Reforma Trabalhista e Terceirização/Futuro dos Travel Managers e TMCs/Faturamento (also in English)

Caros Leitores,

É uma sensação particular, ou o Brasil começa a reagir? Mais viagens corporativas, planos de viagens, vendas, calls, reuniões com fornecedores, e-mails internos e novos funcionários no Dia de Integração (pelo menos onde trabalho)! Mas uma sensação de quem conversa (e muito :-)) com outros colegas (fornecedores e gestores). Vamos torcer para que sim, claro!

A propósito, está chegando a I Conferência Nacional de Travel Managers da HSMAI, dia 01/09. A agenda está quase pronta, detalhes de participação praticamente definidos (aéreo, hotéis, transfers). Em breve mais notícias! Leia a notícia aqui

 

 

 

 

 

 

1º HSMAI Executive Roundtable para Travel Managers, 28/04

 

 

 

 

 

Curso GBTA em Fortaleza, 19/04

 

Minha ideia hoje é falar de dois temas bastante atuais e com impactos sobre algo maior – nossas carreiras (o terceiro tema): o que a nova regulamentação da terceirização e a reforma trabalhista podem trazer de bom para o setor de viagens e eventos corporativos?

Devo dizer que sou a favor de ambas (com algumas ressalvas), e não será difícil compreender isto lendo minha argumentação abaixo. Creio serem medidas positivas para o Turismo, especialmente o setor Corporativo, e dou os exemplos abaixo (naturalmente aberto ao contraditório, já que muitos provavelmente não concordarão):

1- Poderão surgir no mercado empresas de formação especializada de consultores de viagens, recepcionistas, aeronautas (que têm legislação própria) – ou seja, organizações que recrutam, treinam e reciclam estes profissionais para atenderem nossos viajantes, e que serão contratados pelas horas necessárias para executar o serviço, tirando dos empregadores a responsabilidade por esta parte do processo – e eles continuarão tendo seus direitos trabalhistas garantidos, o mais importante. Também poderão ser contratados como PJs diretamente, por que não? Alguns dirão: “imagina meu RH contratar X funcionários como PJ, que trabalhoso?” Ora, contratar um colaborador diretamente também dá muito trabalho.

Um exemplo que sempre costumo dar é o da Cia. Aérea que precisa manter estrutura permanente em certos aeroportos no interior do Brasil para receber 1 ou 2 voos diários – precisam pagar 8 horas diárias a estes funcionários, dar-lhes hora de almoço quando na verdade poderiam fazer shifts de 3 ou 4 horas diárias (como ocorre em países desenvolvidos como Austrália, Nova Zelândia e EUA).

E em uma TMC então, onde os fees são construídos para demandas de 8 horas diárias (além do nível de Senioridade da equipe), quando nem sempre o cliente tem uma demanda de 8 horas diárias, ainda mais com OBTs cada vez mais populares? A TMC que faz gestão de seus próprios recursos analisando horários de pico poderá alocá-los com base nesta nova realidade do trabalho por horas, e a relação também ser mais transparente com seus clientes.

 

2- Com a flexibilização das relações trabalhistas, o fim do anti-democrático imposto sindical e outros tantos ganhos, os custos dos fornecedores tendem a ser menores – e sua rentabilidade maior:

a) Para as TMCs, o fee dos clientes passa a ser mais significativo e melhora-se a margem de contribuição perante o resultado final da conta (depende-se menos das comissões e incentivos dos fornecedores finais para se ter uma relação lucrativa, o que pode melhorar por tabela a transparência de algumas que cobram comissões dos fornecedores finais de maneira escondida para rentabilizar o contrato);

b) Para as Cias. Aéreas nacionais, junto com a mudança das regras de bagagem e o provável fim do limite de investimento estrangeiro, aumenta-se também a rentabilidade e a chance de eliminar os grandes prejuízos sofridos por estas empresas nos últimos anos – fora a provável melhora nos índices econômicos (risco-Brasil mais baixo e dólar mais estável) que as impactam diretamente na dívida e custo de combustível (QAV);

c) Para os Hotéis, abre-se a possibilidade de terceirizar mais serviços , mas abre-se um conflito (inerente a todos na verdade, mas ainda mais grave para eles): sendo um serviço EXTREMAMENTE personalizado, o risco para a Hotelaria é alto – vide diversos hotéis com estacionamentos terceirizados e que são reféns de manobristas e motoristas despreparados, mal-educados e lentos.

