12 imóveis tombados pelo IPHAN que poucos turistas conhecem em Salvador

Já que é pra tombar, o IPHAN tombou. Mas pouca gente soube.

Num lugar com tanta História e riqueza arquitetônica como Salvador, não faltam construções tombadas espalhadas em diversos pontos da cidade. Muitas estão no circuito turístico e são naturalmente vistas ou visitadas por quem circula. Outras até estão no caminho dos turistas, mas nem mesmo soteropolitanos notam que são imóveis de valor histórico. E há aqueles que estão fora dos roteiros, seja por ficarem longe dos cartões postais, ou por ficarem esquecidos naquelas ruas do Centro Antigo que não foram totalmente integradas no projeto de revitalização.

E como na semana passada (17 de agosto) teve o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, nada mais justo do que destacar pelo menos doze dessas edificações, todas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), que acabam passando despercebidas por quem visita a cidade.

1) CASA DOS SETE CANDEEIROS

Localização: Rua São Francisco, Centro (na pracinha formada na esquina das ruas do Tesouro e do Tira Chapéu).

Descrição: A Casa dos Sete Candeeiros foi tombada pelo Iphan em 1938 e seu nome se deve aos sete lampiões de azeite que nela se penduravam durante a estadia da corte de D. João VI, como forma de iluminar melhor o ambiente. A casa nobre tem forte caráter defensivo, com robustez nas paredes e raras aberturas no pavimento térreo.

2) IGREJA SÃO MIGUEL

[Foto: Pousada Suítes do Pelô]
Localização: Ladeira de São Miguel (Rua Frei Vicente), Pelourinho

Descrição: A construção desta igreja em estilo colonial, que remonta ao início do século XVIII (1725 a 1732), se deve a Francisco Gomes do Rego, que a levantou sob a invocação do Senhor Bom Jesus de Bouças e São Miguel. Em destaque na fachada, um painel de azulejos, com emblema da Ordem 3ª de São Francisco, vindo de Lisboa por volta de 1790.

3) ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA BAHIA

Localização: Praça Conde dos Arcos, Comércio

Descrição: Construída sob os alicerces do Forte de São Fernando, o Palácio foi edificado por D. Marcos de Noronha e Brito, em estilo neoclássico, e inaugurado em 1817, com duas portadas em mármore, com inscrições em memória a D. João VI. A fachada principal está voltada para a Praça Riachuelo, construída pela própria Associação, em 1866. O Palácio abriga uma biblioteca, uma pinacoteca e mobiliário do século 19. É a mais antiga associação patronal do Brasil.

4) SOLAR BERQUÓ

[Foto: Google Street View]
Localização: Rua Visconde de Itaparica, n. 8, Centro

Descrição: O Solar situa-se no sopé de uma das ladeiras que conduz à Baixa do Sapateiros, a antiga Rua da Vala. O início de sua construção data de 1691, conforme indica a gravação acima da portada, e deve seu nome ao Ouvidor do Crime, Francisco Antônio Berquó da Silveira, que nela habitou em meados do século XVIII.

5) SOLAR DO BARÃO DO RIO REAL

Localização: Praça Conselheiro Almeida Couto, Nazaré

Descrição: O prédio foi uma das primeiras edificações do bairro de Nazaré, e pertenceu ao Barão do Rio Real. Construída em paredes de alvenaria de tijolo, o solar desenvolve-se em dois pavimentos, mais mirante e pequeno porão. Sua planta é típica de residências urbanas mais ricas do séc. XVIII. O Barão do Rio Real, do engenho Camuciatá, ficava no casarão sempre que vinha para a Capital (Salvador). Posteriormente, o imóvel se tornou pousada dos padres da Congregação das Missões e depois pertenceu ao Colégio Nossa Senhora de Lourdes. Hoje, encontra-se abandonado.

6) PAÇO DO SALDANHA

[Foto: Google Street View]
Localização: Rua do Saldanha, Centro Histórico

Descrição: Um dos mais notáveis palácios construídos no Brasil colonial, com destaque para sua imponente portada em pedra lavrada, única na arquitetura baiana. Para construir o Solar, o coronel António da Silva Pimentel usou o terreno de casas que havia comprado em 1699 à Ordem Terceira do Carmo. Com sua morte (1706), o solar passa aos herdeiros, até chegar às mãos de D. Manoel Saldanha da Gama, filho do vice‐rei da Índia e viúvo de D. Joana Guedes de Brito, filha do coronel. Depois de um longo período de abandono, foi restaurado e hoje abriga o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

7) SOLAR DO CONDE DOS ARCOS

[Foto: Dimitri Cerqueira]
Localização: Avenida Leovigildo Filgueiras, Garcia

Descrição: A data da portada – 1781 – indica o término da construção. O nome do solar está ligado ao VIII Conde dos Arcos e Governador da Capitania da Bahia, D. Marcos de Noronha, que viveu na casa por sete anos. O Palácio é classificado como solar por ter a planta quase quadrada, desenvolvida em dois pavimentos e coberto por telhado de quatro águas. Na área externa tem uma escadaria que liga o pavimento nobre ao jardim. Já na década de 30 do Século XX, o casarão foi vendido para Peter e Irene Baker, um casal de missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, que fundaram o Colégio Dois de Julho.

8) SEMINÁRIO DE SÃO DÂMASO

Localização: Rua do Bispo, Centro Histórico

Descrição: Edifício do século XVII e tombado individualmente pelo Ministério da Cultura (MinC) como Patrimônio do Brasil. O solar tem três pavimentos e é propriedade da Igreja Católica através da Arquidiocese de Salvador. Não há registro exato da data da construção, mas o que se sabe é que em 1814 foi doado pelo testamento do Cônego José Teles de Menezes, para que fosse estabelecido o Seminário projetado por D. Frei Francisco de São Dâmaso Abreu Vieira, 14º Arcebispo Primaz do Brasil.

9) FORTE DO BARBALHO

[Foto: Manu Dias]
Localização: Rua Marechal Gabriel Botafogo, Barbalho

Descrição: A construção foi idealizada pelo Capitão Luís Barbalho, no contexto das Invasões Holandesas no Brasil. O forte foi reconstruído com melhor traçado, com alvenaria de pedra e cal, no Governo Geral de Alexandre de Sousa Freire (1667-1671), sendo concluído em 1712, como informa uma placa sobre o portão de acesso. No século seguinte, durante a Guerra de Independência, a fortificação foi a primeira a ostentar a bandeira do Brasil, após a expulsão das tropas portuguesas da Bahia. Anos mais tarde, o forte foi usado como Cadeia Pública de Salvador, e no período da Ditadura Militar, foi o principal palco de tortura no Estado.

10) ABRIGO DOM PEDRO II

[Foto: HF Fotografia]
Localização: Avenida Luiz Tarquínio, Boa Viagem

Descrição: A época de sua construção não é conhecida. Acredita-se que seja da primeira metade do século XIX e que foi a residência de um embaixador português. Em 1877, foi adquirido pelo Governo da Bahia para a instalação do Asilo de Mendicidade Santa Izabel, em homenagem à princesa imperial, passando definitivamente para a administração municipal em 1913. Em 1943, passou a ser chamado Abrigo Dom Pedro II.

11) SOLAR AMADO BAHIA

[Foto: Fred Matos]
Localização: Rua Porto dos Tainheiros, Ribeira

Descrição: O casarão que se destaca na paisagem da orla da Ribeira foi inaugurado em 1904 pela Família Amado Bahia, que usou a residência até 1924. A casa é envolvida em ferro fundido, importado da Inglaterra, e vidros franceses nas portas e janelas, em estilo art noveau. Em 1949, o Solar foi doado à Associação de Empregados do Comércio da Bahia, e recentemente ganhou notoriedade na mídia ao ser colocado em leilão.

12) LAR FRANCISCANO SANTA IZABEL

Localização: Rua Jogo do Lourenço, Saúde

Descrição: O Lar foi fundado em 1848, por membros da Ordem Terceira de São Francisco. O objetivo era dar abrigo aos membros idosos da Ordem (como faz ainda hoje), tendo sido inaugurado em 1860. Hoje, com a denominação de Lar Franciscano, cabe às irmãs franciscanas hospitaleiras, desde 1932, zelar pela instituição e cuidar dos idosos.

