Hall L, a nova sala VIP da Air France em Charles de Gaulle (Paris)

Mesas individuais, muitas tomadas e espaços abertos marcam o Business Lounge da Air France em CDG (Divulgação/Air France)

O blog vai sofrer uma realocação momentânea e isso pede um post sobre idas e vindas. A questão é que essa semana eu voltei para o Brasil, onde vou passar os últimos meses do ano, e, por conta disso, aproveitei para escrever sobre minha viagem de retorno a bordo da Air France. Para quem se acostumou a acompanhar a trajetória do Viajante 3.0 desde seu início, lá em março, não se preocupe que o blog continuará sendo alimentado com minhas experiências internacionais, sejam na Europa ou nos Estados Unidos, principalmente (mas não exclusivamente).

Neste texto vou falar de uma área dos aeroportos que é familiar para alguns e uma realidade desejada por muitos: as Salas VIP. Vocês já leram alguma coisa aqui sobre as conexões da Air France-KLM em seus principais hubs europeus, Paris e Amsterdã, respectivamente. Justamente por ter parado em Paris, no Aeroporto Charles de Gaulle, que nasceu esse texto. Estive lá por algumas horas, conheci o novíssimo lounge da Air France no Hall L (terminal 2E) e mostro aqui todos os detalhes.

Comida é trocada constantemente no buffet

Ao todo, a Air France possui sete lounges espalhados pelos diversos terminais do maior aeroporto da capital francesa. O Business Lounge do Hall L foi inaugurado em sua totalidade há menos de dois meses – as obras foram divididas em duas fases, a primeira aberta ao público em janeiro. Um produto novo, com o melhor em tecnologia e conforto que a companhia tinha à disposição, e desenhado para passageiros acostumados com viagens internacionais.

Bar Central

Para mim ficou claro desde o primeiro momento que o intuito da área é desligar o passageiro da jornada de ida/retorno. É criar ferramentas para transportá-lo para um espaço que ofereça toda a hospitalidade dos bons hotéis (ou de sua própria casa), sem interromper sua produtividade – que ela seja mantê-lo ligado a seus negócios, em contato com a família ou descansando para etapas futuras da viagem.

Isso se reflete no cuidado dos funcionários em enveredar sobre a tênue linha entre dar atenção e serviços necessários sem atrapalhar a vivência do passageiro na área. Por isso, o self-service tem tanto espaço, por exemplo. A excelente oferta gastronômica do lounge acontece em buffets, para que o hóspede fique livre para fazer seu prato quando quiser, na quantidade que quiser, quantas vezes quiser. O mesmo vale para as bebidas, disponíveis em geladeiras ou em baldes para as garrafas de vinhos e frisantes.

Se alguma dúvida surgir, além da equipe caminhando pelo salão e dos anfitriões na recepção, há uma espécie de mesa de concierges. Em geral, tudo é muito livre e intuitivo, sempre visando descomplicar a vida de quem passa por lá.

Cara de quem vai dormir gostoso

A minha experiência no lounge se baseou em duas coisas: comer e dormir. Com horas de sobra na conexão, não tive pressa alguma para experimentar as opções frias e quentes, tomar gim e vinho. Já levemente “relaxado”, me deitei em um dos divãs das mini-suites, que oferecem um espaço silencioso e de baixa iluminação, e me entreguei ao sono – não esqueçam de programar um alarme, perder o voo não é uma opção aqui.

Se eu quisesse, no entanto, havia muito mais para fazer. São 3,2 mil metros quadrados de área, espaço de sobra para um bar de coquetéis, “banca” com jornais e revistas globais, chuveiros, spa, espaço kids e mesas de reunião.

A capacidade máxima do lounge é de 540 pessoas. Tem entrada garantida os passageiros La Première, Business e membros Flying Blue da categoria Elite Plus. Mesmo assim, para quem voa Economy e Premium Economy, é possível acessar a área mediante a pagamento (€ 25 a € 45). Lembrando que a entrada paga é sujeita à disponibilidade, não ocorrendo nos horários de pico (em geral, nas noites com mais de três voos internacionais saindo do hall L).

Tela interativa informa passageiro sobre espaços no lounge

A Air France disponibilizou em seu canal de Youtube um tour 360º com todos os detalhes do lounge (veja abaixo). Não deixe de dar uma olhada nos últimos posts e acompanhe a jornada do Viajante 3.0 pela blogosfera da PANROTAS e também pela conta no Instagram.

Entendendo o “encerrado para férias”

Antes de sair de férias, floricultura faz promoção para desafogar o estoque

Parece inconcebível para os que passam por Portugal em agosto que, em pleno verão, comércios troquem turnos duplos e casas cheias de turistas endinheirados pela tranquilidade de suas próprias férias. Agosto é o mês que escancara a maneira própria dos portugueses em gerir seus negócios, algo um pouco difícil de entrar na cabeça daquele brasileiro, digamos, mais capitalista.

Por aqui, muitos e muitos bares e restaurantes são geridos por famílias. Mesmo aqueles pontos mais tradicionais, que se tornaram clássicos ou “visitas obrigatórias”, não raro têm no comando até hoje os fundadores originais ou parentes próximos. É uma mistura de orgulho, zelo e desconfiança que impede que eles deixem seus negócios nas mãos de terceiros.

Ao mesmo tempo, como qualquer bom profissional que ralou durante o ano todo – e já enfrentou (e faturou) os movimentados meses de maio, junho e julho -, há de se reservar algumas janelas do calendário para o próprio descanso, que em geral acontece ao longo do mês de agosto.

Aí que surge o conflito. Há quem, racionalmente, com números e fórmulas, irá argumentar que é preciso se manter aberto o maior tempo possível na alta. Talvez até aumentar o horário de funcionamento e contratar temporários para maximizar os lucros da temporada.

