhos, formatos e, principalmente, nomes dos mais criativos. Em geral, muito a\u00e7\u00facar e gema de ovos s\u00e3o os protagonistas das receitas &#8211; algumas com mais de quatro s\u00e9culos de vida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_277\" aria-describedby=\"caption-attachment-277\" style=\"width: 294px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-277\" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/giphy.gif\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"392\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-277\" class=\"wp-caption-text\">Aquela abocanhada<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cConventual\u201d porque, oras, muitos dos doces nasceram nas centenas de conventos e mosteiros da catolic\u00edssima Portugal. E gema de ovos como base das receitas por conta do uso das claras como engomador dos h\u00e1bitos religiosos. Para n\u00e3o desperdi\u00e7ar as gemas que sobravam, a cozinha foi o destino.<\/p>\n<p>Todos os cantos de Portugal possuem seus doces tradicionais e, acreditem, a lista de varia\u00e7\u00f5es chega \u00e0s centenas. Como n\u00e3o seria muito pr\u00e1tico pontuar cada uma delas no mapa, eu escolhi op\u00e7\u00f5es de regi\u00f5es variadas. No mapa ao lado, \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia de qu\u00e3o espalhada por Portugal \u00e9 a confeitaria conventual. Abaixo eu falo um pouco sobre cada uma dessas del\u00edcias (aqui, os primeiros seis doces. Aguardem a Parte II).<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-262 \" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/abrantes-min-150x150.png\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/abrantes-min-150x150.png 150w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/abrantes-min-300x300.png 300w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/abrantes-min-768x768.png 768w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/abrantes-min-1024x1024.png 1024w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/abrantes-min-1568x1568.png 1568w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/abrantes-min.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>Tigelada de Abrantes (Abrantes)<\/strong><\/p>\n<p>A\u00e7\u00facar, leite, farinha, ovos, raspas de lim\u00e3o e canela. O preparado da jun\u00e7\u00e3o dos ingredientes batidos vai a tigelas de barro vermelhas pr\u00e9-aquecidas em altas temperaturas &#8211; da\u00ed o nome Tigelada. Criada no Convento da Gra\u00e7a, em Abrantes, a receita do doce foi transmitida pelas freiras a uma passadeira que l\u00e1 trabalhava. No boca a boca a Tigelada se popularizou e \u00e9 uma das principais iguarias da regi\u00e3o de Ribatejo.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-269\" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/lisboa-min-150x150.png\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/lisboa-min-150x150.png 150w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/lisboa-min-300x300.png 300w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/lisboa-min-768x768.png 768w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/lisboa-min-1024x1024.png 1024w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/lisboa-min-1568x1568.png 1568w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/lisboa-min.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>Pastel de Nata (Lisboa)<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ser hoje uma entidade nacional, encontrada em qualquer lugar de Portugal, foi em Lisboa que o Pastel de Nata verdadeiramente nasceu. Na capital o pastel carrega sua origem no nome, o bairro de Bel\u00e9m. Com passado ligado ao Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, a f\u00e1brica em Lisboa produz (em receita mais do que secreta), desde 1837, o quitute de massa folhada e creme com gema de ovos e nata.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-264\" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/aveiro-150x150.png\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/aveiro-150x150.png 150w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/aveiro-300x300.png 300w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/aveiro-768x768.png 768w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/aveiro-1024x1024.png 1024w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/aveiro-1568x1568.png 1568w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/aveiro.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>Ovos Moles de Aveiro (Aveiro)<\/strong><\/p>\n<p>Um nome de doce n\u00e3o poderia ser mais literal. Ovos, muitos, em gemas misturadas com a\u00e7\u00facar formam o creme espesso e mole. A massa de um amarelo forte foi criada nos conventos de Aveiro e ganhou na cidade diversas aplica\u00e7\u00f5es &#8211; de crepe a licor. Mas a forma mais tradicional de consumir a iguaria \u00e9 envolta em finas h\u00f3stias moldadas em tem\u00e1tica marinha (conchas, peixes, b\u00fazios, etc).