OTA: A FESTA ACABOU?

Todo mundo está cansado de saber que o investimento em uma start up, em especial se for um negócio na internet, é um investimento de risco.

Por isso, fundos de investimento (este capital sem dono) fizeram a festa (e ainda fazem) nas empresas de internet, de todos os segmentos, baseados no ponto de vista de que sempre haverá outro fundo a investir neste negócio no futuro e, assim, poderão recuperar todo o investimento feito, com algum lucro.

Jamais vou esquecer o diálogo surrealista que tivemos com um “Diretor de Novos Negócios” de um fundo de investimento (não citarei o nome) há uns 10 anos (sim, somos dinossauros da internet), quando indaguei qual o objetivo do fundo em colocar uma montanha de dinheiro num negócio, cujo modelo ainda estava sendo implantado e, portanto, apresentava mais risco do que potencial.

A resposta surpreendeu-me, não pela revelação, mas pela analogia utilizada:

– “Este nosso movimento na direção (?) de sua empresa não tem nada a ver com risco, tem a ver com aproveitar uma onda, só isso”, respondeu o caçador de oportunidades, com um olhar impávido.

Movimento? Direção? Onda? Parecia papo de surfista. Então segui tentando esclarecer os pontos que me pareciam pouco lógicos:

– “Estou quase captando… Mas após dropar essa onda, como vocês pretendem fazer lucro ao sair dela?”, perguntei, tentando me encaixar no linguajar.

Aí sim a resposta foi uma ode ao pragmatismo cara de pau:

– “Existe um bobo em toda transação de M&A deste tipo. Nós seremos o bobo consciente neste caso, mas estamos apostando que esta onda será longa”, esclareceu o executivo, como quem fazia uma revelação do óbvio.

– “Ahh, saquei ! A aposta de vocês não é exatamente no projeto, no negócio ou na empresa”, insisti. “Mas em algum momento, mesmo no longo prazo (já que a onda será longa), o lucro terá que vir de algum lugar, não é?”

A derradeira resposta eliminou qualquer possibilidade de que entrássemos naquela transação. Utilizando um jargão da obviedade, comum na turma do mercado financeiro quando conversa com leigos empresários, ele mandou na lata:

– “De novo: somos o bobo neste negócio, mas terei tempo de encontrar um outro mais bobo do que eu…”

Todo este preâmbulo serve para deixar uma pergunta no ar:

Agora que não existe mais “empresa de internet”, já que todas são ou estão na internet;

Agora que as OTAs deixaram de crescer a taxas absurdas e passaram a crescer, com esforço, na mesma taxa das agências de viagens tradicionais que também investem na internet;

Agora que, pelos cálculos mais otimistas, serão necessários outros 20 anos para remunerar, apenas com o resultado da operação das OTAs, os bilhões que foram consumidos nos últimos 10 anos;

A pergunta que não quer calar é de onde virá o lucro para os investidores que vêm apostando nesta onda nos últimos anos?

Ou, nas palavras do mercado financeiro: De onde virá o novo bobo?

.

MISSÃO CUMPRIDA

Participo da ABGEV (uêpa!) desde o início, como associado, integrante de comitê, coordenador de comitê, conselheiro, vice-presidente e, mais recentemente, mantenedor.

Participo (e continuarei participando) porque acredito na proposta de uma associação entre clientes e fornecedores, baseada no voluntariado, no compartilhamento de conhecimento, na disseminação das melhores práticas, com integridade, profissionalismo, isenção e paixão.

Sempre defendi (e continuarei defendendo) que uma associação profissional não pertence a um grupo de pessoas, mas ao conjunto dos associados, que devem atuar, com respeito ao estatuto, às leis e à sociedade (não necessariamente nesta ordem), em seu nome, objetivando a evolução do mercado em que atuam.

Acredito (e continuarei acreditando) que reunir fornecedores concorrentes em uma mesma reunião, para discutir problemas comuns a todos, buscar soluções para as demandas dos clientes e debater questões de interesse do mercado, é uma excelente (talvez a melhor) oportunidade de aprimoramento do setor.

Quando aceitei o desafio de candidatar-me à vice-presidente da então ABGEV, tinha em mente que, uma vez eleito pelos associados, teria que enfrentar, entre outras, 3 dificuldades adicionais:
1 – Meus compromissos profissionais e associativos anteriores.
2 – A distância entre a Barra da Tijuca, onde resido e a Faria Lima, atual sede da associação.
3 – A expectativa dos associados em relação à substituição da então vice-presidente, que era dedicada de corpo e alma à associação, desde a sua criação.

Uma vez esclarecidos estes pontos, assumi prontamente o desafio, especialmente motivado com a criação da ALAGEV, mas com o compromisso de permanecer no cargo até o momento em que as dificuldades impactassem o nível de colaboração necessário ao ocupante do cargo.

Neste fim de maio de 2013, pouco mais de 1 ano após assumir a vice-presidência da associação, após participar por 2 anos como membro do conselho e por 4 anos como coordenador do comitê de tecnologia e inovação, identifiquei ter chegado o momento de contribuir de outra forma e, ao mesmo tempo, abrir espaço para renovação.