FOTO EM DESTAQUE: Igreja do Carmo e Igreja da Ordem Terceira do Carmo, por Ronaldo Silva [ASCOM Pelourinho]

FONTE:

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/05/26/palacio-tombado-que-foi-casa-de-vice-rei-vai-a-leilao-em-salvador.htm

http://portal.iphan.gov.br/

http://www.bahiaja.com.br/turismo/noticia/2013/05/16/casa-dos-7-candeeiros-na-vida-de-dom-joao-vi-e-no-roteiro-turistico,60122,0.html

http://www.infopatrimonio.org/?p=19285

http://www.salvador-turismo.com/riachuelo/associacao-comercial.htm

http://gshow.globo.com/Rede-Bahia/Aprovado/noticia/2017/03/conheca-historia-de-tres-solares-importantes-de-salvador.html

http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=1166

http://bahiatextos.blogspot.com.br/2010/12/solar-barao-do-rio-branco-historico.html

http://www2.cultura.ba.gov.br/2011/04/18/solar-sao-damaso-passa-por-manutencao/

http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/forte-do-barbalho-foi-o-principal-centro-de-tortura-na-bahia-1576076

http://www.salvador-turismo.com/barbalho/forte.htm

http://www.cidade-salvador.com/patrimonios/abrigo-dom-pedro/abrigo.htm

http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/conheca-casas-de-salvador-que-chamam-atencao-por-sua-arquitetura-marcante/

http://www.igrejas-bahia.com/salvador/lar-franciscano.htm

Bahia perde o fundador e diretor do Instituto Imbassaí

“Todo grande sonho começa na mente de um sonhador. Lembre-se de que você tem, dentro de você, a garra e a paciência para atingir as estrelas e mudar o mundo” (Harriet Tubman)

O Turismo baiano está de luto pelo falecimento do querido Francisco Oliveira, fundador e diretor do Instituto Imbassaí, ONG que transformou as vidas de milhares de moradores dos povoados do Litoral Norte da Bahia, promovendo capacitação profissional e inclusão no mercado de trabalho através da intermediação junto aos empreendimentos hoteleiros  e turísticos da região, tais como o Grand Palladium Imbassaí, o Iberostar Resort, o Vila Galé Marés, o Tivoli Eco Resort e a Grou Turismo.

A ONG foi fundada em 2005 e reconhecida como Entidade de Utilidade Pública pela Prefeitura de Mata de São João, município ao qual pertencem as localidades de Praia do Forte e Imbassaí. ‘Seu Francisco’, como era conhecido pelos amigos, dedicou a vida a projetos sociais, com passagens pela ONU e por países da África. No Litoral Norte, além de ter papel fundamental na redução do índice de analfabetismo local, trouxe iniciativas como o ‘Pontes para o Futuro’, em parceria com a PLAN international e a União Europeia, e o projeto ‘Horta nas Escolas’, que em 2016 realizou uma grande feira agregando doze instituições de ensino públicas dos arredores.

O velório será nesta segunda (14/08), a partir das 17h, na sede do Instituto Imbassaí.

Tetos de Salvador: 15 igrejas para visitar (e olhar para o alto)

Esse provavelmente foi um dos posts mais trabalhosos que eu já escrevi. Desde que inventei que iria tentar catalogar alguns tetos das igrejas históricas de Salvador, sem saber por qual começar numa cidade conhecida pela infinidade delas, achei na minha ingenuidade que conseguiria finalizar a matéria em menos de um mês. Isso foi em abril do ano passado, e entre um trabalho e outro, me ocupou até meados de novembro.

Deveria tirar as fotos dos tetos mais importantes? Dos mais bonitos? Dos mais diferentes? Confesso que não sei. A verdade é que ao longo desses 6 meses, sempre que passava por acaso na frente de qualquer igreja que fosse, tirava o celular do bolso e registrava uma foto (daí a qualidade não estar aquela coisa maravilhosa). Algumas eram realmente sem graça, mas outras foram uma grata surpresa – não pelo teto em si, mas porque me “obriguei” a visitar locais que nem cogitava.

Óbvio que esse post não contemplou nem 10% de todas as igrejas existentes em Salvador, e minha ideia não era escrever nenhum livro com informações técnicas e específicas do ano de construção ou quem foi o autor. Como pelo menos duas estavam fechadas para reforma, pedi licença ao Google para postar foto de terceiros, com os devidos créditos das imagens.

Notadamente alguns dos mais famosos foram pintados por José Joaquim da Rocha, artista baiano do Século XVIII, cujas obras podem ser encontradas nos museus de Salvador, além de admiradas nos forros das naves de igrejas do período colonial, não apenas na Capital, como também em cidades históricas do Recôncavo.

No City Tour tradicional, o passageiro visita pelo menos duas – a Igreja de São Francisco, no Pelourinho, e a Igreja do Bonfim, na Cidade Baixa. Mas na cidade de 365 delas, esta matéria pode ajudar a destacar quais valem uma visita por conta própria (e merecem um torcicolo de tanto admirar aquela beleza que só Deus sabe como o povo conseguia projetar há tantos séculos). O melhor de tudo: quase todas listadas aqui têm entrada gratuita.

Antes de começar, aperte o play no vídeo e deixe Caymmi te conduzir na leitura.

1) Igreja São Domingos Gusmão (1781). End.: Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Pelourinho.

Foto: Aníbal Gondim.

2) Catedral Basílica (1672). End.: Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Pelourinho

Foto: Rui Lima

3) Igreja da Conceição da Praia (1774). End.: Rua da Conceição da Praia, s/n, Comércio

4) Igreja do Bonfim (1754). End.: Largo do Bonfim, s/n, Bonfim

5) Igreja de São Francisco (1733). End.: Largo do Cruzeiro de São Francisco, s/n, Pelourinho

6) Igreja da Lapa (1744). End.: Avenida Joana Angélica, 41, Centro

7) Igreja do Rosário dos Pretos (1780). End.: Largo do Pelourinho, s/n, Pelourinho
8) Igreja do Carmo (Século XVII). End.: Largo do Carmo, s/n, Carmo

9) Igreja São Pedro dos Clérigos (Século XVIII). End.: Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Pelourinho

10) Igreja da Vitória (Século XVII). End.: Largo da Vitória, s/n, Corredor da Vitória

11) Igreja da Ordem Terceira do Carmo (1817). End.: Largo do Carmo, s/n, Carmo

12) Igreja de Santo Antônio da Barra (Século XVII). End.: Largo de Santo Antônio da Barra, s/n, Barra

13) Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (1831). End.: Rua da Ordem Terceira, s/n, Pelourinho

14) Igreja da Misericórdia (1722). End.: Praça da Sé, 6, Centro Histórico

15) Mosteiro de São Bento (Século XVIII). End.: Largo de São Bento, s/n, Centro 

[Foto do topo: Igreja dos Mares, o único templo gótico de Salvador, localizada na Cidade Baixa. Vale uma parada estratégica no caminho para a Igreja do Bonfim]

Itacaré: um destino completo – e em constante aprendizado

Que o Brasil tem belas e maravilhosas praias, ninguém duvida. Mas algumas delas possuem, indiscutivelmente, algo de muito especial que termina por colocá-las numa espécie de Olimpo praieiro muito particular. Itacaré, a nova queridinha do litoral baiano, é a mais recente a entrar nesse rol das praias mais badaladas do País. E, acreditem, muita gente não está muito feliz com essa fama, especialmente as dezenas de famosos e VIPs que procuram uma das 16 prainhas locais para relaxar e fugir dos fãs. O tenista Gustavo Kuerten, a apresentadora Babi e seu indefectível Marcos Mion, além de medalhões como José Roberto Marinho (que está construindo uma luxuosa mansão no local) são alguns desses nomes que dariam tudo para manter Itacaré no limbo. Mas agora é tarde.

