Ator em Nova Jerusalém

Pernambuco: alta estação para religiosos

A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é atração para o público de todas as idades com a presença em cena de artistas globais, um visual deslumbrante, recheado de efeitos especiais. O espetáculo conta parte da história de Jesus em uma cidade-teatro com nove palcos-plateia localizada no município do Brejo da Madre de Deus, agreste de Pernambuco, a 180 km do Recife.

Realizada desde 1968, o maior teatro a céu aberto do mundo, atrai, durante a Semana Santa, cerca de 70 mil pessoas do mundo todo .

A apresentação tem início com a cena do sermão da Montanha e termina com a ascensão do Cristo aos céus.

Dezenas de personagens alternam cerca 2 mil figurinos produzidos pelas mãos das costureiras da localidade conhecida como Fazenda Nova, distrito do Brejo da Madre de Deus, sob o olhar meticuloso da arquiteta e figurinista Marina Pacheco, que coordena o desenvolvimento das peças que é produzido com base em extensa pesquisa sobre os trajes usados nos tempos de Jesus.

Nos palcos, a história é vivida por 50 artistas pernambucanos de grande talento, além de cerca de 400 figurantes e também por atores e atrizes da cena nacional que são convidados para participar do espetáculo todos os anos. Nos últimos 25 anos, cerca de 120 artistas renomados do teatro, cinema e TV do Brasil emprestaram seus talentos para abrilhantar a Paixão de Cristo.

Em 2024, a Paixão de Cristo contará com a participação especial dos artistas convidados Allan Souza Lima, no papel de Jesus; Mayana Neiva, fazendo Maria e Dalton Vigh, interpretando o governador romano Pôncio Pilatos. A direção artística é de Lúcio Lombardi e do assistente especial de direção Alberto Brigadeiro. Nos bastidores, a Paixão agrega cerca de 600 profissionais incluindo técnicos, eletricistas, sonoplastas, contrarregras, maquiadores, cabeleireiros, camareiras, entre outros. A coordenação geral de toda essa equipe é de Robinson Pacheco, presidente da Sociedade Teatral de Fazenda Nova.

A temporada 2024 da Paixão de Cristo será realizada de 23 à 30 de março. Os ingressos já po- dem ser adquiridos antecipadamente com desconto no site oficial www.novajerusalem.com.br.

A cidade teatro de Nova Jerusalém, que tem título de patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco e do Brasil, é uma verdadeira obra prima inspirada na arquitetura judaica e romana da época de Jesus, que levou 40 anos para ficar pronta.

Inaugurado em 1968, esse monumento foi idealizado e construído por Plínio Pacheco numa área de 100 mil metros quadrados. A magnífica cidade-teatro é cercada por muralhas de pedra granítica de três metros de altura e conta em seu perímetro com 70 torres de sete metros. Em seu interior, nove palcos-plateia reproduzem cenários naturais, arruados, lagos, jardins e palácios, além do Templo de Jerusalém.

Já na sua inauguração, essa obra fascinou os seus contemporâneos graças à riqueza, ecletismo e ou- sadia de seu plano arquitetônico e decorativo. Para realizá-la, Plínio cercou-se dos melhores artesãos e escultores de sua época. Essa obra prima logo se tornou o mais grandioso dos teatros à céu aberto do mundo e, de tão magnífica, conquista, até hoje, o coração de todos os amantes da arte que a conhecem e vivem em seus espetáculos inigualáveis emoções.

No interior da Nova Jerusalém, funciona o ano todo a Pousada da Paixão. Trata- se de um local diferenciado que tem como pontos de destaque sua programação temática e cultural, além de uma arquitetura diferenciada que remete a antiga Jerusalém de 2 mil anos atrás.

Na semana do espetáculo são oferecidos os jantares temáticos realizados no cenário da Santa Ceia. Trajando figurinos da Roma antiga em um ambiente realista, os hóspedes experimentam uma viajem no tempo e sentem-se como se fossem habitantes da Jerusalém do passado.

Outra atração que turistas não devem deixar de visitar é o Espaço Cultural Plínio e Diva Pacheco, que apresenta um rico acervo de fotos históricas, documentos e objetos pessoais dos idealizadores e construtores da Nova Jerusalém. A mostra conta a surpreendente história da saga das famílias Mendonça e Pacheco que teve início em 1951 quando as apresentações da Paixão de Cristo começaram a ser encenadas nas ruas da pequena vila de Fazenda Nova, distrito do município do Brejo da Madre de Deus (PE).

O Brejo da Madre Deus, município onde está localizada a Nova Jerusalém, também oferece atrações imperdíveis para o visitante, a começar pelo impressionante Parque das Esculturas Monumentais Nilo Coelho, que fica a apenas 2 km da cidade-teatro. Nele, esculturas gigantes em monobloco graníticos- de figuras folclóricas da história e da cultura do homem nordestino estão espalhadas por uma área deslumbrante circundada pela exuberante vegetação da caatinga e impactantes formações rochosas.

Também não se deve hesitar em dar uma esticada até a sede no município para conhecer a autenticidade do Brejo da Madre de Deus marcada pelos centenários casarios de azulejos portugueses. Também não se deve perder a oportunidade de um passeio a pé pelas trilhas da Fazenda Encantado- para conhecer a maior reserva da mata atlântica do interior do Estado e experimentar o conforto de um microclima no qual a temperatura máxima não passa dos 22 graus.