Orgulho-me de ter trabalhado com a atual administração, profissionais competentes e dedicados, cuja gestão destacou-se, em especial, pela expansão de nossa associação e de seus conceitos, para a América Latina, dissociando-a de fórmulas prontas, de soluções globais que nem sempre adequam-se às necessidades de cada país, da ultrapassada visão de que temos que nos adaptar ao que vem de fora, mesmo que não sirva às nossas características.

Penso que uma nação avança, e bem assim os seus mercados avançam, com investimentos em educação, em P&D, e com estímulo à inovação, que significa, sim, analisar e conhecer soluções prontas, mas principalmente acreditar em encontrar nossas próprias soluções para nossos próprios problemas.

Além da amizade e companheirismo, o fato de ter participado da criação da ALAGEV, com este novo espírito de compartilhar o que há de melhor em cada país latinoamericano, respeitando as suas especificidades, é o que levo de mais gratificante deste período ao lado das queridas Viviânne Martins, Ana Panneitz, Eliane Taunay, Patricia Thomas e dos amigos Alexandre Pinto, Eduardo Murad, João Bueno, Paulo Daniel, Rodrigo Cezar e Walter Teixeira (o novo vice-presidente), além do Paulo Amorim e equipe, capitaneados pela super Aline Bueno.

Deixo a vice-presidência por não poder dedicar-me como gostaria, mas permaneço como conselheiro e associado mantenedor da ALAGEV, uma nova associação que tive a honra de participar da conceituação, da criação e da fundação, e que tem uma longa trajetória pela frente, uma nova história que está apenas começando e que demanda novas ideias e muita disponibilidade.

Penso que a ABGEV fez história, mas é passado. O presente e o futuro chamam-se ALAGEV e é para lá que devemos olhar.

.

O SEGREDO É A DISPONIBILIDADE

Em nossa empresa, sempre identificamos os profissionais por alguns atributos típicos da avaliação funcional da área de Gestão de Pessoas.

Mas temos também, Solange e eu, uma metodologia muito pessoal para perceber até onde podemos esperar que um novo talento pode chegar.

Nem sempre acertamos, mas a quantidade de apostas vencedoras que fizemos, temos feito e ainda faremos, demonstra que esta trilogia, mais intuitiva do que científica, é parte importante dos resultados que construímos e garante, de certa forma, o que chamamos perpetuidade do negócio.

O bilionário Jorge Paulo Lemann notabilizou-se, entre outras razões, por procurar jovens talentos que descrevia pela sigla PSD, que significa, em inglês, “Poor, Smart, Deep desire to be rich” (numa tradução livre: pobre, brilhante e ambicioso).

Não concordamos totalmente com Lemann (talvez por isso seja ele o bilionário), mas para nós, três características básicas, fáceis de identificar no curto prazo, são fundamentais em um profissional para que possamos vislumbrar um futuro de sucesso, para ele e para a empresa, projeto ou negócio em que esteja envolvido:

1 – DESEMPENHO (talento + foco)
A analogia com o brilhantismo que Lemann busca nas pessoas, para nós significa simplesmente o resultado que o profissional entrega. Desempenho é o resultado do talento (o Smart de Lemann) associado à dedicação, pois pouco adianta um sem o outro.

2 – DESEJO (ambição + determinação)
Sim, concordamos com Lemann quanto ao fato de que carência pessoal junto com ambição (Deep desire to be rich) funciona como um catalisador de mobilidade social. A carência, a necessidade, o Desejo genuíno de progredir, quando associados ao Desempenho, ou seja, ao conjunto de talento e dedicação, torna o profissional quase imbatível.

3 – DISPONIBILIDADE (presença + prioridade)
Aqui reside o item mais polêmico (questionável até), considerando a verdade absoluta que permeia o universo da geração Y e sucessoras, quanto à liberdade para criar, para fazer, para produzir, como uma prática natural, que prescinde da presença (ou da Disponibilidade) do profissional.

Percebemos que, para um grupo que atua em equipe, em que o trabalho de um depende e/ou complementa o trabalho do outro (ou seja, para 92% dos profissionais brasileiros), a Disponibilidade é um item muito, muito importante.

De nada adianta o talento ou brilhantismo de um profissional, mesmo que associado à forte ambição pessoal, se este profissional dividir sua atenção, todo o tempo, com outros problemas, variadas questões ou diferentes demandas que permeiam a vida de todos.

Chamamos de Disponibilidade a variável que garante que um profissional talentoso (Smart) e dedicado, ambicioso (Deep desire to be rich) e determinado, direcione todo seu empenho ao projeto, negócio ou empresa na qual esteja atuando, simples assim.

Ou seja, para nós tanto faz se o jovem e ambicioso talento é pobre ou rico, o fundamental é quanto ele acredita no projeto em que está envolvido ao ponto de priorizá-lo em sua vida e direcionar atenção, dedicação, empenho e foco, de forma genuina, àquele trabalho.

Desempenho, Desejo e Disponibilidade são os 3 D’s que buscamos em todos aqueles que integram nossas equipes, uma garantia prática de sucesso para ele e para todos.

.