Prioridade bem-vinda

Estaremos prontos para, daqui a menos de 20 anos, dobrarmos o número de passageiros da aviação? Pular de quatro para mais de sete bilhões ao ano?

Estou nos Estados Unidos e aqui se debate constantemente a infraestrutura aeroportuária. Especialmente a questão da segurança com a fluidez dos viajantes nos aeroportos. Há pesquisas mostrando que se fosse mais simples (passar por todo o processo) haveria mais viajantes. Há pesquisas que mostram que muitos evitam aeroportos por causa dos transtornos.

E põe transtorno nisso.

Hoje gasta-se pelo menos uma hora na fila de segurança em grandes aeroportos dos Estados Unidos. Quando não mais que isso. Por mais que se viaje com sapatos fáceis de serem tirados, sem metais, sem laptop, sem líquidos… As filas são gigantescas. E muitas vezes os aeroportos apelam para os cães farejadores, para agilizar a fila. É comum passageiro pedindo para passar na frente para não perder o voo.

A biometria vai resolver parte desse problema, assim como a comunicação em tempo real da companhia aérea com o passageiro (que poderá ser identificado na fila da segurança, por exemplo).

Por ora… uma solução é pagar por prioridade. Passageiros premium, que voam de classe executiva ou primeira classe, ou que têm status alto nas empresas aéreas, têm filas diferenciadas. E a diferença de tempo é… ENORME. Um custo que começa a ser discutido nas planilhas dos gestores de viagens. Ou chega-se quatro horas antes do voo. Ou paga-se por prioridade, algo que no Brasil ainda não é permitido, salvo uma experiência no Rio Galeão.

Para voos internacionais, já há vários programas nos Estados Unidos, como o Global Entry, e para voos domésticos o Clear ou o TSA Pre, que requerem cadastro e pagamento e que as empresas também já estão dispostas a pagar a seus executivos…

Uma discussão para ontem. Gastar mais tempo na fila do que no voo é algo que não deveria acontecer. E acontece.

 

God bleisure you

Bleisure é tendência? Obviamente não. Apenas um nome bonito criado por algum teórico marqueteiro que ama lançar novos termos para suas apresentações e posts… Quem não gosta ou precisa de cliques? Ficar um dia a mais em uma viagem de negócios, sabemos, não é para muitos e, por causa de questões de responsabilidade e cuidados da empresa que está pagando a viagem ao funcionário, não é algo tão facilmente aprovado. Por questões de segurança e pela burocracia legal, melhor seria dizer não. Mas na política da satisfação do cliente (no caso, o viajante-funcionário) e dos incentivos aos colaboradores, pode ser uma alternativa, desde que não envolva aumento de custos. A questão da responsabilidade, porém, continua. Um acidente na parte leisure da viagem é coberto por quem? As consequências a partir daí caem em que conta, a corporativa ou a pessoal? E as questões éticas? Fato é que se trata de algo delicado, analisado caso a caso e que não se pode chamar de tendência.

A tendência (mais) real ligada ao bleisure é a mobilidade que a tecnologia permite e que tem levado uma quantidade (sortuda e limitada) de pessoas a trabalhar viajando, e até acompanhada da família. Tudo depende da cultura da empresa, do modelo de trabalho e das atribuições e responsabilidades do viajante-trabalhador. E do wi-fi nos locais visitados, claro.

Bleisure não é tendência. Mas a flexibilidade de seu uso, especialmente para quem já trabalha em home-office ou tem posições específicas, e as preocupações com duty of care quando é autorizada sua adoção (geralmente em caráter excepcional) são sim realidade mundial. O bem estar do funcionário (o que inclui reconhecimento por ajudar na política de viagem da empresa) e a responsabilidade legal da empresa têm de andar de mãos dadas, e sem muita folga. Com firmeza e transparência.