O trecho acima foi retirado de uma matéria de 2002, no Jornal do Commercio (Pernambuco). Naquela época, nos primeiros anos depois que o destino caiu nas graças do mundo, o difícil era abrir uma página da Revista CARAS e não encontrar alguma celebridade se dizendo apaixonada por Itacaré. Já teve Nicolas Sarkozy e Carla Bruni, Keanu Reeves e Orlando Bloom, e isso para não falar dos famosos nacionais que desembarcavam por lá aos montes. Teve até lista no The New York Times, em 2007, ocasião em que Itacaré apareceu como um dos ’50 Lugares do Mundo para Visitar’.

Volte ao parágrafo que abre esse texto. Leia novamente. Destaque o trecho “…muita gente não está muito feliz com essa fama” e “…dariam tudo para manter Itacaré no limbo. Mas agora é tarde”.

Quinze anos depois, o destino não é mais o mesmo. Das páginas das revistas de celebridades e dos sonhos de inúmeros viajantes, Itacaré foi perdendo visibilidade e se transformou numa vaga lembrança para muita gente. Um nome familiar que raramente surge na conversa entre o cliente e o agente de viagens. As praias continuam belíssimas e semi-desertas, as trilhas continuam espetaculares e há pousadas e hotéis com tarifas para todos os bolsos. Mas no processo de amadurecimento do destino, algo se perdeu.

Digo sempre que em lugar de buscar culpados, devemos aprender com os erros e omissões. Problemas ambientais, relatos de insegurança e um crescimento pouco sustentável foram algumas das razões que contribuíram para a perda de competitividade, mas a boa notícia é que o destino ainda encanta aos visitantes e surpreende positivamente – talvez pela pouca expectativa com que chegam ao local. Felizmente, já se nota mudanças no horizonte: lançada durante a edição desse ano da WTM Latin America, em São Paulo, a campanha ‘Itacaré – Um Destino Completo’ apresentou ao trade um novo conceito, com identidade visual repaginada e um calendário de eventos que, se não chega a ser preponderante para a decisão do cliente final, tem grande importância para o posicionamento do destino no mercado. Além do IV Festival Gastronômico Sabores de Itacaré, antecipado de dezembro para julho, a Semana Santa vai virar praticamente um São João fora de época, com o I Festival de Forró.

De criança prodígio no Turismo Baiano, e passando por uma adolescência turbulenta, Itacaré chega à vida adulta com muito trabalho a ser feito para recuperar o tempo perdido.

Mena Mota (Grou Turismo), Júlio Oliveira (Secretário de Turismo de Itacaré) e Rodrigo Galvão (CVC) durante a WTM

Sheraton da Bahia investe em pacotes com ingressos para a Concha Acústica

Desde a reinauguração da Concha Acústica, um dos mais famosos espaços culturais de Salvador, o Hotel Sheraton da Bahia vem lançando pacotes especiais para clientes que desejem combinar uma boa hospedagem com uma das opções da variada programação do local.

Somente no 2º Semestre de 2016, a Concha Acústica recebeu apresentações de nomes de peso como Maria Bethania, Djavan, Lulu Santos, Criolo, Paralamas do Sucesso, Zeca Pagodinho, Nando Reis, Beth Carvalho, Zé Ramalho, A Cor do Som, Emicida e Teatro Mágico. Em 2017, já abriu os trabalhos com Caetano Veloso, Novos Baianos, Carlinhos Brown, Vanessa da Mata, Liniker e os Caramelows, Gilberto Gil e os Filhos de Gandhy. De longe, a mais soteropolitana das casas de espetáculos.

E não apenas isso: fazendo parte de uma estrutura muito mais grandiosa – o Complexo Cultural do Teatro Castro Alves – a Concha é apenas uma peça de uma imensa engrenagem que movimenta a cena cultural de Salvador, envolvendo ainda uma orquestra sinfônica (a OSBA), uma cia de dança (o BTCA) e diversos espaços com agenda ininterrupta de eventos – a Sala do Coro, a Sala Principal, as Salas de Ensaio, o Foyer, o Vão Livre e a própria Concha.

O Sheraton juntou 2 + 2, fez a lição de casa, e aproveitando a excelente localização, no Campo Grande – o hotel e a Concha estão separados apenas por uma praça –, vem lançando uma série de promoções que incluem um par de convites para o show e comodidades como late check out (mediante disponibilidade) e cortesia de estacionamento.

Para o mês de abril, o hotel já divulgou os pacotes para os shows de Roupa Nova (08/04) e do Grande Encontro, com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença (22/04), no valor de R$290 a diária (mais impostos). Se comprados separadamente, apenas os ingressos não sairiam por menos de R$200, e isso sem mencionar os gastos com transporte, flanelinha e derivados.

Foi um prato cheio para o público soteropolitano, com a oportunidade de se hospedar num dos hotéis mais desejados da cidade e curtir o show sem a preocupação com estacionamento e a volta para casa.

RESERVAS

Telefone: (71) 3021-6700

E-mail: reservas@sheratondabahia.com

*As promoções não estão disponíveis em canais on line; reservas somente com a central de reservas do hotel

Viva!Gastropub: a renovação da vida noturna na Costa do Sauípe

Completando em breve 17 anos de operação, o maior resort do Brasil tem o desafio de estar constantemente trazendo novidades para o seu público. A Costa do Sauípe já tem uma estrutura impressionante – são mais de 1500 apartamentos, 3000 funcionários na Alta Temporada e cerca de 800.000 hóspedes por ano – mas ainda está em processo de consolidação de sua identidade. A proposta é se afastar cada vez mais do padrão pasteurizado de um resort e construir o conceito de um destino, com todas as suas nuances e particularidades.

A Vila Nova da Praia, nesse sentido, cumpre um papel importante dentro do Complexo. É o coração do lugar, com funcionamento nos 365 dias do ano e o local onde todos os hóspedes podem se reunir à noite. Assemelhando-se a uma pequena cidade do interior da Bahia, com direito até a igrejinha e coreto, faltava ainda uma real experiência de vida noturna. Esqueça a música ao vivo na praça, os dançarinos folclóricos e animadores: estamos falando de balada de verdade.

O Viva!Gastropub chega para se somar às demais opções presentes na Vila Nova da Praia, porém com o diferencial de trazer o formato de uma casa noturna aliada com gastronomia de alta qualidade, que mistura elementos da culinária nordestina e internacional. A convite da Costa do Sauípe, um time de jornalistas e influenciadores visitou o espaço nesta quinta (09) para conferir de perto como anda a noite sauipense (e essa palavra existe?), e eu vim no bolo, porque sou ozado e não nego um convite desses.

Como a gente costuma dizer na Bahia, vou “largar o doce”: nunca havia me hospedado em nenhum resort all inclusive. Cheguei no Sauípe Premium – sim, para um marinheiro de primeira viagem, já comecei por cima da carne seca – a tempo de pegar o fim de tarde na varanda (infelizmente o dia estava nublado) e me jogar na cama king máster blaster duplo twist size como se nunca tivesse visto um colchão na vida.

O Viva!Gastropub é fruto de uma parceria com a Ambev, fornecedora oficial das bebidas do complexo. O espaço compreende dois ambientes, dedicados às cervejas Stella Artois e Buddweiser: o primeiro destaca a parte gastronômica da casa, diversos drinks e petiscos que lembram os tapas típicos da Espanha, combinados com ingredientes notadamente brasileiros; o segundo é a balada propriamente dita, com programação de bandas e/ou DJ’s todos os dias.

O isolamento acústico não interfere no som do coreto na Vila e garante o sossego dos hóspedes do Sauípe Pousadas. Não há cobrança de ingresso – o cliente paga apenas o que consumir – e a festa pode rolar até às 03h da manhã.

Mais informações: www.costadosauipe.com.br

O Carnaval da Pipoca e o fortalecimento do Turismo

Passada uma semana do término do Carnaval, o Ministério do Turismo divulgou ontem os números oficiais da festa e a repercussão do evento para a economia. Muito se falou nesse ano a respeito da explosão dos blocos de rua nos carnavais das grandes cidades do País. Foi a consolidação de um modelo que tem feito sucesso nos últimos anos e apresentou números impressionantes – até São Paulo, tradicional exportadora de gente no Carnaval, viu seu número de turistas triplicar durante a folia e pulverizou o foco dos destinos mais consagrados para as mais variadas opções. Junte também a esse maior apelo dos bloquinhos uma pitada generosa de crise econômica, acrescente tarifas aéreas nada atrativas e tempere com um gênero musical – a Axé Music – que há muito tempo não emplaca nenhum hit, e pronto: está aí a receita para entender o novo cenário do Carnaval de Salvador.

