Ela voltou: rota Salvador-Miami será operada a partir de 2018

Um ano depois do cancelamento dos voos operados pela American Airlines, Salvador voltará a ter uma conexão direta com os Estados Unidos, com a retomada da rota com destino a Miami, a partir de maio de 2018. Esse foi o resultado do acordo assinado entre o Governador da Bahia, Rui Costa, e o diretor da LATAM, Bruno Alessio, nesta terça-feira (10).

O Estado irá garantir a redução do ICMS sobre o querosene de aviação – medida que o Governo de Pernambuco já adota há algum tempo e que ajudou Recife a aumentar consideravelmente a sua malha aérea – e em contrapartida, a LATAM irá operar duas novas rotas internacionais (além de Miami, um novo voo Salvador-Buenos Aires será operado a partir de janeiro, somando-se à rota já existente da Aerolíneas Argentinas e da GOL), além de assegurar a divulgação da Bahia nas revistas de bordo e aumentar as frequências domésticas para os aeroportos de Salvador, Porto Seguro e Ilhéus. O novo voo para a Buenos Aires inclusive já havia sido anunciado pelo PANROTAS aqui.

A notícia havia saído poucas horas antes e as redes sociais já estavam fervendo com os mais diversos comentários. Os detratores, como de praxe, já antecipam que os voos serão um fiasco, alegando que Salvador não teria público ou demanda que sustentasse mais uma rota internacional. O caso mais lembrado foi o do voo para Santiago do Chile, festejado pela Air Europa em 2014 e cancelado seis meses depois, além da rota para Frankfurt (Condor), cancelada em março desse ano. E isso para não falar da constante boataria nos bastidores do trade turístico, que ainda apontam que outros voos internacionais com destino a Salvador deverão sair de cena nos próximos meses.

Por outro lado, há que se reconhecer os avanços: em um ano, Salvador ganhou a rota sazonal para Montevidéu (GOL) e a mais recente ligação do Brasil com a Colômbia, com o voo desde Bogotá (Avianca). Hoje, a capital baiana tem ainda voos diretos para Lisboa (TAP), Madri (Air Europa) e a já citada Buenos Aires (Aerolíneas e GOL).

Recife, enquanto isso, ri à toa com quase 10 destinos internacionais e caminha para acrescentar mais um título à famosa cartilha da megalomania pernambucana. Muito justo, por sinal.

O problema do Pelourinho: não é por falta de programação

Na última quinta (05), a Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador divulgou a sua mais nova tentativa para movimentar o Centro Histórico. Trata-se de um novo modelo para o Pelourinho Dia e Noite, projeto famoso da década de 90, reeditado no primeiro mandato da atual gestão municipal e relançado agora com um outro formato e algumas novidades.

A proposta é ocupar a região “de domingo a domingo”, como ficou claro no marketing de lançamento, e atrair principalmente o público soteropolitano, que pouco associa o Pelourinho a uma opção de lazer em Salvador. O calendário inclui apresentações de orquestras, musical de rua, desfiles de grupos de percussão, shows de samba, eventos gastronômicos e exibição de filmes, entre outras atividades.

Uma das maiores reclamações das operadoras e agências de turismo é que à exceção do Verão, a agenda de eventos de Salvador não é muito bem definida. Tirando os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, no resto do ano ninguém tem muita certeza do que vai encontrar em Salvador – e eventos esporádicos acabam sendo divulgados com pouca antecedência para chegar ao ponto de criar demanda de turistas pra cá. Só por isso, a iniciativa de criar um calendário desde outubro já é mais do que bem-vinda.

E o que o Pelourinho Dia e Noite vai trazer para o público? Confira abaixo:

Todas as sextas-feiras, às 19h, o musical ‘Circuito Jorge Amado’ vai sair pelas ruas do Pelô, começando no Largo do Pelourinho, com o velório de Quincas Berro d’Água, e encerrando na frente da Cantina da Lua, no Terreiro de Jesus. Quer mais? A trilha sonora é do cantor Gerônimo.

Salvador não vive só de OSBA e NEOJIBA, e as pessoas precisam saber disso! Agora dá para acompanhar de perto os ensaios de outras orquestras de Salvador, que vão ocupar pelo menos quatro igrejas do Centro Histórico (até a do Boqueirão entrou na roda, que eu nunca consegui visitar porque vive fechada): às segundas-feiras, às 17h, ensaio da Orquestra Afrosinfônica na Igreja do Boqueirão; às terças, às 17h, ensaio da Sanbone Pagode Orquestra na Igreja da Misericórdia; às quartas, às 18h, missa orquestrada com a Orquestra São Salvador na Igreja São Domingos; aos sábados, às 10h, ensaio da Orquestra de Câmara de Salvador na Igreja do Carmo. Tudo com entrada gratuita.

Todas às terças, além da missa mais linda do mundo – na Igreja do Rosário dos Pretos, às 18h – tem também Viradão do Samba, das 19:30h às 21h, em locais diversos (Praça da Sé, Terreiro de Jesus e Largo do Pelourinho). Entre os destaques, tem o show do Grupo Botequim, que há anos promove o famoso Samba do Santo Antônio, sempre às sextas. Recapitulando: missa no Rosário às 18h; samba no Pelô às 19:30h. Copiou?

Além disso, pelo menos duas vezes por mês vai rolar o Domingo Gastronômico – espécie de festival que vai misturar culinária e arte com a presença de atores, músicos e performers. Mais de 15 restaurantes do Pelourinho estão participando (e alguns cardápios foram criados só para o evento). Para completar, tem a República dos Tambores, com Banda Didá, Kizumba, Tambores e Cores e Meninos da Rocinha do Pelô, circulando pelas ruas do Pelourinho de quarta a domingo, em horários pré-definidos. E a novidade é que o Carmo e o Santo Antônio, apesar de não serem Pelourinho propriamente dito, também foram encaixados no roteiro do projeto, com performances artísticas na rua principal e cinema ao ar livre no Largo de Santo Antônio (apenas em datas específicas).

