Tensões geopolíticas expõem riscos logísticos para turismo, transporte e eventos corporativos na América Latina

O Caribe ocupa uma posição-chave na dinâmica econômica da América Latina. Além de destino turístico, a região conecta transporte aéreo entre as Américas, cadeias de suprimentos e uma agenda relevante de eventos corporativos. Diante das tensões geopolíticas entre Estados Unidos, Venezuela e Colômbia, os efeitos indiretos sobre mobilidade, abastecimento e circulação de pessoas deixam de ser abstratos e passam a entrar no radar de empresas e gestores de viagens.

Em muitas ilhas caribenhas e países economicamente mais frágeis, a infraestrutura logística é limitada. Há poucas alternativas de rotas aéreas e marítimas, o que amplia a exposição a riscos em momentos de instabilidade. Cancelamentos de voos, mudanças na malha aérea ou restrições temporárias de transporte não afetam apenas o turismo de lazer. Interrompem também viagens corporativas, convenções de vendas e encontros estratégicos realizados nestes destinos.

Nos países em que o turismo sustenta grande parte da economia, os impactos se espalham rapidamente. A redução no fluxo de visitantes atinge emprego e renda e, em alguns casos, compromete o abastecimento. A menor oferta de voos interfere na chegada de alimentos, insumos e mercadorias essenciais, pressionando cadeias locais que já dependem fortemente de importações.

Embora o Caribe seja frequentemente associado ao lazer, ele também ocupa espaço relevante no ambiente de negócios latino-americano. Executivos, gestores de compras e lideranças empresariais circulam entre mercados como Panamá, Guatemala e Aruba para fomentar relações comerciais, especialmente nos setores de varejo e food service. Empresas com operações integradas na América Latina utilizam esses destinos como pontos de articulação comercial e negociação com fornecedores.

Nesse contexto, a instabilidade geopolítica passa a interferir diretamente na agenda corporativa. O aumento do risco logístico leva empresas a rever cronogramas, deslocamentos de equipes e a realização de eventos, além de impactar a disposição financeira do viajante, tanto a lazer quanto a trabalho, diante de custos adicionais e incertezas operacionais.

Sinais de conflito ou tensões prolongadas em regiões turísticas costumam provocar reações quase imediatas nos setores de aviação, hotelaria e investimentos. Reservas são reavaliadas, eventos podem ser adiados ou transferidos e planos de mobilidade corporativa passam por ajustes, sobretudo em destinos com menor capacidade de absorver choques externos.

Esse cenário se desenvolve em paralelo a um momento de forte atividade das viagens corporativas no Brasil. Dados do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, mostram que os gastos das empresas brasileiras com viagens corporativas somaram R$ 14 bilhões em outubro, alta de 5,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de dez meses, o faturamento alcançou R$ 120,7 bilhões, indicando que, mesmo com custos mais elevados, as empresas seguem priorizando encontros presenciais e deslocamentos estratégicos.

O transporte aéreo reflete esse movimento. Em outubro, o número de passageiros, entre voos domésticos e internacionais em geral, chegou a 11,3 milhões, enquanto as tarifas médias permanecem pressionadas. Na hotelaria, indicadores de ocupação, diária média e receita por apartamento disponível também avançaram, reforçando a manutenção da demanda por viagens corporativas.

Para gestores de viagens, eventos e compras, o cenário reforça a necessidade de leitura atenta do ambiente geopolítico e logístico, especialmente em regiões com alta dependência do turismo e infraestrutura de transporte limitada. A combinação entre tensões políticas, restrições operacionais e economias mais vulneráveis amplia os efeitos sobre mobilidade, abastecimento e a realização de negócios na América Latina.

*Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev

As tendências do setor de viagens e eventos corporativos para 2026

O setor de viagens corporativas encerra 2025 em um dos momentos mais sólidos de sua história. De janeiro a setembro, as empresas brasileiras investiram R$ 106,5 bilhões em deslocamentos profissionais, segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev. O número representa crescimento de 6,8% em relação ao ano anterior e aponta para um encerramento de 2025 com R$ 144 bilhões movimentados, a maior marca já registrada. Esses resultados, somados ao recorde de movimentação em setembro, R$ 13,4 bilhões no mês e 8,5 milhões de passageiros transportados, oferecem um panorama claro sobre o que podemos esperar de 2026.

Após anos de transformações profundas, o mercado deixou de falar em “retomada” para entrar definitivamente em um ciclo de consolidação. O que vemos agora é um setor mais maduro, orientado por dados, com empresas que entendem o papel estratégico da presença física nos negócios. Reuniões, treinamentos, visitas a clientes, congressos e grandes feiras voltaram a ocupar um lugar central na agenda corporativa. A força desse movimento pode ser explicada por um fator simples: a interação presencial acelera decisões, fortalece vínculos e abre oportunidades que o ambiente virtual não consegue replicar. Por isso, mesmo com a economia brasileira avançando em um ritmo moderado, o interesse em viajar para trabalhar continua aumentando e ocupando lugar estratégico nas empresas dos mais diferentes portes e setores.

A estabilidade nos custos também ajuda a explicar a curva ascendente. Em setembro, o preço médio das passagens aéreas ficou em R$ 717, um patamar muito próximo do registrado no ano anterior, o que garante previsibilidade no planejamento das empresas. A hotelaria acompanha esse movimento: a taxa de ocupação subiu de 64% para 67% em um ano, pressionando a diária média, que avançou mais de 6% segundo análise do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Esse equilíbrio de tarifas vem sendo influenciado pela inflação mais baixa, pela valorização do real e pela maior competição entre fornecedores, elementos que devem se manter presentes em 2026.