[Foto: Manu Dias]
Longe de mim tentar resumir em um texto de poucos parágrafos todos os motivos que concorreram para tirar o Carnaval soteropolitano do posto de mais disputado do Brasil. Só para deixar claro, eu AMO a festa daqui – e na minha opinião ela tem melhorado a cada ano –, mas há um preço a pagar pela considerável evolução na minha experiência enquanto folião: o nosso Carnaval está menos comercial, menos vendável, menos interessante para os patrocinadores e bem menos divulgado na mídia, que tem dado destaque para as festas de outras capitais. Além disso, há ainda nossa própria parcela de responsabilidade: primeiro, que a Axé Music não produz nada que se compare ao sucesso de gêneros como a música Sertaneja. Segundo, que a famosa “pegação” de Salvador já não é exclusividade do Carnaval daqui (ainda mais em tempos de Tinder e derivados). E terceiro, que o excesso de publicidade negativa sofrido pela folia soteropolitana – a festa vinha sendo acusada, com razão, de ser excludente e violenta – vai custar a sair do imaginário coletivo. O modelo da festa desenhado nos anos 90 – aquele com uma infinidade de blocos cercados de cordas e abadás caríssimos que esgotavam em poucos dias – não tem mais lugar. O jogo virou, muitas cordas sumiram, a violência diminuiu e o Carnaval está mais democrático, mas pouca gente fora de Salvador está sabendo disso.

Segundo o balanço do Ministério do Turismo, houve um aumento de 9% do número de turistas em relação ao ano passado. Em toda a Bahia, contabilizando também os inúmeros destinos que funcionam como “refúgio” para o público que deseja fugir do agito, foram cerca de 2 milhões de pessoas viajando, injetando mais de R$ 1,5 bilhão na economia baiana.

Por aqui, pelo menos a gente tem a melhor garota-propaganda: até Ivete Sangalo, uma das maiores artistas do País, saiu pulando atrás dos trios (disfarçada de palhaça, ok) de Salvador, e sem abadá algum, provando que dá para se divertir numa boa gastando pouco.

Para mencionar algumas mudanças, lembra que antigamente você tinha que desembolsar uma quantia gorda para ficar perto das estrelas do Axé? Pois esse ano teve Ivete, Claudia Leitte, Saulo Fernandes, Carlinhos Brown, Banda Eva, Daniela Mercury, Cheiro de Amor, Luiz Caldas, Moraes Moreira, Psirico, Leo Santana, Alinne Rosa e mais um monte de gente arrastando trio elétrico sem qualquer sinal de cordas.

Quer mais? Além dos trios, esse ano foi montado um palco no Farol da Barra, fazendo do Largo do Farol uma atração por si só na programação do Carnaval. Em sete dias, o espaço recebeu shows de Thiaguinho, Saulo, Daniela Mercury, Preta Gil, Emicida, Leo Santana e DJ Alok, entre outros.

[Foto: Valter Pontes]
Aliás, eu falei SETE dias? Esqueça isso: além dos dias já tradicionais – que em Salvador vão da quinta à terça-feira –, tem ainda

– a Quarta-Feira de Cinzas, com os trios do chamado “Arrastão”;

– a quarta-feira da véspera, com a abertura na Praça Municipal, e as fanfarras e blocos de sopro do Farol ao Morro do Cristo;

– a terça-feira anterior, que agora é chamada de “Pipoco” (uma referência ao folião pipoca, que pula atrás dos trios sem abadá);

– e o sábado e o domingo que antecedem o Carnaval, que lotam a Barra com o Fuzuê e o Furdunço.

[Foto: Alfredo Filho]
Ainda há muitos pontos fracos que precisam ser trabalhados, como o esvaziamento do antigo circuito do Centro da cidade e a concentração demasiada de atrações no Barra-Ondina, mas isso é uma outra discussão. O fato é que para o folião – e essa é uma opinião geral –, o Carnaval está divertido como não se via há muitos anos, com pessoas dançando, pulando, se fantasiando e jogando glitter pro ar. Até a famigerada disputa para saber qual seria a “Música do Carnaval” não teve força esse ano: o protagonismo da festa foi mesmo da própria rua.

Já para os empresários, que surfaram na onda enquanto Salvador foi o destino referência em Carnaval, foi necessário se adaptar para sobreviver: a partir dos anos 2000, tirou-se o foco nos blocos e abadás, e entraram em cena os camarotes, com o conceito de festa dentro da festa, e nos quais a vista para a rua é o que menos importa. Os camarotes acabaram ganhando espaço – literalmente, porque alguns invadiram a rua e apertaram o folião pipoca contra as cordas dos blocos – e muitos turistas elegeram como a melhor alternativa para curtir o Carnaval com mais conforto e segurança. Não é minha praia e não chega a ser a experiência genuína de “pular atrás do trio”, mas dá para fazer um pouco de cada coisa e usar o camarote como base para descanso nos intervalos.

[Foto: Pedro Moraes]
Que o formato do Carnaval de Salvador precisava ser revisto, não havia dúvida. A festa ensaia agora um caminho sem volta, bem distante do que a consagrou comercialmente, e divide opiniões dos especialistas em relação ao futuro. As cordas irão sumir de vez? Será que o Carnaval só voltou a ser bom por que perdeu a relevância como produto? De que forma atrair empresários e patrocinadores para bancar os custos dos artistas mais consagrados? Os trios sem corda vão ser financiados com dinheiro público?

Regra geral, folião não faz Turismo propriamente dito – muito menos em Salvador, quando o lugar se transforma e quase todas as atrações e opções culturais entram em recesso por vários dias. Além disso, as prioridades e preferências são outras, e diante dos gastos exorbitantes já previstos com blocos e camarotes, a palavra de ordem é economizar em relação a todo o resto: dividir apartamento, rachar a gasolina, viajar de carro e comprar comida em supermercado, para mencionar só alguns itens. Sim, movimenta bastante a economia da cidade, mas fica aquela eterna expectativa que Salvador encante e desperte a curiosidade para que o visitante retorne em uma nova oportunidade, fora do período da festa.

[Foto: Manu Dias]
Com a disseminação dos trios sem corda – ou a “institucionalização da pipoca”, como alguns têm falado – é possível que essa situação melhore. Um Carnaval mais democrático e menos mercadológico, além de devolver o antigo brilho da festa, poderia baratear custos e tornar Salvador mais acessível como destino de viagem para os foliões. Com menos blocos fechados, sobra a liberdade do folião para combinar diversas atividades ao longo da semana, e inclusive dar a chance a circuitos pouco conhecidos pelos turistas, como o tradicional Carnaval do Pelourinho. Perdemos em mídia, mas ganhamos em conteúdo e autenticidade.

E para quem sempre sonhou em vir, mas sequer cogitava, o Carnaval de Salvador pode virar realidade.

*Foto em destaque: autoria de Manu Dias

Asas Mágicas: um borboletário em plena Costa do Descobrimento

Praias, falésias, hotéis, centro histórico, Pedro Álvares Cabral, parque aquático, Axé Music, Passarela do Álcool e…borboletas: quando a Secretaria de Turismo de Porto Seguro enviou o roteiro da press trip que nós faríamos na região, confesso que não me animei muito com um dos programas previstos. Depois de alguns dias entre a Praia do Espelho, resorts, aldeia indígenas, festas em Arraial e batendo perna no Quadrado de Trancoso, quem iria se empolgar com um borboletário?

Julguei sem conhecer. Mesmo a contragosto, seguimos o itinerário previsto, e desembarcamos no Borboletário Asas Mágicas no último dia da nossa viagem. Na minha cabeça, a única curiosidade era descobrir quem havia tido a ideia de abrir uma atração como aquela num destino já sobrecarregado de atrativos turísticos – e pior, numa localização longe do Centro e afastada da praia. Pois eu queimei a língua logo na chegada.