Sainte Baume, gruta de Maria Madalena

Maria Madalena : a Nova (?) santiago de Compostela?

No último dia 23 de setembro, o Papa Francisco visitou Marselha, capital da Provence, marcando a primeira visita papal à região em mais de 500 anos. A escolha de Marselha como destino papal tem múltiplos objetivos, incluindo a união dos povos do Mediterrâneo e a recuperação da fé católica na Europa, onde o número de pessoas sem religião está em crescimento.

A visita do sumo pontífice também teve outros objetivos, entre eles, promover o papel das mulheres na igreja, com a valorização do culto a Maria Madalena em 2016, ao indicar 22 de julho, data da apóstola dos apóstolos, como data essencial no calendário litúrgico da Igreja Católica e reafirmado com sua benção sobre a rota histórica da santa, que recebeu investimentos importantes do governo francês nos últimos anos.

Papa Francisco tem se preocupado em resgatar a história do Cristianismo primitivo, isto é, a vida dos cristãos nos dois primeiros séculos da era comum. Dizem as lendas que os primeiros cristãos a chegar na Europa e começar um trabalho intenso de evangelização foram Madalena, Marta, Lázaro, Sara Kali, Maria Jacó e Maria Salomé (tias de Cristo e irmãs de Maria de Nazaré). Isso porque Marselha é um importante porto no Mediterrâneo, há 2600 anos.

A rota de Maria Madalena, semelhante à rota de Santiago de Compostela, emergiu como a nova estrela do turismo francês, embora no passado, principalmente na Idade Média, era um dos caminhos mais importantes para a Cristandade. Não só para se ver os restos mortais daquela que São Tomás de Aquino e Papa Bento XVI afirmaram ser a apóstola dos apóstolos, mas também por conta dos sítios arqueológicos, como uma imensa piscina para batismos coletivos.

Compostela ganhou notoriedade na contemporaneidade graças a Paulo Coelho no final do século passado. Fora o destino de Tiago, outro discípulo de Cristo. Mas até a publicação do livro “Diário de um Mago”, a rota de Maria de Madalena, até então, era a mais importante.

O percurso começa em Saintes Maries de la Mer, uma cidade litorânea encantadora que inspirou obras de Van Gogh, santuário dos ciganos de todo o mundo, principalmente entre 24 e 26 de maio. Os peregrinos seguem, então, para Martigues, passando por paisagens deslumbrantes, restaurantes peculiares e construções medievais muito bem preservadas.

Em Marselha, eleita capital cultural da Europa em 2013, é possível visitar pontos de interesse entre eles a gruta Cosquer- para apaixonados por arqueologia e história; o MUCEM- a plataforma cultural mais importante do sul da França e maior museu dos povos mediterrâneos; a Basílica de Notre Dame de la Garde e a abadia de São Vitor, essas duas últimas igrejas com fortes conexões históricas e relíquias ligadas a Maria Madalena.

A jornada continua para Saint-Maximin-La Sainte Baume, onde a Basílica de Maria Madalena exibe seu crânio em um altar e também as relíquias de Sidônio ( o cego curado por Cristo) e São Maximiliano. Imponente, é uma obra arquitetônica que causa admiração e emoção.

A região não atrai apenas católicos, mas também entusiastas da história, sendo atualmente um destino também para mulheres que fazem parte de um movimento que resgata o “Sagrado Feminino”. Comparado a Santiago de Compostela, esse destino também atrai aqueles em busca de turismo espiritual, focado em autoconhecimento e autodesenvolvimento, mas que não dispensam uma boa comida e paisagens notáveis.

A rota pode se tornar tão ou mais importante que o destino espanhol, atraindo diversos públicos, desde católicos devotos a pesquisadores universitários. A região da Provence, com sua rica história e paisagens deslumbrantes, pode se consolidar como um destino turístico espiritual nos próximos anos. O Sul da França é conhecido pela história como palco de grandes acontecimentos envolvendo religião. Avignon foi sede papal por mais de cem anos. Nostradamus nasceu naquela região. Uma série de movimentos – cátaros e templários- têm sua história conectada ao mediterrâneo francês, assim como escolas iniciáticas de magia, tradições ocultistas e seitas esotéricas lá surgiram.

Os viajantes não precisam fazer a rota a pé. Embora haja milhares de pessoas que o façam. Muitos são associados de uma organização chamada “Caminhos das Santas e Santos Provençais“. Esses peregrinos não pagam por hospedagem. São acolhidos por devotos dos santos da região. Aliás , não faltam entusiastas dessa jornada. Há também a associação de apoio ao santos provençais e a associação para o desenvolvimento de Sainte-Baume.

Essas entidades foram criadas após o filme Código da Vinci, baseado no livro homônimo de Dan Brown. A obra, como bem especifica o autor, é uma ficção. Mas muita gente não entendeu isso. Surgiram muitas teorias de conspiração e lendas urbanas. É preciso lembrar que os restos de Maria Madalena sempre estiveram na região. Nunca foram parar na Grã-Bretanha, uma vez que a santa nunca botou os pés na Bretanha, e tampouco seus restos mortais nunca estiveram no subsolo do Louvre, guardados por uma ordem secreta. Do mesmo modo que não há nenhum registro histórico que justifique a ideia de uma ligação romântica entre Cristo e sua discípula. Nem mesmo os evangelhos apócrifos, incluindo aquele atribuído à própria Maria Madalena, trazem qualquer vaga menção a um relacionamento amoroso entre ambos.

