Rota do Rosário (PR): produto estratégico de turismo religioso de percurso

A Rota do Rosário é um roteiro de turismo religioso de longa distância, com cerca de 650 km de extensão, estruturado no norte e nos Campos Gerais do Paraná. Para o profissional do turismo, o valor do projeto está justamente na clareza territorial do percurso, na possibilidade de fracionamento em etapas e na integração entre municípios médios e pequenos, criando um produto escalável e adaptável a diferentes perfis de público.

O trajeto conecta aproximadamente 17 cidades, organizadas em um circuito que tem como eixo principal o Norte Pioneiro Paranaense. Entre os municípios que compõem a rota estão Jacarezinho, ponto de articulação histórica e pastoral do projeto, Ribeirão Claro, Carlópolis, Joaquim Távora, Quatiguá, Siqueira Campos, Tomazina, Wenceslau Braz, Santana do Itararé, Salto do Itararé e Sengés, além de localidades complementares que ampliam o circuito em direção aos Campos Gerais.

Do ponto de vista operacional, a rota não precisa ser vendida como um único produto contínuo. As distâncias médias entre cidades variam de 20 a 45 km, o que permite a construção de etapas diárias bastante funcionais. Um exemplo prático é o trecho entre Jacarezinho e Joaquim Távora, com cerca de 25 km, adequado para caminhadas de peregrinação. Já o deslocamento entre Siqueira Campos e Wenceslau Braz, em torno de 40 km, funciona melhor para cicloturismo ou transporte rodoviário com paradas interpretativas. O circuito completo pode ser realizado em 10 a 15 dias, dependendo do ritmo e do meio de transporte, mas também admite recortes de fim de semana ou programas de 3 a 5 dias.

Para agências e operadoras, isso abre múltiplas possibilidades de produto. É possível estruturar pacotes lineares, com início e fim definidos, ou circuitos circulares com base em uma cidade-polo, como Jacarezinho ou Siqueira Campos. Há ainda espaço para programas temáticos, combinando devoção mariana, patrimônio histórico, festas religiosas locais e gastronomia regional, sem a necessidade de longos deslocamentos diários.

Outro aspecto relevante para o trade é que a Rota do Rosário atravessa majoritariamente áreas rurais e pequenas cidades, o que favorece experiências autênticas e reduz a competição direta com destinos saturados. Isso exige planejamento logístico, especialmente em hospedagem e alimentação, mas também cria oportunidades para o desenvolvimento de pousadas familiares, turismo comunitário e serviços especializados para peregrinos, como transporte de bagagem, apoio médico básico e acompanhamento espiritual ou cultural.

Para profissionais do turismo religioso, a Rota do Rosário deve ser compreendida como um produto de percurso, não como uma simples soma de santuários. O valor está no caminho, na narrativa simbólica construída entre uma cidade e outra e na possibilidade de transformar fé em experiência territorial estruturada. Trata-se de um roteiro maduro o suficiente para ser comercializado, mas ainda com grande potencial de qualificação, inovação e curadoria por parte do setor turístico.