A estrutura e o mapa já na entrada podem impressionar o visitante com o que virá em seguida, mas foram a hospitalidade e a simpatia dos donos que me conquistaram de imediato. O casal Felix, da República Dominicana, e a bióloga francesa Raphaelle, buscaram por 5 anos pelo lugar perfeito para construir um borboletário, e encontraram em Porto Seguro o clima perfeito para o projeto.  O investimento foi de cerca de R$2 milhões, com autorização do INEMA e do IBAMA, e apoio da Secretaria Municipal de Turismo. São mais de 1000 m² de estufas e borboletas das mais diversas espécies e total interação com os visitantes. Apenas o maior borboletário da Bahia, para ser bem objetivo.

O tour é 100% guiado, com profissionais da própria comunidade, e dura cerca de 1h30 para percorrer todo o percurso (que conta com acessibilidade para cadeirantes, importante dizer). No laboratório – um dos pontos altos do passeio – é possível visualizar todo o ciclo da borboleta ao vivo, desde o nascimento e passando pelos famosos casulos. Cada espécie tem plantas hospedeiras específicas, por isso as estufas têm configurações bem distintas de ambiente, para garantir o desenvolvimento adequado.

Para quem desejar, tem ainda um lago com pedalinho e um café com um dos melhores waffles que eu já comi na vida – além de delícias típicas da França, terra natal da proprietária. Não teve ninguém no grupo que não tenha achado a visita uma das melhores atividades de toda a press trip. Fica aqui o registro do carinho por Felix e Raphaelle e nossa torcida para que o lugar seja cada vez mais divulgado e descoberto pelos inúmeros turistas da região.

INFORMAÇÕES ÚTEIS

Site: www.asasmagicas.com.br

Horário de Funcionamento: de quarta a domingo, das 09h às 16h.

Ingresso: R$40 (adulto) e R$20 (crianças de 5 a 10 anos). Crianças até 4 anos não pagam. Pode parecer caro, mas vale cada centavo.

Como Chegar (roubado do próprio site do Borboletário)

Ônibus:

Pegar o Ônibus da Brasileiro na Rodoviária Municipal com destino para Vera Cruz. Solicitar ao Motorista que pare no Km 57 da BR 367, que fica 5 km após o trevo com a BA 001. O trajeto dura em média 30 minutos, e o ônibus vai deixá-lo na entrada do parque.

Carro:

Pegar a Rodovia BR 367, sentido Eunápolis. Passar o trevo da entrada para Arraial D`ajuda – Trancoso e após 5 Km, parar na fazenda Asas Mágicas que fica no Km 57 mão direita. O trajeto dura em média 30 minutos.

Salvador Além do Carnaval: 5 Festas Populares para conhecer na sua próxima viagem à Bahia

“Hotéis já estão quase lotados para a maior festa religiosa do País”.

Apesar de mundialmente conhecida pela fé do seu povo e pelas 365 igrejas de sua capital, a manchete acima não foi extraída de nenhum jornal da Bahia. Enquanto o Círio de Nazaré – uma das maiores festas católicas do mundo – costuma atrair quase 100 mil visitantes para Belém todos os anos, por aqui os números também impressionam, mas na prática não têm o mesmo apelo turístico da festa paraense. Temos festa pra quem é de Amém e pra quem é de Axé, pra quem é de Aleluia e pra quem é de Saravá, mas não são muitos os turistas que planejam uma viagem pra Bahia exclusivamente pensando no nosso calendário de festas religiosas. Por que será?

Penso que os motivos sejam bem simples: a concorrência com o protagonismo do Verão.  Ora, estamos falando do Estado com o maior litoral brasileiro e um dos mais concorridos destinos turísticos da Alta Temporada, com milhares de pessoas desembarcando todos os dias em busca do combo sol e praia. Paralelamente a isso, começam os famosos Ensaios de Carnaval: sabe aquela energia toda dos artistas que comandam uma multidão de cima de um trio elétrico por quase 6 horas? Pois é, meu amigo, são muitas e muitas edições de treinamento – em cada show, o encontro com o público é o momento ideal para lançar aquela música nova, ensinar a coreografia e perceber o retorno da galera. Aí depois de tudo decorado, é a hora de se jogar na avenida, para o Carnaval propriamente dito. Para completar, ainda vem o Reveillon, com 5 dias de festa ininterrupta e projetos para que se torne a maior virada de ano do País. E para piorar, o aéreo para Salvador fica uma fortuna nessa época. Não tem fé que resista.

Ou melhor, tem sim. Como diz o ditado de quem tem fé vai a pé – ou parcelando a passagem em 10x sem juros –, os turistas sempre acabam chegando e sendo contagiados por essa magia inexplicável e todo o sincretismo que mistura santos e orixás na mesma festa. Mas por motivos óbvios, o lado turístico dos festejos acaba sendo ofuscado e fica difícil mensurar quantos realmente despertam o desejo de conhecer o destino especificamente por causa da sua religiosidade.

Tome como exemplo a Festa de Iemanjá, celebrada em 02 de fevereiro. No Brasil, não existe outra festa a esse orixá que se equipare em dimensão – ao menos meio milhão de pessoas deve ter passado pela praia do Rio Vermelho esse ano  – e bastam alguns minutos na fila para depositar as oferendas, para notar os diferentes sotaques dos devotos. Sim, tem mar de sobra do Amapá ao Rio Grande do Sul, mas tem gente que faz questão de entregar os presentes AQUI (ainda que isso custe alguns reais a menos na conta bancária), e termina combinando a viagem com fins religiosos para bater perna na Cidade da Bahia. E se essa lógica é verdadeira, acredito que o caminho inverso também seja possível: com a estratégia certa e caprichando no conteúdo, dá pra criar pacote e até fechar negócio com aquele cliente indeciso em relação ao destino das férias.

Duvida? Repare só nos calendários abaixo (postados nas redes sociais da Prefeitura de Salvador):

E para facilitar sua vida, repare nesse esqueminha bem objetivo de 5 festas populares que merecem sua atenção e valem gastar o seu português na hora da venda. O segredo é analisar bem o perfil do seu cliente, pra você não chegar tagarelando sobre festas e a criatura não quiser ver Salvador nem pintada de ouro.

Pegue o papel e a caneta, e anote aí (ou salve a matéria nos seus Favoritos, pra consultar sempre que for preciso).

Festa de Santa Barbara realizada no Largo do Pelourinho, em Salvador, Bahia.
Foto: Elias Mascarenhas

1) Festa de Santa Bárbara/Iansã

QUANDO: 04 de Dezembro

QUEM É: Mártir do Século III/Orixá dos Raios e das Tempestades

ONDE: Pelourinho, com missa na Igreja do Rosário dos Pretos.

POR QUE IR: o Centro Histórico vira um tapete vermelho, com uma multidão de devotos que segue em procissão pelas ruas antigas do Pelô. Nos largos e praças, há programação musical durante o dia inteiro.

[Foto: Max Haack]
2) Festa da Conceição da Praia/Oxum

QUANDO: 08 de Dezembro

QUEM É: Padroeira da Bahia (não, não é o Senhor do Bonfim)/Orixá das águas doces

ONDE: Missa na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, praticamente ao lado do Elevador Lacerda, na Cidade Baixa. A procissão com a imagem da santa segue pelas ruas do bairro do Comércio.

POR QUE IR: a igreja dedicada à Nossa Senhora da Conceição da Praia é uma das mais bonitas de Salvador. Além disso, sendo a padroeira do Estado, é a única festa popular na qual realmente é feriado na Bahia.

A procissão marítima de Bom Jesus dos Navegantes, uma tradição centenária, deu as boas-vindas a 2017 em Salvador. Foto: Valter Pontes/ Agecom

3) Procissão de Bom Jesus dos Navegantes

QUANDO: 1º de Janeiro

QUEM É: como o nome já diz, é o padroeiro dos Navegantes

ONDE: Baía de Todos os Santos

POR QUE IR: a procissão marítima mais importante da Bahia é realizada há mais de 120 anos e marca o início do ano em Salvador.