Fui almoçar e…

No outro lado da argumentação, além do cansaço acumulado por tocar uma operação em ritmo frenético nestes cerca de quatro meses, trabalhar até o fim do verão significa ter para as férias pessoais o outono (que é lindo, mas…), um período menos convidativo, de dias cada vez mais curtos e temperaturas cada vez mais baixas.

Confesso que não foi fácil entender de cara essa opção pelas férias. Mas, pessoalmente, eu respeito muito essa escolha. Fechar seu estabelecimento no meio da alta temporada é tanto um reconhecimento aos funcionários que deram duro nos meses anteriores, quanto um recado a todos de que ali há pessoas que priorizam conforto e bem-estar ao invés de dinheiro.

Dei como exemplo bares e restaurantes, mas isso acontece de uma forma meio que geral pelos mais variados tipos de serviços. Fecham-se papelarias, drogarias e floriculturas (como a da foto). É difícil encontrar dentistas ou advogados atendendo, por exemplo.

Enfim, pode ser bem frustrante dar de cara com a porta fechada e um recado comunicando a data de retorno, mas eu não vou julgar aquele que só quer tirar um tempo para descansar e estar com os seus.

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Não seja um turista inconveniente

A frequentemente assediada estátua do trabalhador em Bratislava, Eslováquia

Eu nasci e cresci em São Paulo, uma cidade que não vive necessariamente do Turismo, passei uma temporada em Dublin, que também não é dos destinos europeus mais badalados, mas foram nesses meses aqui no Porto que eu tive contato mais próximo com um local que vive intensamente a indústria de viagens. Neste verão o Porto foi tomado por turistas de um jeito que os locais nunca haviam visto. Os números mais tarde vão dizer se recordes foram batidos, mas a sensação é de que, de fato, a cidade estava mais cheia do que nunca.

Ótimo para a economia e para aqueles que vivem do Turismo, nem tão bom assim para quem vive alheio a essa universo. Pela primeira vez como morador de uma cidade-destino, eu tive que driblar turistas quando eu queria apenas chegar ao mercado; vi ruas amanhecerem sujas diante das noitadas dos estrangeiros; fui paciente para entender que, mesmo longe de casa, as pessoas carregam seus hábitos locais.

Pode soar extremamente prepotente para alguém que mal se instalou numa cidade cheia de turistas, mas resolvi pontuar aqui alguns hábitos comuns que acredito serem facilmente contornáveis – já que eu realmente acredito que há mais falta de atenção do que falta de educação, propriamente.

Com meu pai, sendo inconveniente na hora da folga do rapaz

Cultura
Instintivamente achamos que todos os lugares funcionam tal qual sua própria cidade. Aqui se atravessa a rua na faixa? O semáforo é respeitado? Tem fila para entrar no ônibus? Parece óbvio, mas em cada lugar as coisas são de um jeito. Um dos meus exercícios prediletos quando sou turista é a observação. Paro, olho, analiso, pergunto e, por falta de termo melhor, copio os locais – mesmo (ou principalmente) nas coisas mais simples. Ganha a cidade, já que a compreensão diminui a possibilidade de atritos, e ganha o turista, que tem a chance de experimentar uma forma de viver que não seria tão óbvia em um primeiro momento.

Cotidiano
Turista é um ser meio perdido por excelência e disso não vou reclamar jamais, faz parte do negócio. Tem vezes que é preciso mesmo parar a caminhada para checar o mapa ou uma sinalização, mas não custa nada dar uma olhada ao seu redor antes de fazer isso. Não é raro ver gente parando ao pé de escadas rolantes, na porta do metrô/trem ou na beira de uma via, atrapalhando um fluxo de pessoas que têm n outros motivos para estar ali.

Serviços
Suas férias são sagradas, claro que são. Quem lhe serve, seja em um hotel, restaurante ou atração, trabalha justamente para que este seja um momento livre de preocupações. Mesmo assim, má experiências acontecem, humanos são passíveis de erro. Dito isso, acredito que descontar frustrações em funcionários é uma forma muito injusta de lidar com seus problemas. Exija o retorno por um serviço que contratou, evidentemente, mas seja razoável quando suas expectativas não forem alcançadas.

Inconveniente em Sintra, Portugal

Conservação
Por mais que viva do Turismo, um destino também é a casa de quem ali mora. Às vezes tenho a impressão de que alguns (poucos) turistas enxergam essas cidades de forma descartável. Que elas estão lá para seu próprio usufruto, independentemente dos moradores ou dos que venham a visitar no futuro. Para mim parece razoável esperar que convidados cuidem da casa do anfitrião tão bem (ou melhor) quanto cuidam da sua própria casa.

Apesar de incomodar, certamente esses pontos não são os piores reflexos do Turismo em massa em uma sociedade. É extensa e muito mais profunda a discussão sobre o Overtourism (Turismo em excesso) e a sua consequência direta, a Turismofobia. Para quem quer ler mais sobre o tema, a amiga e repórter da Panrotas, Karina Cedeño, publicou recentemente uma série de reportagens analisando o fenômeno. Nela, a repórter traça um panorama geral do Turismo em grande escala, abordando a discussão sob o olhar de grandes destinos, da indústria de cruzeiros, de órgãos governamentais e dos profissionais do mercado.

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Os 14 patrimônios culturais da Unesco em Portugal

Os patrimônios naturais e culturais da Unesco nasceram para atestar a importância e a relevância de determinados locais e, sobretudo, para garantir sua longevidade por meio de ações de conservação. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura colocou em prática essa ideia na década de 1970 e, desde então, mais de mil áreas, em 167 países, entraram na lista.