Outro ponto relevante é o comportamento das viagens internacionais. O tarifaço americano, que gerou preocupações, acabou produzindo impacto menor do que o esperado. O fluxo entre Brasil e Estados Unidos segue aquecido, impulsionado pelo retorno das negociações presenciais e pela necessidade de ampliar conexões globais.

Tudo isso nos permite afirmar que a tendência para 2026 é de um crescimento ainda mais expressivo, já que há uma agenda econômica internacional mais favorável, com empresas buscando inovação, tecnologia, capacitação e expansão comercial.

A tecnologia terá um peso cada vez maior na gestão das viagens corporativas. No próximo ano, veremos mais empresas adotando inteligência artificial para otimizar custos, prever demandas, reduzir riscos e integrar toda a jornada do viajante aos seus sistemas internos. Automatização de relatórios, maior precisão nas políticas de compliance e plataformas unificadas que conversam umas com as outras serão elementos centrais desse novo momento. A tecnologia não substitui a necessidade das viagens presenciais, mas ela simplifica a gestão, aumenta a eficiência e assegura que as viagens corporativas sejam decisões estratégicas e não operacionais.

O crescimento do setor também acende um alerta para a capacidade dos destinos brasileiros. Com ocupação elevada na hotelaria e um calendário cada vez mais cheio de feiras e congressos, a pressão por espaços, serviços e infraestrutura será maior em 2026. Cidades que investirem em equipamentos modernos, qualificação profissional, conectividade, transporte urbano e incentivos ao turismo de negócios se destacarão nacional e internacionalmente. O Brasil possui destinos altamente competitivos, mas o ritmo de demanda exige uma agenda contínua de investimento.

A profissionalização da indústria é outro fenômeno que deve se intensificar. O setor aprendeu muito com os últimos anos e hoje opera de maneira mais integrada, qualificada e orientada por dados. Gestores de viagens, fornecedores, organizadores de eventos e empresas estão mais alinhados, construindo políticas claras, medindo resultados e adotando práticas mais eficientes. Esse amadurecimento tem impacto direto na produtividade das organizações e na competitividade do país.

Todas essas tendências moldam um cenário promissor para 2026. A economia deve entrar em um ciclo de crescimento moderado, mas consistente, estimulada por fatores eleitorais, possíveis reduções nas taxas de juros e maior volume de investimentos corporativos. Isso significa mais reuniões, negociações, eventos e oportunidades de negócios em todo o país. E é justamente esse conjunto de fatores que reforça a importância do setor de viagens corporativas como um pilar estratégico da economia brasileira, uma engrenagem que movimenta destinos, aquece cadeias produtivas inteiras e impulsiona resultados que vão muito além do faturamento direto.

Como diretora-executiva da Alagev, acompanho diariamente a força dessa indústria e vejo com entusiasmo o que está por vir. O setor está preparado para um novo ciclo: mais inteligente, integrado, orientado por dados e, acima de tudo, consciente do seu papel estratégico. Se 2025 foi o ano da consolidação definitiva, 2026 será o ano da expansão qualificada, um período em que as viagens e os eventos corporativos continuarão a conectar pessoas, impulsionar negócios e gerar valor para todo o país.

* Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev

Está dada a largada para o LACTE 21

O LACTE sempre foi um ponto de encontro estratégico para o nosso setor. Mais do que abrir o calendário da indústria de eventos e viagens corporativas na América Latina, ele representa um espaço de construção coletiva, de troca de conhecimento e de fortalecimento das conexões que sustentam esse ecossistema. É com esse espírito que anunciamos: está dada a largada para o LACTE 21, que acontecerá em São Paulo nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2026.

A preparação já começou. Cada edição do LACTE é pensada com antecedência, e neste momento iniciamos o planejamento de todas as frentes que farão de 2026 um ano marcante. As cotas de patrocínio já estão disponíveis, e mais do que falar sobre os formatos, quero reforçar o papel que cada parceiro terá na jornada que se inicia.

Assim como em anos anteriores, a nossa identidade visual acompanha a evolução do evento. O novo conceito traduz a pluralidade e a energia do setor, com cores, colagens e elementos dinâmicos que representam diversidade, movimento e presença. Cada detalhe foi desenhado para refletir os quatro pilares que nortearão esta edição: energia, autenticidade, inovação e conexões genuínas.

Patrocinar o LACTE é mais do que garantir presença. É uma oportunidade de associar a marca a um encontro que já se consolidou como referência. A participação envolve visibilidade e fortalecimento da marca em toda a comunicação, materiais, cenografia e ativações digitais e presenciais; amplia as oportunidades de networking e relacionamento com gestores e decisores, seja em lounges, jantares exclusivos ou encontros de negócios; conecta empresas ao conteúdo e ao protagonismo, por meio de painéis, trilhas, workshops e mentorias que associam a marca ao conhecimento e à liderança de mercado; permite criar experiências e ativações interativas, em espaços personalizados que colocam a marca no centro da vivência do participante; oferece exclusividade e condições diferenciadas de engajamento por meio de cotas limitadas e estratégicas; e, ainda, possibilita vincular a presença a práticas de impacto positivo, com destaque para a sustentabilidade e o compromisso com um setor mais consciente e responsável.

O caminho até fevereiro será de intensa preparação, e queremos que cada parceiro faça parte dessa jornada desde já. O LACTE é construído em rede, com a soma de esforços de todos os que acreditam no poder transformador do nosso setor.

Posso contar com vocês para fazermos juntos o LACTE mais inspirador da nossa história?

Luana Nogueira, diretora-executiva da ALAGEV