A bem da verdade, Maria Madalena sempre foi um personagem envolto em fake news. A história de que ela fora uma prostituta não encontra respaldo em nenhum dos evangelhos. Atribui-se a ela também o papel de pecadora que lava os pés de Cristo com seus cabelos e óleos perfumados. Outra informação sem fundamento. Encontramos no Novo testamento, 14 menções a Madalena. Nenhuma delas indica nenhum pecado a ela. Fala-se que Cristo expulsou 7 demônios dela e, a partir daí, essa mulher rica tornou-se sua seguidora.

O papa Gregório Magno foi quem , no séc. VI, criou confusão ao dizer que a mulher que fora salva por Cristo do apedrejamento e Maria de Bethânia fossem também Maria Madalena. A Igreja Ortodoxa nunca aceitou tal ideia. E hoje, busca-se acertar as narrativas também na Igreja Romana.

Fazer essa rota é uma oportunidade de entender melhor as estórias acerca de Maria Madalena, que tem uma igreja belíssima em sua homenagem em Paris, vivenciar o melhor da Provence, seja na gastronomia, seja no estilo de vida. É também uma viagem com forte apelo histórico e artístico.

O Caminho de Maria Madalena pode ser um momento de reencontro espiritual, sem ser religioso. Esses caminhos sempre trazem muita reflexão e reconexão com nossa história e a história da humanidade. Nos conduzem a um mergulho em nossos próprios valores. Maria Madalena é, sem dúvida, um símbolo de lealdade e coragem. De renascimento e amor. Tudo o que as pessoas mais precisam encontrar nos dias de hoje.

Quer saber mais? Clique aqui.

Caminho de peregrino – documentário

Para o peregrino e produtor de conteúdo no YouTube “Vida de Mochila’, Richard Oliveira, a peregrinação foi uma forma de estar sozinho sem internet, esvaziar a mente para diminuir a ansiedade do dia a dia. “ No meu caso, a peregrinação foi a alternativa que deu certo, e planejo continuar buscando esses momentos para me conhecer melhor e para aumentar a minha felicidade pessoal”, aborda o mochileiro.

O estudo feito pela Universidade de Essex, no Reino Unido, aponta que caminhar em meio a natureza pode melhorar significativamente a saúde mental, trazendo benefícios para o humor e a autoestima. Essa atividade estimula a liberação da endorfina, conhecida popularmente como hormônio da felicidade, auxiliando no combate da ansiedade e estresse, permitindo um momento reflexivo, incentivando a autopercepção.   Uma possível explicação para o aumento na percepção da solidão recai sobre o uso excessivo da internet, em que muitos deixam de se conectar com o que está a sua volta para dar atenção ao online.

Um levantamento da empresa NordVPN, empresa de tecnologia virtual, aponta que os brasileiros passam mais de 41 anos na Internet, ou seja, 54% do tempo de vida médio da população. Portanto, caminhar em meio a natureza pode ser uma forma de as pessoas se reconectarem com elas mesmas e viverem em solitude.  

Frequentemente relacionada a uma jornada de cunho religioso, seja por devoção ou por promessa, a peregrinação consiste no ato de percorrer uma rota previamente estabelecida, a pé, cujo propósito é buscar um maior entendimento de si e a possibilidade de redenção.   O percurso brasileiro mais famoso é o Caminho da Fé, cujo destino é a Basílica de Nossa Senhora de Aparecida, na cidade de Aparecida, em São Paulo. Estima-se que cerca de 80 mil pessoas já o fizeram, a pé ou de bicicleta. Em 2022, segundo a Associação do Caminho da Fé, estima-se que pelo menos 20.240 viajantes realizaram o percurso.

Entretanto, existem outros caminhos tão famosos quanto, como a Estrada Real, retratado no documentário “Um mochileiro no caminho dos diamantes, Estrada Real” disponível no canal do Vida de Mochila, no YouTube. Refletindo sobre a vida, a morte, família, amigos, solidão e solitude, Richard Oliveira retrata os 32 dias de viagem, sendo 25 deles caminhando e 7 de folga, percorrendo o Caminho dos Diamantes e o de Sabarabuçu, situados na Estrada Real, totalizando 540 km viajados.  

A Estrada Real é uma antiga rede de rotas de transporte terrestre de recursos naturais preciosos, como ouro e diamante, estabelecida no Brasil Imperial. A Estrada é um patrimônio cultural e turístico importante, constituída por 4 caminhos: o Velho — que parte de Ouro Preto, Minas Gerais, até Paraty, Rio de Janeiro; o Novo — com destino à capital carioca; o de Diamantes — de Ouro Preto às Diamantinas, ambas cidades mineiras, e o de Sabarabuçu — de Cocaisà Glaura, passando também na Serra da Piedade (antigo Pico de Sabarabuçu); as duas últimas apresentadas no documentário.  

Com as bençãos de alah

Turismo Halal: Embratur e Câmara de Comércio Árabe-Brasileira se reúnem para ampliar negócios no setor

Como a gente vem falando há tempos, o turismo espiritual vai muito além das peregrinações em destinos católicos ou visitas a Terra Santa. Há congressos, seminários, cursos e também, quem diria, acolhimento especial na hotelaria seguindo as necessidades religiosas de muitos turistas. Nos anos 2000, quando eu era gerente de marketing no Sofitel, criei um serviço especial para os muçulmanos que me rendeu até a capa no Valor Econômico.