Além do evidente ganho em preservação, entrar no grupo da Unesco também faz com que essas regiões façam uso de uma vitrine capaz, por si só, de alavancar o Turismo e atrair um público que até então desconhecia certos destinos. A cidade de Elvas é um exemplo. Listada em 2012 por hospedar uma fortaleza do século 17, em pouco mais de cinco anos a região viu o fluxo turístico local crescer 300%.

Espalhados por todos os continentes, a maior concentração de patrimônios está na Europa. Aqui em Portugal não é difícil topar com a plaquinha que identifica áreas tombadas como patrimônio pela Unesco. Por ter cruzado com algumas nos últimos meses, resolvi listar todas as 14 áreas identificadas pela entidade no país. Confira a lista abaixo (entre parênteses, o ano em que as regiões foram tombadas pela Unesco):

(Turismo Açores)

Angra do Heroísmo (1983)
No distante arquipélago dos Açores, região autônoma portuguesa no meio do Oceano Atlântico, está a cidade de Angra do Heroísmo. Parada estratégica durante as expedições ultramarinas, a cidade se desenvolveu desde o século 16. A importância de seu centro histórico e das fortificações militares fizeram de Angra do Heroísmo uma das primeiras cidades portuguesas a integrar a lista da Unesco.

(Flickr/Oscar Cuadrado Martinez)

Convento de Cristo, Tomar (1983)
O complexo do Convento de Cristo, em Tomar, é um dos maiores exemplares de construção religiosa da Europa. Com obras entre os séculos 12 e 18, o convento reúne elementos arquitetônicos românicos, góticos, manuelinos, renascentistas, maneiristas e barrocos. Um dos destaques da construção é a charola, inicialmente um oratório privativo, com o tempo o espaço se tornou a capela-mor do Convento de Cristo.

(Flickr/Pedro Caetano)

Mosteiro da Batalha (1983)
Em 1385 a Batalha de Aljubarrota definiu a vitória definitiva dos portugueses sobre os castelhanos. Para celebrar o feito e em agradecimento à Virgem Maria, o vitorioso rei D. João I mandou construir o Mosteiro da Batalha – que só foi finalizado quase dois séculos depois. A marcante presença do estilo manuelino, com traços do gótico final europeu, é a credencial para que o Mosteiro figure na lista da Unesco.

(Visit Lisboa)

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém (1983)
Talvez o Patrimônio Cultural mais visitado pelos brasileiros em Portugal, o Complexo de Belém se divide entre a Torre, nas margens do Tejo, e o Mosteiro dos Jerónimos. Ambos datados do século 16, as edificações construídas na dinastia de Avis são uma mostra do poder de Portugal durante a Era das Descobertas: a Torre, pelo caráter defensivo; os Jerónimos, pela pomposidade da construção.

(Flickr/François Philipp)

Centro Histórico de Évora (1986)
Évora, no Alentejo, já foi a segunda cidade mais importante de Portugal. Era o século 15 e os reis desses tempos costumavam passar períodos na região, motivo pelo qual a cidade ganhou construções históricas como os conventos de Santa Clara e dos Lóios ou o Palácio de D. Manuel. Uma cidade-museu, Évora também guarda memórias de um passado longínquo, da presença dos Mouros (rua da Mouraria) e dos romanos (Templo Romano), por exemplo.

(Flickr/Angel de los Rios)

Mosteiro de Alcobaça (1989)
Em 1153 foi fundada a Abadia de Santa Maria de Alcobaça, que 20 anos mais tarde iniciou as construções de seu mosteiro. Por muito tempo a cidade no Centro de Portugal foi uma das poucas no país a hospedar um templo de arquitetura genuinamente gótica. Ficam lá os túmulos de D. Pedro I e Inês de Castro, amor proibido retratado por Camões nas páginas de Os Lusíadas.

(Visit Lisboa)

Sintra (1995)
Refúgio da aristocracia portuguesa e de ricos estrangeiros no século 19, Sintra se desenvolveu como um dos centros da arquitetura romântica na Europa. Lá estão obras tocadas pela realeza lusitana, como o Palácio Nacional de Sintra e o Palácio Nacional da Pena, mas também construções de moradores abastados, como o Palácio de Monserrate e a Quinta da Regaleira. A singularidade e a conservação dos palácios foram alguns dos motivos para que a cidade entrasse na lista da Unesco.

Centro Histórico do Porto (1996)
A Ribeira, a Ponte Luís I e o Mosteiro da Serra do Pilar compõem, juntos, o famoso cenário das tantas fotografias tiradas pelos turistas que visitam o Porto. O coração da segunda maior cidade de Portugal é tombado pela Unesco por ser a representação física, com seus prédios e construções históricas, do desenvolvimento ocasionado pela herança comercial da região.

(Flickr/Nmmacedo)

Vale do Côa e Siega Verde (1998, 2010)
Único parque arqueológico na lista portuguesa, o Vale do Côa (listado pela Unesco em 1998) e a jazida de Siega Verde (2010) ficam localizados no Norte de Portugal, próximos da fronteira leste com a Espanha. Representante do passado pré-histórico da região, foram encontrados no vale gravuras em pedra datadas do Paleolítico Superior (22 mil a 10 mil anos a.C.).

Alto Douro (2001)
Apesar do nome, a produção do vinho do Porto nunca foi feita nesta cidade. As uvas são cultivadas e o vinho processado a mais de 100 quilômetros dali, no vale do rio Douro, ou Alto Douro. As montanhas talhadas por quase dois mil anos de produção vinícola criam um cenário único, assim como é única no mundo a produção do vinho fortificado da região.