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Tudo isso seria lindo como 2 e 2 são 4, se não fossem os vários problemas inerentes ao Centro Histórico. Antes que você ache o projeto revolucionário, é importante lembrar que a Prefeitura não está inventando a pólvora com o Pelourinho Dia e Noite, e tampouco o Governo do Estado, que há anos oferece programação de shows nos largos Pedro Arcanjo, Tereza Batista e Quincas Berro d’Água, através dos projetos da SECULT.

O caso do Pelourinho não é por falta de programação. Sim, quanto mais atrativos, melhor, mas é preciso ir além: não basta ser cultural; é preciso que o Centro Histórico seja FUNCIONAL todos os dias. A Cultura tem um papel importantíssimo, mas não pode ser utilizada como tapa-buraco, para solucionar questões primordiais. Nos anos 90, acharam que uma camada de tinta e algumas reformas seriam suficientes para revitalizar o Pelô – e até foi, mas por tempo limitado. Já nos anos 2000, insistem em encher o Pelourinho de opções culturais – quase sempre gratuitas – e acham que isso naturalmente vai atrair de volta a população de Salvador.

Primeiro: quando será resolvido o problema do acesso? Chegar ao Centro Histórico de transporte público continua sendo um parto – e à noite, um verdadeiro filme de terror (na volta, eu tenho ido de Uber até o metrô Campo da Pólvora, que sai uns R$7,00). De carro próprio, ou o motorista paga caro aos flanelinhas, ou paga mais caro ainda nos estacionamentos (prédios enormes e com inúmeras vagas). Sejamos francos: não dá pra achar que a galera motorizada vai preferir ir ao Pelourinho pagar R$18,00 por 2h, enquanto 4h no Salvador Shopping saem por R$6,00. Simplesmente não vai acontecer.

Segundo: quando será resolvida a efetiva inclusão da população marginalizada que vive no entorno do Pelourinho? São dezenas de becos e vielas que ficaram de fora da revitalização na década de 90 e que não conseguem ser absorvidos por projetos sociais (porque projeto social não faz milagre). É preciso que o Estado se faça presente e que a iniciativa privada volte a acreditar que o Centro Histórico tem futuro, para que só então se crie um projeto real de acompanhamento, educação e qualificação desses moradores.

Terceiro: quando o Pelourinho vai deixar de ser tratado como cartão postal e de fato integrar-se ao cotidiano de Salvador? Após a superação das duas questões anteriores, ou talvez simultaneamente a elas, é necessário criar ferramentas para que a população frequente o Centro Histórico no dia a dia: atrair empresas e ocupar casarões com órgãos públicos podem ser os primeiros passos para fomentar o comércio – e de quebra, frear a escalada de estabelecimentos que têm fechado as portas no Pelourinho nos últimos anos.

A formação de um novo público para o Pelourinho passa também pela quebra de inúmeros preconceitos que já estão enraizados na mente do soteropolitano médio – o principal deles, de que a região seria perigosa. Concordo que não seja um mar de rosas, mas discordo que seja a zona de guerra que costumam pintar. Como é comum em qualquer Centro de grande cidade brasileira, o lugar sofre em especial com furtos rápidos (turistas são as maiores vítimas), mas eu me sinto muito mais inseguro num bairro de classe média, como a Pituba. E não custa lembrar: o Pelô tem quase uma dupla de policiais a cada 100 metros.

O Centro Histórico de Salvador é indiscutivelmente rico. No dia em que todas essas questões forem levadas a sério, o Poder Público nem vai precisar intervir para lançar projetos de incentivo como o Dia e Noite. A ocupação do Pelourinho ocorrerá naturalmente.

12 imóveis tombados pelo IPHAN que poucos turistas conhecem em Salvador

Já que é pra tombar, o IPHAN tombou. Mas pouca gente soube.

Num lugar com tanta História e riqueza arquitetônica como Salvador, não faltam construções tombadas espalhadas em diversos pontos da cidade. Muitas estão no circuito turístico e são naturalmente vistas ou visitadas por quem circula. Outras até estão no caminho dos turistas, mas nem mesmo soteropolitanos notam que são imóveis de valor histórico. E há aqueles que estão fora dos roteiros, seja por ficarem longe dos cartões postais, ou por ficarem esquecidos naquelas ruas do Centro Antigo que não foram totalmente integradas no projeto de revitalização.

E como na semana passada (17 de agosto) teve o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, nada mais justo do que destacar pelo menos doze dessas edificações, todas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), que acabam passando despercebidas por quem visita a cidade.

1) CASA DOS SETE CANDEEIROS

Localização: Rua São Francisco, Centro (na pracinha formada na esquina das ruas do Tesouro e do Tira Chapéu).

Descrição: A Casa dos Sete Candeeiros foi tombada pelo Iphan em 1938 e seu nome se deve aos sete lampiões de azeite que nela se penduravam durante a estadia da corte de D. João VI, como forma de iluminar melhor o ambiente. A casa nobre tem forte caráter defensivo, com robustez nas paredes e raras aberturas no pavimento térreo.

