Um “zoológico” especial em Foz do Iguaçu

Repelente, protetor solar, boné e sapatos fechados são fundamentais para quem vai conhecer um outro lado de Itaipu, ainda hoje uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo, em Foz do Iguaçu (PR). Esse “kit trilha” não é a cara da barragem de Itaipu, definitivamente. Mas dentro do Itaipu Parquetec, a divisão Turismo Itaipu vai muito além das visitas à barragem, que, inclusive, já foram tema de post aqui no blog.

Entre as opções de visitas oferecidas em Itaipu está o Refúgio Biológico Bela Vista, um programa com duas horas e meia de duração, recomendável para todas as idades, mas encantador para crianças. A proposta inclui trilha pela mata – por isso o kit mencionado no início do texto – e combina educação ambiental e contato direto com a natureza, incluindo os animais que vivem no refúgio. Toda a visita é acompanhada por um dos educadores ambientais do refúgio, que responde com a mesma simpatia sobre os hábitos de caça das harpias ou a preferência das onças na hora de fazer cocô – sim, fiz a visita com crianças.

Partindo do Centro de Visitantes, onde os ingressos são adquiridos, a visita ao Refúgio tem um primeiro trecho em jardineira até a entrada do Refúgio Bela Vista, passando pela barreira de controle da área de segurança binacional de Itaipu e pelas margens do lado de descanso do Parque da Piracema. Nesse trajeto, avistam-se algumas áreas reflorestadas e as torres de transmissão de Itaipu. Chegando à entrada, onde há toaletes e água potável para abastecer garrafinhas, o desembarque é feito com um convite: plantar uma árvore. Como dizer não?

Em seguida, começa o percurso pela trilha de aproximadamente dois quilômetros, boa parte dela sombreada e com muitas pausas para observar a fauna e a flora. Para a criançada, o ponto alto é o zoológico, com mais de 15 recintos. E o Refúgio Bela Vista é uma verdadeira maternidade! Somente no ano passado, 65 animais de dez espécies nasceram no local. O Refúgio Bela Vista é um centro de referência internacional na reprodução de espécies, com destaque para as onças e harpias. Ao todo, conta com cerca de 350 animais de 55 espécies, muitos deles oriundos do tráfico ou vítimas de maus-tratos.

A reabilitação e soltura das espécies é um dos propósitos do Refúgio, uma unidade de conservação fundamental para a manutenção da fauna remanescente da Mata Atlântica. Em janeiro, os primeiros filhotes a nasceram no Refúgio Biológico foram um veado-bororó, que ganhou o óbvio nome de Bambi – antes dele, outros 217 veados da espécie já tinham nascido por lá – e a anta Jamelão, a 35ª a nascer no local.

Nem todos os animais podem ser vistos no percurso, uma vez que o principal papel do Refúgio são as pesquisas e a conservação, mas ainda assim ela é completamente válida. Estão lá os gatos-maracajás, os catetos, os cervos, as antas, lontras, jacarés, aves como as harpias e corujas, répteis como algumas cobras e os teiús, grandes lagartos que, muitas vezes, aparecem também pelo caminho, assim como as capivaras. Encontrá-los no meio da trilha é um “bônus” que coroa a visita. O último dos recintos é o das onças e no Refúgio Bela Vista as onças-pintadas têm a pelagem tradicional ou melânica, uma mutação genética que resulta em pelagem escura, levando a criançada a chamá-las de pantera negra. O educador logo explica o caso, as crianças prestam atenção, ficam curiosas mas, no final, todas querem o mesmo:

– Mãe, faz uma foto com a pantera!

Em tempo – Foz do Iguaçu tem passeios e atrativos para diferentes perfis de visitantes. Se você vai ficar menos de uma semana, passará pelo sofrimento de escolher o que não visitar. Ficamos mais tempo, então dedicamos um dia todo a Itaipu. Pela manhã, a visita ao Refúgio Bela Vista, seguida de almoço no Centro de Visitantes. À tarde, o passeio Itaipu Panorâmica, visita mais curtinha, com pouco mais de uma hora de duração. O post anterior sobre Itaipu fala da visita Itaipu Especial, com duas horas e meia de duração, e para maiores de 14 anos, por questões de segurança.

Itaipu: uma gigante da criatividade humana

Na semana passada, a Câmara dos Deputados homenageou em Sessão Solene os 50 anos da criação da Itaipu Binacional. Ela foi o início do que seria, por décadas, a maior hidrelétrica do mundo. Começou ali, há 50 anos, um projeto único, que iria desviar o curso de um rio, fronteira natural entre Brasil e Paraguai, para abrir espaço para a construção da Hidrelétrica de Itaipu. Mas, peraí… este blog é sobre parques e atrações turísticas!