(Guimarães Turismo)

Centro Histórico de Guimarães (2001)
“Portugal nasceu aqui” é uma frase comumente ouvida em Guimarães. Não é exagero dizer que a identidade e a língua portuguesa nasceram na cidade do Norte, primeira capital do país, no século 12. O bem conservado centro histórico de Guimarães, com edificações originais que datam desde o século 10, mostra a relevância que a cidade teve em diferentes momentos da história portuguesa.

(Turismo Açores/M Rocha)

Ilha do Pico (2004)
O português é alguém intimamente ligado ao vinho. Para onde fosse o levaria e a Ilha do Pico, segunda maior do arquipélago dos Açores, é prova disso. Lá a cultura foi implementada desde o século 15 e existe até hoje. As características únicas das vinhas centenárias, que exigiam cuidados específicos como a proteção contra a água do mar, colocaram a cidade na lista da Unesco.

(Flickr/Oscar Cuadrado Martinez)

Fortaleza de Elvas (2012)
Diante de séculos de invasões mouras e muçulmanas, a estratégica cidade de Elvas, no interior de Portugal, foi ganhando importância militar com as Guerras de Reconquista. A necessidade de se defender foi traduzida na construção da maior fortificação em estrela da Europa. O complexo, que contém castelo, praça-forte, fortes, aqueduto e muralhas, é exemplar único de seu tipo no continente.

(Turismo do Centro)

Universidade de Coimbra (2013)
Os mais de 700 anos de história fazem da Universidade de Coimbra uma das mais antigas instituições de ensino superior europeias ainda em operação. Além da importância histórica e a relevância atual (são 25 mil estudantes), o complexo possui construções notáveis, como o Paço das Escolas, a Biblioteca Joanina e o Jardim Botânico.

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Os termômetros chegaram a 40 graus na Europa

Praia de Matosinhos, em Portugal (Flickr/alopzm)

Quem não lembra das notícias sobre a série de altas temperaturas que dominou o verão europeu no ano passado? Em 2017, Portugal sofreu muito com o calor, seja no desconforto para a população (e visitantes), seja nos devastadores incêndios em áreas florestais. O que parecia ser ato isolado, “temperaturas mais altas dos últimos anos” ou acidente de percurso, ganhou uma incômoda sequência neste 2018.

Essa introdução toda para dizer que está um calor quase que insuportável por aqui. A onda chegou de vez na Europa e, em um primeiro momento, mostra que será tão extrema quanto a anterior. Aqui no norte de Portugal a situação é até mais “amena”, com termômetros chegando aos 35 graus, mas não indo além disso.

Temperaturas em Portugal nesta sexta-feira, 3 (Reprodução/O Tempo.pt)

Mais ao sul do país a situação piora. A máxima de hoje para Lisboa é de surreais 42 graus, com a manutenção das temperaturas acima dos 40 graus por todo o final de semana. Nas regiões vizinhas de Ribatejo, Alto Alentejo e Baixo Alentejo, os termômetros podem marcar até 43 graus!

O mesmo acontece na Espanha, com altas por todo o país. O Norte, assim como em Portugal, está um pouco menos severo. Em Zaragoza, por exemplo, termômetros marcam 38 graus. Na região central, a capital Madri enfrenta 41 graus, enquanto que no sul, de Sevilha, as temperaturas estão em 42 graus.

Todo o noticiário local tem focado nas temperaturas extremas, divulgando focos de incêndios controlados (ou não) ou repetindo os alertas de segurança passados pelas autoridades. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) declarou que o país está e irá se manter pelos próximos dias em alerta vermelho, o mais grave da escala.

Além dos possíveis focos de incêndio, a preocupação do órgão é com o risco elevado de exposição à radiação ultravioleta (UV). Por isso, a recomendação é de que a população utilize óculos de sol, chapéu, camisetas, guarda-sol e protetor solar.

Se você está a caminho da Europa, principalmente Portugal e Espanha, se prepare. A massa de ar seco e quente proveniente do Norte da África, razão pela qual as temperaturas estão tão extremas, deve se manter pelo continente por mais alguns dias. Se proteja do calor, bebam muita água, procure atividades internas (como museus) e deixe para caminhar a céu aberto quando o sol estiver mais baixo (por volta das 20h/21h).

Para aqueles que viajam por esses países de carro, não deixem de checar o portal fogos.pt. O site mostra em tempo real a situação em áreas de risco de incêndio, que podem fechar estradas ou ameaçar regiões povoadas.

Caso esteja pela região, deixe nos comentários os seus relatos de como têm enfrentado esse calor. Acompanhe a jornada do Viajante 3.0 pela blogosfera da PANROTAS e também pela conta no Instagram.

Verão na Europa: sim ou não?

Praia de Cascais, próxima de Lisboa

Se você é daqueles que busca respostas rápidas: sim, não há momento melhor de se estar na Europa do que no verão. Parece uma questão óbvia, mas são diversos os pontos que devem ser levados em conta. Se você quer saber o porquê disso, fica aqui comigo e leia o texto até o fim.

Estamos oficialmente no verão, o ápice da alta temporada na Europa – por aqui, a alta vai de maio ao final de agosto, enquanto que o verão se limita ao período entre 21 de junho e 23 de setembro. É um momento de cidades cheias, vivas e abertas, com muitas atividades para os públicos local e não-local. Neste post eu vou pontuar alguns dos prós e contras das visitas na época mais quente do ano. Como eu já dei o spoiler no primeiro parágrafo, o resumo da história é favorável para o turista no Velho Continente.

Contras

Para criar um suspense e deixar você na expectativa, vou começar pelos contras. Apesar de serem pontos menos favoráveis, nenhum deles, na minha opinião, é suficientemente ruim a ponto de fazer alguém desistir de vir para cá.