2) IGREJA SÃO MIGUEL

[Foto: Pousada Suítes do Pelô]
Localização: Ladeira de São Miguel (Rua Frei Vicente), Pelourinho

Descrição: A construção desta igreja em estilo colonial, que remonta ao início do século XVIII (1725 a 1732), se deve a Francisco Gomes do Rego, que a levantou sob a invocação do Senhor Bom Jesus de Bouças e São Miguel. Em destaque na fachada, um painel de azulejos, com emblema da Ordem 3ª de São Francisco, vindo de Lisboa por volta de 1790.

3) ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA BAHIA

Localização: Praça Conde dos Arcos, Comércio

Descrição: Construída sob os alicerces do Forte de São Fernando, o Palácio foi edificado por D. Marcos de Noronha e Brito, em estilo neoclássico, e inaugurado em 1817, com duas portadas em mármore, com inscrições em memória a D. João VI. A fachada principal está voltada para a Praça Riachuelo, construída pela própria Associação, em 1866. O Palácio abriga uma biblioteca, uma pinacoteca e mobiliário do século 19. É a mais antiga associação patronal do Brasil.

4) SOLAR BERQUÓ

[Foto: Google Street View]
Localização: Rua Visconde de Itaparica, n. 8, Centro

Descrição: O Solar situa-se no sopé de uma das ladeiras que conduz à Baixa do Sapateiros, a antiga Rua da Vala. O início de sua construção data de 1691, conforme indica a gravação acima da portada, e deve seu nome ao Ouvidor do Crime, Francisco Antônio Berquó da Silveira, que nela habitou em meados do século XVIII.

5) SOLAR DO BARÃO DO RIO REAL

Localização: Praça Conselheiro Almeida Couto, Nazaré

Descrição: O prédio foi uma das primeiras edificações do bairro de Nazaré, e pertenceu ao Barão do Rio Real. Construída em paredes de alvenaria de tijolo, o solar desenvolve-se em dois pavimentos, mais mirante e pequeno porão. Sua planta é típica de residências urbanas mais ricas do séc. XVIII. O Barão do Rio Real, do engenho Camuciatá, ficava no casarão sempre que vinha para a Capital (Salvador). Posteriormente, o imóvel se tornou pousada dos padres da Congregação das Missões e depois pertenceu ao Colégio Nossa Senhora de Lourdes. Hoje, encontra-se abandonado.

6) PAÇO DO SALDANHA

[Foto: Google Street View]
Localização: Rua do Saldanha, Centro Histórico

Descrição: Um dos mais notáveis palácios construídos no Brasil colonial, com destaque para sua imponente portada em pedra lavrada, única na arquitetura baiana. Para construir o Solar, o coronel António da Silva Pimentel usou o terreno de casas que havia comprado em 1699 à Ordem Terceira do Carmo. Com sua morte (1706), o solar passa aos herdeiros, até chegar às mãos de D. Manoel Saldanha da Gama, filho do vice‐rei da Índia e viúvo de D. Joana Guedes de Brito, filha do coronel. Depois de um longo período de abandono, foi restaurado e hoje abriga o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

7) SOLAR DO CONDE DOS ARCOS

[Foto: Dimitri Cerqueira]
Localização: Avenida Leovigildo Filgueiras, Garcia

Descrição: A data da portada – 1781 – indica o término da construção. O nome do solar está ligado ao VIII Conde dos Arcos e Governador da Capitania da Bahia, D. Marcos de Noronha, que viveu na casa por sete anos. O Palácio é classificado como solar por ter a planta quase quadrada, desenvolvida em dois pavimentos e coberto por telhado de quatro águas. Na área externa tem uma escadaria que liga o pavimento nobre ao jardim. Já na década de 30 do Século XX, o casarão foi vendido para Peter e Irene Baker, um casal de missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, que fundaram o Colégio Dois de Julho.

8) SEMINÁRIO DE SÃO DÂMASO

Localização: Rua do Bispo, Centro Histórico

Descrição: Edifício do século XVII e tombado individualmente pelo Ministério da Cultura (MinC) como Patrimônio do Brasil. O solar tem três pavimentos e é propriedade da Igreja Católica através da Arquidiocese de Salvador. Não há registro exato da data da construção, mas o que se sabe é que em 1814 foi doado pelo testamento do Cônego José Teles de Menezes, para que fosse estabelecido o Seminário projetado por D. Frei Francisco de São Dâmaso Abreu Vieira, 14º Arcebispo Primaz do Brasil.

9) FORTE DO BARBALHO

[Foto: Manu Dias]
Localização: Rua Marechal Gabriel Botafogo, Barbalho

Descrição: A construção foi idealizada pelo Capitão Luís Barbalho, no contexto das Invasões Holandesas no Brasil. O forte foi reconstruído com melhor traçado, com alvenaria de pedra e cal, no Governo Geral de Alexandre de Sousa Freire (1667-1671), sendo concluído em 1712, como informa uma placa sobre o portão de acesso. No século seguinte, durante a Guerra de Independência, a fortificação foi a primeira a ostentar a bandeira do Brasil, após a expulsão das tropas portuguesas da Bahia. Anos mais tarde, o forte foi usado como Cadeia Pública de Salvador, e no período da Ditadura Militar, foi o principal palco de tortura no Estado.

10) ABRIGO DOM PEDRO II

[Foto: HF Fotografia]
Localização: Avenida Luiz Tarquínio, Boa Viagem

Descrição: A época de sua construção não é conhecida. Acredita-se que seja da primeira metade do século XIX e que foi a residência de um embaixador português. Em 1877, foi adquirido pelo Governo da Bahia para a instalação do Asilo de Mendicidade Santa Izabel, em homenagem à princesa imperial, passando definitivamente para a administração municipal em 1913. Em 1943, passou a ser chamado Abrigo Dom Pedro II.