Atualmente o hotel Jequitimar privatiza o hotel uma vez ao ano para grupos de judeus ortodoxos. E não é o único. Há empreendimentos espalhados pelo Brasil que também fecham finais de semana para grupos iogues veganos. Nada de couro, carne, laticínios, ovos. Nada, mesmo, de origem animal. Nem seda. É preciso uma expertise operacional para que dê tudo certo. Porque algumas expressões de fé costumam ser rigorosas, uma vez que interditos desrespeitados podem gerar graves problemas para adeptos de uma crença.

Recentemente o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e o CEO e secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Tamer Mansour, se reuniram para ampliar parcerias voltadas ao turismo halal.

Essa categoria abrange destinos turísticos preparados para receber o viajante muçulmano, respeitando as regras e os costumes da população islâmica. É um segmento que leva em consideração questões como os horários para reza, higiene que deve ser feita antes dela, a necessidade de estar direcionado para Meca ao orar, o jejum durante o Ramadã, entre outras. Na época do Sofitel, os clientes recebiam no quarto um cesto com minitapete, bússola, água de rosas e chá.

Para o presidente da Agência, Marcelo Freixo, o turismo halal é um dos mais promissores do mundo. “Com a parceria, queremos aproximar mais o mundo árabe para investimentos no setor turístico, como hotéis e aviação. E, consequentemente, aumentar o número de turistas daquela região, que representa cerca de 72 milhões de turistas do mundo. Temos grande interesse nesse mercado, pois é uma grande oportunidade para empresas de turismo brasileiras”, comentou Freixo.

O CEO e Secretário Geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Tamer Mansour, acredita que a união de esforços dos dois países irá gerar bons frutos para as duas culturas. “Temos a honra de estabelecer uma parceria tão promissora. Tenho certeza de que, com a Embratur, teremos uma parceria muito ampliada na promoção de destinos”, finalizou.

Se esse mercado interessa, atenção: nos dias 23 e 24 de outubro, será realizado o “Global Halal Brazil Business Forum, que reunirá especialistas e players do mercado halal do Brasil e do mundo no WTC Events Center, na capital paulista. Hoteleiros, o mercado muçulmano é bem grande e fiel. Que tal iniciativa possa trazer mais turistas para o Brasil. Insh’Allah.

Uma malásia espiritual

A Malásia é rica por sua história cultural, belos marcos históricos e estilo de vida local hipnotizante que atrai muitos visitantes. Cerca de 63,5% da população pratica o Islã; 18,7%, budismo; 9,1%, o cristianismo; 6,1%, hinduísmo e o restante incluem animistas, taoístas, sikhs e testemunhas de Jeová. Recentemente o Turismo da Malásia, através da Raidho, organizou um encontro para apresentar as novidades.

Falou-se muito do turismo de aventura, das experiências de luxo e dos resorts incríveis. Para nós, com exclusividade, o vice-presidente para as Américas da entidade, Irni Nor, explicou a oferta espiritual. O país é um exemplo de respeito às diferenças de crença e uma vitrine das práticas espiritualistas da Ásia.

Qual é a oferta de turismo espiritual da Malásia?

Com um fundo multicultural, a Malásia abraçou sua diversidade de religiões, crenças, celebrações e locais de culto, apresentando o muçulmano, hindu, cristão, sikh e budista como os principais destinos de “turismo espiritual” do país.  Embora a religião oficial na Malásia seja o Islã, outras religiões também são praticadas e, assim, abraçamos harmoniosamente as festas e celebrações uns dos outros.

Existem eventos religiosos importantes?

Sim… Temos um grande número de eventos religiosos na Malásia. Para os muçulmanos há dois grandes festivais: Hari Raya Aidilfitri e Hari Raya Aidil Adha.  O Hari Raya Aidil Fitri marca o fim do Ramadã, o mês de jejum,. enquanto o Hari Raya Aidil Adha, celebrado no 10º dia de Zulhijjah, marca a conclusão da peregrinação anual a Meca. Além dos principais festivais acima, os muçulmanos da Malásia também celebram Maal Hijrah (Ano Novo Islâmico) e Maulidur Rasul (Aniversário do Profeta Maomé PBUH).

Já a comunidade chinesa na Malásia celebra o Ano Novo Chinês no primeiro dia do calendário lunar chinês em janeiro ou fevereiro de cada ano. Outro festival importante é o Wesak Day.

Os devotos hindus celebram Deepavali, ou o Festival das Luzes, em maio e Thaipusam em janeiro.

Quais são os principais templos para se visitar?

Existem inúmeros locais de culto na Malásia. As Cavernas de Batu, em Selangor, e o Templo Sri Mahariamman, em  Kuala Lumpur, são importantíssimos para os hindus. Os muçulmanos encontram mesquitas de rara beleza como a de Jamek e a Mesquita Nacional, em Kuala Lumpur; a Mesquita do Sultão Salahuddin Abdul Aziz Shah, em Selangor e a Mesquita de Putra, em Putrajaya.

Lindos também são os templos chineses Thean Hou, na capital, e o Kek Lok Si, em Penang. A Catedral de Santa Maria Kuala Lumpur é a principal para os cristãos. Não podemos deixar de mencionar o  Templo Gurdwara Tatt Khalsa, local de devoção sihk.

Há festivais religiosos?

