A nova orla do Rio

A emoção de ver algo pela primeira vez. É assim que a Prefeitura do Rio está anunciando a inauguração da fase inicial da Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, no Centro da cidade, às margens da Guanabara. O trecho que acaba de ser aberto ao público sai do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, e vai até perto da ponte que leva à Ilha das Cobras. Toda a área pertence à Marinha, inclusive a ilha, e é a primeira vez que o público em geral tem acesso a pé a este trecho.

A Ilha das Cobras (à esquerda), que pertence à Marinha / Foto de Carla Lencastre
A Ilha das Cobras (à esquerda) e a nova orla / Foto de Carla Lencastre

Com um total de 3,5 quilômetros de extensão, a Orla Conde vai ligar a Praça Mauá à Praça Quinze, também no Centro, sempre margeando a baía. A previsão é que esteja concluída antes dos Jogos Olímpicos. Por enquanto, o trecho aberto é curto, mas já permite apreciar o Centro da cidade de novas perspectivas. O Mosteiro de São Bento, por exemplo, imponente construção colonial do fim do século 16, se destaca soberano acima da região ocupada pela Marinha. A única tristeza é a água da baía, que continua poluída.

O Mosteiro de São Bento visto da Orla Conde / Foto de Carla Lencastre
O Mosteiro de São Bento visto da Orla Conde / Foto de Carla Lencastre

Aproveitei a abertura do novo caminho do Rio para finalmente conhecer o Museu do Amanhã. Inaugurado em dezembro, pouco antes do Natal, passou o verão com filas ao ar livre que duravam duas ou três horas. Apenas nos primeiros 18 dias de funcionamento foram cem mil visitantes, que enfrentaram bravamente o forte calor. Mas agora está tudo diferente (menos a temperatura que continua a mesma). Com exceção das terças-feiras, quando a entrada é gratuita, durante a semana praticamente não há longas esperas. E uma parte dos ingressos, com hora marcada, está à venda pela internet. As filas são curtas, mas o passeio envolve caminhadas ao sol em uma área ainda não arborizada. Então não se esqueça do kit básico de sobrevivência no Rio: boné ou chapéu, garrafinha de água e protetor solar.

A entrada do Museu do Amanhã / Foto de Carla Lencastre
A entrada do Museu do Amanhã / Foto de Carla Lencastre

Muito já se falou sobre este novo cartão-postal carioca, um museu da ciência projetado pelo polêmico arquiteto valenciano Santiago Calatrava. Em um resumo muito rápido, o acervo reúne informações, dispostas de maneira interativa e sempre em três idiomas (português, inglês e espanhol).

Praça Mauá

Praça Mauá

Cenas do interior do Amanhã / Fotos de Carla Lencastre
Cenas do interior do Amanhã / Fotos de Carla Lencastre

Do lado de fora, sua estrutura de aço tem painéis de captação de energia solar. Os espelhos d’água ao lado do museu fazem parte de um sistema que usa a água da baía para a refrigeração, e depois a devolve ao mar. Em um deles há uma escultura de Frank Stella (na foto destacada no alto deste post). Um bilhete único dá acesso ao Amanhã e ao vizinho Museu de Arte do Rio (MAR).

Na Praça Mauá, o edifício A Noite (à esquerda) e o MAR (à direita)
Na Praça Mauá, o edifício A Noite, o primeiro arranha-céu do Rio, e o MAR (à direita)

Mesmo que você não pretenda visitar o MAR, não deixe de ir até o terraço (o acesso é gratuito). É de lá que se tem o melhor panorama da nova Praça Mauá e do Museu do Amanhã.

O panorama da praça visto do terraço do MAR / Foto de Carla Lencastre
O panorama da praça visto do terraço do MAR / Foto de Carla Lencastre

Bem perto do MAR fica o Morro da Conceição. O passeio pode continuar por uma das áreas mais antigas do Rio, ocupada desde o final do século 16. Encerrei o programa no Imaculada Bar e Restaurante, na Ladeira do João Homem, calçada com paralelepípedos e repletas de sobrados coloridos de inspiração portuguesa. Estamos a apenas alguns minutos da Praça Mauá do século 21, mas a sensação é que se atravessou um portal do tempo. O acesso para a ladeira é por uma escadinha que sai da Travessa do Liceu. O bar fica bem no início da subida e perto do asfalto. Durante o dia, a área é segura.

Praça Mauá

A entrada do Imaculada, no Morro da Conceição / Foto de Carla Lencastre
A Ladeira do João Homem e entrada do bar, no Morro da Conceição / Fotos de Carla Lencastre

No Imaculada cada mesa leva o nome de um músico carioca. Fiquei na Jacob do Bandolim, ao lado da Jamelão. No cardápio, clássicos de botequim com um charme a mais, como pastéis de carne seca, bolinhos de feijoada, um saboroso filé mignon com vinho tinto e linguiça calabresa acebolada flambada com raki e acompanhada de um delicioso creme de aipim. Os preços, entre R$ 18 e R$ 32,90, são mais do que razoáveis para o padrão carioca.