O primeiro deles são as filas. Por mais que você escolha um lugarzinho remoto da Europa, é muito provável que alguém pensou no mesmo e estará lá ao seu lado, dividindo o mesmo espaço. Se o caso são os grandes destinos, as filas e esperas e multidões serão uma certeza. Ir para a viagem consciente disso ajuda um bocado. O alento é que, não importa a cidade em questão, há sempre opções interessantíssimas fora do circuito turístico – como eu destaquei na minha visita a Veneza. Pesquise, pergunte, explore…seja na Europa ou não, as cidades têm muito mais a oferecer do que mostra o cartão postal.

O lotado Mercado Central de Budapeste, na Hungria

Mais gente interessada, mais caro o produto fica. A lei da oferta e da procura entra em ação no Turismo nas altas temporadas e isso será notado em praticamente todas as etapas da viagem, da passagem aérea ao drinque antes do jantar. Há destinos que inflacionam mais do que outros e a pesquisa prévia é mais uma vez essencial para que você consiga contornar os reajustes exagerados.

A hospedagem ganha um parágrafo só para ela por unir os dois itens anteriores. Os preços das diárias, flutuantes ao longo de todo o ano, sobem invariavelmente assim como cresce o número de hóspedes. Isso significa que, por vezes, concessões deverão ser feitas: leia-se pagar mais pelo padrão que você está acostumado; pagar o mesmo mas aceitar algo mais simples; ou pagar bem mais em um nível acima para garantir um lugar no hotel/rede de preferência.

As temperaturas, o próximo item, vão ser levadas em conta tanto para o bem como para o mau. O verão europeu pode ser extremo em algumas partes do continente, principalmente nas proximidades do mediterrâneo. No ano passado, termômetros de regiões de Portugal, Espanha, França, Itália e Croácia passaram dos 40 graus e exigiram que governos emitissem alertas de atenção à população. Viver sob calor intenso não é agradável e turistar, caminhando por horas em céu aberto, não é diferente.

Teatro a céu aberto no Iveagh Gardens, em Dublin

Prós

Se você chegou a esse ponto do texto, leu todo o lado pessimista da história, e não desistiu de viajar, então com certeza os itens abaixo só vão lhe deixar ainda mais certo de que é na Europa que você quer passar seu próximo verão.

Como prometido, o clima volta a ser citado. A não ser que você tenha escolhido passar o mês todo no Reino Unido, o verão é o momento do ano no qual dificilmente chuvas atrapalharão seus planos. Dias ensolarados e abertos são comuns e há grandes chances de que aquele esperado passeio seja feito debaixo de céu azul – “grandes chances” não significa 100% de certeza, ok? O tempo pode virar, vocês sabem como isso funciona.

Os dias na Europa são looongos no verão. Esse é um dos meus fatores favoritos e de fato tem uma influência enorme no planejamento da viagem. Dependendo de onde você está no continente, o sol não desaparece antes das 21h. Em geral são cerca de 14 horas naturalmente iluminadas que dão ao turista a chance de explorar bairros e cidadezinhas por completo. Um ponto extra nesse item é o horário de funcionamento das atrações. Por conta dos dias mais longos, parques, museus e feiras estendem seus expedientes e ajudam a preencher ainda mais o roteiro do dia.

Palácio de Schöbrunn, em Viena, no inverno (esquerda) e verão (direita)

Por último, um ponto que só é melhor notado quando se compara as estações em um mesmo lugar. Assim como em pessoas, o “humor” da cidade também altera conforme sai o frio e chega o calor. No verão europeu, espere por cidades vivas e coloridas, com uma nova roupagem para a estação, cheias de festivais e de atividades – há sempre programação gratuita nas grandes cidades, fique ligado!

De uma forma geral – excluindo destinos de neve, obviamente -, o verão é sim o melhor momento para se visitar a Europa. Ter dias movimentados, cheios de atividades e com tempo agradável, certamente reduzirá os efeitos negativos que os preços e as filas causarão no viajante.

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Kotor, a porta de entrada para Montenegro

A baía de Kotor, cercada por montanhas, vista durante a saída do navio

Apesar de a viagem a bordo do Ovation não ser um cruzeiro “oficial”, ser apenas uma viagem-teste (shakedown cruise, eles chamam), todo o serviço da Seabourn está em operação – até porque a proposta é deixar o navio prontinho para os primeiros passageiros pagantes. Nesse sentido, a companhia também promoveu uma de suas paradas em destinos exóticos.

O porto escolhido foi o da pequena Kotor, cidade na saída de Montenegro para o mar Adriático. O país é uma ex-nação iugoslava que ao longo da década de 90 estava dentro de território sérvio e, em 2006, se tornou completamente independente. Apesar de não ser membro da União Europeia, o montenegrino utiliza no dia a dia o Euro de forma unilateral – algo que vem a calhar, já que, por conta de sua história e belezas naturais, a economia de Montenegro é fortemente baseada no Turismo.

Vielas da Cidadela de Kotor e, ao fundo, o monte de San Giovanni

Não é de hoje que Kotor recebe visitantes. Desde o século 6, quando a região fazia parte do Império Bizantino, a cidade possui fortificações que mostram sua importância comercial e defensiva. Ao longo dos séculos, essas construções foram tomando as formas da hoje conhecida como Cidadela de Kotor.

Passear pelas ruinhas da Cidadela é um misto de viagem no tempo e parque temático. É possível se perder nas vias minúsculas do que um dia foi o centro de Kotor, apenas caminhando sem rumo, apreciando o cenário que une arquitetura medieval e a bela montanha de San Giovanni na qual a cidade se recosta. Mas também há áreas totalmente feitas para turistas, com grandes restaurantes e bares, com lojas de souvenir e roupas. É democrático, você escolhe a forma de turistar que curtir mais.