11) SOLAR AMADO BAHIA

[Foto: Fred Matos]
Localização: Rua Porto dos Tainheiros, Ribeira

Descrição: O casarão que se destaca na paisagem da orla da Ribeira foi inaugurado em 1904 pela Família Amado Bahia, que usou a residência até 1924. A casa é envolvida em ferro fundido, importado da Inglaterra, e vidros franceses nas portas e janelas, em estilo art noveau. Em 1949, o Solar foi doado à Associação de Empregados do Comércio da Bahia, e recentemente ganhou notoriedade na mídia ao ser colocado em leilão.

12) LAR FRANCISCANO SANTA IZABEL

Localização: Rua Jogo do Lourenço, Saúde

Descrição: O Lar foi fundado em 1848, por membros da Ordem Terceira de São Francisco. O objetivo era dar abrigo aos membros idosos da Ordem (como faz ainda hoje), tendo sido inaugurado em 1860. Hoje, com a denominação de Lar Franciscano, cabe às irmãs franciscanas hospitaleiras, desde 1932, zelar pela instituição e cuidar dos idosos.

FOTO EM DESTAQUE: Igreja do Carmo e Igreja da Ordem Terceira do Carmo, por Ronaldo Silva [ASCOM Pelourinho]

FONTE:

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/05/26/palacio-tombado-que-foi-casa-de-vice-rei-vai-a-leilao-em-salvador.htm

http://portal.iphan.gov.br/

http://www.bahiaja.com.br/turismo/noticia/2013/05/16/casa-dos-7-candeeiros-na-vida-de-dom-joao-vi-e-no-roteiro-turistico,60122,0.html

http://www.infopatrimonio.org/?p=19285

http://www.salvador-turismo.com/riachuelo/associacao-comercial.htm

http://gshow.globo.com/Rede-Bahia/Aprovado/noticia/2017/03/conheca-historia-de-tres-solares-importantes-de-salvador.html

http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=1166

http://bahiatextos.blogspot.com.br/2010/12/solar-barao-do-rio-branco-historico.html

http://www2.cultura.ba.gov.br/2011/04/18/solar-sao-damaso-passa-por-manutencao/

http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/forte-do-barbalho-foi-o-principal-centro-de-tortura-na-bahia-1576076

http://www.salvador-turismo.com/barbalho/forte.htm

http://www.cidade-salvador.com/patrimonios/abrigo-dom-pedro/abrigo.htm

http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/conheca-casas-de-salvador-que-chamam-atencao-por-sua-arquitetura-marcante/

http://www.igrejas-bahia.com/salvador/lar-franciscano.htm

Bahia perde o fundador e diretor do Instituto Imbassaí

“Todo grande sonho começa na mente de um sonhador. Lembre-se de que você tem, dentro de você, a garra e a paciência para atingir as estrelas e mudar o mundo” (Harriet Tubman)

O Turismo baiano está de luto pelo falecimento do querido Francisco Oliveira, fundador e diretor do Instituto Imbassaí, ONG que transformou as vidas de milhares de moradores dos povoados do Litoral Norte da Bahia, promovendo capacitação profissional e inclusão no mercado de trabalho através da intermediação junto aos empreendimentos hoteleiros  e turísticos da região, tais como o Grand Palladium Imbassaí, o Iberostar Resort, o Vila Galé Marés, o Tivoli Eco Resort e a Grou Turismo.

A ONG foi fundada em 2005 e reconhecida como Entidade de Utilidade Pública pela Prefeitura de Mata de São João, município ao qual pertencem as localidades de Praia do Forte e Imbassaí. ‘Seu Francisco’, como era conhecido pelos amigos, dedicou a vida a projetos sociais, com passagens pela ONU e por países da África. No Litoral Norte, além de ter papel fundamental na redução do índice de analfabetismo local, trouxe iniciativas como o ‘Pontes para o Futuro’, em parceria com a PLAN international e a União Europeia, e o projeto ‘Horta nas Escolas’, que em 2016 realizou uma grande feira agregando doze instituições de ensino públicas dos arredores.

O velório será nesta segunda (14/08), a partir das 17h, na sede do Instituto Imbassaí.

Tetos de Salvador: 15 igrejas para visitar (e olhar para o alto)

Esse provavelmente foi um dos posts mais trabalhosos que eu já escrevi. Desde que inventei que iria tentar catalogar alguns tetos das igrejas históricas de Salvador, sem saber por qual começar numa cidade conhecida pela infinidade delas, achei na minha ingenuidade que conseguiria finalizar a matéria em menos de um mês. Isso foi em abril do ano passado, e entre um trabalho e outro, me ocupou até meados de novembro.

Deveria tirar as fotos dos tetos mais importantes? Dos mais bonitos? Dos mais diferentes? Confesso que não sei. A verdade é que ao longo desses 6 meses, sempre que passava por acaso na frente de qualquer igreja que fosse, tirava o celular do bolso e registrava uma foto (daí a qualidade não estar aquela coisa maravilhosa). Algumas eram realmente sem graça, mas outras foram uma grata surpresa – não pelo teto em si, mas porque me “obriguei” a visitar locais que nem cogitava.

Óbvio que esse post não contemplou nem 10% de todas as igrejas existentes em Salvador, e minha ideia não era escrever nenhum livro com informações técnicas e específicas do ano de construção ou quem foi o autor. Como pelo menos duas estavam fechadas para reforma, pedi licença ao Google para postar foto de terceiros, com os devidos créditos das imagens.

Notadamente alguns dos mais famosos foram pintados por José Joaquim da Rocha, artista baiano do Século XVIII, cujas obras podem ser encontradas nos museus de Salvador, além de admiradas nos forros das naves de igrejas do período colonial, não apenas na Capital, como também em cidades históricas do Recôncavo.