d) Empresas de tecnologia poderão contratar diretamente mais desenvolvedores e programadores PJ ou de empresas especializadas – provavelmente este é um dos custos mais altos na concepção, desenvolvimento e lançamento de um produto ou de suas atualizações (as famosas “versões 1, 1.1, 2.5”).

 

3- Com ambas medidas aprovadas e em vigor, mais a aprovação do teto de gastos do governo federal, inflação sob controle, reforma da Previdência e juros declinantes, estamos criando o ambiente econômico (o jurídico e político ainda levarão tempo) propício para a chegada de mais competidores, sejam estrangeiros ou empreendedores brasileiros: empresas de tecnologia de reserva, distribuição de conteúdo, gestão de despesas, criação e organização de eventos, locação de veículos, e especialmente, companhias aéreas regionais – e de preferência, de baixo custo.

Tendo exposto rapidamente minha opinião a respeito destes temas, entramos em outro tópico: a mudança do papel do Travel Manager para Mobility Manager.

Diferente do que ouvi alguns outros executivos dizerem recentemente, discordo totalmente que o Travel Manager e a TMC devem se unir para não desaparecem juntos – nenhum dos 2 desaparecerá por completo, apenas terão que se ajustar nos próximos 10 anos. Os Travel Managers que se tornarem especialistas em Mobilidade, e as TMCs que se tornarem empresas de tecnologia que prestam serviços de reservas e acompanhamento de viagens, triunfarão. Os demais (que não se adaptarem) queimarão pneus nas estradas contra a reforma da Previdência de 2028 (afinal deve-se reformá-la periodicamente, conforme a população envelhece e aumenta-se a expectativa de vida geral), ou terão empregos menos valorizados financeiramente (e mais operacionais).

O Mobility Manager, além das Viagens Corporativas, provavelmente cuidará de Frota e dos Fretados dos funcionários, que até lá já estarão sendo substituídos por aplicativos de carona compartilhada  – isso se os funcionários todos não estiverem em Home Office (como também prevê a atual Reforma Trabalhista, vejam só!). Talvez até de cuide de Transporte de Carga, para ter sinergia de negociação com as Cias. Aéreas ou com fornecedoras próprias deste serviço, como DHL, Fedex e outras do gênero que não são necessariamente Cias. Aéreas.

E as TMCs, também em franca transformação, serão empresas de tecnologia voltadas para gerir viagens corporativas – com relatórios intuitivos, fáceis, atualizados em tempo real, gestão de expenses, localização de viajantes, apps próprios, atendimento virtual, sourcing eletrônico, todas as tarifas e fornecedores finais em suas prateleiras…. e quem sabe, ajudando os Mobility Managers a gerenciarem também suas Frotas, Fretados e Carga.

 

Faturamento

O Rubens publicou há alguns dias um artigo sobre Faturamento, um tema que planejava expor aqui também. Ele falou do faturamento dos fees das TMCs, ao passo que desejo falar sobre outro faturamento: dos hotéis e locadoras.

É verdade que esta forma de pagamento vem diminuindo nos últimos anos, com a adoção de cartões individuais por algumas empresas e de virtuais por outras, e o aprimoramento dos métodos de cobrança e conciliação (Virtual Card Number, Meeting Cards, Purchase Cards, Conferma, etc).

Mas, quem vai acabar definitivamente com o faturamento a que me refiro? As TMCs? Pouco provável. Os clientes? Menos provável.