Sim. As celebrações mais alegres são realizadas após o mês de jejum do Ramadã. Este é o momento em que as pessoas que trabalham nas grandes cidades e vilas fogem para os seus “kampungs” ou aldeias. Orações especiais são realizadas nas mesquitas, e tempo para pedir perdão à família e amigos. Durante esta celebração de um mês, haverá muitas visitas domiciliares e festas. Os malaios têm uma tradição maravilhosa conhecida como “casa aberta”, que é uma exibição calorosa da hospitalidade malaia. Amigos e familiares se reúnem e celebram a culinária tradicional e biscoitos especiais são servidos durante esta ocasião especial.

Há o Hari Raya Haji, outra importante celebração religiosa para os muçulmanos na Malásia. Marca o fim da peregrinação anual, ou Haj em Meca, um dos Cinco Pilares do Islã, que todos os muçulmanos capazes são obrigados a realizar pelo menos uma vez na vida. Neste dia, muçulmanos de todo o mundo são encorajados a abater gado, ovelhas ou cabras como um sinal de sacrifício – símbolo de sacrifícios maiores que eles são convidados a fazer para defender a pureza da religião.

O aniversário do profeta Maomé, ou Maulidur Rasul, é um evento significativo no 12º dia do terceiro mês do calendário islâmico (lunar), marcado por procissões para demonstrar a unidade dos crentes em alguns Estados. Orações, sermões e discussões religiosas são realizadas durante este tempo para fortalecer o muçulmano fé e espírito da comunidade.

Já o Thaipusam é um festival hindu anual, que cai no final de janeiro ou fevereiro. É uma celebração do aniversário do Senhor Subramaniam. Na véspera de Thaipusam, uma estátua do Senhor Subramaniam é levada em procissão em uma carruagem puxada por bollocks. No dia seguinte, os devotos carregam kavadis (um arco de metal ou madeira com decorações elaboradas, que é colocado nos ombros dos devotos. Ganchos ou espinhos se estendem do kavadi a várias partes do corpo do devoto.  O festival é realizado em grande escala em Selangor e Penang.

Os budistas observam Wesak para comemorar o nascimento, a iluminação e a morte de Buda, todos os quais ocorreram na mesma data lunar no cálculo budista. É observado anualmente no domingo mais próximo da lua cheia em maio. Os budistas seguem uma dieta vegetariana para se “limparem” antes da ocasião. Milhares de devotos acorrem aos templos antes do amanhecer para orações, oferendas, meditação, cânticos e doações de caridade. Pombas e jabutis também são soltos em um gesto simbólico de libertação da alma e abandono de pecados passados.

Temos de falar também do  Deepavali /Diwali, também conhecido como Festival das Luzes, representa o triunfo do bem sobre o mal para os hindus. As casas hindus são iluminadas para simbolizar a vitória sobre as trevas. Além disso, pinturas coloridas de arroz conhecidas como ‘Kolam’ são criadas na frente de cada casa para trazer prosperidade e sucesso. Estas ‘pinturas’ são feitas com arroz colorido e decoradas com velas e pequenos candeeiros. É comemorado em outubro ou novembro de cada ano que pode durar cerca de cinco dias. As orações Deepavali são realizadas tanto em casa quanto nos templos na véspera do festival. Antes de ir ao templo, os hindus tradicionais tomam um banho de óleo antes do nascer do sol, rezam em casa e queimam incenso. Uma homenagem aos mais velhos da família é seguida por casas abertas para parentes e amigos, onde uma grande variedade de deliciosas iguarias tradicionais indianas são servidas.

O Vaisakhi é comemorado pelos sikhs em abril. A ordem do dia inclui orações em casa e nos templos, bem como dietas vegetarianas. Gatka (artes marciais sikhs) e Bhangra (uma dança tradicional) são realizadas durante todo o dia em templos e na Associação Sikh.

É importante falar do  Festival Sabah Ka’amatan, localmente conhecido como Tadau Ka’amatan (Festival da Colheita), este festival nativo dos Kadazan-Dusun, o maior grupo étnico do estado de Sabah, Bornéu da Malásia. O festival anual em maio é uma tradição atemporal em homenagem ao Bambaazon, o espírito do arrozal. A comunidade Kadazan-Dusun acredita que o espírito da planta padi é responsável pelo seu crescimento e bem-estar, oferecendo proteção contra perigos naturais e uma colheita abundante para seus alimentos básicos. O festival, realizado no Hongkod Koisaan, sede da Organização Cultural Kadazan-Dusun, apresenta esportes tradicionais como queda de braço, tiro com zarabatana, competições de catapulta e corridas de revezamento. O ritual ‘Magavau’, realizado pelos Bobohizan, é um ritual de limpeza e bênção. Nos últimos anos, o festival da colheita sofreu modificações, incluindo um Concurso de Rainhas da Beleza, onde participam belas donzelas Kadazan. Durante o festival, o tapai, o vinho de arroz local ou cerveja, flui livremente, e o arroz é tratado com respeito e reverência.