Por falta de tempo, não consegui fazer a trilha até o Castelo de San Giovanni (€ 8), no topo da montanha. Utilizando as muralhas da fortificação como estrada, a íngreme caminhada demora em torno de uma hora e, lá de cima, dizem que a vista de Boka Kotorska, a baía de Kotor, é única.

A vista da baía de Kotor durante a trilha para San Giovanni (Wikimedia Commons/Ggia)

De volta ao centro da Cidadela, só que do lado de fora de seus muros, vale uma visita rápida ao pequeno mercado local, que exibe frutas e legumes, mas também iguarias como azeitonas, queijos e prosciuttos típicos da região. Apesar de estar em área totalmente turística, os preços do mercado não são tão exorbitantes – um mix com três variedades de queijos, por exemplo, sai por menos de € 10.

Pela beleza do trajeto, cortando as imponentes montanhas em uma espécie de fiorde (na verdade são rias), não posso evitar de sugerir a entrada/saída da cidade pela forma que ela historicamente é feita, pelo mar. Nos dias de hoje essa opção não é tão acessível assim, mas há empresas que oferecem todo o tipo (e preço) de passeio pela baía, vale conferir.

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Road trips: opções e custos de viagens saindo do Porto

No mapa, os destinos sugeridos para road trips desde o Porto (Reprodução/Google Maps)

Apesar das grandes distâncias entre destinos, a viagem rodoviária pelo Brasil é praticamente um patrimônio da nossa cultura nacional – sendo até mesmo explorada comercialmente, com marcas se afirmando apaixonadas por carro “como todo brasileiro”. Para quem tem este costume, a realidade europeia soa como ideal: estradas estruturadas, distâncias curtas e custos relativamente mais baixos.

Se são necessárias mais do que 5 horas para chegar ao Rio de Janeiro desde São Paulo, o mesmo tempo na Europa é o suficiente para que fronteiras fiquem para trás e novas línguas e culturas se façam presentes. Já que estou alocado no norte de Portugal, neste post pretendo mostrar algumas possibilidades de viagens de carro ao redor do Porto, onde moro.

Dividi as viagens por tempo de estrada. A quilometragem pode variar dependendo das rodovias disponíveis, mas em geral cada opção está a 1, 3 ou 5 horas de direção – sempre tendo o Porto como ponto inicial.

A charmosa Aveiro, a apenas uma hora do Porto

Bate e volta

Apenas 60 minutos separam o Porto de três cidades incríveis – e que eu recomendo fortemente a visita: Braga, Guimarães e Aveiro. Esta última está ao Sul do nosso ponto de início (77 km) e é tida como a “Veneza lusitana” por conta de seus canais (“rias”). Construções em Art Nouveau completam o charme de Aveiro. Segundo o Via Michelin, o custo da viagem (combustível + pedágios) é € 12.

Guimarães fica a Nordeste do Porto (52 km), uma rota feita em menos de uma hora completa (€ 8 pelo Via Michelin). O vimaranense se orgulha em dizer que “Aqui nasceu Portugal”, já que a cidade era o centro da região de Porto Cale no século 9. Não dá pra deixar de fora da visita o toucinho do céu, bolo à base de ovos e açúcar típico da região.

Ao Norte do Porto (55 km), e muito próximo de Guimarães, está Braga (€ 9 pelo Via Michelin). A cidade de origem romana reflete as marcas de uma história bimilenar, principalmente nos estilos de suas dezenas de igrejas. Construída no século 12, a Sé de Braga é a catedral mais antiga de Portugal (“mais velho que a Sé de Braga”, aliás, é um dito popular em Portugal).

O Padrão dos Descobrimentos, beirando o Tejo em Lisboa

Pra ficar por uns dias

Duas sugestões bem diferentes entre si estão a cerca de 3 horas de direção do Porto: Santiago de Compostela e Lisboa. Não preciso de muito para convencer alguém a visitar a capital portuguesa, vibrante e histórica de uma forma balanceada. Algo que sempre me salta aos olhos é o fato de Lisboa ter sido uma inspiração tão evidente para muitas cidades brasileiras, suficiente para criar uma familiaridade automática entre nós. Cerca de 300 km que podem ser feitos em pouco mais de 3 horas de estrada (a um custo de € 49, segundo o Via Michelin).

O grande motivo para que tantos visitem Santiago de Compostela são as peregrinações dos Caminhos de Santiago, de origem cristã medieval. Religião à parte, a cidade é um destino culturalmente muito rico, englobando aspectos espanhóis e, principalmente, galícios – além de ser uma excelente oportunidade para se provar tapas. A 230 km ao Norte do Porto, a rota é feita de carro em cerca de 3 horas (e a € 40 pelo Via Michelin).

A Plaza Mayor de Salamanca, considerada uma das mais belas da Espanha

Longa estrada

Há quem não se importe com longos períodos de estrada. Para o padrão europeu, cinco horas de direção é uma quantidade razoável. Em Portugal, por exemplo, é o suficiente para praticamente cruzar o país de ponta a ponta.

Fazendo isso desde o Porto, no caso, chega-se a belíssima Faro, no extremo Sul de Portugal. Os 550 km que separam as cidades podem ser realizados em 5 horas e meia (a um custo de € 88). É a cidade mais importante do Algarve, região que é conhecida pelas altas temperaturas e por ter as melhores praias de Portugal. Seu passado mouro é outro atrativo, refletido na arquitetura de Vila Adentro de Faro.