Os Hotéis e as Locadoras são os únicos capazes de fazer isto de forma organizada e definitiva, enquanto fornecedores finais. Lembro-me da iniciativa frustrada de uma associação hoteleira de abolição do faturamento, que foi logo desconsiderada pelos…. hoteleiros! Alguns começaram a abrir exceções para seus clientes, os demais ficaram assustados em perder os seus por não faturarem mais…. enfim, perdeu-se uma boa oportunidade. Naquela época, o mercado era muito mais simples e imaturo, com menos aplicativos, start-ups e principalmente soluções para suportar uma mudança desta magnitude. Hoje, 8 anos depois, os fornecedores finais têm muito mais oportunidade de fazê-lo, e de uma maneira organizada, dando um prazo para os intermediários e os clientes finais se adaptarem à nova realidade (e temos provas mais que suficientes que sim, no fim todos se adaptam ao que é melhor).

Faturamento (se necessário) deve ser exceção, e não regra!

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ENGLISH VERSION

Dear Readers,

Is it a particular feeling, or is Brazil beginning to react? More corporate trips, travel plans, sales, calls, vendor meetings, internal emails and new employees on Integration Days (at least where I work)! But especially a feeling of who talks (and a lot :-)) with other colleagues (suppliers and buyers). Let’s hope so!

By the way, the 1st HSMAI National Conference of Travel Managers is arriving on 01/09. The agenda is almost ready, details of participation practically defined (air, hotels, transfer). More to come soon! Read the news here

My idea today is to talk about two very current subjetcs with impacts on something bigger – our careers (the third theme): What can the new outsourcing and labor regulations bring to the travel and events industry?

I must say that I am in favor of both (with some restrictions), and it will not be difficult to understand this by reading my text below. I believe they are positive measures for Tourism, especially the corporate sector, and give the examples below (naturally open to the contradictory, since many probably will not agree):

1- Specialized training companies for travel consultants, receptionists, airport agents (who have their own legislation) – that is, organizations that recruit, train and recycle these professionals to assist our travelers, who will be hired for the necessary hours to perform the service, taking away from employers the responsibility for this part of the process – and they will continue to have their labor rights guaranteed, most importantly. They can also be hired as private-owned companies directly, why not? Some will say, “Can you imagine my HR hiring X employees like private companies, how laborious?” Well, hiring a collaborator directly also gives a lot of work.

An example I always give is the one coming from the air sector, which must maintain a permanent structure in certain airports in the countryside of Brazil to receive 1 or 2 flights a day – they must pay 8 hours a day to these employees, give them lunch time when in fact they could do shifts of 3 or 4 hours a day (as it happens in developed countries like Australia, New Zealand and USA).

And in a TMC then, where the fees are built for 8-hour demands daily (in addition to the Seniority level of the team), when not always the customer has an 8-hour demand every day, even more with the increasingly popular OBTs? The TMC that manages its own resources by analyzing peak times can allocate them based on this new reality of work per hours, and the relationship also be more transparent with its clients.

 

2- With the relaxation of labor relations, the end of the anti-democratic mandatory trade union tax and other gains, the costs of suppliers tend to be lower – and have greater profitability.

a) For TMCs, the customer fee becomes more significant and the margin of contribution to the final result of the account is improved (less depends on the commissions and incentives of the final suppliers to have a profitable relationship, which Can improve by transparency the transparency of some that charge commission of the final suppliers in a hidden way to monetize the contract);

b) For the Airlines, together with the changing baggage rules and the likely end of the foreign investment limit, both reforms also increase the profitability and the chance of eliminating the great losses suffered by these companies in recent years – apart from the probable improvement in economic indexes (lower risk-Brazil and a more stable dollar) that directly impact on debt and fuel costs;

c) For Hotels, the possibility of outsourcing more services is opened up, but a conflict (inherent in all, but even more serious for them) opens up: being an EXTREMELY personalized service, the risk for Hospitality is high – see various hotels with outsourced parking lots that have unprepared, rude and slow drivers.

d) Technology companies will be able to directly hire even more outsourced developers and programmers or specialized companies – this is probably one of the highest costs in designing, developing and launching a product or its upgrades (the famous “versions 1, 1.1, 2.5” ).