Já o Festival Sarawak Gawai é também conhecido como Festival da Colheita no estado de Sarawak. Marca o ápice da celebração da colheita. A data oficial é 1º de junho, mas a celebração dura um mês inteiro, permitindo que o Dayak renove amizades, esqueça preocupações passadas e faça as pazes com velhas brigas. É também uma oportunidade para novas amizades, reuniões familiares e para prestar homenagens aos mais velhos e aos que partiram. O ritual “Miring” envolve Dayaks junto com seus convidados colocando vários alimentos e ‘tuak’ (vinho tinto local) em pratos como oferendas aos deuses. Um poema especial é recitado e um galo é sacrificado.

turquia investe no turismo do Santo que inspirou papai Noel

Localizada em Anatolia, na Turquia, a igreja construída em nome de São Nicolau acaba de passar por uma reforma e já está reaberta para receber seus visitantes. O Bispo Nicolau era conhecido por dividir seus bens com os pobres e se tornou muito conhecido ao deixar presentes escondidos pelas janelas dos moradores de sua cidade, que inspirou a criação de um dos personagens mais famosos do mundo, o papai Noel ou Santa Klaus.

A Igreja de São Nicolau passa a receber seus turistas em 2023 após as obras de restauração e paisagismo, como a  retirada das coberturas antigas e construídas novas coberturas de proteção, conservação e reparação no interior e exterior da igreja, desde as paredes até à cúpula, abóbada e piso. Além do trabalho de documentação e conservação das pinturas murais originais e dos mosaicos do piso, o espaço da galeria no segundo andar também foi incluído no percurso do visitante, além das adaptações internas para os visitantes com dificuldade de mobilidade.

São Nicolau era considerado a segunda maior autoridade do cristianismo de Anatólia e faleceu em 6 de dezembro 365 d.C., data em que se celebra o santo. Após sua morte, o povo da cidade construiu um monumento que depois se tornou uma grande basílica em cujas paredes estão retratados os milagres que se acredita serem realizados por São Nicolau.

A Igreja de São Nicolau, uma das obras essenciais da história da arte bizantina com acréscimos feitos no século 11, está entre os exemplos mais proeminentes do período bizantino.  A igreja, que está na Lista Provisória do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2000, é muito frequentada anualmente por inúmeros turistas locais e estrangeiros. A igreja é essencial não apenas por ser um centro histórico, mas também por ser um centro religioso e no passado era conhecida como um destino dos peregrinos que iam a Jerusalém vindos da rota do Mediterrâneo. Há também um sarcófago romano decorado com escamas de peixe e folhas de acanto, que se acredita ser de Nicolau e já os ossos que se acredita pertencerem a São Nicolau são exibidos no Museu de Anatolia.

Para mais informações sobre o destino, visite o site oficial do Turismo Turquia: Go Türkiye.

São Miguel e os mil anos de sua aparição

Poucas pessoas sabem, mas o Monte Saint Michel, na Normandia,  é o segundo monumento mais visitado na França e o quarto mais importante destino de peregrinações cristãs no mundo, depois de Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela. Em 2023 comemora seu milésimo aniversário e por essa razão, a administração do santuário -sim, é um santuário- vai promover uma série de atividades, incluindo uma exposição com fotos e objetos históricos.

A longa história do Monte remonta a 708 EC quando o bispo de Avranches tem uma experiência mística e recebe do Arcanjo Miguel a incumbência de construir um mosteiro e um santuário em sua homenagem. Para quem não sabe Miguel é , ao lado de Joana D´Arc, o padroeiro da França. Em 966, os beneditinos lá se instalaram. Em pouco tempo, o local se tornou um grande centro de peregrinações da Europa, muito por conta de sua localização, próxima a Grã-Bretanha. Embora o protetor da Inglaterra seja São Jorge, os ingleses têm particular devoção àquele que os católicos dizem ser o comandante das milícias celestiais.

Pesquisas arqueológicas mostram, no entanto, que muito antes de se tornar um centro espiritual católico, o espaço abrigou templos de culto a deusas celtas, assim como Chartres e outras igrejas católicas na França e na Grã-Bretanha.

Durante a Revolução Francesa, o espaço se tornou prisão. O que parecia um sacrilégio para os católicos da época, foi na verdade, tempos depois, considerado um milagre; já que o monumento, diferentemente de outros na França, foi preservado do vandalismo e da demolição.

Nos anos 2010 tive a oportunidade, enquanto diretor adjunto da Atout France acompanhado de um grupo de jornalistas brasileiros, de visitar o coração do Monte Saint Michel. Trata-se de um lugar fechado para o público e é onde São Miguel teria aparecido ao bispo no século VIII. Lá se vê um pequeno altar em pedra. Nota: embora simples,  muitas pessoas que me acompanhavam, agnósticos e de outras religiões não cristãs, sentiram inexplicavelmente uma emoção no local.

A maior parte das pessoas faz um bate-e-volta até lá quando estão em Paris. Além dos famosos omeletes de Mère Poulard, o ponto turístico ficou famoso por conta das marés que o deixa ilhado. Mas é possível ter uma série de experiências religiosas no monte: seja por conta das missas com canto gregoriano, seja por conta de uma casa que recebe gratuitamente os peregrinos devotos de São Miguel. Tal espaço é administrado pela Fraternidade de Jerusalém e acolhe por uma noite gente do mundo inteiro.

Assim como Saintes Maries de la Mer, no sul da França, com sua festa a Santa Sara Kali, protetora dos ciganos, o Monte Saint Michel se tornou um destino espiritual para não católicos. Esotéricos e umbandistas visitam o local também em busca de experiências espirituais. Para muitos pais e mães de santo idosos, São Miguel divide com São Jorge o posto de protetor da Umbanda.