No City Tour tradicional, o passageiro visita pelo menos duas – a Igreja de São Francisco, no Pelourinho, e a Igreja do Bonfim, na Cidade Baixa. Mas na cidade de 365 delas, esta matéria pode ajudar a destacar quais valem uma visita por conta própria (e merecem um torcicolo de tanto admirar aquela beleza que só Deus sabe como o povo conseguia projetar há tantos séculos). O melhor de tudo: quase todas listadas aqui têm entrada gratuita.

Antes de começar, aperte o play no vídeo e deixe Caymmi te conduzir na leitura.

1) Igreja São Domingos Gusmão (1781). End.: Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Pelourinho.

Foto: Aníbal Gondim.

2) Catedral Basílica (1672). End.: Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Pelourinho

Foto: Rui Lima

3) Igreja da Conceição da Praia (1774). End.: Rua da Conceição da Praia, s/n, Comércio

4) Igreja do Bonfim (1754). End.: Largo do Bonfim, s/n, Bonfim

5) Igreja de São Francisco (1733). End.: Largo do Cruzeiro de São Francisco, s/n, Pelourinho

6) Igreja da Lapa (1744). End.: Avenida Joana Angélica, 41, Centro

7) Igreja do Rosário dos Pretos (1780). End.: Largo do Pelourinho, s/n, Pelourinho
8) Igreja do Carmo (Século XVII). End.: Largo do Carmo, s/n, Carmo

9) Igreja São Pedro dos Clérigos (Século XVIII). End.: Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Pelourinho

10) Igreja da Vitória (Século XVII). End.: Largo da Vitória, s/n, Corredor da Vitória

11) Igreja da Ordem Terceira do Carmo (1817). End.: Largo do Carmo, s/n, Carmo

12) Igreja de Santo Antônio da Barra (Século XVII). End.: Largo de Santo Antônio da Barra, s/n, Barra

13) Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (1831). End.: Rua da Ordem Terceira, s/n, Pelourinho

14) Igreja da Misericórdia (1722). End.: Praça da Sé, 6, Centro Histórico

15) Mosteiro de São Bento (Século XVIII). End.: Largo de São Bento, s/n, Centro 

[Foto do topo: Igreja dos Mares, o único templo gótico de Salvador, localizada na Cidade Baixa. Vale uma parada estratégica no caminho para a Igreja do Bonfim]

Itacaré: um destino completo – e em constante aprendizado

Que o Brasil tem belas e maravilhosas praias, ninguém duvida. Mas algumas delas possuem, indiscutivelmente, algo de muito especial que termina por colocá-las numa espécie de Olimpo praieiro muito particular. Itacaré, a nova queridinha do litoral baiano, é a mais recente a entrar nesse rol das praias mais badaladas do País. E, acreditem, muita gente não está muito feliz com essa fama, especialmente as dezenas de famosos e VIPs que procuram uma das 16 prainhas locais para relaxar e fugir dos fãs. O tenista Gustavo Kuerten, a apresentadora Babi e seu indefectível Marcos Mion, além de medalhões como José Roberto Marinho (que está construindo uma luxuosa mansão no local) são alguns desses nomes que dariam tudo para manter Itacaré no limbo. Mas agora é tarde.

O trecho acima foi retirado de uma matéria de 2002, no Jornal do Commercio (Pernambuco). Naquela época, nos primeiros anos depois que o destino caiu nas graças do mundo, o difícil era abrir uma página da Revista CARAS e não encontrar alguma celebridade se dizendo apaixonada por Itacaré. Já teve Nicolas Sarkozy e Carla Bruni, Keanu Reeves e Orlando Bloom, e isso para não falar dos famosos nacionais que desembarcavam por lá aos montes. Teve até lista no The New York Times, em 2007, ocasião em que Itacaré apareceu como um dos ’50 Lugares do Mundo para Visitar’.

Volte ao parágrafo que abre esse texto. Leia novamente. Destaque o trecho “…muita gente não está muito feliz com essa fama” e “…dariam tudo para manter Itacaré no limbo. Mas agora é tarde”.

Quinze anos depois, o destino não é mais o mesmo. Das páginas das revistas de celebridades e dos sonhos de inúmeros viajantes, Itacaré foi perdendo visibilidade e se transformou numa vaga lembrança para muita gente. Um nome familiar que raramente surge na conversa entre o cliente e o agente de viagens. As praias continuam belíssimas e semi-desertas, as trilhas continuam espetaculares e há pousadas e hotéis com tarifas para todos os bolsos. Mas no processo de amadurecimento do destino, algo se perdeu.

Digo sempre que em lugar de buscar culpados, devemos aprender com os erros e omissões. Problemas ambientais, relatos de insegurança e um crescimento pouco sustentável foram algumas das razões que contribuíram para a perda de competitividade, mas a boa notícia é que o destino ainda encanta aos visitantes e surpreende positivamente – talvez pela pouca expectativa com que chegam ao local. Felizmente, já se nota mudanças no horizonte: lançada durante a edição desse ano da WTM Latin America, em São Paulo, a campanha ‘Itacaré – Um Destino Completo’ apresentou ao trade um novo conceito, com identidade visual repaginada e um calendário de eventos que, se não chega a ser preponderante para a decisão do cliente final, tem grande importância para o posicionamento do destino no mercado. Além do IV Festival Gastronômico Sabores de Itacaré, antecipado de dezembro para julho, a Semana Santa vai virar praticamente um São João fora de época, com o I Festival de Forró.

