Não, o objetivo deste post não é comparar as duas gigantes brasileiras do mercado de viagens e turismo, tampouco promover um improvável confronto direto entre elas, mas analisar, de fora, suas diferentes estratégias empresariais de longo prazo.
Ambas têm origem familiar, iniciaram suas operações de forma bem tradicional, há muitos anos, baseadas no espírito empreendedor de seus fundadores e estão hoje na desafiadora posição de crescer ou crescer, mas curiosamente usam estratégias antagônicas.
Enquanto a CVC, como todos sabem, partiu pro M&A visando o IPO mais à frente (o que ocorreu em 2013), a Flytour seguiu a receita cartesiana do crescimento autossustentado, baseado no equilíbrio entre o controle familiar e a gestão profissional.
Alavancar o crescimento com a entrada de investidores e abertura de capital, dirigir todos os esforços para o negócio de sua especialização, focar na consolidação da sua liderança neste mercado e visar resultados acima de tudo, como faz a CVC, é uma fórmula vencedora e bastante conhecida no mercado financeiro.
Tão vencedora quanto capitalizar-se ao longo de anos de trabalho e resultados positivos, estabelecer uma estratégia de diversificação no longo prazo, equilibrar a contratação de talentos com a valorização da prata da casa, fortalecer a governança e visar a perpetuidade acima de tudo, como faz a Flytour.
Vejo aqui a principal diferença: enquanto uma foca exclusivamente um mercado, apostando todas as fichas no turismo de lazer, demonstrando enorme apetite por conquistar ainda mais market-share no curtíssimo prazo, a outra investe pesado na diversificação, distribuindo suas apostas nos 3 maiores segmentos do mercado de viagens e turismo (corporativo, consolidação e lazer), buscando um tripé de sinergias para voos de longo curso.
Apesar da evidente diferença entre essas estratégias, não seria fácil responder a pergunta que um consultor financeiro me dirigiu na semana passada:
“Apenas como hipótese, se você tivesse a oportunidade de investir em apenas uma dessas empresas, em qual você investiria?”
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