O ideal é uma estada maior na região. A Normandia é também famosa no circuito religioso por conta de Lisieux, onde se encontra o Santuário de Santa Terezinha do Menino Jesus, e Pontmain, um dos locais preferidos pelos marianos. A pequena cidade teria sido salva por Nossa Senhora que apareceu no século XIX e prometeu que tropas inimigas desviariam as trajetória polpando seus moradores.

As viagens religiosas são importantes para o turismo da França: seja Ars, onde padres do mundo inteiro se dirigem para seus votos, seja Lourdes, santuário mariano onde se registraram muitas curas, ou até mesmo Paris. Quem nunca ouviu falar da igreja da medalha milagrosa? Os parisienses não dão tanta atenção, mas virou febre entre os católicos brasileiros.

Informações sobre o monte podem ser obtidas no site: www.montsainmichel.gouv.fr ou https://cchotels.com.br/ , que representa as vilas e santuários franceses .

Romeiros, não. Peregrinos.

Conheci o Carlos Henrique Dezen quando eu era então diretor adjunto na Atout France, o órgão que promove o turismo francês no Brasil. Participamos juntos do Rendez-Vous en France e de um famtrip. Lá descobri sua espiritualidade e sua atuação, não exclusiva, no segmento religioso. Técnico em turismo, jornalista e pós-graduado em marketing de serviços, atuou no marketing do Banco Bradesco, na Shell e Lufthansa. Em 1993 abriu a Senator Tour Operator e há pelo menos 15 atua no segmento do turismo de fé.  Aqui ele fala sua visão sobre esse mercado, ainda desconhecido, embora muito antigo e altamente lucrativo.

O turismo espiritual no Brasil segue crescendo. Obviamente muito dependente ainda dos roteiros cristãos, com potencial de 179 milhões de clientes. Nada mau, principalmente porque o turismo religioso pode vir acrescido de outras experiências, como gastronomia, história e até esportes ( no caso de peregrinações e caminhadas). E muitos destinos, considerados cristãos, também são procurados por esotéricos e neopagãos, na medida em que oferecem experiências místicas. É o caso de Santiago de Compostela e até o Egito, muito além do roteiro da Sagrada Família.

Cada uma dessas entrevistas tem o objetivo de descortinar os mistérios que envolvem o turismo de fé. É possível, a cada conversa, perceber o tamanho do mercado no Brasil, seus atores, os maiores desafios e também, para quem pretende investir no segmento, quais cuidados tomar. Inclusive com o jargão próprio que vem também se transformando. Nesta entrevista Dezen alerta, no lugar de romeiros, use o termo peregrinos. Mudanças que impactam inclusive no marketing, e não apenas na comunicação. Aqui não há espaço para amadorismo. Os caminhos devem ser percorridos com precisão, seguindo as lições daqueles que começaram a peregrinar mais cedo.

Quais os destinos que você mais vende?

Os nossos principais destinos religiosos são Israel e Jordânia;  os Santuários Marianos – Fátima, Lourdes, Pilar, Schoenstatt, Medgiugore, Guadalupe- e, é claro, o Vaticano que é muito, mas muito visitado, por todas as pessoas independente da religião que professa.

Quem é o seu cliente?

O nosso público é majoritariamente católico e, nesse grupo, curiosamente, temos pessoas de todas as idades. São viajantes que ajudamos a exercitar a sua fé nesses lugares sagrados.

O mercado está aquecido?

Neste pós-pandemia, o número de “peregrinos” tem aumentado muito e tudo indica que vai aumentar mais ainda…As pessoas querem agradecer ao seu Sagrado a proteção de suas vidas e dos seus familiares.

Qual viagem foi transformadora para você?

Duas viagens marcaram muito a minha vida, a primeira foi a Terra Santa por inúmeros motivos, mas o principal foi ter andado por onde Jesus caminhou. A segunda foi em Lourdes, na França,  porque lá é um local de cura. Quando eu vi aquelas procissões, caí em prantos, foi muito emocionante. A fé não tem explicação ou você tem ou não tem. E repito : independente de religião.

E os roteiros e potencial doméstico?

Falando em Brasil, temos o santuário de Aparecida – que é um pouco menor do que o Vaticano. Temos em média 12,5 milhões de “romeiros” – como eram chamados, mas agora são conhecidos também como peregrinos. Desses peregrinos 99% são brasileiros e ainda estou sendo generoso. Temos uma grande parte no Brasil para ser trabalhada ainda porque desses 12,5 milhões 95% vem da região Sudeste.Temos também o Cristo Redentor no Rio, que a maioria vê apenas  como ponto turístico mas não é !  Padre Omar que é o Reitor  de lá faz um excelente trabalho. Possibilidades não faltam.

vila galileia: nova experiência em Pernambuco

Feira temática que reúne personagens típicos da época de Jesus é atração na cidade-teatro onde é encenado o espetáculo até o próximo sábado (8)

A cidade-teatro de Nova Jerusalém, onde está sendo realizado o espetáculo da Paixão de Cristo até o próximo sábado (8), em Pernambuco, tem uma nova atração que está encantando o público que visita o local durante a Semana Santa.

Trata-se da Vila da Galileia, uma feira temática que reúne artesãos, mestres da carpintaria, da pedra e do barro, além de personagens típicos da época de Jesus. A atração fica localizada dentro da cidade-teatro, no final da via de acesso à primeira cena do espetáculo.