Cruzando a fronteira mais uma vez rumo à vizinha Espanha, são muitas as possibilidades de parada. A que cito aqui é Salamanca por ser um exemplar do que há de mais tradicional na cultura espanhola – sua Plaza Mayor, por exemplo, é uma das mais belas (e culturalmente ativas) do país. Em geral a viagem para Salamanca dura menos do que as 5 horas desta “categoria”, só que, saindo do Porto, a sugestão é fazer o percurso cruzando o Vale do Douro – o que lhe custa uma hora a mais de estrada, mas também rende paisagens de tirar o fôlego. Pelo Via Michelin, o custo do trajeto é de € 39.

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10 torneios: um calendário para unir esporte e viagem

Acredito que a esta altura do ano todo mundo sabe que, em breve, a Rússia sediará a edição 2018 da Copa do Mundo de futebol. Com os olhos de todos voltados para o país, a Europa como um todo quer tirar proveito dessa onda de turistas que deve visitar o continente entre junho e julho com um propósito: curtir o torneio esportivo mais importante do ano.

Unir férias à paixão esportiva é sonho de muitos e isso não deveria se limitar a mega eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas. Em 2018, a programação de torneios com potencial turístico na Europa é incrível e o Viajante 3.0 resolveu preparar um calendário para você que tem passagem comprada para o Velho Continente em breve.

Até que não é má ideia aproveitar passagens por cidades como Londres, Paris, Berlim, e Moscou para apreciar os melhores do mundo em ação, independentemente do esporte em questão. Este calendário contém alguns torneios óbvios, aguardados por todos, mas alguns que podem servir de inspiração para viagens futuras. Confira abaixo:

Tour de Corse (Divulgação/FIA)

Rali mediterrâneo
O cenário e o clima mediterrâneo da ilha de Córsega por si só já valem uma visita. Entre 5 e 8 de abril, no entanto, a ilha francesa recebe uma das etapas do campeonato mundial de rali (Tour de Corse). Baseado em Bastia, a corrida possui 12 etapas que passam por estradas e vilarejos pitorescos da região.

Maratona de Londres (Divulgação/Virgin Money London Marathon)

Maratona da Rainha
Uma das mais tradicionais maratonas acontece anualmente em Londres. As ruas da capital inglesa se transformam com os mais de 40 mil corredores inscritos na competição, que corta a cidade desde Blackheath até The Mall. Em 2018, a corrida será realizada no dia 22 de abril – com a Sua Majestade, por um telão, dando a largada oficial.

UEFA Champions League (Divulgação/Федерація Футболу України)

Aquecimento para a Copa
O grande evento do universo do futebol este ano acontece na Rússia. Muito próximo de lá, no entanto, será disputada a partida mais importante antes da Copa. A três semanas do início do mundial, a capital da Ucrânia, Kiev, será sede da final da Liga dos Campeões (no dia 26 de maio). Os maiores clubes europeus (com os melhores atletas do esporte) prometem um bom aperitivo do que veremos nos gramados russos.

Roland Garros (Divulgação/Fédération Française de Tennis)

Terra batida em Paris
Muita coisa rola em Paris o ano todo. Mas para quem é fã de tênis, junho tem um significado especial: o torneio de Roland Garros. A Cidade Luz ganha novos ares com a disputa do Grand Slam no saibro (aquela terra batida), em uma competição que reúne os melhores tenistas da atualidade. Neste ano, as partidas acontecem entre 21 de maio e 10 de junho.

Seleção rumo ao hexa (CBF/Lucas Figueiredo)

Copa na Rússia
Talvez esse seja o grande motivo para que muita gente tenha escolhido a Europa para as férias de 2018. A oportunidade de conhecer um país tão rico histórica e culturalmente como a Rússia e ainda por cima acompanhar o maior evento esportivo do ano são ingredientes infalíveis. De 14 de junho a 15 de julho, o mundo vai parar para acompanhar a Copa do Mundo de futebol – e, se for possível, porque não ver tudo isso de perto?

Tour de France (Divulgação/Le Tour de France)

A França em uma bicicleta
O Tour de France é uma das competições mais importantes do ciclismo mundial, este ano realizado entre 7 e 29 de julho. A vantagem para quem visita o país e quer curtir a emoção da prova é que, com três semanas e 21 etapas, os competidores rodam quase que toda a França. No dia 29, Paris recebe a chegada triunfal dos ciclistas, uma boa data para estar pela Champs Elysées.

Sailing World Championships (Aarhus 2018/Mick Anderson)

Nas águas dinamarquesas
A baía de Aarhus, na Dinamarca, será a casa dos melhores velejadores do mundo entre 30 de julho e 12 de agosto. Lá será realizado o Campeonato Mundial de Vela de 2018, reunindo todas as 10 classes disputadas nas Olimpíadas. Se estiver de passagem pelo país nórdico no período, o torneio pode ser o convite que faltava para você conhecer uma nova região.

Fórmula 1 (Divulgação/FIA)

A elite do automobilismo
Como a Fórmula 1 roda por diversas cidades europeias, eu resolvi juntar tudo em um item só. Aproveitar a visita a destinos incríveis e ainda acompanhar uma corrida de perto é o sonho de qualquer amante da velocidade. Nesta temporada, a F1 na Europa passará por Espanha (Barcelona, 13/5), Mônaco (27/5), França (Le Castellet, 24/6), Áustria (Spielberg, 1º/7), Inglaterra (Silverstone, 8/7), Alemanha (Hockenheim, 22/7), Hungria (Budapeste, 29/7), Bélgica (Spa, 26/8), Itália (Monza, 2/9) e Rússia (Sochi, 30/9).