De criança prodígio no Turismo Baiano, e passando por uma adolescência turbulenta, Itacaré chega à vida adulta com muito trabalho a ser feito para recuperar o tempo perdido.

Mena Mota (Grou Turismo), Júlio Oliveira (Secretário de Turismo de Itacaré) e Rodrigo Galvão (CVC) durante a WTM

Sheraton da Bahia investe em pacotes com ingressos para a Concha Acústica

Desde a reinauguração da Concha Acústica, um dos mais famosos espaços culturais de Salvador, o Hotel Sheraton da Bahia vem lançando pacotes especiais para clientes que desejem combinar uma boa hospedagem com uma das opções da variada programação do local.

Somente no 2º Semestre de 2016, a Concha Acústica recebeu apresentações de nomes de peso como Maria Bethania, Djavan, Lulu Santos, Criolo, Paralamas do Sucesso, Zeca Pagodinho, Nando Reis, Beth Carvalho, Zé Ramalho, A Cor do Som, Emicida e Teatro Mágico. Em 2017, já abriu os trabalhos com Caetano Veloso, Novos Baianos, Carlinhos Brown, Vanessa da Mata, Liniker e os Caramelows, Gilberto Gil e os Filhos de Gandhy. De longe, a mais soteropolitana das casas de espetáculos.

E não apenas isso: fazendo parte de uma estrutura muito mais grandiosa – o Complexo Cultural do Teatro Castro Alves – a Concha é apenas uma peça de uma imensa engrenagem que movimenta a cena cultural de Salvador, envolvendo ainda uma orquestra sinfônica (a OSBA), uma cia de dança (o BTCA) e diversos espaços com agenda ininterrupta de eventos – a Sala do Coro, a Sala Principal, as Salas de Ensaio, o Foyer, o Vão Livre e a própria Concha.

O Sheraton juntou 2 + 2, fez a lição de casa, e aproveitando a excelente localização, no Campo Grande – o hotel e a Concha estão separados apenas por uma praça –, vem lançando uma série de promoções que incluem um par de convites para o show e comodidades como late check out (mediante disponibilidade) e cortesia de estacionamento.

Para o mês de abril, o hotel já divulgou os pacotes para os shows de Roupa Nova (08/04) e do Grande Encontro, com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença (22/04), no valor de R$290 a diária (mais impostos). Se comprados separadamente, apenas os ingressos não sairiam por menos de R$200, e isso sem mencionar os gastos com transporte, flanelinha e derivados.

Foi um prato cheio para o público soteropolitano, com a oportunidade de se hospedar num dos hotéis mais desejados da cidade e curtir o show sem a preocupação com estacionamento e a volta para casa.

RESERVAS

Telefone: (71) 3021-6700

E-mail: reservas@sheratondabahia.com

*As promoções não estão disponíveis em canais on line; reservas somente com a central de reservas do hotel

Viva!Gastropub: a renovação da vida noturna na Costa do Sauípe

Completando em breve 17 anos de operação, o maior resort do Brasil tem o desafio de estar constantemente trazendo novidades para o seu público. A Costa do Sauípe já tem uma estrutura impressionante – são mais de 1500 apartamentos, 3000 funcionários na Alta Temporada e cerca de 800.000 hóspedes por ano – mas ainda está em processo de consolidação de sua identidade. A proposta é se afastar cada vez mais do padrão pasteurizado de um resort e construir o conceito de um destino, com todas as suas nuances e particularidades.

A Vila Nova da Praia, nesse sentido, cumpre um papel importante dentro do Complexo. É o coração do lugar, com funcionamento nos 365 dias do ano e o local onde todos os hóspedes podem se reunir à noite. Assemelhando-se a uma pequena cidade do interior da Bahia, com direito até a igrejinha e coreto, faltava ainda uma real experiência de vida noturna. Esqueça a música ao vivo na praça, os dançarinos folclóricos e animadores: estamos falando de balada de verdade.

O Viva!Gastropub chega para se somar às demais opções presentes na Vila Nova da Praia, porém com o diferencial de trazer o formato de uma casa noturna aliada com gastronomia de alta qualidade, que mistura elementos da culinária nordestina e internacional. A convite da Costa do Sauípe, um time de jornalistas e influenciadores visitou o espaço nesta quinta (09) para conferir de perto como anda a noite sauipense (e essa palavra existe?), e eu vim no bolo, porque sou ozado e não nego um convite desses.

Como a gente costuma dizer na Bahia, vou “largar o doce”: nunca havia me hospedado em nenhum resort all inclusive. Cheguei no Sauípe Premium – sim, para um marinheiro de primeira viagem, já comecei por cima da carne seca – a tempo de pegar o fim de tarde na varanda (infelizmente o dia estava nublado) e me jogar na cama king máster blaster duplo twist size como se nunca tivesse visto um colchão na vida.

O Viva!Gastropub é fruto de uma parceria com a Ambev, fornecedora oficial das bebidas do complexo. O espaço compreende dois ambientes, dedicados às cervejas Stella Artois e Buddweiser: o primeiro destaca a parte gastronômica da casa, diversos drinks e petiscos que lembram os tapas típicos da Espanha, combinados com ingredientes notadamente brasileiros; o segundo é a balada propriamente dita, com programação de bandas e/ou DJ’s todos os dias.

O isolamento acústico não interfere no som do coreto na Vila e garante o sossego dos hóspedes do Sauípe Pousadas. Não há cobrança de ingresso – o cliente paga apenas o que consumir – e a festa pode rolar até às 03h da manhã.

