Imaginar quais serão os próximos passos dos players de um mercado tão dinâmico quanto nervoso, como o nosso mercado de turismo, é uma tarefa bastante motivadora.
Exercitar esta análise, do ponto de vista do consumidor de viagens corporativas, torna-se um enorme desafio, se considerarmos as variáveis que influenciam e as que verdadeiramente impactam esta atividade em nosso país atualmente: crescimento econômico acima da média mundial, excesso ou falta de regulamentação, problemas de infraestrutura aérea e aeroportuária, legítimos interesses comerciais, evolução das tecnologias facilitadoras, surgimento de tecnologias substitutas, pressão pela desintermediação, etc. etc.
Entre essas variáveis, pode-se afirmar que a economia brasileira permanecerá em crescimento, independentemente de quem será o próximo mandatário da nação, mas o resultado da próxima eleição poderá influenciar significativamente uma maior ou menor regulamentação do setor, bem como induzirá a mais ou menos atenção à infraestrutura aeroportuária ou mesmo a um ambiente mais ou menos propício a investimentos na aviação.
Já os interesses comerciais, a evolução das tecnologias que facilitam o negócio viagens e turismo, bem como o surgimento de tecnologias que substituem as viagens (mas não o turismo), poderão influenciar mais diretamente no que será este negócio no futuro. Da mesma forma, há a tendência inexorável da desintermediação, que visa uma maior rentabilidade do negócio do prestador do serviço.
Por estas e outras, e para que eu seja cobrado por este exercício de futurologia, vejo as tendências do turismo no Brasil apontando na seguinte direção:
– A quantidade de passageiros continuará crescendo acima da capacidade de atendimento de nossos aviões e aeroportos.
– A hotelaria responderá à altura do proporcional crescimento da demanda por hospedagem.
– A desintermediação continuará, pressionada pelos interesses comerciais dos prestadores de serviços turísticos e também pelo desejo do consumidor.
– As agências de viagens se reinventarão e agregarão valor ao seu serviço, mantendo sua importância no negócio.
– A distribuição das cias. aéreas incluirá todos os meios, de todos os tipos, diretos e indiretos, portais próprios, webservices, GDS, sistemas integradores, consolidadores, operadores e agentes de viagens, entre outros.
– A internet continuará sendo um catalisador de mudanças e um agente revolucionário para os negócios.
Algumas dessas previsões podem ser conferidas em 2011, enquanto outras farão mais sentido se forem verificadas a partir de 2015.