Idealizada pela diretora de arte Marina Pacheco, que também coordena o figurino da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, a Vila da Galiléia permite que o público que vai assistir à encenação entre em contato com a cultura e os costumes da época de Jesus. Em barraquinhas, os visitantes podem ver de perto como eram produzidas as peças de pedra e barro naquele período, além de conhecer as técnicas de carpintaria.

Mas não é só isso. Na Vila da Galiléia, o público também pode interagir com personagens típicos da época, como pastores, homens e mulheres do povo, e ainda ter contato com animais como burrinho, ovelhas, patos e galinhas, que são atrações especialmente para as crianças.

“A experiência é única e proporciona ao público uma verdadeira viagem no tempo, com direito a um cenário incrível e muitos registros fotográficos para as redes sociais”, afirma Marina Pacheco.

As entradas para o espetáculo da Paixão de Cristo podem ser adquiridas pelo site oficial https://www.novajerusalem.com.br/.

Este ano, entre os artistas convidados estão Klebber Toledo, no papel de Jesus; Luiza Tomé, como Maria; Eriberto Leão interpretando o governador romano Pilatos; Nelson Freitas vivendo o personagem Rei Herodes e a atriz e influenciadora digital Duda Reis como a rainha Herodíades.

Turismo religioso no Paraná

Pedro Kempe atua no turismo há 33 anos. Sua trajetória inclui passagens em importantes empresas do mercado como CVC, Schultz e Europamundo. Hoje comanda a Domus Viagens Operadora de Turismo que fundou em 2010. É um nome ativo no turismo paranaense e remove montanhas quando o assunto é turismo religioso. Atua também como palestrante e professor no tema. É atualmente conselheiro na ABAV do Paraná. Neste bate-papo, Kempe fala um pouco dos desafios do turismo de fé no Brasil.

Como você vê o turismo religioso hoje no Brasil e no mundo?
Eu enxergo oportunidades imensas com atrativos riquíssimos.

O Brasil tem forte potencial de consumo, mas ainda dificuldades em oferecer produtos nesse segmento para um mercado internacional e mesmo doméstico. Como resolver esse desafio?
A meu ver, é preciso qualificar atrativos e, obviamente, os prestadores de serviços. No caso dos atrativos, é preciso que estejam cada vez mais preparados para receber grupos, acolher com muitas informações e uma estrutura de guias, com agendamento das atividades religiosas. Precisamos todos ter conversas e direções claras para facilitar o trabalho de todos. Torna-se urgente buscar cada vez mais a profissionalização e fortalecer o trabalho de qualificação e formalização das atividades.

Pedro, quando você diz que é preciso mais qualificação, mais conversas, quem deveria capitanear esse trabalho?
O trabalho de qualificação deve vir do Ministério do Turismo, da ABAV, do SENAC e do Sebrae. Lembrando que já há ações nesse sentido. Quando falamos de conversas, palestras e explicativos, é preciso que os receptivos e operadores entendam mais do negócio e reconheçam a importância em agregar serviços de qualidade para o turista que busca esse tipo de experiência. Além disso, é preciso dar mais voz – e mostrar a importância dos mesmos terem voz – às Pastorais do Turismo e aos Monumentos Religiosos para que mostrem o potencial que carregam e a forma como podem contribuir para o desenvolvimento deste mercado.

Você tem investido nas rotas do Sul do Brasil. Pode falar um pouco a respeito?
Temos, sim, uma gama importante de produtos. Durante a pandemia do COVID-19 participamos do Projeto “Co-Operadores da ABAV-PR objetivando a formação de receptivos e operadores rodoviários” com olhar para Turismo Religioso. Desta participação lançamos a Rota do Rosário com Prudentópolis no Paraná e estamos agora recém lançando a ROTA DO MILAGRE NO PARANÁ, justamente o milagre que justificou a canonização dos pastorzinhos de Fátima. Participamos ativamente do turismo religioso do estado e sou o braço da ABAV-PR para o grupo de trabalho de turismo religioso do Estado.

Qual o perfil desse viajante hoje no Brasil?
Temos um turismo de massa no Turismo Religioso, abraçados pela causa social na informalidade. Por outro lado, temos iniciativas emergentes neste meio que buscam viagens de qualidade e maior profissionalismo.

Qual é um destino que é referência em acolhimento, promoção e logística quando se fala em turismo espiritual?
No Brasil temos APARECIDA, com seu santuário consagrado a Padroeira do nosso País. O destino tem uma logística muito boa de acolhida com hotéis próprios para bem atender.  Depois temos atrativos emergentes que vem se destacando significativamente, como a Rota do Rosário, Santa Paulina em Nova Trento, Salvador dos Passos de irmã Dulce e outros. 

Como e por que você entrou nesse mercado?
Quando abrimos a operadora de turismo, queríamos nos destacar no cenário de operadores no Brasil. A escolha de um nicho justamente foi o viés que encontramos para sermos quem somos.

Qual viagem espiritual que foi um marco transformador para você?
A Terra Santa é sempre o destino mais tocante e de forma indescritível.

Que ações a ABAV pensa implementar para desenvolver esse segmento?
A ABAV incentiva fortemente o grupo de Turismo Religioso no Paraná e apoia o Fórum Paranaense de Turismo Religioso, com ações importantes de capacitação para este segmento. Na ABAV Nacional é possível identificar um forte interesse neste segmento e muitos associados que atuam e querem atuar neste mercado.