Mais informações: www.costadosauipe.com.br

O Carnaval da Pipoca e o fortalecimento do Turismo

Passada uma semana do término do Carnaval, o Ministério do Turismo divulgou ontem os números oficiais da festa e a repercussão do evento para a economia. Muito se falou nesse ano a respeito da explosão dos blocos de rua nos carnavais das grandes cidades do País. Foi a consolidação de um modelo que tem feito sucesso nos últimos anos e apresentou números impressionantes – até São Paulo, tradicional exportadora de gente no Carnaval, viu seu número de turistas triplicar durante a folia e pulverizou o foco dos destinos mais consagrados para as mais variadas opções. Junte também a esse maior apelo dos bloquinhos uma pitada generosa de crise econômica, acrescente tarifas aéreas nada atrativas e tempere com um gênero musical – a Axé Music – que há muito tempo não emplaca nenhum hit, e pronto: está aí a receita para entender o novo cenário do Carnaval de Salvador.

[Foto: Manu Dias]
Longe de mim tentar resumir em um texto de poucos parágrafos todos os motivos que concorreram para tirar o Carnaval soteropolitano do posto de mais disputado do Brasil. Só para deixar claro, eu AMO a festa daqui – e na minha opinião ela tem melhorado a cada ano –, mas há um preço a pagar pela considerável evolução na minha experiência enquanto folião: o nosso Carnaval está menos comercial, menos vendável, menos interessante para os patrocinadores e bem menos divulgado na mídia, que tem dado destaque para as festas de outras capitais. Além disso, há ainda nossa própria parcela de responsabilidade: primeiro, que a Axé Music não produz nada que se compare ao sucesso de gêneros como a música Sertaneja. Segundo, que a famosa “pegação” de Salvador já não é exclusividade do Carnaval daqui (ainda mais em tempos de Tinder e derivados). E terceiro, que o excesso de publicidade negativa sofrido pela folia soteropolitana – a festa vinha sendo acusada, com razão, de ser excludente e violenta – vai custar a sair do imaginário coletivo. O modelo da festa desenhado nos anos 90 – aquele com uma infinidade de blocos cercados de cordas e abadás caríssimos que esgotavam em poucos dias – não tem mais lugar. O jogo virou, muitas cordas sumiram, a violência diminuiu e o Carnaval está mais democrático, mas pouca gente fora de Salvador está sabendo disso.

Segundo o balanço do Ministério do Turismo, houve um aumento de 9% do número de turistas em relação ao ano passado. Em toda a Bahia, contabilizando também os inúmeros destinos que funcionam como “refúgio” para o público que deseja fugir do agito, foram cerca de 2 milhões de pessoas viajando, injetando mais de R$ 1,5 bilhão na economia baiana.

Por aqui, pelo menos a gente tem a melhor garota-propaganda: até Ivete Sangalo, uma das maiores artistas do País, saiu pulando atrás dos trios (disfarçada de palhaça, ok) de Salvador, e sem abadá algum, provando que dá para se divertir numa boa gastando pouco.

Para mencionar algumas mudanças, lembra que antigamente você tinha que desembolsar uma quantia gorda para ficar perto das estrelas do Axé? Pois esse ano teve Ivete, Claudia Leitte, Saulo Fernandes, Carlinhos Brown, Banda Eva, Daniela Mercury, Cheiro de Amor, Luiz Caldas, Moraes Moreira, Psirico, Leo Santana, Alinne Rosa e mais um monte de gente arrastando trio elétrico sem qualquer sinal de cordas.

Quer mais? Além dos trios, esse ano foi montado um palco no Farol da Barra, fazendo do Largo do Farol uma atração por si só na programação do Carnaval. Em sete dias, o espaço recebeu shows de Thiaguinho, Saulo, Daniela Mercury, Preta Gil, Emicida, Leo Santana e DJ Alok, entre outros.

[Foto: Valter Pontes]
Aliás, eu falei SETE dias? Esqueça isso: além dos dias já tradicionais – que em Salvador vão da quinta à terça-feira –, tem ainda

– a Quarta-Feira de Cinzas, com os trios do chamado “Arrastão”;

– a quarta-feira da véspera, com a abertura na Praça Municipal, e as fanfarras e blocos de sopro do Farol ao Morro do Cristo;

– a terça-feira anterior, que agora é chamada de “Pipoco” (uma referência ao folião pipoca, que pula atrás dos trios sem abadá);

– e o sábado e o domingo que antecedem o Carnaval, que lotam a Barra com o Fuzuê e o Furdunço.

[Foto: Alfredo Filho]
Ainda há muitos pontos fracos que precisam ser trabalhados, como o esvaziamento do antigo circuito do Centro da cidade e a concentração demasiada de atrações no Barra-Ondina, mas isso é uma outra discussão. O fato é que para o folião – e essa é uma opinião geral –, o Carnaval está divertido como não se via há muitos anos, com pessoas dançando, pulando, se fantasiando e jogando glitter pro ar. Até a famigerada disputa para saber qual seria a “Música do Carnaval” não teve força esse ano: o protagonismo da festa foi mesmo da própria rua.

Já para os empresários, que surfaram na onda enquanto Salvador foi o destino referência em Carnaval, foi necessário se adaptar para sobreviver: a partir dos anos 2000, tirou-se o foco nos blocos e abadás, e entraram em cena os camarotes, com o conceito de festa dentro da festa, e nos quais a vista para a rua é o que menos importa. Os camarotes acabaram ganhando espaço – literalmente, porque alguns invadiram a rua e apertaram o folião pipoca contra as cordas dos blocos – e muitos turistas elegeram como a melhor alternativa para curtir o Carnaval com mais conforto e segurança. Não é minha praia e não chega a ser a experiência genuína de “pular atrás do trio”, mas dá para fazer um pouco de cada coisa e usar o camarote como base para descanso nos intervalos.

