Foi com essa frase que a Solange Vabo respondeu uma pergunta da plateia no II Seminário Aviesp, no final de 2009, no The Royal em Campinas.
A questão levantada se referia a como os pequenos agentes do interior conseguiriam sobreviver às ameaças representadas pelo ambiente da multiconcorrência, tendo que competir com as grandes agências e, ao mesmo tempo, com os seus principais fornecedores, quase todos vendendo diretamente ao cliente.
Cias. aéreas, hotéis, grandes operadoras turísticas e consolidadores, todos incluem o agente de viagens em sua estratégia de distribuição, mas a maioria vende também, simultaneamente, ao cliente final.
O que hoje é encarado como inevitável, há apenas 2 anos atrás era visto como a pá de cal na atividade de agenciamento de viagens, devido ao tamanho que tal ameaça se mostrava na época.
Cias. aéreas oferecem tarifas acordo para venda direta a empresas, agências corporativas usam tarifas de operadoras, cias. aéreas vendem através de operadoras próprias para clientes corporativos, consolidadores montam agências de turismo para vender diretamente ao cliente, GDSs controlam algumas das maiores agências de viagens online, operadoras disputam o mesmo mercado de seus agentes revendedores, etc etc etc.
O argumento de que ser pequeno é uma opção, significa exatamente que qualquer agência e, em última análise, qualquer empresa, tem à sua disposição o mesmo arsenal de instrumentos que as grandes agências (e empresas) dispoem, podendo habilitar-se a encarar a nova realidade deste novo mercado:
– Capacitação
Treinamentos de todos os tipos são oferecidos, sem custo ou a custos reduzidos, pelas entidades do turismo, fornecedores e empresas especializadas.
– Informação
Com a internet, qualquer tipo de informação está disponível, sobre o mercado, sobre a atividade, sobre a concorrência, sobre os fornecedores, sobre as novidades…
– Tecnologia
Variados sistemas estão cada vez mais acessíveis aos pequenos agentes, graças à evolução das plataformas e à saudável concorrência entre fornecedores de tecnologia.
– Investimentos
Diversas linhas de financiamento, disponíveis a juros subsidiados pelo governo, são oferecidas aos micro e pequenos empresários, como o cartão BNDES e outros.
Portanto, a opção do agente continuar pequeno é legítima e economicamente viável, mas não pode ser acompanhada da decisão de não preparar-se para o novo ambiente de competição, pois isso não é mais uma opção, mas o único meio de participar e vencer, independentemente de seu tamanho.
Na AVIESTUR, dias 15 e 16/04, em Campos do Jordão, o interesse de centenas de fornecedores, em mostrar seus produtos e serviços aos agentes de viagens do interior de São Paulo, é uma prova desta afirmação.
.