3 – With both measures approved and in force, plus approval of the Federal Government spending ceiling, inflation under control, Social Security’s reform and declining interest rates, we are creating the economic environment (the legal and political will still take time) conducive to the arrival of more competitors, whether foreigners or Brazilian entrepreneurs: booking technology companies, distribution of content, expense management, creation and organization of events, rental of vehicles, and especially, regional airlines – and preferably, low cost.

Having briefly explained my thoughts on these facts, we went on another topic: the changing  role of Travel Manager to a Mobility Manager position.

Unlike what I’ve heard a few other executives say recently, I totally disagree that Travel Manager and TMC must come together so they do not disappear together – none of the 2 will disappear altogether, they just have to adjust over the next 10 years. Travel Managers who become Mobility Specialists, and TMCs that become technology companies that provide travel booking and travel tracking services, will triumph. The others (who do not adapt) will burn tires on the roads against the Social Security reform of 2028 (after all, it must be reformed periodically, as the population ages and the general life expectancy increases), or they will have less financially valued jobs (and more operational as well).

The Mobility Manager, in addition to Corporate Travel, is likely to take care of Fleet and Employee Transportation, who by then will be being replaced by shared ride applications – this is if all employees are not in Home Office (as is the current Labor Reform proposing!). Maybe even take care of Freight Transportation, to have synergy of negotiation with the airlines or with traditional Freight suppliers, such as DHL, Fedex and others that are not necessarily airlines.

And the TMCs will also be technology companies geared toward managing corporate travel – with intuitive, easy-to-use reporting, updated real-time, expense management, traveler location, own apps, virtual attendance, electronic sourcing, all fares and final vendors on their shelves …. and who knows, helping Mobility Managers to manage their Fleets, Charters and Freight besides Corporate Travel and Events.

 

Invoicing

Rubens published a few days ago an article about Invoicing, a theme that I was planning to approach here as well. He talked about the billing of the TMCs fees, while I want to talk about other type of invoicing that is also perverse: from hotels and video stores.

It is true that this form of payment has been decreasing in recent years, with the adoption of individual cards by some companies and virtual ones by others, and the improvement of methods of collection and reconciliation (Virtual Card Number, Meeting Cards, Purchase Cards, Conferma, etc).

But who will definitely end up with the billing I am referring to? The TMCs? No. Clients? Less likely.

The Hotels and the Rental car companies are the only ones able to do this in an organized and definitive way, as final suppliers. I remember that a few years ago an initiative of a hotel association to extinguish the billing was soon disregarded by the …. hoteliers! Some began to make exceptions for their customers, the others were scared to lose theirs by not billing anymore …. and we all missed a good opportunity. At that time, the market was much simpler and immature, with fewer applications, start-ups and especially consistent solutions to support a change of this magnitude. Today, 8 years later, final suppliers have a much better chance of doing so, in an organized way, giving a deadline for intermediaries and end-customers to adapt to the new reality (and we have more than enough evidences that we all adapt to what is better).

Billing/Invoicing (if necessary) should be an exception, not the rule!

 

 

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Fernão Loureiro

Graduado em Turismo, Pós-Graduado em Gestão de Serviços e MBA em Gestão Empresarial. Atualmente Gerente Estratégico de Viagens e Eventos para a Philips LATAM e Presidente da Global Business Travel Association (GBTA) Brasil. Anteriormente Gestor Regional de Compras de Viagens, Eventos e Frota da Ambev e da Souza Cruz, Gestor de Viagens da Embaixada dos EUA no Brasil, Gerente de Contas da Carlson Wagonlit Travel Brasil e Program Coordinator na CWT Austrália (1 ano na terra dos cangurus). Certificado pela Academia de Viagens Corporativas em Gestão Mercadológica de Viagens e Eventos. Instrutor da Academia GBTA, Blogueiro Panrotas desde 2015, Membro do Board da HSMAI Brasil, Colunista na revista TravelManager (Espanha), participante ativo de painéis e palestras e bastante envolvido com o setor de viagens e eventos corporativos.

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