[Foto: Antonio Queiroz]
4) Lavagem do Bonfim/Oxalá

QUANDO: 2ª quinta-feira de Janeiro

QUEM: no catolicismo, é uma representação de Jesus Cristo; para o candomblé, é Oxalá, considerado o maior dos orixás e responsável pela criação do mundo.

ONDE: a procissão segue por 8Km, da Igreja da Conceição da Praia à Colina Sagrada, onde ocorre a tradicional lavagem da escadaria da Basílica.

POR QUE IR: a lavagem é o momento que antecede a festa católica, no 2º domingo após o Dia de Reis. Desde o Século XVIII, quando era realizada por escravos, adeptos do candomblé despejam água de cheiro nos degraus e no adro da Igreja do Bonfim, numa das cerimônias mais emblemáticas da cultura do povo baiano.

[Foto: Reprodução/Site Afrobrasileirismo]
5) Festa de Iemanjá

QUANDO: 02 de Fevereiro

QUEM: Senhora das Águas Salgadas e considerada Mãe de quase todos os orixás

ONDE: Orla do Rio Vermelho, o epicentro da festa em Salvador

POR QUE IR: Como diria meu amigo Luciano Matos, do ótimo site el Cabong (excelente para pegar dicas da agenda cultural de Salvador), “acho que ninguém de fora tem a dimensão do que é o tamanho, o astral e como é incrível essa festa de Iemanjá em Salvador. É um misto de Reveillon, festival de música e Carnaval”. O bairro do Rio Vermelho, uma das regiões mais turísticas da cidade, é fechado exclusivamente para as celebrações para a Rainha do Mar, e a festa começa ainda na madrugada, se estendendo ao longo de todo o dia, com inúmeras opções de shows, cortejos e diversas atividades para quem gosta de combinar o sagrado e o profano.

*Foto do topo: Cortejo até a Colina Sagrada, durante a Lavagem do Bonfim. Foto de Valter Pontes.

 

 

7 dias no Litoral Sul: Roteiro de Salvador a Ilhéus

Cerca de 300Km separam Salvador e Ilhéus.

Quer dizer, 300Km em linha reta: em razão do litoral entrecortado por inúmeras ilhas, baías, rios e arquipélagos, a estrada que liga as duas cidades precisa dar uma volta um pouco mais longa – quase 450Km – garantindo um ar ainda mais preservado aos destinos situados no meio do caminho.

Tivessem projetado a rodovia margeando a costa e talvez a Bahia não teria se tornado um dos maiores polos turísticos do País. Como imaginar Morro de São Paulo, Boipeba, Moreré e Barra Grande conectados por pontes e rodovias monumentais, sem que isso comprometesse a preservação desses lugares? Por um lado, sabemos que uma infraestrutura de transportes limitada prejudica a chegada de turistas, mas por outro, já conhecemos o que acontece quando um local não consegue acompanhar o aumento do fluxo de visitantes.

O Litoral Sul da Bahia vive assim, nesse eterno dilema entre facilitar o acesso ou manter os destinos como estão. Antes de afirmar que defendo a 2ª alternativa, cabe um esclarecimento: não sou a favor da exclusividade por critérios econômicos e tenho certeza que transformar essas localidades em balneários privativos para endinheirados não é necessariamente a melhor opção – existem outras formas de controle e muitas atrações turísticas ao redor do mundo já trabalham com isso. O que defendo é a preservação e a proteção do nosso litoral contra o Turismo predatório e excessos que acabam comprometendo não apenas o destino em si, mas a própria experiência do viajante.

O caminho é o equilíbrio. Não gostaria de ver milhares de veículos invadindo Morro de São Paulo, porém ao mesmo tempo, sei que não é confortável esperar horas e horas na fila para retornar da ilha em feriados mais concorridos como o Reveillon.

[Foto: Lady Rasta]
[Foto: Lady Rasta]
O fato é que, considerando a logística complexa até mesmo para baianos, para turistas a situação fica mais difícil na hora combinar mais de um desses destinos na mesma viagem: suponha que um visitante deseje conhecer Salvador, Morro de São Paulo, Taipu de Fora e Itacaré. Por onde começar? Quais cidades deverá utilizar como base? Como se deslocar entre cada uma das localidades?

Esse foi o desafio proposto pela Abreu Viagens, conhecida mundialmente como “a mais antiga operadora do planeta”, fundada em 1840 na cidade do Porto, em Portugal. A Abreu enviou 11 dos seus agentes de viagem para um famtour com o objetivo de explorar ao máximo o nosso Litoral Sul. As únicas informações existentes até então eram as datas de chegada e partida no Aeroporto Internacional de Salvador. Já a montagem completa da programação do que visitar em sete dias ficou a cargo da Grou Turismo, o receptivo Abreu na Bahia. Tive a honra de participar e acompanhar de perto todo o processo e aproveito para contar aqui um pouco da aventura dos portugueses em terras baianas.

*

Roma Negra

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Já dizia a famosa canção de Roberto Mendes:

Lisboa revisitada

Sudanesa sedução

Roma negra encravada no ocidente, coração

Salvador está presente no imaginário coletivo e nos livros de História de Portugal. Capital da Colônia por mais de 200 anos, projetada como uma típica cidade portuguesa e com relevo definido entre Cidade Alta e Cidade Baixa, veio a se tornar o porto mais movimentado do Atlântico Sul – e para alguns estudiosos, a primeira cidade “globalizada” do Ocidente. Salvador nasceu e cresceu como a mistura de três grandes etnias – a europeia, a africana e a indígena – mas recebeu a influência de várias outras nacionalidades, que paravam as embarcações na cidade no caminho para outras regiões. Devido ao comércio de escravos, é considerada hoje a maior população negra fora da África e reúne uma riqueza cultural de valor incalculável, tendo sido o berço de vários gêneros musicais brasileiros e celeiro de alguns dos maiores artistas do País.

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A expectativa do grupo era grande, mas pontuada por algumas notícias desanimadoras em relação à cidade. De fato, Salvador não é mais a mesma dos anos 90, quando estourou para o Turismo com um Pelourinho recém-reformado e a Axé Music bombando nas paradas de sucesso. A cidade atravessou um período turbulento em meados dos anos 2000 e enfrentou uma queda no número de turistas, acarretando inclusive no fechamento de alguns hotéis. No último ano, contudo, parece estar querendo levar a sério novamente o mercado, e vem se equipando com novas atrações, além de repaginar os cartões postais mais clássicos. Ainda há muito a ser feito e melhorado, mas como eu costumo dizer aos amigos que visitam a cidade, Salvador não é uma cidade para fotos do Instagram, mas um lugar para ser vivenciado em todos os seus aspectos – em especial o artístico, histórico, cultural e gastronômico. Com a assistência adequada de um morador local e sem medo de se jogar de cabeça na viagem, a experiência pode ser uma das mais marcantes da sua vida.

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Entre visitas a alguns hotéis da cidade, que já são de praxe em famtrips, alternamos com passeios para apresentar o que faz de Salvador…Salvador. Com duas noites de hospedagem na ida – uma para a chegada e a outra para seguir viagem – e mais duas noites na volta, o grupo ficou com dois dias livres para um curso intensivo de baianidade nagô. O clima não poderia ter sido melhor – sério, nunca vi agentes tão animados quanto esses:

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Teve de tudo um pouco: Igreja de São Francisco (uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo), Igreja do Bonfim (e uma aula sobre o sincretismo religioso na Bahia), compras no Mercado Modelo (tive que levar DUAS VEZES, porque o povo queria comprar mais), Elevador Lacerda (o nosso Elevador de Santa Justa), moqueca de camarão no Centro Histórico, show gratuito de grupo de percussão no Pelourinho, passeio no Santo Antônio Além do Carmo e visita ao novo Espaço Carybé de Artes, na Barra.

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Preciso fazer apenas uma observação importante sobre os hotéis que nós visitamos. Sem entrar no mérito de cada um, não posso deixar de destacar a VISTA dos quartos e/ou terraços (sou desses que não pode subir em prédio alto e já quer tirar foto). Olha só o visual:

– Golden Tulip Rio Vermelho

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– Pestana Convento do Carmo

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– Sheraton da Bahia

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– Sol Barra

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Ibiza Baiana

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Já que em casa de ferreiro o espeto é de plástico, lá vem eu cometendo o mesmo erro que condenei alguns posts atrás, sobre o perigo dos títulos comparativos. Vamos pular essa parte e focar na licença poética para que vocês entendam, guardadas as devidas proporções, o que o 2º destino do famtour representa para o Turismo na Bahia.