<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-265\" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/esposende-min-150x150.png\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/esposende-min-150x150.png 150w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/esposende-min-300x300.png 300w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/esposende-min-768x768.png 768w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/esposende-min-1024x1024.png 1024w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/esposende-min-1568x1568.png 1568w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/esposende-min.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>Clarinha de F\u00e3o (Esposende)<\/strong><\/p>\n<p>A pequena vila de F\u00e3o tem pouco mais de 3 mil habitantes, localizada ao Norte de Portugal, no concelho de Esposende. Talvez passasse despercebida pela regi\u00e3o n\u00e3o fosse a beleza da praia de Ofir e, principalmente, pela confec\u00e7\u00e3o das Clarinhas de F\u00e3o. O doce, que s\u00f3 \u00e9 encontrado em confeitarias de F\u00e3o ou cidades vizinhas, se resume a um pastel em formato do rissol portugu\u00eas, em massa fina e estaladi\u00e7a, com recheio cremoso de chila (ab\u00f3bora).<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-272\" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/torre-vedras-min-150x150.png\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/torre-vedras-min-150x150.png 150w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/torre-vedras-min-300x300.png 300w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/torre-vedras-min-768x768.png 768w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/torre-vedras-min-1024x1024.png 1024w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/torre-vedras-min-1568x1568.png 1568w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/torre-vedras-min.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>Pastel de Feij\u00e3o (Torres Vedras)<\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9, a criatividade portuguesa vai longe quando o assunto \u00e9 confeitaria: este \u00e9 sim um doce feito do nosso conhecido gr\u00e3o. No s\u00e9culo 19, em Torres Vedras, munic\u00edpio localizado no Distrito de Lisboa, sa\u00eda das m\u00e3os de D. Joaquina Rodrigues a receita para o pastel recheado de am\u00eandoa e feij\u00e3o branco cozido. O doce foi explorado comercialmente por herdeiros e virou tradi\u00e7\u00e3o, sendo hoje fabricado por cerca de 30 produtores locais.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-268\" src=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/leiria-min-150x150.png\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/leiria-min-150x150.png 150w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/leiria-min-300x300.png 300w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/leiria-min-768x768.png 768w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/leiria-min-1024x1024.png 1024w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/leiria-min-1568x1568.png 1568w, https:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/06\/leiria-min.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>Brisa do Lis (Leiria)<\/strong><\/p>\n<p>Os brasileiros mais desatentos dir\u00e3o que se trata de um quindim. Diferentemente da nossa iguaria, que leva coco ralado, a Brisa do Lis tem, al\u00e9m de a\u00e7\u00facar e ovo (obviamente), am\u00eandoas. A hist\u00f3ria d\u00e1 que a Brisa surgiu no convento de Santana. A localiza\u00e7\u00e3o da origem da receita s\u00f3 foi confirmada pelo nome do doce, em refer\u00eancia ao rio Lis, que corta a cidade de Leiria.<\/p>\n<p>Fiquem ligados no blog para acompanhar a <a href=\"http:\/\/blog.panrotas.com.br\/viajante\/index.php\/2018\/07\/10\/o-mapa-da-confeitaria-portuguesa-parte-ii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Parte II<\/strong><\/a> deste mapa da confeitaria conventual portuguesa. Tamb\u00e9m vale dar uma olhada nas \u00faltimas postagens e seguir o Viajante 3.0 pelo <a href=\"http:\/\/instagram.com\/viajante3.0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instagram<\/a>.\t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outro dia surgiu na minha linha do tempo no Facebook um mapa da It\u00e1lia que localizava regi\u00f5es por suas massas t\u00edpicas e n\u00e3o pelas cidades (creio que era uma cria\u00e7\u00e3o do projeto Taste Atlas). Tinha l\u00e1 o pesto no lugar de Lig\u00faria, agnolotti em Piemonte, carbonara no Lazio e por a\u00ed vai. 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