A primeira vez que tomei conhecimento do conceito de “royalties” do petróleo, lá pelos idos dos anos 80, eu achei estranho ter que compensar municípios produtores de petróleo pelos prejuízos advindos desta produção…
Recém saído da faculdade de engenharia, eu pensava: “Se produzir petróleo gera riqueza, emprego e desenvolvimento econômico para a região produtora, a ideia é compensar o quê?”
Muitos anos depois, tivemos a oportunidade de abrir uma filial de nossa agência em Macaé – RJ, para atender a explosão econômica provocada pela exploração de petróleo na Bacia de Campos, que tem na vizinha Macaé uma de suas principais bases operacionais.
Hoje está claro para nós, e penso que para toda a sociedade, que o desenvolvimento econômico abrupto, explosivo mesmo e não planejado, gera também crescimento desordenado, problemas de saúde pública, alta criminalidade, demanda de educação básica, carência de capacitação profissional, migração de oportunidades (incluindo empresas como a nossa filial), falta de habitação decente (proliferação de favelas), problemas de infraestrutura de transportes etc, demandando investimentos do poder público em escala e velocidade muitas vezes superiores à dos resultados positivos do crescimento econômico esperado.
Digo isso ainda sem considerar o aspecto ambiental, tanto do ponto de vista dos reais prejuízos causados à natureza no entorno da região explorada, quanto do permanente e inexorável risco de tragédias ambientais, como a que se abate neste momento no campo do Frade, explorado pela Chevron, terceira maior companhia petrolífera do mundo, à frente da Petrobras.
Por isso pergunto: Será que todos os estados da federação estão dispostos e compartilhar os prejuízos de acidentes como este, com o mesmo fervor com que defendem a divisão dos “royalties” do petróleo dos estados produtores?
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