A primeira coisa que você precisa saber é que Morro de São Paulo não faz parte de Salvador, e sim de Cairu (um município-arquipélago que abrange ainda as praias de Boipeba e Moreré). A segunda coisa é que ilha não se chama Morro de São Paulo, e sim Ilha de Tinharé.  E a terceira é que Morro é mesmo um MORRO, portanto espere uma senhora ladeira para subir do atracadouro até a vila, outra ladeira de responsa para descer da vila até as praias e uma ladeira pior ainda para voltar – na verdade é a mesma ladeira da ida, mas imagine como é para subir depois de passar o dia tomando banho de mar e enchendo o bucho de comida?

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Há três formas para chegar a Morro a partir de Salvador: via marítima, de catamarã navegando em mar aberto, de táxi aéreo, ou como a maioria das empresas de receptivo opera, via transfer semi-terrestre. Como o catamarã costuma causar enjoos em muita gente (não é raro os passageiros vomitarem) e o voo até Morro é só para o$ mai$ endinheirado$, ficamos com a última opção: transfer do hotel em Salvador até o Terminal Náutico + travessia de lancha até a Ilha de Itaparica + trajeto rodoviário até o Terminal de Bom Jardim + lancha rápida até Morro de São Paulo. Contando assim parece ser trabalhoso, mas é bem prático e todo mundo descansa/dorme no buzú. O percurso total dura aproximadamente 3h30.

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Pronto, sua lancha atracou em Morro e agora começa a última etapa do negócio: carregar as bagagens até o hotel.

“Ah, é só arrastar a mala, tem rodinha pra que?”

Fique aí achando que é moleza. Para enfrentar as ladeiras de Morro de São Paulo, existe um serviço especializado de “táxi” para o transporte de bagagens – ou de passageiros, caso você não queira chegar lá em cima botando os bofes pra fora. O valor é negociado com cada carregador (de R$15 a R$20 por mala), você diz em qual pousada vai ficar hospedado, e levam tudo pra você. Ah, só um detalhe: como praticamente não existem veículos em Morro, o transporte é realizado na base do carrinho de mão:

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Em Morro, aliás, você vai aprender que “em coração de mãe/carrinho de mão, sempre cabe mais um/uma mala”. Não me pergunte como, mas os caras conseguem colocar até DEZ malas grandes num carrinho, e o mais impressionante, subir com tudo aquilo até o alto da vila. Se chamarem a equipe do Guinness Book, vira recorde.

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Todos devidamente alojados nas respectivas pousadas, marcamos para nos encontrar em um restaurante da Segunda Praia, utilizado como ponto de apoio da Grou para passeios de um dia a Morro. A Primeira Praia não é muito famosa, a Terceira fica logo mais à frente (na minha opinião, a melhor para se hospedar), e a Quarta e a Quinta são as mais sossegadas, por ficarem mais distantes da muvuca do centrinho.

Nem preciso falar que no almoço o povo pediu moqueca. De novo.

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Ficamos somente uma noite em Morro, suficiente para um passeio pela vila e banho de mar. O tempo não estava muito favorável – quase sempre nublado – mas os agentes disseram que estava perfeito. Eu insisti falando que em dias de sol ficava muito mais bonito, mas ninguém ligou muito. Na dúvida, vou mandar aqui algumas fotos que tirei quando estive por lá em setembro (e olha que dizem que Morro consegue ser ainda mais lindo do que isso):

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Claro que a noite de Morro é um capítulo à parte. Mesmo na baixa estação, sempre há opções de baladas, música ao vivo e inúmeros bares para curtir a madrugada, a exemplo da emblemática Toca do Morcego, com seu famoso por do sol com vista pro mar. Nós fomos para o Portaló, convidados por outro português que reside na ilha há alguns anos e atua na área Comercial da pousada. Ótimos drinks, recepção de primeira e um fim de tarde inesquecível.

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A Indonésia é Aqui

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De Morro de São Paulo, saímos cedo para pegar a lancha de volta ao Terminal de Bom Jardim, e de lá uma van nos esperava para seguir viagem até Camamu (80Km), e de lá, fomos em uma outra lancha até o vilarejo de Barra Grande, na ponta da Península de Maraú. Foi uma parada estratégica do transfer a caminho de Itacaré, para apresentar ao grupo mais um destino do Litoral Sul: na realidade, não existe esta opção como traslado regular, mas como o tempo dos agentes estava um tanto corrido, fizemos essa opção para não perder a oportunidade.

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Em condições normais, é possível conhecer Barra Grande se hospedando numa das pousadas ou em um passeio de escuna pela Baía de Camamu, com paradas em algumas ilhas e almoço no vilarejo. O tour pode ser realizado por turistas hospedados em Morro de São Paulo, Itacaré ou Ilhéus.

Camamu é uma das cidades mais antigas da Bahia, construída nos mesmos moldes de Salvador – aproveitando o seu relevo dividido em partes Alta e Baixa. A cidade fica a cerca de 40Km de Itacaré e tem um porto bastante movimentado, com um importante casario colonial.

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São menos de 30 minutos de travessia de lancha até Barra Grande, em embarcações que fazem o transporte da própria população local – esse é o melhor meio de transporte para cruzar a imensa Baía de Camamu (a 3ª maior do Brasil, inclusive). Logo que desembarcaram na Península de Maraú, os agentes se encantaram tanto que chegaram e me perguntar se seria possível ver um lugar mais paradisíaco do que aquele no resto da viagem. “Esse você não vai conseguir superar”, foi o que eles disseram.

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O restaurante utilizado como ponto de apoio em Barra Grande foi o Clube do Mestre, situado à beira mar, oferecendo um almoço especial para os agentes da Abreu e um dos atendimentos mais simpáticos de toda a viagem.

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Um ponto importante é que assim como em Morro de São Paulo, em Barra Grande também há uma taxa de preservação ambiental a ser paga logo após o desembarque da lancha. Você passa pelo guichê da “imigração” e dois passos depois já está no pedaço mais indonésio da Bahia (juro que é a última vez que eu faço esse tipo de comparação).

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De todos os destinos visitados no Litoral Sul, a Península de Maraú sem dúvidas tem o clima mais tranquilo (exceto quando recebe alguma festa ou evento badalado). As construções são em estilo rústico, as ruas são de areia, e há poucos automóveis na vila (a estrada de acesso é mais adequada para veículos 4×4).

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O ritmo é tão sossegado que rola até uma siesta depois do almoço. Repare no horário de funcionamento de algumas lojas:

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E o que dizer das praias? Por se tratar de uma península, o lugar é banhado tanto pelas águas calmas da Baía de Camamu – sem ondas, perfeitas para ficar relaxando como se não houvesse amanhã – quanto pelo Oceano Atlântico. Do lado do oceano, por sinal, ficam as piscinas naturais de Taipu de Fora, que aparecem sempre em todas as listas de Praias Mais Bonitas do Brasil. Mas as de Barra Grande não ficam atrás em matéria de beleza:

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Ao final da tarde, já estávamos novamente na lancha para Camamu e embarcamos na van com destino a Itacaré, a 45Km de distância. Já era início de noite quando fizemos o check in nas pousadas, e logo após o jantar seguimos para a região mais badalada da cidade: a Pituba.

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Pra que Costa Rica?

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Itacaré é um dos destinos mais completos da Bahia. Essa também foi a opinião dos agentes portugueses, que elegeram o lugar como o preferido da viagem – assim, respondendo a pergunta que me fizeram em Barra Grande: sim, eles se surpreenderam e muito.