BMW Berlin Marathon (SCC EVENTS/Camera4)

42 km em Berlim
Em setembro, no dia 16, é a vez de Berlim sediar sua maratona. Na 45ª edição, a prova reunirá cerca de 40 mil corredores de rua – e ainda outro grupo que atravessará as ruas da capital alemã sob rodinhas de patins. Passando por pontos icônicos da cidade, o trajeto da corrida termina no monumental Portão de Brandemburgo.

Quiksilver Pro France (Flickr/Antoine Thibaud)

Surfando ondas europeias
Quem já esteve no litoral europeu sabe que sol e calor não são garantias de um mar convidativo para mergulhos. Ainda assim, duas cidades do Velho Continente recebem etapas do campeonato mundial de surfe. Se a água é gelada demais para um mergulho, porque não assistir os melhores surfistas em ação? Quiksilver Pro France (em Landes, de 3 a 13 de outubro) e MEO Rip Curl Pro Portugal (em Peniche, de 16 a 27 de outubro) são as duas provas europeias – que, em 2017, tiveram o brasileiro Gabriel Medina como vencedor.

20 horas em Amsterdã; uma visita expressa à capital holandesa

A bela estação de Amsterdam Centraal

Não há muito consenso na indústria da aviação sobre qual é o tempo ideal para a conexão entre voos. Na prática, a gente bem sabe que ficamos longe do que seria esse ideal e, para conseguir melhores ofertas ou chegar àquele destino remoto, enfrentamos horas a fio de espera em saguões de embarque.

Nessa situação, sair do aeroporto para dar uma volta surge como a opção perfeita. Cada cidade tem sua especificidade que deve ser levada em conta, como distância do aeroporto para o centro, oferta e custo do transporte de/para o aeroporto e facilidade de se locomover uma vez na cidade. Mais importante do que tudo isso é saber se o país em questão permite a saída com o passaporte que você possui (se é exigido visto ou se é necessário o pagamento de alguma taxa, por exemplo). Portanto, sempre cheque esses pontos antes de cogitar a saída de um aeroporto.

De trem, o percurso Schiphol-Centraal demora cerca de 20 min

A caminho do Porto desde Guarulhos, minha conexão (daquelas bem longas) foi em Amsterdã. É verdade que eu tinha um propósito, que era testar o assistente pessoal da KLM – eu contei como foi neste post. Mas mesmo assim eu aproveitei as 20 horas ociosas na capital holandesa para simplesmente caminhar, sem muito rumo, sem grandes programações.

A ligação do aeroporto de Amsterdã-Schiphol com o centro da cidade é tão simples que é possível aproveitar conexões mesmo não tão extensas quanto a minha – eu diria que, a partir de 6 horas de conexão, é possível fazer um passeio tranquilo sem medo de perder o próximo voo.

A viagem entre Schiphol e Amsterdam Centraal (estação principal, próxima de diversos pontos de interesse da cidade) leva menos de 20 minutos. A passagem (€ 5,30) pode ser comprada em máquinas ainda nas esteiras de bagagem ou no saguão de desembarque. Como os bilhetes não especificam o horário do trem, apenas o dia a ser utilizado, uma sugestão é comprar de uma vez a ida e a volta para evitar outra fila no retorno ao aeroporto.

Compra de passagens é feita em guichês na saída do aeroporto

Há a opção de passes ilimitados para todo o sistema público de transportes de Amsterdã (€ 16 para um dia), mas como a ideia aqui é realizar passeios curtos e próximos da estação Centraal, eu preferi fazer esses trajetos a pé.

É impressionante a quantidade de atividades que pode ser feita em uma raio de 2 km de distância de Amsterdam Centraal. Sendo o tempo um limitador vou me conter a essa distância, por isso não citarei atrações como o Van Gogh Museum, o Rijksmuseum, o Vondelpark e o Heineken Experience, alguns dos queridinhos dos turistas na cidade.

Mesmo assim, dentro deste limite estipulado ficam museus, praças, monumentos, ruas e canais que dão um panorama bem abrangente do que é a Amsterdã turística. Pode soar contraditório, mas a dica aqui é não ter pressa. Na minha opinião, é melhor escolher duas ou três atrações e conhecê-las com profundidade do que tentar ticar toda uma lista de atividades que em ritmo normal necessitariam três dias de visita.

A Casa Anne Frank (1,7 km de Centraal) é a primeira sugestão. A oeste da estação central, o museu aborda a ocupação nazista na Holanda sob o olhar da pequena Anne Frank, garota que, escondida em casa com sua família, retratou em um diário a realidade do que era ser judeu em Amsterdã durante a guerra. É importante notar que, por conta de reformas, a venda de ingressos (€ 9 adultos; € 10 a partir de 1º de maio) está sendo feita exclusivamente pela internet.

Centro Velho de Amsterdã (Reprodução/Google Maps)

Para quem prefere se manter ao ar livre, a Dam Square (800 m de Centraal) é o lugar. A grande praça reúne artistas locais, possui um monumento para as vítimas da 2ª Guerra Mundial e ainda hospeda suntuosas construções como o Palácio Real. A caminhada rumo a Dam é uma atração à parte, com suas ruas estreitas, pavimentadas por paralelepípedos e exclusivas para pedestres.

Na sequência da visita a Dam Square, a sugestão é ir em direção ao Red Light District (1 km de Centraal). Conhecido por ser a zona de prostituição da cidade, com suas icônicas profissionais em vitrines, a região é também casa de uma porção de bares e opções de alimentação – seja durante o dia ou durante a movimentada noite.

Se for a sua, uma visita aos coffee shops de Amsterdã pode ser o complemento de sua rápida visita. Eles estão espalhados por todo o centro e não será difícil cruzar com um nas ruelas no entorno da Dam Square ou nos becos de Red Light. Só não perca a noção do tempo, o próximo voo da conexão não tarda.

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