É que além da gigante fornecedora de energia para Paraguai e Brasil, Itaipu, nesses 50 anos, foi muito além. Recebeu seus primeiros visitantes ainda durante as obras, nos anos de 1970, tamanha a curiosidade que a construção despertava. Levou para uma Foz do Iguaçu de cerca de 20 mil habitantes uma população adicional de 40 mil empregados na construção. Começou a operar, oficialmente, em 1984. E a vocação para o Turismo, que as obras já tinham despertado, apenas cresceu com os avanços dessa gigante da criatividade humana.

Hoje, geridas pela Turismo Itaipu, há diferentes visitas que podem ser realizadas no complexo. No último dia 10, como parte das visitas técnicas do SINDEPAT Summit, realizado em Foz do Iguaçu, pude fazer uma delas, a “Itaipu Especial”. É essa visita, apenas para maiores de 14 anos, que permite entrar na imponente barragem de Itaipu. São cerca de duas horas e meia de informações riquíssimas, mesmo para quem não tem   interesses específicos pela engenharia que ergueu tudo aquilo.

Nesse roteiro, o interior da barragem é o ponto inicial. Os pescoços dobram para o alto e para baixo, nos paredões de concreto. As primeiras explicações chegam em uma das “catedrais”, as aberturas espalhadas ao longo da barragem. Do lado de fora, é possível tocar os condutos forçados, as grandes tubulações brancas que podem ser observadas na barragem mesmo à distância, com seus 10,5 metros de diâmetro e 142 metros de comprimento. São 20, ao todo, por onde passam 690 mil litros de água por segundo (vazão média).

A visitação segue para a sala de comando central, com os painéis analógicos servindo de redundância às novas tecnologias. Para os visitantes, que olham do alto, uma linha divisória mostra os lados brasileiro e paraguaio – e os relógios indicam a diferença de uma hora entre os dois países, naquela fronteira desenhada dentro do edifício. A visita prossegue para baixo, para cima, observando-se as cotas, que indicam a altitude em relação ao nível do mar. Assim, na visita, a variação é de cerca de 40 metros, e inclui a Galeria das Unidades Geradoras e o Eixo da Turbina.

Do lado de fora, há uma parada no alto da barragem, 225 metros acima do nível do mar, para contemplação do Lago de Itaipu, por um lado, e do rio Paraná e seu trecho desviado. Outras duas paradas são realizadas, nos mirantes Central e do Vertedouro. Esse, aberto em ocasiões de alto volume de águas do rio Paraná, deve ser um espetáculo à parte. Não foi o caso, durante minha visita!

Outras possibilidades em Itaipu

Crianças são bem-vindas em Itaipu, embora não no roteiro Itaipu Especial. Para elas, o “Refúgio Biológico Bela Vista” deve ser um dos mais agradáveis. Tem duração de duas horas e meia e divide-se em duas partes: a primeira, realizada em carros especiais para o passeio em direção ao Refúgio, observando áreas de mata reflorestada e as torres de transmissão de Itaipu; na segunda parte, o percurso é feito caminhando em trecho de cerca de dois quilômetros para visita aos mais de 15 recintos do zoológico, ao portinho do Refúgio, às margens do lago, e para participação em atividade de plantio de árvore nativo. Tudo permeado pelas explicações das equipes de conservação do complexo.

Mais curto, o Itaipu Panorâmica é o roteiro mais procurado no parque. Conta a história da construção da usina, curiosidades e é feito em ônibus que acessam a avenida dos  condutos forçados, o topo da barragem e paradas nos mirantes Central e do Vertedouro em trajeto de pouco mais de uma hora.

Outra possibilidade é visitar Itaipu à noite, roteiro que também pude conhecer durante o SINDEPAT Summit. As visitas noturnas ocorrem somente sextas-feiras e sábados, às 19h, com duas horas de duração. No programa Itaipu Iluminada, o destaque é ver a barragem ser ascendida, a partir do Mirante Central. Antes, show com músicas da fronteira animam os visitantes, até que as luzes se acendem. É o único dos passeios apenas em português.

Itaipu Iluminada, uma das possibilidades de roteiros

Há ainda outras possibilidades, como o Itaipu Vip e o Itaipu by Bike. Caso é que essa gigante da energia mundial ganha cada vez mais espaço no turismo. No ano passado, foi visitada por 509.899 pessoas. E não poderia ser diferente. Seria um desperdício não contar essa história….

Em tempo: no www.turismoitaipu.com.br estão os valores dos ingressos e informações curiosas, que podem animar a visita. Aqui, algumas delas:

– O volume de concreto utilizado para a construção da hidrelétrica seria suficiente para construir 210 estádios de futebol do tamanho do Maracanã, no Rio;

– A quantidade de ferro e aço utilizadas equivale à construção de 380 Torres Eiffel;

– A altura da barragem (196 m) corresponde à altura de um edifício de 65 andares;

– A vazão máxima do vertedouro da Itaipu (62,2 mil metros cúbicos por segundo) é 40 vezes superior à vazão média das Cataratas do Iguaçu.