Aqui vão 10 motivos que fazem Itacaré ser um lugar tão fascinante:

1 – Trilhas na Mata Atlântica

2 – Pousadas charmosas

3 – Praias semi-desertas

4 – Cachoeiras (para se refrescar depois da praia)

5 – Infraestrutura de lojas, bares e restaurantes

6 – Ideal para a prática de esportes (surf, rafting, stand up, etc)

7 – Aeroporto a menos de 1h de distância (Ilhéus, a 60Km)

8 – Dá pra visitar fazendas de cacau

9 – Dá pra fazer um passeio de escuna na Baía de Camamu

10 – Dá pra conhecer os cartões postais de Ilhéus

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Dos passeios oferecidos aos passageiros hospedados em Itacaré, considero que dois são imperdíveis: a Trilha das Quatro Praias, uma caminhada de 4Km atravessando a Mata Atlântica e intercalada com paradas nas praias da Engenhoca, Havaizinho, Camboinha e Itacarezinho; e o passeio à Praia de Pé de Serra com a Cachoeira de Tijuípe, que dispensa apresentações.

Para otimizar o tempo, e uma vez que ainda teríamos que visitar pelo menos 05 hotéis e pousadas na parte da tarde, tentamos unir um pouco de cada um dos passeios, combinando a Praia da Engenhoca com uma parada rápida na cachoeira.

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A caminhada desde a entrada da trilha até a praia dura cerca de 25 minutos. No percurso, o guia vai apresentando alguns destaques da fauna e flora brasileiras, dando ainda as instruções de segurança e a recomendação de que ninguém retire nada da natureza. O trajeto é tranquilo para iniciantes, com alguns declives que podem cansar algumas pessoas – mas nada que assuste quem enfrentou as ladeiras de Morro de São Paulo.

Chegando na Praia da Engenhoca, os agentes não conseguiram esconder a surpresa: “Não dá para registrar isso em fotografia”, um deles exclamou.

Definitivamente, um pedaço do paraíso.

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E no canto esquerdo da praia, tem ainda um riacho com água geladinha (para padrões baianos) que nos acompanha com várias cachoeiras ao longo da trilha e desemboca no mar. Para atravessar arrastando chinelo e refrescando os pés (garanto ser mais relaxante do que qualquer terapia de SPA urbano).

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Por falar em rio, da Praia da Engenhoca fomos direto para a Cachoeira do Tijuípe. Por se tratar de uma área particular, há cobrança de ingresso para a manutenção do local (em 2016, estava a R$13 por pessoa). E vale cada centavo.

Banho de cachoeira é uma das melhores coisas do mundo. A do Tijuípe desemboca num poço com mais de 4m de profundidade, e não há perigo de ser arrastado pela correnteza – além do mais, há algumas cordas penduradas para auxiliar quem tem dificuldade de nadar, e um salva-vidas fica bem ao lado, de olho em tudo e advertindo para que nenhum turista gaiato tente fazer alguma peripécia mais “audaciosa”.

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De volta a Itacaré, no final da tarde fomos conferir o por do sol no Mirante do Xaréu, uma colina que oferece uma visão panorâmica tanto da Praia da Concha quanto do Centro Histórico. O Rio de Contas, que banha a cidade, nasce na Chapada Diamantina e percorre mais de 600Km até desembocar no oceano. O encontro do rio com o mar, em Itacaré, é um dos seus trechos mais cênicos. E 20Km rio acima, suas corredeiras formam um dos melhores pontos para a prática de rafting no Brasil. É ou não é um dos lugares mais privilegiados do mundo?

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[Foto: Ativa Rafting]
[Foto: Ativa Rafting. Não chegamos a fazer essa atividade, mas vontade não faltou]
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Mas como nem tudo são flores, Itacaré já não é mais a mesma da época em que despontou como destino turístico. Ainda que continue sendo frequentada por artistas de Hollywood e celebridades nacionais e internacionais, a cidade cresceu bastante e já não é tão tranquila quanto era há alguns anos. Particularmente, eu sou apaixonado pelo lugar, e considero a melhor cidade – tanto em localização, quanto em beleza e infraestrutura – para utilizar como base para realizar os passeios na região do Litoral Sul da Bahia.

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Eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim

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Ah…Ilhéus. A última parada da viagem foi um tour de pouco mais de três horas para conhecer as principais atrações do Centro Histórico. Nosso voo estava marcado para às 14:25h, então nos programamos para sair de Itacaré às 08h e ter tempo suficiente para passear na cidade antes de seguir para o Aeroporto.

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Terra do escritor Jorge Amado, dos Coronéis do Cacau, de Gabriela Cravo e Canela, e Capital Brasileira do Chocolate de Origem. Ilhéus já foi a cidade mais rica da Bahia, quando os poderosos fazendeiros de cacau dominavam a região, e traços desse passado luxuoso ainda podem ser vistos nas construções ainda hoje.

Quem não conhece o Bar Vesúvio, o cabaré Bataclan e seus respectivos personagens, Nacib e Maria Machadão?

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[Obs.: foto de julho/16; hoje o Bataclan está azul!]
[Obs.: foto de julho/16; hoje o Bataclan está azul!]
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Após sofrer um duro golpe com a praga da vassoura-de-bruxa, as plantações de cacau foram devastadas, a colheita do fruto despencou e a economia da cidade nunca mais foi a mesma. Atualmente, Ilhéus tenta se recuperar investindo em tecnologias para combater o fungo – através da clonagem de espécies de cacau – e na produção de chocolates orgânicos. Todos os anos, inclusive, a cidade sedia o maior festival de chocolate do País, com palestras, feiras, oficinas e apresentações musicais.

A rede hoteleira de Ilhéus é a mais completa do Litoral Sul, espalhada ao longo do vasto litoral do município – são quase 100Km de praias e inúmeros hotéis, pousadas e até mesmo resorts all inclusive. E a melhor parte é que turistas hospedados na cidade podem fazer passeios de um dia a Itacaré, Península de Maraú e Morro de São Paulo.

Fizemos o check in, despachamos as bagagens já com aquele sentimento de tristeza pelo fim da viagem, e almoçamos num restaurante a quilo perto do Aeroporto – e de sobremesa, apresentei aos agentes portugueses uma iguaria tipicamente brasileira:

(   ) cocada

(   ) quindim de iaiá

(   ) brigadeiro

(X) milk shake de Ovomaltine

O voo de Ilhéus a Salvador dura menos de 40 minutos. Além disso, por oferecer voos diários para São Paulo, Campinas, Brasília e Belo Horizonte, se o turista desejar poderá retornar sem a necessidade de conexão na capital baiana. Como o voo para Lisboa sairia de Salvador, optamos por finalizar a viagem dois dias antes – para deixar uma margem de segurança em caso de qualquer imprevisto – e reservamos o trecho interno do aéreo.

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Aí você me pergunta: “Nossa, essa viagem foi perfeita! Vocês chegaram no sábado em Salvador às 15h e ainda tiveram tempo de passear na cidade, jantar num restaurante legal e curtir a noite do Rio Vermelho, certo?”

Só que não:

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O avião não conseguiu pousar devido ao mau tempo, e o nosso voo acabou sendo cancelado. Como um sinal de que tinha que ter alguma aventura para tornar a viagem ainda mais inesquecível, a cia aérea nos acomodou num ônibus e seguimos em trajeto rodoviário até Salvador (de 06h a 07h de percurso), com direito a “jantar” em posto de gasolina, boas risadas e um dos grupos de famtour mais animados que eu já tive o prazer de acompanhar.

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É impossível ser feliz sozinho

Não poderia encerrar a matéria sem agradecer a todos os parceiros que garantiram o sucesso da viagem.

Aos hotéis Gran Stella Maris, Catussaba Resort, Monte Pascoal e Vila Galé Ondina, em Salvador; às pousadas Marea, Bella Vida, Portaló, Villa das Pedras e Villa dos Grafittis, em Morro de São Paulo; às pousadas Pedra Torta, Vira Canoa, Terra Boa, Villa N’Kara e ao hotel Ecoporan, em Itacaré. Muito obrigado por todo o apoio e receptividade aos agentes durante os dias no Litoral Sul.

Aos restaurantes Odoyá, Capoeira, Clube do Mestre, Flor do Cacau e Alimentar, pelos momentos e refeições inesquecíveis que tivemos.

Por fim, à Abreu Viagens e à Grou, pela organização e incentivo do Turismo na Bahia com um famtour que já nasceu como sucesso garantido.

Muito obrigado a todos!