Praça Mauá

Praça Mauá

No Imaculada / Fotos de Carla Lencastre
No Imaculada / Fotos de Carla Lencastre

Para beber, há cervejas variadas, nacionais e importadas, e caipirinhas (R$ 18). Entre elas, uma curiosa versão “detox”, com couve, gengibre, limão, hortelã e cachaça. Não me arrisquei.

A Ponte Rio-Niterói e o Amanhã / Foto de Carla Lencastre
A Ponte Rio-Niterói e o Amanhã / Foto de Carla Lencastre

Museu do Amanhã. Terça-feira a domingo, das 10h às 18h. Ingresso: R$ 10. Um bilhete único de R$ 16 dá acesso também ao vizinho Museu de Arte do Rio (MAR). Da estação de metrô da Uruguaiana até a Praça Mauá são uns 15 minutos de caminhada. O VLT (bonde sobre trilhos ainda em fase de testes), que vai ligar o Aeroporto Santos Dumont à Rodoviária Novo Rio, terá um ponto na praça. museudoamanha.org.br

Imaculada Bar & Restaurante. Segunda-feira, das 11h às 15h. De terça a sábado, das 11h às 22h. Domingo, das 11h às 17h. Ladeira do João Homem 7. Tel + 21 2253-3999. www.barimaculada.com.br

 

Vista para um novo Rio

A blogosfera Panrotas está cheia de novidade. Para dar as boas-vindas aos que já conheciam o Direto do Rio e também a quem está chegando agora a esta nova fase do blog, nada melhor do que escrever sobre as mudanças pelas quais a cidade está passando.

Com a revitalização da Região Portuária, novas áreas e vistas do Rio são redescobertas, como o Santo Cristo. Na subida do Morro do Pinto, na Rua Sara, em uma área razoavelmente segura e de fácil acesso, fica o Bar do Omar com seu panorama bonito e inusitado do Porto do Rio e da Ponte Rio-Niterói ao fundo.

Parte do Porto do Rio visto do Bar do Omar / Foto de Carla Lencastre
O Porto do Rio e o novo AC by Marriott (à direita) vistos do Bar do Omar / Foto de Carla Lencastre

Há uns dois anos o lugar começou a aparecer no circuito dos botequins cariocas off-Zona Sul. Mas só conseguir ir agora, quando as obras na região já estão entrando em sua fase final. E foi um dos programas mais diferentes e divertidos que fiz na cidade nas últimas semanas.

A laje do Omar / Foto de Carla Lencastre
Mesa com vista na laje do Omar, no Morro do Pinto / Foto de Carla Lencastre

O simpático e empreendedor Omar que dá nome ao bar aproveitou a laje de casa para botar umas mesas, servir cerveja gelada e uns bons petiscos e incrementar a renda da família. O boca a boca foi fazendo a fama do boteco com vista para o novo Rio. O Bar do Omar participou de duas edições do concurso Comida de Buteco, os negócios da família prosperaram e o botequim agora ocupa também o terraço do vizinho.

Omar

Omar

Detalhes da decoração do Bar do Omar / Fotos de Carla Lencastre
Detalhes da decoração do Bar do Omar / Fotos de Carla Lencastre

Uma pequena mureta repleta de plantas marca a divisa entre as duas lajes. Mesas e cadeiras são de madeira. Lampiões balançam ao vento (não há áreas fechadas com ar-condicionado). O terraço original tem paredes verdes. No anexo foi pintado um painel com motivos marinhos, incluindo o personagem Bob Esponja e um submarino amarelo. Telhas de zinco protegem toda a área. A trilha sonora é o cacarejar dos galos do vizinho.

Omar

Garrafas de cerveja (no alto) e drinque de seriguela / Fotos de Carla Lencastre
Garrafas de cerveja (no alto) e drinque de seriguela / Fotos de Carla Lencastre

O cardápio tem dez tipos de cerveja de 600ml e outras tantas opções de long neck, a maioria nacional. Há também caipirinhas e caipiroscas servidas à moda do Nordeste com frutas pouco encontradas no Rio, como cupuaçu, cajá e seriguela. Para abrir os trabalhos, a pedida é a Omaracujá (R$ 5), uma deliciosa batida de maracujá com trocadilho. O grande sucesso da casa são os hambúrgueres (entre R$ 10 e R$ 25), apresentados com observação “não é gourmet”. Mas também há batata frita (R$ 19) e linguiça acebolada (R$ 23, acompanhada de pão de alho) como em qualquer botequim carioca, além de bolinhos de sabores variados (a minha pedida). O serviço é bom e os preços são honestos, ainda mais em um Rio inflacionado.

Omar

Pôr do sol no Bar do Omar (com o novo Holiday Inn se destacando na paisagem) / Foto de Carla Lencastre
Fim de um dia de verão no Bar do Omar (com a torre do novo Holiday Inn se destacando na paisagem) / Fotos de Carla Lencastre

O melhor horário para ir ao Bar do Omar é no final da tarde, para assistir ao pôr do sol e à cidade se acendendo. No panorama chamam atenção dois hotéis novos que serão inaugurados na Região Portuária nos próximos meses. Um deles é Holiday Inn Porto Maravilha, que marca a volta da rede IHG ao Rio. Em uma torre de 32 andares, com mais de 500 quartos, destaca-se na paisagem a piscina construída na base do prédio.