[Foto: Pedro Moraes]
Que o formato do Carnaval de Salvador precisava ser revisto, não havia dúvida. A festa ensaia agora um caminho sem volta, bem distante do que a consagrou comercialmente, e divide opiniões dos especialistas em relação ao futuro. As cordas irão sumir de vez? Será que o Carnaval só voltou a ser bom por que perdeu a relevância como produto? De que forma atrair empresários e patrocinadores para bancar os custos dos artistas mais consagrados? Os trios sem corda vão ser financiados com dinheiro público?

Regra geral, folião não faz Turismo propriamente dito – muito menos em Salvador, quando o lugar se transforma e quase todas as atrações e opções culturais entram em recesso por vários dias. Além disso, as prioridades e preferências são outras, e diante dos gastos exorbitantes já previstos com blocos e camarotes, a palavra de ordem é economizar em relação a todo o resto: dividir apartamento, rachar a gasolina, viajar de carro e comprar comida em supermercado, para mencionar só alguns itens. Sim, movimenta bastante a economia da cidade, mas fica aquela eterna expectativa que Salvador encante e desperte a curiosidade para que o visitante retorne em uma nova oportunidade, fora do período da festa.

[Foto: Manu Dias]
Com a disseminação dos trios sem corda – ou a “institucionalização da pipoca”, como alguns têm falado – é possível que essa situação melhore. Um Carnaval mais democrático e menos mercadológico, além de devolver o antigo brilho da festa, poderia baratear custos e tornar Salvador mais acessível como destino de viagem para os foliões. Com menos blocos fechados, sobra a liberdade do folião para combinar diversas atividades ao longo da semana, e inclusive dar a chance a circuitos pouco conhecidos pelos turistas, como o tradicional Carnaval do Pelourinho. Perdemos em mídia, mas ganhamos em conteúdo e autenticidade.

E para quem sempre sonhou em vir, mas sequer cogitava, o Carnaval de Salvador pode virar realidade.

*Foto em destaque: autoria de Manu Dias

Asas Mágicas: um borboletário em plena Costa do Descobrimento

Praias, falésias, hotéis, centro histórico, Pedro Álvares Cabral, parque aquático, Axé Music, Passarela do Álcool e…borboletas: quando a Secretaria de Turismo de Porto Seguro enviou o roteiro da press trip que nós faríamos na região, confesso que não me animei muito com um dos programas previstos. Depois de alguns dias entre a Praia do Espelho, resorts, aldeia indígenas, festas em Arraial e batendo perna no Quadrado de Trancoso, quem iria se empolgar com um borboletário?

Julguei sem conhecer. Mesmo a contragosto, seguimos o itinerário previsto, e desembarcamos no Borboletário Asas Mágicas no último dia da nossa viagem. Na minha cabeça, a única curiosidade era descobrir quem havia tido a ideia de abrir uma atração como aquela num destino já sobrecarregado de atrativos turísticos – e pior, numa localização longe do Centro e afastada da praia. Pois eu queimei a língua logo na chegada.

A estrutura e o mapa já na entrada podem impressionar o visitante com o que virá em seguida, mas foram a hospitalidade e a simpatia dos donos que me conquistaram de imediato. O casal Felix, da República Dominicana, e a bióloga francesa Raphaelle, buscaram por 5 anos pelo lugar perfeito para construir um borboletário, e encontraram em Porto Seguro o clima perfeito para o projeto.  O investimento foi de cerca de R$2 milhões, com autorização do INEMA e do IBAMA, e apoio da Secretaria Municipal de Turismo. São mais de 1000 m² de estufas e borboletas das mais diversas espécies e total interação com os visitantes. Apenas o maior borboletário da Bahia, para ser bem objetivo.

O tour é 100% guiado, com profissionais da própria comunidade, e dura cerca de 1h30 para percorrer todo o percurso (que conta com acessibilidade para cadeirantes, importante dizer). No laboratório – um dos pontos altos do passeio – é possível visualizar todo o ciclo da borboleta ao vivo, desde o nascimento e passando pelos famosos casulos. Cada espécie tem plantas hospedeiras específicas, por isso as estufas têm configurações bem distintas de ambiente, para garantir o desenvolvimento adequado.

Para quem desejar, tem ainda um lago com pedalinho e um café com um dos melhores waffles que eu já comi na vida – além de delícias típicas da França, terra natal da proprietária. Não teve ninguém no grupo que não tenha achado a visita uma das melhores atividades de toda a press trip. Fica aqui o registro do carinho por Felix e Raphaelle e nossa torcida para que o lugar seja cada vez mais divulgado e descoberto pelos inúmeros turistas da região.

INFORMAÇÕES ÚTEIS

Site: www.asasmagicas.com.br

Horário de Funcionamento: de quarta a domingo, das 09h às 16h.

Ingresso: R$40 (adulto) e R$20 (crianças de 5 a 10 anos). Crianças até 4 anos não pagam. Pode parecer caro, mas vale cada centavo.

Como Chegar (roubado do próprio site do Borboletário)

Ônibus:

Pegar o Ônibus da Brasileiro na Rodoviária Municipal com destino para Vera Cruz. Solicitar ao Motorista que pare no Km 57 da BR 367, que fica 5 km após o trevo com a BA 001. O trajeto dura em média 30 minutos, e o ônibus vai deixá-lo na entrada do parque.

Carro:

Pegar a Rodovia BR 367, sentido Eunápolis. Passar o trevo da entrada para Arraial D`ajuda – Trancoso e após 5 Km, parar na fazenda Asas Mágicas que fica no Km 57 mão direita. O trajeto dura em média 30 minutos.