O outro será um AC, bandeira espanhola de design que foi comprada pelo grupo hoteleiro americano Marriott. O AC by Marriott Porto Maravilha tem sua abertura prevista para junho. Para a primeira semana de julho, a diária custa a partir de R$ 285. A piscina fica no terraço, que deve ter mais uma vista incrível para o novo Rio. Agora é esperar para ver se o bar do hotel será tão bom quanto o Bar do Omar.

Detalhe do painel do fundo do mar do Omar / Foto de Carla Lencastre
Detalhe do painel do fundo do mar do Omar / Foto de Carla Lencastre

Bar do Omar. Rua Sara 114, Santo Cristo. facebook.com/BarDoOmar

 

Rio como destino

O Corcovado sem o Redentor e o Pão de Açúcar sem o bondinho estão entre as muitas emocionantes e surpreendentes imagens da exposição “Rio de Janeiro como Destino, cartazes de viagem, 1910-1970, Coleção Berardo”, no Museu Histórico Nacional (MHN), no Centro da cidade.

Cartaz de Bernd Steiner, de cerca de 1920 / Divulgação
Cartaz de Bernd Steiner, de cerca de 1920 / Divulgação

É um dos melhores programas para os dias de chuva do verão carioca. Prorrogada até 20 de março, a mostra reúne 40 cartazes de companhias aéreas e marítimas que mostram o Rio no século passado como porta de entrada da América Latina para europeus e americanos.

Publicidade francesa de 1928 / Divulgação
Publicidade francesa de 1928 / Divulgação

A exposição tem como curadores Marcio Alves Roiter, diretor do Instituto Art Déco Brasil, e Paulo Knaus, diretor do MHN. “Os cartazes de publicidade das companhias marítimas e aéreas internacionais parecem indicar a estrada rumo à natureza, ao sol, à esperança do novo mundo, apresentando o Rio como destino. Alguns quase centenários provam que o produto da publicidade é capaz de sobreviver ao seu uso original, transformando-se em documento histórico”, escrevem Roiter e Knauss no texto de apresentação da mostra.

Cartaz de Victor Vassarely, de cerca de 1940 / Divulgação
Cartaz de Victor Vassarely, de cerca de 1940 / Divulgação

Hoje Lima é a cidade da América Latina que mais recebe visitantes, seguida pela Cidade do México. O Rio está na modesta 92ª posição na lista das cidades mais visitadas do mundo segundo o site Euromonitor.

Publicidade britânica do início da década de 1950 / Divulgação
Publicidade britânica do início da década de 1950 / Divulgação

Os Jogos Olímpicos de 2016 podem mudar o cenário para melhor. A cidade vai ganhar 20 mil novos quartos de hotéis, chegando a um total de 50 mil, e obras de infraestrutura estão melhorando a mobilidade urbana. A paisagem do Centro está mudando. Na reinaugurada Praça Mauá, onde fica o Porto do Rio, além do Museu de Arte do Rio (MAR), de 2013, há o Amanhã, um museu voltado para ciências, com projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Aberto há menos de um mês, alcançou esta semana a marca de 100 mil visitantes. Neste início as filas têm sido longas, e a espera para entrar no museu pode chegar a duas horas.

Projeção de como ficará a fachada da nova sede do MIS, na Praia de Copacabana / Divulgação
Projeção de como ficará a fachada do novo MIS, em Copacabana / Divulgação

Ainda na área cultural, a nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS) será inaugurada este ano em plena Praia de Copacabana. A expectativa é que os três museus juntos tragam mais de um milhão de visitantes à cidade. Para discutir o futuro do turismo no Rio pós-Olimpíadas, um grupo de empresários do setor e governantes se reuniu no fim do ano passado no MHN, em um evento paralelo à inauguração da mostra de cartazes de viagem. Alguns dos debates estão resumidos no site Rio como Destino.

Cartaz de Judd Wiertz, de cerca de 1930 / Divulgação
Cartaz de Judd Wiertz, de cerca de 1930 / Divulgação

No caminho para a sala (com ar-condicionado) da exposição, não deixe de parar para admirar as carruagens dos tempos do Brasil Império e o famoso pátio de canhões do museu. O restaurante do MHN, The Line, é uma boa opção para o almoço.

Cartaz de Kenneth Shoesmith, de cerca de 1920
Cartaz de Kenneth Shoesmith, de cerca de 1920

Serviço

Exposição “Rio como Destino, cartazes de viagem, 1910-1970 Coleção Berardo”.

Local: Museu Histórico Nacional, Praça Marechal Ancora s/nº, Centro.

Horário: Terça a sexta-feira, das 10h às 17h30m. Aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h.

Ingresso:  R$ 8. Entrada grátis aos domingos.